69 -Estes objectivos prioritários são concretizados nas seguintes perspectivas de desenvolvimento do território:
(Nota à margem: Uma zona litoral setentrional polarizada pela Área Metropolitana do Porto:)
O desenvolvimento de uma vasta zona litoral setentrional, polarizada pela Área Metropolitana do Porto e na qual se podem vir a distinguir:
(Nota à margem: Pólos industriais exportadores com potencial de diversificação;)
A maior constelação existente no País de pólos industriais com tradições e vocação exportadora nas indústrias ligeiras (têxtil, calçado, cortiça, mobiliário, etc.); na fundição e nas indústrias mecânicas, incluindo bens de equipamento para aquelas indústrias ligeiras e produção de veículos de duas rodas e pequenos motores; no material para embalagem e artes gráficas. Estes pólos têm capacidade para desenvolver fornecimentos às indústrias automóvel e aeronáutica e para evoluir, por exemplo, para o fabrico de material de saúde e de novos produtos e sistemas de embalagem;
(Nota à margem: Sectores industriais de média e alta densidade tecnológica;)
Um núcleo industrial de sectores de média e alta intensidade tecnológica nas indústrias de material eléctrico e electrónico e instrumentação que constituirão uma base de exportação directa e um elo de ligação com o resto do tecido industrial do Norte;
(Nota à margem: Eixo Aveiro-Porto-Braga - reforço dos serviços às empresas.)
Um núcleo central de actividades de serviços localizado na Área Metropolitana do Porto, com extensões em Braga e em Aveiro, e que inclui a banca, os serviços às empresas, as interfaces tecnológicas com a indústria, a formação de quadros em gestão, o comércio internacional, etc;
(Nota à margem: Qualificação da agricultura do Norte e Centro Litoral, com peso da pluriactividade.)
Uma cintura agrícola fortemente apoiada numa agricultura de pluriactividade que, para além de abastecer os principais centros urbanos e constituir a base de pólos importantes do complexo agro-alimentar nacional (lacticínios e vinhos), pode diversificar a sua produção para produtos de alta qualidade, trabalho intensivo e com perspectivas de exportação.
Esta extensa região litoral setentrional pode centralizar várias funções geo-económicas de valia nacional, de entre as quais se referem:
(Nota à margem: Promoção das relações europeias, ibéricas e extra-europeias desta vasta zona setentrional litoral.)
Uma relação gradualmente estruturada com um conjunto de países, regiões e cidades do Norte e Centro Europeu, com forte dinamismo industrial e tecnológico, com quem se venham a estabelecer relações de divisão de trabalho (exemplo: Flandres, Holanda, Suécia, Alemanha do Sul, Catalunha, etc.);
Uma relação privilegiada e directa com o Norte da Península Ibérica, ao longo das vias que dão acesso rodoviário ao continente europeu;
Uma relação privilegiada com regiões que podem oferecer boas perspectivas como mercados e ou destinos de deslocalização industrial para os sectores exportadores (exemplo: Norte de África, PALOPs, etc.);
(Nota à margem: Uma zona litoral meridional, polarizada pela Área Metropolitana de Lisboa:)
O desenvolvimento de uma vasta zona litoral meridional, polarizada pela Área Metropolitana de Lisboa e na qual se podem vir a distinguir:
(Nota à margem: Oeste e Ribatejo - desenvolvimento agro-pecuário e de indústrias ligeiras;)
Uma ampla cintura de produção agro-pecuária, para abastecimento próprio e exportação, abrangendo o Oeste e o Ribatejo, que se pode articular com um dispositivo logístico associado à importação e distribuição europeia de produtos alimentares originários de outros continentes. Esta cintura pode igualmente constituir uma localização potencial para indústrias ligeiras;
(Nota à margem: Eixo Alverca/Setúbal - um corredor de indústrias pesadas de exportação.)
Um corredor de indústrias pesadas polarizado pela zona de Alverca/Carregado e pela península de Setúbal na qual se podem desenvolver a reparação naval e aeronáutica; a indústria automóvel e aeronáutica e suas subsidiárias; as indústrias mecânicas, electromecânicas pesadas e a engenharia oceânica; a montagem de grandes estruturas metálicas para exportação, etc.;
(Nota à margem: Pólos de I&D no interior da Área Metropolitana de Lisboa, base para indústrias e serviços de maior intensidade tecnológica.)
