1. Em 9.3.11, a fls., foi interposto recurso do Acórdão do STJ de 22.2.11, de fls. para o Venerando Tribunal Constitucional de Lx
2. Por ser legal e tempestivo, em 29.03.11, a fls. foi admitido o recurso interposto
3. Foi então esclarecido que o Exm.º Conselheiro Dr. Urbano Dias jubilou-se em 22.12.10 e que foi substituído pelo Exm.º Conselheiro Dr. Garcia Calejo, sem que tenha sido declarado que essa substituição foi efectuada por SORTEIO e que o mesmo já tinha intervindo como RELATOR no Acórdão prolatado em 29.04.08, de fls., situação que produz impedimento/incompatibilidade legal.
4. Em 31.5.11, a fls., por DECISÃO SINGULAR, o recurso interposto não foi conhecido (art.º 78.º-A, n.º 1 da LTC): “decidiu-se não conhecer do objecto do recurso”.
II – A DECISÃO RECLAMADA
5. No ponto 2 da DECISÃO SINGULAR afirma-se uma realidade de ilegalidade/inconstitucionalidade:
“o recorrente pretende a apreciação da constitucionalidade de uma dada dimensão normativa do art.º 712.º, n.º 5 do Código do Processo Civil (CPC), que contudo, não enuncia qual seja”, mas, linhas a seguir, nega-se essa mesma factualidade, afirmando que “o recorrente imputou o vício de inconstitucionalidade à própria decisão recorrida”.
Termina com um discurso redondo e contraditório: “o recorrente em momento algum enuncia uma norma ou interpretação normativa para lhe imputar o vício de inconstitucionalidade, incumprindo, assim, o ónus de suscitação da questão de constitucionalidade (art.º 72.º, n.º 2 da LTC)”.
Enfim, o estereotipo/chapa feita da decisão habitual e já conhecida, que não diz nada, absolutamente nada ao cidadão e que se perpetuará enquanto não for criado o RECURSO DE AMPARO!!!
É consabido que o Tribunal Constitucional Português só funciona politicamente e que é deficiente e inoperante em termos de fiscalização concreta da constitucionalidade e da legalidade (art.º 280.º da Lei Fundamental)
6. Falta ao nosso sistema constitucional o recurso de AMPARO e enquanto tal instrumento não for criado como nos demais sistemas constitucionais europeus, v.g. alemão, a nossa fiscalização concreta é deficiente ou praticamente inexistente e os direitos de cidadania frágeis ou meramente formais.
7. Veja-se que, no presente recurso, foram suscitadas questões de inconstitucionalidade/ilegalidade da máxima relevância, quer em sede prévia ou preambular, quer em sede principal, de mérito, de modo processualmente adequado perante o tribunal que proferiu a decisão recorrida, em termos de este estar obrigado a dela conhecer (art.º 72.º, n.º 2 da LTC, não obstante, esta norma, com a limitação introduzida, ser de carácter processual manifestamente inconstitucional pelo arbítrio que encerra no seu demolidor conceito indeterminado, susceptível de colidir com os art.ºs 20.º e 204.º da Constituição: há uma limitação da legitimidade).
A. Questões suscitadas em sede prévia/preambular, mas, mesmo assim, de carácter inconstitucional/ilegal
8. A primeira questão prévia/preambular prende-se com a inexistência de qualquer sessão de julgamento no DIA DE PORTUGAL/10 de Junho de 2010, no Tribunal da Relação do Porto.
Efectivamente, em dia de FERIADO NACIONAL não se realizaram julgamentos!!!
Donde, o apregoado julgamento é virtual, uma invenção, uma imaginação, um fingimento que o DIREITO infra-constitucional e constitucional proíbe.
O DIREITO é pela verdade e não pela mentira.
9. A segunda questão prévia/preambular foca a preterição do Tribunal Natural na composição do Colectivo dos Exm.ºs Conselheiros que proferiram o Acórdão do STJ de 22.2.11, de fls. em que o Exm.º Conselheiros dr. Urbano Dias, jubilado, foi substituído pelo Exm.º Conselheiro António Garcia Calejo, sem ter sido POR SORTEIO e ocorrendo impedimento legal, porque o mesmo já tinha intervindo como Relator no Acórdão prolatado em 29.4.08, de fls.
10. E a terceira questão prévia/preambular está interligada com “o caso do precedente”, pois o recorrente trouxe à colação os considerandos produzidos no Acórdão n.º 1.165 do Tribunal constitucional – DR, II Série, de 6.2.97, pag 1.571 – que têm plena pertinência em sede de jurisdição cível quanto ao critério legal e constitucional do princípio da livre apreciação da prova.
