Os mecanismos de perequação previstos no artigo anterior, a aplicar nas UOPG são os definidos no Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial, nomeadamente o índice médio de utilização, a cedência média e a repartição dos custos de urbanização.
ANEXO I
Lista de Geossítios
ID
Código GEOPARK
Identificação
Descrição
1
GW7
Paisagem granítica dos Poios Brancos
Ao longo desta área é possível observar um grande número de formas desenvolvidas no granito da essencialmente biotítico, porfiróide de grão médio a grosseiro da Covilhã. Estas têm a sua origem na alteração das rochas, em fases de clima quente e húmido, seguidas da remoção das areias graníticas de alteração e fases de clima mais seco. Estes processos ocorrem ao longo de milhões de anos, destacando-se atualmente na paisagem os blocos de rocha sã, mais resistentes. Podem ser encontrados ao longo de toda a área exemplos de tors (como é o caso da formação onde se encontra implementado o marco geodésico), caos de bolas, formas em cogumelo, gnamas, pedras boroas, pseudoestratificações, entre outras, tornando este geossítio um dos mais ricos em formações graníticas de todo o território.
2
GF5
Cântaro Gordo
Este pico rochoso com 1875 metros de altitude, funcionou como um nunatak durante a última glaciação, mantendo-se acima da superfície dos glaciares e preservando assim a forma atualmente observada. Este fenómeno deveu-se à presença de zonas menos fraturadas, em contraste com a sua envolvência onde a densidade de fraturação é mais elevada, deixando este bloco numa posição sobre-elevada, devido à sua maior resistência. Na vertente norte do Cântaro Gordo encontra-se um nicho que corresponde a um circo glaciário de vertente incipiente, designado por circo do Cântaro. Parte do alto da parede contacta com o Planalto da Torre, mas a maioria contacta com a portela da crista do Cântaro Gordo. Nesta vertente encontra-se ainda um depósito de blocos de origem periglaciária que se formaram por processos de crioclastia e consequente desabamento. Tratam-se de blocos métricos, subangulosos, com estrutura em open-work próximo do topo, mas que nas vertentes apresentam uma matriz arenosa, que em alguns locais chega a suportar os blocos.
3
GF6
Cântaro Magro
Trata-se do pico rochoso mais proeminente da Estrela com 1928 metros de altitude, profundamente marcado pela erosão glaciária nos seus flancos, tendo formado um nunatak durante a última glaciação, ou seja, este relevo não se encontrava coberto pelo gelo glaciar, emergindo acima da sua superfície. A palavra nunatak provem do inuit, um grupo de povos indígenas que habitam as regiões árticas do Canadá, Alasca e Gronelândia, e que é usada para descrever um cume rochoso que sobressai de um campo de gelo, sendo este o aspeto que se verificaria durante o máximo da glaciação na serra da Estrela, há 30 mil anos, quando os cântaros era os únicos locais que se destacavam do campo de gelo de planalto. A sua forma deve-se à presença de zonas menos fraturadas, rodeadas por outras de maior densidade de fracturação, deixando este bloco numa posição sobre-elevada, devido à sua maior resistência. As suas vertentes terão evoluído essencialmente por ação da crioclastia.
4
GF7
Cântaro Raso
Este cume rochoso constitui um resíduo do planalto da Torre, elevando-se sobre a Nave de Santo António. Apresenta uma superfície de espectro arrasado, com amplos afloramentos de substrato, intercalados por superfícies com cobertura pelicular de areias graníticas. Em alguns locais, no substrato é possível observar pias de dimensão decimétrica e com alguns centímetros de profundidade. Domina, em particular junto ao topo, a pseudoestratificação dos afloramentos graníticos. No topo do Cântaro raso, e ainda possível identificar blocos morénicos que estarão relacionados com as características geomorfológicas desta área, estando esse momento associado a um relevo diferente do atual, sem uma portela bem desenvolvida entre o Planalto da Torre e o Cântaro Raso, pois caso contrário, a deposição dos blocos naquele local não seria fisicamente possível. Durante a última glaciação, o Cântaro Raso funcionou como nunatak, ou seja, este relevo estava acima da massa de gelo. Por constituir uma zona menos fraturada, em contraste com a sua envolvência onde a densidade de fraturação é mais elevada, a sua maior resistência conferiu a este bloco uma posição sobre-elevada.
5
GF9
Circo glaciário da Lagoa dos Cântaros
Trata-se de um circo glaciário de vertente com uma pequena bacia de sobreexcavação na face leste de Cântaro Gordo ocupada atualmente por uma lagoa. Na maior parte dos casos da Serra da Estrela, os circos deste tipo, não sofreram uma alimentação de gelo significativa do ponto de vista morfogenético, proveniente da área a montante do alto da parede. É um dos circos mais bem conservados da serra da Estrela. O contacto com o Vale da Candeeirinha faz-se através de um ferrolho coberto por material morénico, e a drenagem faz-se de modo deficiente, para o Vale da Candeeira. Aproximadamente metade do circo é talhada em granito da Estrela (setor NW) e outra metade em granito da Covilhã (setor SE). As paredes do circo apresentam duas concavidades, uma a norte, mais desenvolvida, onde o gelo deverá ter permanecido durante mais tempo, e outra a sul, de menor dimensão.
