- 1 -Sem prejuízo do disposto nos artigos seguintes, em qualquer contrato bilateral em que, à data da declaração de insolvência, não haja ainda total cumprimento nem pelo insolvente nem pela outra parte, o cumprimento fica suspenso até que o administrador da insolvência declare optar pela execução ou recusar o cumprimento.
- 2 -A outra parte pode, contudo, fixar um prazo razoável ao administrador da insolvência para este exercer a sua opção, findo o qual se considera que recusa o cumprimento.
- 3 -Recusado o cumprimento pelo administrador da insolvência, e sem prejuízo do direito à separação da coisa, se for o caso:
- a)Nenhuma das partes tem direito à restituição do que prestou;
- b)A massa insolvente tem o direito de exigir o valor da contraprestação correspondente à prestação já efectuada pelo devedor, na medida em que não tenha sido ainda realizada pela outra parte;
- c)A outra parte tem direito a exigir, como crédito sobre a insolvência, o valor da prestação do devedor, na parte incumprida, deduzido do valor da contraprestação correspondente que ainda não tenha sido realizada;
- d)O direito à indemnização dos prejuízos causados à outra parte pelo incumprimento:
- i)Apenas existe até ao valor da obrigação eventualmente imposta nos termos da alínea b);
- ii)É abatido do quantitativo a que a outra parte tenha direito, por aplicação da alínea c);
- iii)Constitui crédito sobre a insolvência;
- e)Qualquer das partes pode declarar a compensação das obrigações referidas nas alíneas c) e d) com a aludida na alínea b), até à concorrência dos respectivos montantes.
- 4 -A opção pela execução é abusiva se o cumprimento pontual das obrigações contratuais por parte da massa insolvente for manifestamente improvável.
Artigo 102.º — Princípio geral quanto a negócios ainda não cumpridos
Vigente desde: 18/08/2004
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