068168 - Supremo Tribunal de Justiça
Supremo Tribunal de JustiçaSTJ
Relator: João Moura
Processo: 068168
Acórdão
Descritores: Contrato-promessa de compra e venda, Culpa, Formação do contrato, Incumprimento do contrato, Impossibilidade do cumprimento, Bens comuns do casal, Conjuge, Responsabilidade
Decisão: Concedida parcialmente a revista
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Revista
Nr Convencional: JSTJ00008537
Nr Documento: SJ19791219068168X
Referência Publicação: BMJ N292 ANO1980 PAG368
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/5f622ebc0bcf3010802568fc0039c874
Sumário
I - A falta de apresentação, no prazo estipulado, de projectos de construção aprovados conforme clausula de contrato- -promessa de compra e venda de lotes de terreno para construção, e a não comparencia injustificada do promitente-vendedor no dia aprazado para comparencia em cartorio notarial para efeito de outorga de escritura de troca, prevista no mesmo contrato-promessa, traduzem culpa do promitente-vendedor no incumprimento da obrigação. II - Quando se negoceia um contrato-promessa, as partes tem de agir com inteira boa fe sem estipular clausulas cujo cumprimento não possam controlar eficientemente por dependerem da intervenção de terceiros. III - A impossibilidade de o devedor cumprir por facto de terceiro libera-o da obrigação salvo se o terceiro e um auxiliar de que o devedor se serve para o cumprimento por sua parte. IV - A lei não proibe, nem fere de nulidade ou ineficacia, a promessa de venda de imobiliarios comuns feita so pelo conjuge marido; essa promessa significa a promessa de prestação de terceiro, ou seja, a promessa de que a mulher outorgara na escrita de venda. V - A entrada de dinheiro para o casal, com vista a alienação de bens pertencentes a ambos os conjuges, representa um rendimento de patrimonio comum, cuja restituição e da responsabilidade solidaria de ambos os conjuges. VI - A mulher casada que não outorgou em contrato-promessa não pode ter faltado ao seu cumprimento e, por isso, não pode ser condenada em indemnização.