6
GF11
Circo glaciário do Covão Cimeiro
O Covão Cimeiro constitui um circo glaciário perfeito, formado por paredes abruptas, com desníveis que atingem os 300 metros, e um fundo mal drenado, que constitui o covão glaciário, neste caso designado Covão Cimeiro. A jusante do covão encontra-se uma convexidade rochosa que quase fecha o circo, designando-se ferrolho glaciário. Os circos glaciários têm uma origem complexa e controlada pela erosão na base do glaciar (subglaciária) e nas paredes rochosas por processos predominantemente periglaciários (principalmente controlados pela congelação e fusão da água intersticial). Numa fase inicial da glaciação, os circos glaciários, em particular, aqueles ao abrigo do vento, são as áreas onde a neve soprada do planalto se vai acumular preferencialmente e manter-se durante mais tempo. É neles que se inicia a formação dos glaciares de vale, e onde a erosão glaciária se faz sentir mais tempo, sobreexcavando a cabeceira do vale glaciário. Por outro lado, também durante a deglaciação, com o aumento das temperaturas, é nos circos que os glaciares vão ficar durante mais tempo, o que aumenta ainda mais a duração dos processos erosivos. Nos circos a erosão glaciária fazse principalmente por abrasão basal e desalojamento de blocos, podendo haver também erosão fluvioglaciária significativa.
7
GF13
Circo glaciário e moreia de Covais
O circo glaciário de Covais é o mais baixo da serra da Estrela, com um fundo situado a 1170 m de altitude, uma altitude máxima da parede de 1510 m, 660 m de comprimento e 550 m de largura. Este pequeno circo glaciário de vertente apresenta importante significado para a reconstrução paleogeográfica da Estrela, pois testemunha a presença de um glaciar isolado do campo de gelo de planalto. Está talhado no granito de duas micas porfiróide de grão grosseiro de Seia. A sua classificação como circo resulta da forma, indiciadora da ocorrência de sobreexcavação glaciária em torno dos 1230 m de altitude, bem como da presença de uma moreia lateral, bem desenvolvida, no sector inferior do interflúvio setentrional. Trata-se de um circo marginal, que deve ter estado ativo principalmente durante as fases de maior extensão glaciária. A manutenção do gelo terá sido favorecida pela exposição a nordeste, e por uma ampla área planáltica a montante, acima de 1450 m, que serviu de fonte de alimentação de neve.
8
GF14
Colunas graníticas do Covão do Boi
Situado a Este do Planalto da Torre, entre o circo glaciário do Covão do Ferro, o vale glaciário do Zêzere e o Cântaro Raso, o Covão do Boi, localizado a 1840 metros de altitude, funcionou como um local de difluência glaciária, onde as massas de gelo divergiam para o Zêzere e Alforfa. Neste geossítio encontramos um conjunto de colunas graníticas, com diâmetros de 2 a 5 metros e entre os 4 e os 8 metros de altura, controladas por uma densa rede de fraturas ortogonais (ângulos de 90° entre si), constituindo um modelado de elevada raridade a nível internacional, tornando o geossítio especialmente relevante. Antes de aflorarem à superfície, as colunas já existiam no subsolo devido à alteração profunda do granito, que formou um espesso manto de alteração nos espaços entre elas, ainda visível atualmente na sua base, formando um relevo que se desenvolvia no saprólito. A existência, no local, de um espelho de falha, reforça também a relevância da tectónica na alteração do maciço rochoso. Durante a glaciação, o fundo do vale do Covão do Boi situava-se à altura do topo das colunas, que correspondia à topografia subglaciária, tendo sido então cortadas pela erosão glaciária quando o campo de gelo do planalto drenava em direção aos vales glaciários do Zêzere e Alforfa. A dinâmica do glaciar bem como a presença do manto de alteração que as cobria são os fatores mais pertinentes para podermos encontrar estas formas num ambiente de erosão glaciária tão intenso. Só depois da fusão do glaciar, com a erosão do manto de alteração, as colunas começaram a aparecer à superfície, o que torna a sua génese particularmente significativa. Estas colunas graníticas são localmente designadas por queijeiras, pelo facto de se assemelharem, cenicamente, à forma empilhada dos típicos queijos da Serra da Estrela. A raridade destas colunas e a complexa história geológica que relaciona a tectónica, alteração profunda, erosão glaciária e remoção pós-glaciária do material de alteração são fatores chave para a relevância internacional deste geossítio.
