11 -Plano de Gestão do Risco:
O Plano de Gestão do Risco (PGR) tem como princípios orientadores:
Aumentar a segurança pública;
Promover o bom estado fitossanitário e biomecânico das árvores, a alcançar através da implementação de boas práticas de arboricultura, que promovam árvores estruturalmente bem conformadas e estáveis sob o ponto de vista mecânico;
Estabelecer um processo sistemático e regular de monitorização do arvoredo, que divida a área onde as árvores se inserem em zonas de risco, consoante a tipologia do uso e a frequência de utilização do espaço, defina métodos e cronogramas de avaliação da estabilidade mecânica e do risco de rutura de acordo com as zonas de risco, e implemente ações corretivas de forma atempada, oportuna e sustentável.
A avaliação visual da árvore (Visual Treme Acesamente - VTA).
É o método mais antigo, simples e tecnicamente expedito para avaliar árvores, permitindo a análise sistemática de defeitos estruturais, sintomas e danos de pragas e doenças, ao nível da copa, do tronco e do sistema radicular.
Os parâmetros considerados na avaliação visual da árvore (VTA) incluem os dados dendrométricos (DAP, altura da árvore, etc.), características estruturais ao nível da copa, tronco e sistema radicular, sintomas e danos de pragas e doenças e, ainda, características do espaço envolvente (exposição ao vento, tipo de solo, tipologia de utilização, etc.).
Ainda que existam diferentes abordagens, de uma forma geral a avaliação do risco de rutura contempla três parâmetros:
"Tipo de alvo e probabilidade do alvo ser atingido", estabelecida com base na duração e frequência da utilização do espaço onde a árvore se encontra. Este parâmetro está diretamente relacionado com a localização da árvore que terá condicionado a necessidade e urgência da própria avaliação;
"Dimensão da parte da árvore que entra em rutura estimada", com base no tamanho (diâmetro) da parte da árvore (vulgarmente designada de “peça”) que apresenta maior probabilidade de rutura (existem diferentes metodologias que consideram, para além do diâmetro, o comprimento ou a altura de ramos e do tronco, respetivamente);
"A probabilidade de a rutura ocorrer", baseada no tipo, posição e gravidade dos defeitos estruturais encontrados, espécie e condições particulares do local. Certos defeitos estruturais são mais propensos a originar situações de rutura do que outros. Por exemplo, ramos codominantes com casca inclusa estão na origem de muitas das ocorrências relacionadas com árvores. No caso em que o defeito estrutural está associado a podridões do lenho, que afetam a resistência mecânica dos exemplares, a gravidade depende da extensão e posição da podridão bem como dos agentes causais. Existe toda uma gama possível de diferentes tipos de podridões do lenho (da podridão castanha à podridão branca) com impacto distinto em termos de propriedades mecânicas, suficiente para influenciar a probabilidade de rutura de um ramo, pernada, tronco ou do sistema radicular.
Por outro lado, algumas espécies são reconhecidamente mais propensas a desenvolverem determinados tipos de defeitos estruturais (por ex. codominâncias com casca inclusa em Tílias pp.) ou a serem afetadas por grupos específicos de fungos basidiomicetas lenhícolas.
Para detetar, avaliar a posição e extensão das podridões do lenho pode ser necessário recorrer a instrumentos, mais ou menos invasivos, como o resistógrafo ou o tomógrafo de ultrassons ou acústico.
Esta abordagem permitirá, consoante o instrumento utilizado, avaliar a resistência da árvore (de partes ou do todo) com base na estimativa de lenho-são residuais.
A criação de uma escala de valores que expresse o risco de uma dada árvore facilita a forma de comunicar a decisão quanto às ações a tomar após a inspeção, no sentido de reduzir ou eliminar a possibilidade de ocorrência de danos pessoais, animais ou patrimoniais.
Uma escala de valores permite ainda o estabelecimento de prioridades relativamente às medidas de redução do risco a implementar, no contexto da gestão das áreas verdes.
A localização do exemplar é um fator importante na determinação, reconhecimento e gestão do risco associado a qualquer árvore, que aumenta com a frequência de ocupação humana na sua envolvência.
Uma gestão do arvoredo urbano atenta à redução do risco de rutura oferece múltiplos benefícios incluindo:
Menor frequência e gravidade de ocorrências com possíveis danos para pessoas, animais e bens;
Menos encargos com reclamações e despesas legais;
Árvores mais saudáveis e longevas;
Menores custos de manutenção;
Menor número de árvores a remover ao longo do tempo.
As atividades de manutenção do arvoredo urbano devem ser priorizadas e processo de inventário, procurando antever e evitar quaisquer ocorrências (quebras de ramos, quedas de árvores, etc.) que coloquem em risco pessoas, animais e bens ou que afetem irremediavelmente o estado fitossanitário e a estabilidade dos exemplares em causa e dos que lhe são próximos.
Os exemplares com grau de risco elevado ou muito elevado devem ser intervencionados de imediato com base no risco atribuído, o que geralmente requer a eliminação de defeitos estruturais como ramos mortos, secos, quebrados ou pendentes que podem estar presentes, mesmo quando a árvore se apresenta em bom estado fitossanitário.
Quando a poda dos ramos com defeitos estruturais consegue corrigir o problema reduz-se o risco se promovendo um crescimento saudável e a longevidade dos exemplares.
