3O Direito.
A recorrente, Tesoureira Ajudante Principal em serviço na TFP de Alcobaça, começou a receber de abono para falhas, a que tem direito, apenas 10% do valor do vencimento da sua categoria antes da entrada em vigor no NSR (1/10/89), actualizado em 1993.
Entendendo que tem direito à percentagem de 10% do vencimento ilíquido da sua actual categoria (escalão 2, índice 460), e escorando-se numa decisão proferida pelo TAC do Porto sobre situação semelhante, a interessada solicitou ao Ministro das Finanças que fosse reposta a legalidade, sendo-lhe pago o abono a que se considera com direito, bem como os inerentes retroactivos.
Não tendo obtido decisão sobre esse requerimento, vem recorrer do respectivo indeferimento tácito.
O SEAF excepcionou a existência de caso decidido ou resolvido, com o processamento dos anteriores abonos não impugnados, refutada pela recorrente.
Relegado o conhecimento da excepção para este momento, há que decidir.
Entende a autoridade recorrida que a interessada Maria Guiomar, ao não impugnar o processamento e pagamento dos montantes relativos ao abono para falhas que lhe foram pagos desde 1991, deixou que tais actos se consolidassem na ordem jurídica como casos decididos ou resolvidos.
E que o acto de indeferimento tácito ora impugnado se apresenta como meramente confirmativo, insusceptível portanto de constituir objecto do presente recurso, pelo que este deveria ser rejeitado.
Ora preceitua o artigo 55º da LPTA que o recurso só pode ser rejeitado com fundamento no carácter meramente confirmativo do acto recorrido quando o acto anterior tiver sido objecto de notificação ao recorrente, de publicação imposta por lei ou de impugnação deduzida por aquele.
E o recorrido não logrou provar, como era seu ónus (artigo 342º nº 2 do CC), que alguma das ditas situações tenha acontecido no que respeita ao processamento dos sucessivos abonos para falhas pagos à recorrente desde 1991 até 1998, data em que foram impugnados.
Vai por isso julgada improcedente a excepção deduzida.
4Quanto ao mérito do recurso:
O artigo 18º do Dec.Lei nº 519-A1/79, invocado pela recorrente, dispôs que o abono para falhas a atribuir aos Tesoureiros corresponderia a 10% do vencimento ilíquido de certas categorias (nºs 3 e 4).
Quanto ao pessoal técnico das TFP, o Dec.Lei nº 167/91, de 9 de Maio, definiu as categorias, escalões e índices remuneratórios da respectiva carreira. Nada dispondo expressamente sobre o abono para falhas devido àquele pessoal, remete, no seu artigo 13º, para o regime previsto no Dec.Lei nº 353-A/89, de 16 de Outubro que, no seu artigo 11º, dispôs:
2- Os abonos actualmente praticados com fundamento legal em trabalho extraordinário, nocturno, em dias de descanso semanal ou feriados, em regime de turnos, falhas e em trabalho efectuado fora do local normal de trabalho que dê direito à atribuição de ajudas de custo, ou outros abonos devidos a deslocações em serviço, mantêm-se nos seus regimes de abono e actualização.
3- O montante de abono para falhas previsto no nº 1 do artigo 4º do Dec.Lei nº 4/89, de 6 de Janeiro, é fixado em 10% do valor correspondente ao índice 215 da escala salarial do regime geral.
Daí se deduz que o legislador quis manter estes abonos (entre ao quais o abono para falhas) nos seus regimes de abono e actualização, embora admitindo que o seu valor sofresse actualizações.
Ora, como se refere no Ac. do STA de 14/3/2002 (Rec. 47 923), “no que respeita ao abono para falhas, esse ulterior DL veio a ser produzido – consistindo no DL nº 523/99, de 11/12. Este diploma introduziu um novo critério de atribuição do abono de para falhas previsto no artigo 18º do DL nº 519-A1/79, de 29/12 (cfr. o preâmbulo do diploma), tendo a al. a) do seu art. 2º revogado expressamente tal artigo. E a edição deste diploma vem confirmar a conclusão a que já atrás chegáramos – a de que o regime constante do art. 18º do DL nº 519-A1/79 permanecera em vigor, apesar da emergência do NSR.
No mesmo sentido, aqui exposto, decidiu também o Ac. do Pleno do STA de 3/4/2001 (Rec. nº 45 975), pelo que a recorrente não tinha o direito, que reinvindica, a que o abono para falhas devido lhe fosse calculado com base no vencimento ilíquido actual.
Por isso, o acto impugnado, ao não deferir a pretensão apresentada, não padece do vício de violação de lei que lhe é imputado, razão por que o recurso terá que improceder.
5. Pelo exposto, acordam no 1º Juízo, 1ª Secção, do TCAS em negar provimento ao recurso interposto por Maria ......, não anulando o acto recorrido.
Custas a cargo da recorrente, com taxa de justiça que vai graduada em 300 € e procuradoria em metade.
Lisboa, 23 de Junho de 2 005