9
GF18
Covões da Ametade e de Albergaria
Na generalidade, os covões existentes na Estrela correspondem a bacias de sobreexcavação, ou seja, são áreas deprimidas e mal drenadas, em cujo fundo, após o retrocesso glaciário, se acumularam sedimentos, o que permitiu o desenvolvimento de solos turfosos e de vegetação. Este preenchimento de materiais finos é visível no Covão da Ametade, que é um dos covões mais imponentes do Estrela Geopark. A jusante, o Covão da Albergaria possui uma génese idêntica ao Covão da Ametade, mas com maior acumulação de blocos que desabaram das vertentes. As formas de erosão glaciária encontram-se bastante bem representadas, não só pelos covões em si, mas também pela presença de superfícies de rocha nua estriada, caneluras, e rochas aborregadas, bem visíveis no Covão da Albergaria. Em áreas mal drenadas ocorre frequentemente o desenvolvimento de turfas. Estes solos de cor muito escura são constituídos essencialmente, por matéria orgânica, cujas características permitem conservar os materiais que aqui se foram depositando. Tal facto, permite-nos reconstituir a ocupação e uso destes locais, através de estudos polínicos ou outros processos de análise.
10
GF19
Terraço fluvioglaciário de Manteigas
Os depósitos fluvioglaciários do Vale do Zêzere, entre Caldas de Manteigas e São Gabriel, encontram-se fortemente entalhados pelo Zêzere e seus afluentes, formando vários retalhos de terraço. Embora os terraços reflitam, em parte, a recessão da língua glaciária, eles correspondem, no essencial, ao Último máximo da glaciação na Serra da estrela, a um momento em que o glaciar se encontrava na sua extensão máxima, próximo do sítio da Senhora dos Verdes. Entre esse local e as Caldas de Manteigas as acumulações fluvioglaciárias (misturadas com moreias), refletem já a fase inicial de recuo. Observam-se neste geossítio depósitos fluvioglaciários grosseiros com estratificação incipiente situados cerca de 10 a 14 metros acima do atual fundo de vale. Tratam-se de depósitos heterométricos, em alguns locais com uma organização em leitos frustres, noutros com caráter maciço, em que dominam blocos decimétricos e calhaus sub-rolados, com imbricação, e com areão e areias, geralmente grosseiras. São um depósitos complexos, que refletem condições de escoamento distintas.
11
GF21
Moreia do Espinhaço de Cão
As moreias da Estrela são acumulações de blocos e calhaus de várias dimensões e de areias, que formam frequentemente cristas alinhadas. Neste caso, a acumulação morénica testemunha uma fase interna de estabilidade da frente do glaciar do Zêzere já numa fase avançada da deglaciação, que alguns milénios antes tinha chegado à cota onde atualmente se entra instalada a vila de Manteigas, cerca de 6 km mais abaixo no vale. Datações realizadas em sedimentos till desta moreia revelam uma idade de aproximadamente 15 mil anos, o que reforça a formação desta moreia durante o retrocesso do glaciar do Zêzere, cerca de mil anos antes de os glaciares desaparecerem por completo.
12
GF24
Nave da Mestra
Esta área de erosão glaciária no planalto ocidental apresenta superfícies polidas, rochas aborregadas e bacias de sobreexcavação. Esta é caracterizada pela presença de duas bacias com características distintas, sendo que a bacia setentrional da Nave da Mestra parece conter uma acumulação de sedimentos significativa, podendo mesmo ser o resultado da colmatação de uma lagoa pós-glaciária, que ocuparia uma pequena bacia de sobreexcavação O limite jusante desta área é feito por afloramentos rochosos de forma convexa, polidos e em alguns locais, evidenciando sinais de desalojamento de blocos e abrasão, formando rochas aborregadas. As marcas de erosão glaciária tornam-se progressivamente mais evidentes à medida que se desce em altitude, o que se reflete também no aumento dos afloramentos de rocha nua.
13
GF25
Nave de Santo António e Poio do Judeu
Situada a cerca de 1500 metros de altitude, entre os vales do Zêzere (a norte) e Alforfa (a sul), e sendo área de passagem entre os planaltos ocidental e oriental da Estrela, a Nave de Santo António é um dos setores mais importantes da sua geomorfologia. A sua superfície encontra-se coberta por acumulações de grandes blocos transportados pelos glaciares que fluíram das áreas altas do Planalto da Torre. De aparência desorganizada, em vários locais observam-se alinhamentos de blocos, formando cristas morénicas que marcam de forma clara os limites da margem glaciária. As mais importantes são a moreia do Poio do Judeu, a norte, e a moreia de Alforfa, a sul. As moreias consistem em material transportado pelos glaciares e que se vai acumulando junto às suas margens. Na Nave de Santo António, observam-se duas moreias laterais muito bem conservadas, depositadas pelos glaciares do Zêzere e de Alforfa e ainda uma série de moreias mais desorganizadas, depositadas numa fase anterior às primeiras, quando toda a portela se encontrava ocupada por gelo glaciário. No rebordo norte da Nave de Santo António encontra-se a moreia do Poio do Judeu, que constitui uma grande acumulação de blocos, com cerca de 1500 metros de extensão, de onde sobressai o enorme bloco granítico denominado Poio do Judeu, o maior bloco morénico da Serra da Estrela, com mais de 150 m3.
