IRelatório
1. A., melhor identificado nos autos, notificado do Acórdão n.º 282/2012 de 30 de maio de 2012, que indeferiu a reclamação da decisão sumária proferida nos presentes autos, veio requerer a sua aclaração, nos termos e com os seguintes fundamentos:
“…
A., tendo sido notificado do Acórdão n.º 282/2012, relatado pelo Juiz-conselheiro JOSE DA CUNHA BARBOSA, VEM formular o seguinte PEDIDO DE ACLARAÇAO:
1 - No Acórdão n.º 282/2012, pode ler-se, a dada altura, entre outras coisas, o seguinte:
«(...) O desacerto da reclamação é ainda flagrante na parte em que, no sentido de sustentar a ilegitimidade da decisão sumária proferida, se serve de considerações doutrinais que não têm qualquer conexão relevante com os fundamentos que motivaram aquela decisão. (...) O mesmo não apresenta, porém, qualquer pertinência para o caso em análise, já que o recorrente, não obstante ter invocado quer no processo, quer no requerimento de interposição de recurso para o Tribunal Constitucional, as mesmas (e variadas) normas e princípios constitucionais, omite em ambos qualquer referência às normas jurídicas (ou interpretações normativas) que alegadamente os contradizem».
2 - Ora, ressalvado o mui e devido respeito, e apelando para a benevolência e paciência do Vosso Tribunal, julgamos que tais dizeres dão a ideia de que o recorrente não terá, por um lado, suscitado tempestivamente as normas jurídicas apodadas de violadoras de dado bloco de constitucionalidade, e, por outro lado, que as normas indicadas o foram em termos não apropriados. Ora,
3 - Deste modo, sem haver lei a legitimar tal apertado entendimento, e sem que indique a sua fórmula, o Tribunal Constitucional encontra-se a enveredar por um “plano inclinado” e propício a inércias ou análises mais ligeiras das “questões de constitucionalidade” que lhe são submetidas.
4 - A condenação em 20 (vinte) Ucs, a título de taxa de justiça, é injusta, desproporcionada e inconstitucional, já que desrespeita os requisitos legais impostos e não se exibe a devida fundamentação, embora não seja um mero despacho de expediente, nos termos e para efeitos do artigo 205.º, n.º 1, da CRP 1976.
PELO EXPOSTO, COLENDO E VENERANDO PROF. DOUTOR MANUEL GENS MOURA RAMOS, PRESIDENTE DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL, REQUER-SE A ADMISSÃO E CONHECIMENTO DO ORIGINÁRIO RECURSO DE CONSTITUCIONALIDADE TEMPESTIVAMENTE INTERPOSTO, DEVENDO CONSIDERAR-SE QUE O MESMO REFERE CABAL E DEVIDAMENTE AS NORMAS JURÍDICAS E OS “BLOCOS DE CONSTITUCIONALIDADE” AFETADOS PELAS MESMAS, TENDO SIDO FEITO USO DE “FÓRMULA” ADEQUADAS.
REQUER-SE A REVOGAÇAO DA CONDENAÇÃO EM TAXA DE JUSTIÇA DE 7 E 20 UCS JÁ QUE CARECEM DE FUNDAMENTAÇÃO DE FACTO E DE DIREITO, AINDA QUE NÃO SEJAM MERO DESPACHO DE EXPEDIENTE NOS TERMOS E PARA EFEITOS DO DISPOSTO NO ARTIGO 205.º, N.º 1, DA CRP 1976.
…”.
2. A recorrida, notificada de tal pedido de aclaração, nada disse.
Cumpre apreciar e decidir.