c)A probabilidade de a rutura ocorrer baseada no tipo, posição, e gravidade dos defeitos estruturais encontrados, espécie, e condições particulares do local. Certos defeitos estruturais, são mais propensos a originar situações de rutura do que outros. Por exemplo, ramos codominantes com casca inclusa estão na origem de muitas das ocorrências relacionadas com árvores. No caso, em que o defeito estrutural está associado a podridões do lenho, que afetam a resistência mecânica dos exemplares, a gravidade depende da extensão e posição da podridão, bem como, dos agentes causais. Existe toda uma gama possível de diferentes tipos de podridões do lenho (da podridão castanha, à podridão branca), com impacto distinto em termos de propriedades mecânicas, suficiente para influenciar a probabilidade de rutura de um ramo, pernada, tronco ou do sistema radicular.
Por outro lado, algumas espécies são reconhecidamente mais propensas a desenvolverem determinados tipos de defeitos estruturais (ex: codominâncias com casca inclusa em Tilias pp.), ou a serem afetadas por grupos específicos de fungos (basidiomicetas lenhícolas).
Para detetar, avaliar a posição e extensão das podridões do lenho, pode ser necessário recorrer a instrumentos, mais ou menos invasivos, como o resistógrafo, ou o tomógrafo de ultrassons ou acústico.
Esta abordagem, permitirá consoante o instrumento utilizado, avaliar a resistência da árvore (de partes ou do todo), com base na estimativa de lenho são, residual.
A criação de uma escala de valores que expresse o risco de uma dada árvore, facilita a forma de comunicar a decisão quanto às ações a tomar após a inspeção, no sentido de reduzir ou eliminar a possibilidade de ocorrência de danos pessoais, animais ou patrimoniais.
Uma escala de valores, permite ainda, o estabelecimento de prioridades relativamente às medidas de redução do risco a implementar, no contexto, da gestão das áreas verdes.
A localização do exemplar, é um fator importante, na determinação, reconhecimento e gestão do risco associado a qualquer árvore, que aumenta com a frequência de ocupação humana na sua envolvência.
A gestão do arvoredo urbano, atenta à redução do risco de rutura e oferece múltiplos benefícios incluindo:
Menor frequência e gravidade, de ocorrências com possíveis danos para pessoas, animais e bens;
Menos encargos com reclamações, e despesas legais;
Árvores mais saudáveis e longevas;
Menores custos de manutenção;
Menor número de árvores a remover ao longo do tempo.
As atividades de manutenção do arvoredo urbano devem ser priorizadas e implementadas, com base na avaliação de risco de cada árvore, executada durante o processo de inventário, procurando antever, e evitar quaisquer ocorrências (quebras de ramos, queda de árvores, etc.), que coloquem em risco pessoas, animais e bens, ou que afetem irremediavelmente o estado fitossanitário e a estabilidade dos exemplares em causa, e dos que lhe são próximos.
Os exemplares com grau de risco elevado ou muito elevado, devem ser intervencionados de imediato com base no risco atribuído, o que geralmente requer a eliminação de defeitos estruturais, como ramos mortos, secos, quebrados ou pendentes, que podem estar presentes, mesmo quando a árvore se apresenta em bom estado fitossanitário.
Quando a poda dos ramos com defeitos estruturais, consegue corrigir o problema reduz-se o risco promovendo-se um crescimento saudável, e a longevidade dos exemplares. Embora a remoção de árvores, seja sempre, considerada o último recurso em termos de gestão do coberto arbóreo, há circunstâncias em que o abate e substituição são necessários, nomeadamente, quando apresentam risco elevado ou muito elevado, de rutura e queda.
A redução do risco associado à árvore pode ser alcançada de diversas formas, designadamente, através de operações de poda, colocação de sistemas de sustentação ou de ancoragem, ou, ainda, restringindo o acesso com limitação à circulação de pessoas, animais e bens.
Quando a poda corretiva não mitiga adequadamente o risco de rutura, ou não a corrige os conflitos com o espaço envolvente, e apresenta custos claramente superiores às múltiplas vantagens que a árvore traz ao espaço e à vivência urbana, pode haver necessidade de ponderar o abate.
A poda de árvores de risco moderado ou baixo, é geralmente, nível seguinte de prioridade para as atividades de manutenção.
Por questões de eficiência do trabalho, a sua poda pode ser feita ao intervencionar árvores adjacentes que apresentam risco elevado, ou muito elevado.
Ciclos de poda devidamente planeados e implementados, são essenciais para a manutenção da maioria das árvores com grau de risco de rutura moderado ou baixo, e reduzem a probabilidade de ocorrências causadoras de danos.
Parte significativa das ocorrências relacionadas com a rutura ou queda de árvores, deve-se a práticas inadequadas. As ações preventivas iniciam-se com a escolha adequada das espécies para cada local de plantação, e respetiva utilização do espaço, com a implementação de boas práticas de manutenção.
A avaliação da estabilidade mecânica de cada exemplar arbóreo, a atribuição do grau de risco, e a definição das medidas de mitigação a implementar, devem ser devidamente documentadas e inseridas, no inventário municipal do arvoredo em meio urbano, no contexto da sua gestão. Estas ações devem ser levadas a cabo por técnicos com qualificação na matéria, que estejam aptos a reconhecer as situações de perigo associadas à presença de árvores em espaço público, e a gerir o coberto arbóreo na presença de riscos toleráveis, podendo a entidade gestora dos espaços públicos (municipais ou estatais), recorrer a empresas, se assim o entender, para desempenhar essas funções.
SECÇÃO V
Intervenções em Terrenos Privados
CAPÍTULO VII
Fiscalização e Sanções