14
GF28
Moreias da Lagoa Seca
A 1420 metros de altitude, o campo morénico da Lagoa Seca constitui uma importante evidência da dinâmica glaciária do Vale do Zêzere, testemunhando várias fases do seu total enchimento com mais de 250 m de espessura de gelo. No geossítio encontram-se quatro arcos morénicos compostos por blocos graníticos de grande dimensão: três arcos internos, formados há cerca de 30 mil anos, datando do último máximo glaciário da Estrela; e um arco externo já no alto vale do Beijames, de uma fase mais antiga da glaciação ou mesmo da penúltima glaciação, com formas mais degradadas. Este conjunto de moreias, depositada num local plano e protegido, constitui um valioso elemento do património geológico que fornece importantes dados para a reconstituição dos ambientes antigos do ocidente Ibérico. Entre dois dos arcos morénicos, encontra-se um setor deprimido e que fica apenas inundado na estação húmida - a Lagoa Seca. Esta área é uma pequena bacia de sedimentação intermorénica, que revela uma interessante sequência sedimentar ilustrativa de uma evolução em ambiente proglaciário, quando o glaciar se encontrava posicionado junto à moreia 3, a oeste da estrada. Nessa fase, há 30 mil anos, depositaram-se finos sedimentos siltosos provenientes da fusão glaciária, formando a típica “farinha glaciária”. Estes sedimentos encontram-se a cerca de 2 m de profundidade e não são atualmente observáveis. Além dos aspetos referidos anteriormente, ainda alguns que importa referir. Relativamente aos blocos do arco morénico externo, estes mostram pias de alteração substancialmente maiores do que os dos arcos internos, o que se deve à sua maior idade e mais longa exposição à meteorização sub-áerea. Ainda na Lagoa Seca é identificado um till, que corresponde a sedimentos depositados diretamente pela ação dos glaciares. É um termo que designa o sedimento e não a forma de relevo. Este afloramento de till ilustra no seu setor inferior, um típico till de alojamento, com marcas que ilustram a pressão exercida pelo glaciar do Zêzere no seu setor basal. A parte superior, ilustra um till de fluxo, já associado à fase de recessão glaciária, onde dominava a sedimentação associada às águas de fusão, o que se nota pela estratificação presente em alguns pontos do corte. À superfície encontram-se blocos morénicos abandonados durante a recessão.
15
GF30
Vale Suspenso e charco da Candeeira
Durante a última glaciação, cujo máximo na Estrela ocorreu há cerca de 30 mil anos, o glaciar da Candeeira foi o principal tributário do glaciar do Zêzere, controlando a drenagem do gelo de uma ampla área do planalto ocidental da Estrela. O Vale suspenso da Candeeira apresenta características típicas dos vales glaciários de montanha, observando-se uma sucessão de convexidades rochosas (ferrolhos ou verrous) e de bacias de sobreexcavação glaciárias (ombilic). Estas bacias surgem sobretudo nos setores mais a montante do vale estão atualmente ocupadas por pequenas lagoas. O Charco da Candeeira, localizado a 1409 metros de altitude constitui um sítio importante para a reconstrução dos ambientes passados do Estrela Geopark, possibilitando recuar no tempo até há 14 mil anos. Os estudos dos poléns acumulados no charco, permitem reconstruir a história da flora de parte significativa da Estrela, bem como compreender os impactes das oscilações climáticas naturais e da atividade do homem nos últimos milhares de anos.
16
GF31
Vale suspenso dos Covões e moreia do Zêzere
O vale suspenso dos Covões tem uma forma complexa. É limitado por uma vertente escarpada que faz o contacto entre o nível da Nave da Mestra (de onde proveio parte significativa da alimentação de gelo) e um patamar que inclina para sul, com declive suave. Drenava a parte noroeste do campo de gelo do planalto, em direção ao glaciar do Vale do Zêzere. No interior do vale encontram-se apenas mantos de blocos, o que sugere que o glaciar fundiu de modo relativamente rápido, não tendo estabilizado no seu interior, sendo também possível que a erosão pós-glaciária tenha desmantelado parte significativa das cristas morénicas. Na encosta a jusante deste, é possível visualizar um conjunto de alinhamentos de blocos que correspondem a arcos morénicos. Percorrendo o estradão de acesso aos Covões, é possível identificar marcas de acumulação e erosão glaciárias que permitem estimar o limite superior da moreia lateral do Zêzere, bem como a espessura da língua glaciária. A moreia que se observa, identificável por uma grande acumulação de blocos, corresponde a uma etapa intermediária do degelo do glaciar do Zêzere.
17
GF32
Vale glaciário do Zêzere
O vale do Zêzere é um perfeito exemplo da capacidade dos glaciares para esculpir a paisagem. Com um perfil transversal em forma de “U” ao longo de cerca de 10 km, entre o Covão da Ametade e a vila de Manteigas, o vale apresenta um elevado número de geoformas de origem glaciária, contribuindo no seu conjunto para a importância internacional. Aqui, observam-se bacias de sobreexcavação, localmente designadas por covões, algumas delas limitadas a jusante por convexidades rochosas, denominadas por ferrolhos. Além destas formas, destacam-se alguns vales suspensos, tributários do vale glaciário do Zêzere, com menor dimensão e que se encontram dispostos de forma perpendicular a este, como é o caso do vale suspenso da Candeeira. Identificam-se ainda inúmeros depósitos de origem glaciária e fluvioglaciária como moreias e till, que comprovam a capacidade erosiva e de acumulação por parte de um glaciar. No máximo da última glaciação (30 mil anos), o glaciar atingia no setor montante do vale uma espessura de 340 metros, alimentado pelo campo de gelo do Planalto da Torre e um pouco mais a jusante pelos glaciares provenientes dos vales suspensos da Candeeira e dos Covões. O aprofundamento do vale atual e o seu caráter retilíneo resultam de a erosão ter sido facilitada ao longo do grande alinhamento tectónico que é a falha de Bragança-Vilariça-Manteigas-Unhais da Serra. Depois do retrocesso dos glaciares (12 mil anos), as vertentes cobertas de sedimentos instáveis e muito fraturadas, foram marcadas por intensa atividade erosiva, formando vários cones à saída dos principais barrancos e um talude quase contínuo de sedimentos grosseiros.