Um pólo de actividades de investigação no interior da Área Metropolitana de Lisboa, que sirva de apoio ao desenvolvimento de indústrias ligeiras e de serviços de forte intensidade tecnológica, baseado, por exemplo, nas tecnologias da informação, nas biotecnologias e na química fina;
(Nota à margem: Núcleo de serviços internacionais em Lisboa.)
Um núcleo central de serviços internacionais localizados em Lisboa e associados à logística, à intermediação comercial e financeira, ao processamento da informação económica e às indústrias culturais e do turismo. Núcleo que seria complementado, entre a margem sul do Tejo e Setúbal, por actividades de serviços às empresas industriais;
(Nota à margem: Periferia de serviços associados à formação, saúde e recuperação e ao turismo.)
Uma periferia de actividades de serviços associados à formação, à saúde e recuperação e ao turismo, na área Cascais/Sintra e a sul da península de Setúbal, em direcção à costa alentejana, completada com a cintura turística de carácter histórico-cultural de Leiria/Fátima, Tomar e Évora.
Esta extensa região pode, por sua vez, centralizar várias funções geo-económicas de valia nacional, de entre as quais se referem:
(Nota à margem: Promoção das relações europeias e com as Américas e a Ásia.)
Uma relação com os continentes americano e asiático, articulada com o acesso marítimo e aéreo à Europa do Norte e do Sul;
Uma relação directa com o Centro da Península Ibérica, potenciado pelas vias terrestres;
(Nota à margem: Um potencial de sinergias tornado possível pelas diferenças de vocação produtiva das duas grandes zonas litorais.)
A articulação entre estas duas grandes regiões predominantemente litorais, que nas suas diferenças apresentam um extraordinário potencial de complementaridade, que aponta para a vantagem de as ligar estreitamente no sentido de aumentar a competitividade do País nos mercados interno e externo, na maior superfície possível de bens e serviços, e de potenciar uma inserção geo-económica de Portugal que reforce as funções europeias que pode desempenhar, em simultâneo com a maior intensidade de relações com a Espanha. Este reforço de articulação entre as duas faixas litorais exige naturalmente uma melhoria constante dos eixos de transporte e comunicações entre elas;
(Nota à margem: Um papel para a Região do Centro na ligação do litoral e na articulação deste com o interior...)
A exploração das potencialidades da região do Centro, pode desempenhar várias funções de articulação e integração a nível nacional:
(Nota à margem: ... e na exploração do seu potencial de recursos naturais.)
Contribuir para o descongestionamento das faixas litorais setentrional e meridional, desenvolvendo plenamente as virtualidades do Centro Litoral, não só como localização vantajosa para produções viradas para o abastecimento das duas áreas metropolitanas, mas também como pólo de formação de recursos humanos de alta qualidade, constituindo um centro de excelência no campo da ciência e da tecnologia;
Constituir uma plataforma privilegiada de cruzamento e articulação de redes de transporte e de logística que contribuam para relacionar o interior com o litoral e este com Espanha;
Constituir uma base de valorização de recursos florestais e minerais, que nela têm expressão importante, aumentando o seu grau de transformação e a sua vocação exportadora.
(Nota à margem: O Algarve - uma vocação terciária diversificada.)
A exploração das potencialidades da região litoral de elevada especificidade que é o Algarve. Considera-se que esta região deve consolidar o seu potencial turístico, participando activamente na criação de produtos complementares (turismo desportivo, congressos e incentivos) e na exploração de novos mercados. (Nota à margem: Um património histórico-cultural a desenvolver.) O seu património histórico ligado às Descobertas e à relação do País com as Américas e a Ásia deverá ser valorizado em termos de criação de infra-estruturas de natureza científica e de cooperação internacional, bem como de equipamentos específicos de animação turística. A sua vocação terciária deverá ser alargada aos serviços de saúde, recuperação e terceira idade, bem como a serviços na área da formação contínua para o mercado europeu, com o apoio de grandes empresas. As oportunidades de localização de actividades na área da engenharia do som e da imagem deverão ser igualmente exploradas. (Nota à margem: Uma base agro-alimentar a dinamizar.) Simultaneamente, a base agrícola e agro-alimentar da região deverá ser fortalecida, com especial relevo para os produtos hortofrutícolas, as especialidades alimentares e os derivados da pesca;
(Nota à margem: O interior do País - novas oportunidades de desenvolvimento.)