11. Ora, as invocadas questões prévias/preambulares não constituem problemática de inconstitucionalidade/ilegalidade de somenos importância constitucional/infraconstitucional, antes pelo contrário têm virtualidade processual/adjectiva para a par com a questão principal/substancial, de mérito, fazerem sucumbir as decisões adversas ao recorrente.
B. Questão principal/substancial de carácter inconstitucional/ilegal
12. A norma do art.º 712.º, n.º 5 aplicada, sem audiência de julgamento no dia de Portugal/Feriado Nacional de 10.6.10, no Venerando Tribunal da Relação do Porto, foi interpretada ilegal e inconstitucionalmente, como decorre manifestamente do texto da própria lei, que determina imperativamente a modificabilidade da decisão de facto, enquanto que a 2.ª INSTÂNCIA DO PORTO, no inexistente Acórdão de 11.6.10 (dia de Portugal/Feriado Nacional) remeteu para a sentença recorrida proferida pelo T J Miranda do Douro, nos termos do art.º 712.º, n.º 5/CPC.
13. E essa ilegalidade /inconstitucionalidade é tão óbvia e flagrante que o recorrente fez de imediato o cotejo desse Acórdão do TR Porto com outro Acórdão do T R Lx proferido em 9.7.09, cuja cópia consta dos autos desde 14.6.10, a fls. – PROC 638/05.OTC LRS – A. L1 – Apelação – 2ª
E chamou à colação os considerandos que foram produzidos no douto ACÓRDÃO n.º 1.165 do TC, publicado no DR, II Serie, de 6.2.97, pág. 1571
14. Na arguição de nulidade deduzida em 27.12.10, a fls., consta do seu ponto 2. o sentido ilegal /inconstitucional que foi dado à norma do art.º 712.º, n.º 5 do CPC.
O TR Porto aplicou a norma do art.º 712.º, n.º 5 do CPC, confirmando a sentença do TJ Miranda do Douro e remetendo para a mesma, o que constitui um sentido ilegal e inconstitucional,, porque o bom e adequado sentido legal/constitucional impunha à Relação do Porto que determinasse ao Tribunal da 1.ª Instância que fundamentasse a sentença recorrida, isto é, considerou que era de alterar a decisão sobre a matéria de facto, e, consequentemente, devia ter julgado procedentes as alegações/conclusões do recurso da sentença do TJ Miranda do Douro, nessa medida, não podia nem devia confirmar a sentença recorrida, nem remeter para a mesma, pelo que com esse procedimento verificou-se flagrante violação das normas imperativas:
a. do art.º 653.º, n.º 2 do CPC; e
b. do art.º 205.º, n.º 1 da Lei Fundamental que obteve concretização na norma do art.º 158.º, n.º 1 do CPC
15. Em conclusão: o TR Porto fez uso indevido dos poderes conferidos pela norma do art.º 712.º; n.º 5 do CPC, dando-lhe um inequívoca sentido ilegal e inconstitucional.
E é nesse sentido que deve ser apreciado o recurso de ilegalidade / inconstitucionalidade interposto pelo recorrente, pelo que não pode manter-se a decisão singular, ora reclamada.
TERMOS em que deve ser revogada a DECISÃO SINGULAR em crise e substituída por outra que decida conhecer do objecto do recurso.
Requer a junção aos autos da presente reclamação/art.º 78.º-A da LTC – Lei 28/82, de 15 de Novembro.»
3. O recorrido não apresentou resposta.
Tudo visto, cumpre apreciar e decidir.
II – Fundamentação
4. A decisão sumária ora reclamada pronunciou-se pelo não conhecimento do objecto do recurso, interposto ao abrigo da alínea b) do n.º 1 do artigo 70.º da LTC, com fundamento na falta de suscitação de uma questão de constitucionalidade normativa, idónea a constituir objecto de um recurso de constitucionalidade.
A presente reclamação em nada abala esta conclusão.
Pelo contrário, o reclamante continua a não conseguir enunciar qual a interpretação normativa cuja inconstitucionalidade pretendia que o tribunal apreciasse, assim como é incapaz de precisar o momento processual onde alegadamente teria suscitado uma tal questão.
No demais, a reclamação tece considerações irrelevantes ou impertinentes para a pretendida modificação do sentido da decisão reclamada.
III. Decisão
Pelo exposto, acordam em indeferir a presente reclamação.
Custas pelo reclamante, fixando-se a taxa de justiça em 20 (vinte) unidades de conta.
Lisboa, 29 de Setembro de 2011. – Joaquim de Sousa Ribeiro – J. Cunha Barbosa – Rui Manuel Moura Ramos.