18
GF35
Moreia e terraço de Vale de Buraco
Neste geossítio identifica-se um alinhamento de blocos morénicos, formando uma moreia latero-frontal que se prolonga pela floresta (moreia da Fonte Santa). A acumulação de escodadas de detritos a montante desta moreia provocou a formação de um pequeno terraço de obturação lateral, originando solos mais finos com bastante aptidão para a prática da agricultura. Este é um geossítio com importância para a definição da extensão máxima dos glaciares da Estrela, uma vez que moreia lateral e o terraço de obturação lateral são efetivamente os testemunhos mais externos do glaciar do Zêzere, indicando que o seu setor terminal se encontrava na área da Senhora dos Verdes, próximo da fábrica de engarrafamento das águas “Glaciar”.
19
BG1
Rua dos Mercadores
Na vertente sul do Cântaro Magro, encontra-se um setor bastante fraturado preenchido por um filão de dolerito, rocha magmática filoniana, sub-vulcânica (formada a profundidades medianas na crusta terrestre), de cor negra e grão fino, formada essencialmente por plagioclases e piroxenas ricas em cálcio. Os filões correspondem a corpos magmáticos de forma tabular, instalados ao longo de fraturas em rochas preexistentes. Neste caso, a sua origem esteve na abertura do Atlântico e consequente fragmentação do supercontinente Pangeia que, durante o Jurássico (~201-145 Ma), promoveu episódios de vulcanismo básico. A sua composição mineralógica, semelhante à do basalto, leva a que este filão, muito afetado pela alteração profunda, de origem química, logo menos resistente à erosão que o granito encaixante, fosse erodido, originando uma garganta profunda e estreita entre paredes graníticas abruptas. O filão ainda existente apresenta-se muito alterado e de cor castanha escura, sendo visível a alteração em cascas de cebola concêntricas, fenómeno bastante típico nestas rochas.
20
BG4
Metassedimentos do Sameiro
Este geossítio corresponde a afloramentos metassedimentares mostrando fácies típicas das zonas de clorite e clorite-biotite, onde a presença destes minerais permite caracterizar os valores de temperatura e pressão a que estas rochas se formaram. Sujeitas a condições de metamorfismo regional, as bancadas apresentam dobramentos de primeira fase, de dimensão métrica e eixo vertical coincidentes com a xistosidade (S1) das mesmas, sendo ainda possível observar em algumas bancadas de granulometria mais grosseira e composição grauvacóide com evidências da estratificação inicial das rochas (S0). Pela descrição apresentada, e pela cartografia local, verifica-se que estas rochas se encontram inseridas na Formação Boque, membro Ponte Velha.
21
BG9
Conglomerados do Corredor dos Mouros
Nas imediações do vértice geodésico Corredor de Mouros é possível observar bancadas de metaconglomerados, intercaladas com outras formações metassedimentares pertencentes à Formação Colmeal. O aspeto dos afloramentos é caracterizado pela presença de uma rocha composta por fragmentos, alguns com cerca de 15 cm de diâmetro, essencialmente de origem quartzosa, envoltos numa matriz arenosa. O seu protólito corresponde a um conglomerado, formado pela acumulação de clastos arredondados, transportados por correntes com caudais consideráveis que promovem o seu desgaste e arredondamento. A deposição ocorre em cursos de água com menor velocidade de corrente, ou ao longo de áreas costeiras com forte ondulação. O material de granulometria mais fina é depositado posteriormente, em ambiente com considerável apetência para a sedimentação, ocupando os espaços intersticiais entre os clastos. Os metaconglomerados apresentam uma idade Neoproterozóica (superior a 541 milhões de anos), tendo sofrido o seu metamorfismo durante a orogenia Cadomiana.
22
BG16
Seixo Branco
Este geossítio constitui um afloramento de quartzo róseo que intrui rochas graníticas. Denominado localmente por Seixo Branco, esta fase pegmatítica apresenta tonalidades esbranquiçadas, devido à presença de quartzo, sendo também possível observar tonalidades mais avermelhadas conferidas pela presença de manganês na rede cristalina do quartzo. A instalação destes filões ocorre maioritariamente durante o Mesozóico (252 a 66 Ma), com a fragmentação da Pangeia e o início da abertura o Oceano Atlântico, instalando-se este fluídos magmáticos ao longo de fraturas. A erosão das rochas encaixantes, menos resistentes que o quartzo, e o próprio levantamento tectónico da serra da Estrela, levaram a que este passasse a aflorar à superfície de forma expressiva, constituindo hoje um dos mais curiosos locais de interesse geológico da serra da Estrela.