Embora a remoção de árvores seja, sempre, considerada o último recurso em termos de gestão do coberto arbóreo, há circunstâncias em que o abate e substituição são necessários, nomeadamente quando apresentam risco elevado ou muito elevado de rutura e queda.
A redução do risco associado à árvore pode ser alcançada de diversas formas, designadamente através de operações de poda, colocação de sistemas de sustentação ou de ancoragem ou, ainda, restringindo o acesso com limitação à circulação de pessoas, animais e bens.
Quando a poda corretiva não mitiga adequadamente o risco de rutura ou não a corrige os conflitos com o espaço envolvente e apresenta custos claramente superiores às múltiplas vantagens que a árvore traz ao espaço e à vivência urbanos, pode haver necessidade de ponderar o abate.
A poda de árvores de risco moderado e baixo é geralmente o nível seguinte de prioridade para as atividades de manutenção.
Por questões de eficiência do trabalho a sua poda pode ser feita ao intervencionar árvores adjacentes que apresentam risco elevado ou muito elevado.
Ciclos de poda devidamente planeados e implementados são essenciais para a manutenção da maioria das árvores com grau de risco de rutura moderado ou baixo e reduzem a probabilidade de ocorrências causadoras de danos.
Parte significativa das ocorrências relacionadas com a rutura ou queda de árvores deve-se a práticas inadequadas. As ações preventivas iniciam-se com a escolha adequada das espécies para cada local de plantação e respetiva utilização do espaço e com a implementação de boas práticas de manutenção.
A avaliação da estabilidade mecânica de cada exemplar arbóreo, a atribuição do grau de risco e a definição das medidas de mitigação a implementar, devem ser devidamente documentadas inseridas no inventário municipal do arvoredo em meio urbano, no contexto da sua gestão. Estas ações devem ser levadas a cabo por técnicos com qualificação na matéria, que estejam aptos a reconhecer as situações de perigo associadas à presença de árvores em espaço público e a gerir o coberto arbóreo na presença de riscos toleráveis, podendo a entidade gestora dos espaços públicos (municipais ou estatais) recorrer a empresas, se assim o entender para desempenhar essas funções.
ANEXO IV
Lista de espécies adaptadas ou suscetíveis de adaptação às condições do Município do Cartaxo
Espécie
Porte
Espaço verde
Arruamento
Forma copa
Observações
Magnolia soulangeana
Pequeno
Caducifólia
X
Flor expressiva
Lagerstroemia indica
Pequeno
Caducifólia
X
X
Flor expressiva
Prunus cerasifera
Pequeno
Caducifólia
X
X
Esférica regular
Crescimento rápido/flor expressiva
Tamarix africana
Pequeno
Caducifólia
X
Suporta salsugem
Tamarix galica
Pequeno
Caducifólia
X
Suporta salsugem
Arbutus unedo
Pequeno
Perenifólia
X
X
Resistente ao vento/pouco exigente em água
Laurus nobilis
Pequeno
Perenifólia
X
Estreita e irregular
Resistente ao vento/pouco exigente em água
Ligustrum japonicum
Pequeno
Perenifólia
X
X
Arredondada
Ligustrum lucidum
Pequeno
Perenifólia
X
X
Arredondada
Betula celtiberica
Médio
Caducifólia
X
Irregular e em forma de abobada
Zonas mais húmidas
Cercis siliquastrum
Médio
Caducifólia
X
Arredondada e aberta
Suporta solos arenosos/flor expressiva
Salix matsudana
Médio
Caducifólia
X
Em forma de abobada e pendular
Laurus nobilis
Médio
Perenifólia
X
Pouco exigente em água
Olea europea
Médio
Perenifólia
X
X
Arredondada e irregular
Pouco exigente em água
Acer pseudoplatanus
Grande
Caducifólia
X
X
Larga e em forma de abóbada
Semelhante ao plátano/suporta salsugem
Acer negundo
Grande
Caducifólia
X
X
Larga e irregular
Suporta solos arenosos
Celtis Australis
Grande
Caducifólia
X
X
Arredondada e fechada
Resistente à poluição/sensível a podas profundas
Celtis occidentalis
Grande
Caducifólia
X
X
Arredondada e fechada
Resistente à poluição/sensível a podas profundas
Fraxinus angustifolia
Grande
Caducifólia
X
X
Estreita e irregular
Exigente na rega
Grevillea robusta
Grande
Caducifólia
X
X
Alta e ovoidal
Crescimento rápido
Ginko biloba
Grande
Caducifólia
X
X
Larga e irregular
Resistente à poluição
Jacarandá mimosifolia
Grande
Caducifólia
X
X
Larga e irregular
Crescimento lento/caldeiras de maior dimensão
Liquidambar styraciflua
Grande
Caducifólia
X
X
ovoidal
Crescimento lento
Platanus hybrida
Grande
Caducifólia
X
X
Larga e em forma de abóbada
Caldeiras de maior dimensão
Tilia cordata
Grande
Caducifólia
X
X
Larga e volumosa
Zonas com maior humidade
Tilia argentea
Grande
Caducifólia
X
X
Larga e volumosa
Zonas com maior humidade
Casuarina equisetifolia
Grande
Perenifólia
X
X
Alta e estreita
Resistente ao vento
Cupressus lusitanica
Grande
Perenifólia
X
X
Cónica e irregular
Pouco exigente em podas
Cupressus sempervirens
Grande
Perenifólia
X
X
Alta e estreita
Crescimento rápido nos primeiros anos
Magnolia grandiflora
Grande
X
Cónica
Crescimento lento
317359284