000154 - Supremo Tribunal de Justiça
Supremo Tribunal de JustiçaSTJ
Relator: Melo Franco
Processo: 000154
Acórdão
Descritores: Nulidade de acórdão, Omissão de pronúncia, Procedimento disciplinar, Prescrição, Acção disciplinar, Intervenção do estado nas empresas, Poder disciplinar, Comissão de trabalhadores, Pareceres
Decisão: Negado provimento
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Agravo
Nr Convencional: JSTJ00024857
Nr Documento: SJ198012190001544
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/f661e88357970a9a802568fc003ad6a7
Sumário
I - Julgadas prescritas as eventuais faltas disciplinares imputadas ao trabalhador, não há que apreciar o processo disciplinar, incluído o parecer da comisão de trabalhadores, a nota de culpa, a conduta do trabalhador arguido e a lesão de interesses patrimoniais sérios da empresa. Não se verifica, pois, a nulidade resultante da omissão de pronúncia. II - O parecer da comissão de trabalhadores não precisa de ser juridicamente fundamentado; basta que a sua fundamentação mostre claramente o parecer da comissão e a razão que o ditou. III - O procedimento disciplinar deve ser exercido nos 60 dias imediatos ao conhecimento da infracção, se, entretanto, não tiver decorrido um ano sobre a data da sua prática. IV - Aos gestores legalmente investidos ficam a pertencer, no período da respectiva gestão, todos os poderes legais e estatutários da administração da empresa, incluindo o disciplinar. V - Assim, o não exercício por parte dos gestores do poder disciplinar nunca poderá implicar uma vacatio ou o seu congelamento, mas, quando muito, determinar a responsabilidade daqueles pela sua falta de oportuna actuação. VI - A vacatio disciplinar não tem assento no nosso ordenamento jurídico.