23
BG18
Quinta da Alverca
Este geossítio apresenta bastante interesse didático, uma vez que ao longo de um pequeno percurso é possível identificar afloramentos que evidenciam os efeitos dos diversos graus e tipos de metamorfismo. Na proximidade com o batólito granítico de Manteigas (granito Ordovícico com uma idade de 481 Ma), os fenómenos de metamorfismo de contacto podem ser identificados pela presença de xistos mosqueados e corneanas, estas últimas formando cascalheiras periglaciárias por ação de processos de crioclastia, que levam à fraturação do maciço rochoso pela infiltração e congelação da água ao longo de fraturas. Quanto a metamorfismo regional, as litologias observadas ao longo deste percurso encontram-se na transição entre as formações do Gravato e Boque, membro Ponte Velha, identificam-se bancadas de xistos com intercalações decimétricas a métricas de metagrauvaques com estratificação e xistosidade vertical, e esporadicamente intercalações de rochas básicas. As formações metassedimentares apresentam uma idade Neoporterozóica (mais de 541 Ma).
24
BG19
Poço do Inferno
Há mais de 300 milhões de anos, e durante um grande período de colisão de placas tectónicas, ocorreu a instalação de magmas graníticos em profundidade. Esta intrusão de magmas a altas temperaturas é responsável pelo sobreaquecimento das rochas envolventes, recristalizando os seus minerais e originando um novo tipo de rocha mais dura e resistente. O processo designa-se por metamorfismo de contacto e pode ser comparado ao cozer o barro, para se tornar mais resistente. No Poço do Inferno, este processo pode ser observado pela presença de corneanas, rochas muito duras que se destacam na paisagem pelos seus picos escarpados. Ao longo da sua história, granitos e corneanas sofreram esforços tectónicos e foram também afetados pela ação química dos fluídos e das águas subterrâneas. O granito alterou-se facilmente, ficando mais brando, ao passo que as corneanas, pelas suas características mineralógicas e estruturais, permaneceram praticamente sãs e muito mais resistentes. Já à superfície, sofrendo o entalhe fluvial da ribeira de Leandres, os granitos mais alterados são rapidamente entalhados, ao passo que as corneanas dificultam a erosão linear das águas de escorrência. Esta luta entre a água, corneanas e granitos, faz com que quando aparecem corneanas, estas resistam mais, formando frequentemente ressaltos verticais, que originam as atuais cascatas.
25
F1
Cascata da Candeeira
A Cascata da Candeeira, observada na confluência com o Vale glaciário do Zêzere, revela o caráter suspenso do vale da Candeeira, mergulhando abruptamente no vale do Zêzere. O maior aprofundamento do vale do Zêzere traduz a forte ação erosiva do seu glaciar, mas especialmente a menor resistência à erosão da rocha ao longo do vale, muito esmagada pela atividade tectónica da grande falha de Bragança - Vilariça - Manteigas - Unhais da Serra. Este vale suspenso era também um dos responsáveis pelo total enchimento do Vale glaciário do Zêzere, que há 30 mil anos apresentava neste local uma espessura de gelo com cerca de 340 m. A água proveniente da ribeira da Candeeira alimenta o rio Zêzere, formando uma cascata de caudal variável em função da estação do ano, apresentando um caudal mais expressivo durante a primavera, quando ocorre o degelo.
26
F4
Meandro abandonado de Vale de Amoreira
Neste local encontra-se um antigo fundo de vale do Rio Zêzere, atualmente abandonado. O rio Zêzere, neste torço localizado a jusante de Manteigas, atravessa litologias metassedimentares Neoproterozóicas (mais de 541 Ma) da formação Boque, membro Ponte Velha, mais suscetíveis a fenómenos erosivos. Como tal, a incisão da linha ocorre ao longo de fraturas, diaclases e outras anisotropias da rocha, resultantes de variações da sua composição. O resultado é um traçado mais sinuoso e irregular com circunvoluções que, por vezes, praticamente se fecham, levando a uma mudança do percurso, por abertura de um novo canal, deixando abandonado o antigo leito com solos bastante férteis que são em geral objetivo de agricultura.
27
F7
Covão da Ponte e Casais de Folgosinho
Este vale intramontano foi formado pelo encaixe do rio Mondego ao longo de vários milhões de anos, acompanhando o levantamento da serra da Estrela. Por toda a área afloram rochas Neoproterozóicas (mais de 541 Ma), que pela sua baixa dureza, foram facilmente moldadas e erodidas pelo encaixe do rio Mondego, tendo resultado deste processo diversos depósitos aluviais caracterizados por sedimentos bastante férteis. Desta forma, a componente geológica contribuiu de forma significativa para a ocupação humana, uma vez que estes terrenos foram ao longo de milénios aproveitados para agricultura e para a pastorícia, culminando nos atuais Casais de Folgosinho. De facto, a componente cultural deste geossítio é de bastante relevância, demonstrada pela capela da Senhora de Assedasse e pelos próprios “casais”, constituídos pelas cortes e campos adjacentes, onde se pratica a agricultura de subsistência. Atualmente, praticamente despovoado, este setor constitui uma as paisagens de montanha mais características da serra da Estrela.
