98A1139 - Supremo Tribunal de Justiça
Supremo Tribunal de JustiçaSTJ
Relator: Machado Soares
Processo: 98A1139
Acórdão
Descritores: Interpretação do testamento, Vontade do testador
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Revista
Nr Convencional: JSTJ00038601
Nr Documento: SJ199909280011391
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/6aad237cf308f57c80256a6f004b6530
Sumário
I - No domínio da interpretação do testamento, o CC afastou-se deliberadamente do regime geral do art. 236, e em particular do art. 238, fazendo prevalecer uma solução de pendor marcadamente subjectivista, seguindo, assim, a tradição provinda do Código de Seabra. II - O critério normativo enunciado no art. 2187, n. 1, do CC aponta inequivocamente - diversamente do que ocorre nos negócios entre vivos - como finalidade da actividade hermenêutica, a busca e determinação da vontade psicológica do testador. III - O intérprete do testamento pode socorrer-se de todo o circunstancialismo anterior ou posterior à feitura do testamento, que lhe permita concluir qual a vontade real do testador, para o que poderão servir todos os meios de prova admitidos pelo direito. IV - O que se exige, em nome do carácter solene do negócio testamentário, é que a vontade reconstituída do testador, revelada através de toda uma actividade interpretativa, ancorada em elementos intrínsecos e extrínsecos, tenha um mínimo de correspondência, ainda que imperfeita, no contexto do testamento - art.2187, n. 2, do mesmo código.