O desenvolvimento do interior do País, até às regiões fronteiriças, poderá ser acelerado a partir da exploração de cinco potencialidades:
A realização de um conjunto de itinerários rodoviários que, atravessando o interior, permitem ligar o litoral a Espanha ou facilitar o descongestionamento do tráfego no corredor litoral. A estes investimentos deve acrescentar-se, pelo seu impacte no desenvolvimento regional do Alentejo a abertura ao tráfego de carga aérea das instalações da actual base de Beja;
(Nota à margem: Novos acessos e novas vantagens de localização.)
As novas vantagens de localização industrial, pela possibilidade simultânea de acesso ao mercado espanhol e de acesso directo às áreas metropolitanas e suas periferias, com especial relevo para a região do Centro Interior, com o seu acesso melhorado a essas duas áreas;
(Nota à margem: Um papel central na gestão de recursos hídricos, florestais e minerais.)
A criação de grandes infra-estruturas de armazenagem e ou transferência de recursos hídricos entre bacias que, ao disponibilizar água para fins agrícolas e de produção de electricidade, podem contribuir para a localização de novas actividades agrícolas e de transformação. (Nota à margem: Novas perspectivas para o desenvolvimento do Alentejo.) De entre elas destacando-se a do Alqueva, que irá contribuir para a reconversão económica do Alentejo. O melhor aproveitamento dos recursos hídricos completará assim as oportunidades associadas à valorização dos recursos florestais e mineiros, que se concentram nas regiões do interior;
(Nota à margem: A importância da rede de cidades de média dimensão.)
O prosseguimento das políticas de desenvolvimento e equipamento da malha de cidades de dimensão intermédia, que permitem a articulação do litoral com o interior ou a dinamização das regiões fronteiriças, beneficiando da sua posição como nós das redes de transporte terrestre;
(Nota à margem: As iniciativas de desenvolvimento rural e de apoio ao turismo.)
O lançamento de iniciativas de apoio ao desenvolvimento rural pela acção concertada de diversas políticas, procurando responder a necessidades de revitalização do tecido social e económico de zonas em que uma política exclusivamente agrícola não está em condições de o conseguir, não obstante a agricultura continuar a constituir a base sócio-económica. É o caso dós programas de desenvolvimento de actividades complementares com a actividade agrícola, como sejam o turismo rural, a caça e a pesca, o artesanato e as pequenas indústrias de transformação de produtos agrícolas e da criação, de condições de bem-estar às populações rurais pela melhoria das condições de vida nas aldeias e de habitabilidade nas explorações agrícolas. Continuarão igualmente a ser aplicados os programas LEADER e INTERREG;
(Nota à margem: Açores e Madeira - as ilhas atlânticas, uma componente central da natureza euro-atlântica de Portugal.)
O desenvolvimento dos Açores e da Madeira, como componente central da natureza euro-atlântica de Portugal, partindo da exploração das seguintes potencialidades:
(Nota à margem: Uma vocação turística a desenvolver.)
A consolidação da vocação turística, com especial relevo na Madeira, completando infra-estruturas que facilitem o acesso e a mobilidade no interior dos arquipélagos e criando as condições para o desenvolvimento de operadores turísticos e de transporte aéreo que valorizem o potencial dessas regiões;
(Nota à margem: Uma base de recursos agro-alimentares e de pesca.)
O desenvolvimento da base de recursos naturais, com especial destaque para a hortofruticultura e floricultura e os derivados da pesca; e para a economia pecuária e o desenvolvimento de actividades ligadas à protecção integrada de culturas, no caso particular dos Açores;
(Nota à margem: Oportunidades na indústria e os serviços associados à posição geográfica.)
O desenvolvimento de actividades industriais e de serviços que explorem a posição geográfica no Atlântico, no cruzamento de rotas marítimas e aéreas, e que possam eventualmente contar com ligações às comunidades de emigração fixadas nos EUA/Canadá, na Venezuela e na África do Sul;
(Nota à margem: As ilhas atlânticas nas redes europeias de investigação científica.)
A criação de infra-estruturas e a localização de actividades de investigação que tornem possível transformar as duas regiões insulares em bases europeias da investigação oceânica, sismológica, climática e astronómica, avaliando igualmente eventuais oportunidades de localização de actividades associadas à utilização do espaço exterior.