28
F9
Sumo do Mondego
Esta garganta escavada por incisão do rio Mondego, leva a que este flua durante algumas centenas de metros sob blocos de granito. O processo de incisão do rio Mondego terá tido o seu início com o soerguimento da serra da Estrela, há cerca de 10 milhões de anos, devido ao início da atual fase compressiva originada pela colisão entre as placas Africana e Euroasiática. O caráter subterrâneo neste troço entra-se relacionado com processos de erosão fluvial, associadas também à existência de falhas que facilitam a incisão do curso de água. A toponímia deste local é o resultado desses mesmos processos, uma vez que a linha de água se “some” da superfície.
29
F12
Covão de Santa Maria
O Covão de Santa Maria corresponde a um setor do vale intramontano do rio Mondego, talhado em rochas metassedimentares, nomeadamente em unidades alternantes de xistos e metagrauvaques. Estes denotam importantes marcas de dobramentos associados a antigos processos orogénicos, ou seja, de colisão continental e consequente formação de cadeias montanhosas. Além da relevância relacionada com a sua litologia, a incisão do rio e os fenómenos de erosão fluvial associados conferem também importância geomorfológica a este covão, identificando-se formas de distintas escalas. À escala da paisagem, observa-se um traçado meandrizado do curso de água, típico de uma zona com rochas menos resistentes, como são os xistos. Em pormenor, identifica-se a formação de marmitas de gigante no seu leito do rio, que têm na sua génese a erosão provocada por pequenos fragmentos que, ao ficarem aprisionados em cavidades no leito, provocam o seu desgaste e alargamento por ação do turbilhão de água. Ao contrário de outros locais na serra da Estrela com o topónimo covão, aqui não houve qualquer influência por parte dos glaciares que moldaram as paisagens das áreas mais alta da montanha
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H1
Fonte Paulo Luís Martins
Esta fonte de caudal permanente encontra-se instalada num local de interseção de falhas locais com a grande falha Bragança-Vilariça-Manteigas-Unhais da Serra. A nascente localiza-se 20 metros acima da estrada, em rochas graníticas, caindo a água em cascata até ao local da fonte. Enquanto características físico-químicas, esta apresenta uma temperatura constante de 6.ºC, constituindo uma água alcalino-sódica, hipossalina, com elevado índice de sílica. Pelas suas características, são-lhe atribuídas propriedades diuréticas, sendo também explorada como água de mesa. Esta é um local com importante valor histórico, sendo referido no Aquillégio de 1726, onde Fonseca Henriques refere que “No termo da Vila de Manteigas, comarca da Guarda, há uma fonte, a que chamam de Paulo Martins, na origem do rio Zêzere, cuja água é tão fria, que ninguém pode sofrê-la enquanto se reza uma Ave-Maria, e por sua mesma frialdade, faz invandiável o rio perto de meia légua”.
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H3
Nascente termal das Caldas de Manteigas
Neste local, situado nas instalações do INATEL, são exploradas águas termais sulfúreas, bicarbonatadas sódicas, fluoretadas, associadas à falha de Bragança-Vilariça-Manteigas-Unhais da Serra. Situa-se numa zona constituída por rochas graníticas hercínicas, condicionada pelos grandes sistemas regionais de fraturação. As nascentes devem a sua origem à circulação em profundidade e posterior ascensão de águas meteóricas através da grande falha transversal do Zêzere e alinhamentos transversais, que, próximo da superfície, se misturam com águas de circulação superficial nos depósitos fluvioglaciários. Enquanto aplicações terapêuticas destas águas podem ser referidos reumatismos, doenças de pele e das vias respiratórias.
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POP5
Miradouro do Fragão do Corvo
O local onde se encontra o miradouro do Fragão do Corvo constitui um tor granítico, situado a cerca de 1440 m de altitude. A sua origem é o resultado da erosão do material argilo-arenoso da alteração do granito, deixando núcleos de rocha mais sã e dura expostos à superfície, ficando em relevo. A fase inicial de alteração profunda do granito deverá ter ocorrido há algumas dezenas de milhões de anos, sob um clima quente e húmido, seguindo-se uma fase em que predomina a erosão face à alteração, potenciada pelo levantamento tectónico da Estrela e pelo encaixe dos vales. Do miradouro do Fragão do Corvo obtemos uma vista panorâmica para Sul, sobre a Fraga da Cruz, para Este, sobre a Vila de Manteigas e para NE, onde se observam áreas de cultivo, como o Campo Romão, em primeiro plano, e os Casais de Folgosinho em segundo. Este é um local privilegiado para compreendermos as principais unidades morfológicas do Geopark Estrela. Na linha do horizonte conseguimos ainda identificar a cidade da Guarda, na transição entre a Cordilheira Central e a Meseta Ibérica que se prolonga para Espanha.
