Durante os primeiros oito meses de 2000 as taxas de juro bancárias apresentaram uma trajectória ascendente, a qual se verificava já desde o terceiro trimestre de 1999 e está em linha com a política monetária prosseguida. Com efeito, a aceleração do crescimento económico, as pressões inflacionistas na UE e a evolução cambial do euro levaram o BCE/SEBC a subir as taxas de juro de intervenção por cinco vezes durante os primeiros oito meses do ano. Os acréscimos registados totalizaram 1,5 p.p., colocando a taxa de cedência em 4,5% no último dia de Agosto (face a 2,5% um ano antes). As subidas das taxas de referência por parte do BCE tiveram implicações nas taxas praticadas no mercado monetário. Neste contexto, as taxas de juro a três meses mantiveram desde o início do ano uma trajectória ascendente, tendo atingido em Agosto um valor médio de 4,78%, que compara com 3,34% em Janeiro e 2,63% em Junho de 1999, mês em que estas taxas atingiram o nível médio mais baixo. Consequentemente, a evolução das taxas de juro bancárias traduz aquela tendência registando-se em Agosto aumentos de 1,1 p.p., para as operações passivas de 181 dias a 1 ano e de 1,1 p.p. para as operações activas com a mesma maturidade para as sociedades não financeiras, ambos face aos valores de Junho de 1999, quando a generalidade das taxas praticadas pelos bancos atingiram os níveis mais baixos. Por seu turno, a taxa dos empréstimos a particulares, para prazos superiores a 5 anos, registava, em Agosto, um aumento de 1,5 p.p. também face ao valor mínimo de 1999. Este agravamento do custo do crédito deve, no entanto, ser interpretado tendo em conta que as taxas de juro haviam atingido em meados de 1999 níveis historicamente muito baixos. Com efeito, as taxas actuais encontram-se ao nível dos valores observados no segundo semestre de 1998; a título de exemplo refiram-se as taxas para operações a 181 dias a 1 ano para os empréstimos a sociedades não financeiras que em Agosto se situavam em 5,8%, valor idêntico ao de Outubro de 1998, quando em Agosto de 1995 esta taxa ascendia a 13,3% e as taxas de empréstimos a particulares a mais de 5 anos, que em Agosto de 2000 se situavam em 6,4%, nível idêntico ao do final do terceiro trimestre de 1998, face a 12,6% também em Agosto de 1995.