0485/19.1BEPNF-I - Supremo Tribunal Administrativo
Supremo Tribunal AdministrativoSTA
Relator: Fonseca da Paz
Processo: 0485/19.1BEPNF-I
ACORDAO
Descritores: Apreciação preliminar, Extensão dos efeitos da sentença, Caixa geral de aposentações, Reinscrição
Recorrente: Caixa Geral de Aposentações
Recorridos: Ministério da Educação, Ciência e Inovação e Outros
Votação: Unanimidade
Nr Convencional: JSTA000P33819
Nr Documento: SA1202505290485/19
Juízes: Claúdio Monteiro RamosSuzana Maria Calvo Loureiro Tavares da Silva
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/4ce6773b894f54f780258cbe00160e87
Sumário
É de admitir a revista onde se discute a verificação dos pressupostos de aplicação do art.º 161.º, do CPTA, numa situação onde está em causa o direito à reinscrição na Caixa Geral de Aposentações.
Texto
ACORDAM NA FORMAÇÃO DE APRECIAÇÃO PRELIMINAR DA SECÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO DO SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO : 1. AA veio, ao abrigo do art.º 161.º, do CPTA, contra o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO e a CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES (doravante CGA ), a extensão dos efeitos da sentença proferida no processo n.º 485/19.1BEPNF , alegando encontrar-se em situação idêntica à que foi objecto deste processo e solicitando que seja reconhecido como subscritor da CGA com efeitos desde ../../2013. Foi proferida sentença que, julgando procedente a peticionada extensão de efeitos da sentença, condenou as entidades requeridas a procederem à inscrição da requerente na CGA desde ../../2013. A CGA apelou para o TCA-Norte, o qual, por acórdão de 24/01/2025, negou provimento ao recurso, confirmando a sentença. É deste acórdão que a CGA vem pedir a admissão de recurso de revista. 2. Tem-se em atenção a matéria de facto considerada pelo acórdão recorrido. 3. Esta formação, no recente Ac. de 15/5/2025, proferido no processo n.º 307/19.3BEBRG-BN , apreciou um caso idêntico ao que aqui está em causa, admitindo a revista com a seguinte fundamentação: “A questão em apreço prende-se com a correcta interpretação e aplicação dos pressupostos do art.º 161.º do CPTA. Embora existam diversas decisões deste Supremo Tribunal Administrativo que subscrevem o entendimento de que um professor que celebra contrato(s) sucessivo(s) com diferentes estabelecimentos de ensino se encontra numa situação que não cai no âmbito do art.º 2.º da Lei n.º 60/2005 , de 29 de Dezembro, em conjugação com o disposto no art.º 22.º, n.º 1, do Estatuto da Aposentação (acórdão de 06.03.2014, proc. 0889/13), a verdade é que neste processo o que vem questionado não é o regime jurídico em causa (que, de resto, hoje suscita também o problema decorrente da aprovação da norma interpretativa constante do art.º 2.º da Lei n.º 45/2024 ), mas sim os pressupostos para a aplicação do art.º 161.º do CPTA (extensão dos efeitos da sentença). Em especial, a Recorrente interroga-se sobre o que se deve entender por “situações em que existam vários casos perfeitamente idênticos”, alegando que in casu inexiste identidade factual, dado que não se pode subsumir a factualidade a “contratos sucessivos”. (...). A correcta interpretação e aplicação do regime do art.º 161.º do CPTA é uma questão relativamente à qual existe escassa jurisprudência deste Tribunal Supremo e que no caso importa revisitar, uma vez que os pressupostos de aplicação deste instituto revelam inquestionável relevância jurídica, pois a questão é susceptível de se repetir com frequência no futuro, e as instâncias foram muito vagas na fundamentação que apresentaram para a verificação dos pressupostos do art.º 161.º do CPTA” . Assim, reiterando-se este entendimento, justifica-se o recebimento da revista. 4. Pelo exposto, acordam em admitir a revista. Sem custas. Lisboa, 29 de maio de 2025. – Fonseca da Paz (relator) – Suzana Tavares da Silva – Cláudio Ramos Monteiro.