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POP9
Miradouro de Carvalhais
Este miradouro sobre a Vila de Manteigas, permite observar o setor proglaciário do vale do Zêzere e as cascalheiras periglaciárias de São Lourenço e do Souto do Concelho. Estas cobrem na quase totalidade as encostas mencionadas, correspondendo a corneanas formadas por metamorfismo de contacto entre os batólitos graníticos e os metassedimentos, tendo posteriormente sido sujeitas a fenómenos de crioclastia que levaram à formação das atuais cascalheiras.
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POP15
Miradouro da Azinha
Este local é um miradouro para o planalto superior, vale do Zêzere e a vila de Manteigas. Enquanto outros elementos geomorfológicos, é possível com este panorama identificar também a transição entre a Cordilheira Central e a Meseta Ibérica setentrional, bem como observar o encaixe do Rio Zêzere ao longo do vale de fratura.
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POP19
Miradouro de São Lourenço
Este miradouro sobre a vila de Manteigas e o vale glaciário do Zêzere permite observar a sua secção transversal em forma de “U”. No máximo da glaciação da serra da Estrela, o glaciar atingia uma espessura de 340 metros no setor mais a montante do vale, alimentado pelo campo de gelo do Planalto da Torre, ocorrendo o seu término próximo da atual fábrica de águas Glaciar.
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PS1
Depósito de São Gabriel
Este geossítio corresponde a um depósito de vertente heterométrico, com clastos depositados sobre o eixo maior (tipo “head”), mostrando evidências de solifluxão e fluxo de detritos. Datações revelam um paleosolo próximo da base do depósito com aproximadamente 25 mil anos. Este depósito ter-se-á formado num clima frio, uma vez que a forma dos seus clastos indica origem crioclástica. Quanto aos blocos de maior dimensão incorporados no depósito, estes terão origem em desabamentos nos setores mais elevados da vertente.
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PS3
Planalto do Curral do Vento
Situado a norte do Vale da Ribeira as Cortes, no planalto oriental, o Curral do Vento estende-se entre os vértices geodésicos dos Poios Brancos e do Curral do Vento. Esta área mostra evidências de crioplanação e depósitos de solifluxão com calhaus angulosos e estruturas evidenciando a segregação de gelo no solo, desenvolvidas no final do Pleistocénico.
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PS4
Depósito estratificado da Barroca da Água
Este geossítio corresponde a um depósito estratificado de vertente com estruturas em ventre, revelando evidências de fluxos de detritos ocorridos na fase paraglaciária já no final da última glaciação. O depósito apresenta uma estrutura entrecruzada, sendo que os leitos mais grosseiros não têm matriz e são constituídos por elementos centimétricos, policristalinos, de granito porfiroide e com forma bastante angulosa. Pelo contrário, os leitos menos grosseiros são os mais espessos, sendo constituídos por areia fina e grosseira de origem granítica, envolvida numa matriz siltosa.
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PS5
Cascalheiras de São Lourenço e Souto do Concelho
Este geossítio corresponde a um depósito de vertente de cascalheiras desenvolvido nas corneanas resultantes do metamorfismo de contacto, revelando o controlo litológico na formação de depósitos periglaciários da última glaciação. Trata-se de uma cobertura continua, sobre o granito de Manteigas, de clastos angulosos que cobrem as vertentes na sua totalidade. Os processos na origem deste geossítio são claramente periglaciários, estando relacionados com a fragmentação das corneanas através de fenómenos de crioclastia.
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PS6
Depósito estratificado de São Sebastião
Este depósito de vertente desenvolvido no granito de grão grosseiro de Seia, testemunha a evolução da vertente num ambiente periglaciário, frio e com neve frequente, em que a vegetação da vertente seria escassa. Trata-se de um depósito estratificado no sentido do declive, onde alternam leitos arenosos e leitos mais grosseiros, podendo ainda ser observada a orientação do eixo maior dos calhaus no sentido do declive da vertente.
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PS7
Cone de detritos do Barrocão de João Domingos
A cascata observada atualmente, que flui a partir do vale suspenso dos Covões, termina num depósito de forma triangular, correspondente a um cone de dejeção conhecido localmente por Barrocão de João Domingos. Este depósito revela a importância da atividade paraglaciária e mobilização dos blocos morénicos pelos fluxos de detritos, integrando um conjunto de cones detríticos que ocorrem no vale do Zêzere.
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PS9
Barranco da Fonte Paulo Luís Martins
Este barranco na vertente oriental do vale de Zêzere apresenta atividade recente de fluxos de detritos após períodos de chuvas intensas, ilustrando a elevada perigosidade geomorfológica deste setor da Estrela. Os processos de morfodinâmica atual ligados a estes episódios são de bastante relevância científica, uma vez que o a sua análise permite o estudo de soluções que permitem a mitigação destes fenómenos.
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PS11
Terraço com fluxo de detritos de São Sebastião
Observa-se neste local um corte em talude granítico que revela um antigo depósito torrencial (fluxo de detritos) que preenche um terraço erosivo no granito de Manteigas.
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GEO1
Cabeça Preto
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GEO2
Curral dos Martins e Piornal
Republicação do Plano Diretor Municipal de Manteigas