A autorização legislativa referida no artigo anterior é concedida com o seguinte sentido e extensão:
- a)Determinar que constitui contraordenação aeronáutica civil todo o facto ilícito e censurável que preencha um tipo legal correspondente à violação de disposições legais e regulamentares relativas à aviação civil, para o qual se comine uma coima;
- b)Alterar o regime relativo à responsabilidade pelas contraordenações, procedendo à sua clarificação e densificação, prevendo-se, designadamente, que as sanções podem ser aplicadas às pessoas coletivas independentemente de terem natureza pública ou privada, bem como às entidades sem personalidade jurídica;
- c)Ajustar a graduação do montante das coimas das contraordenações aeronáuticas leves, consoante estejam em causa pessoas coletivas classificadas como micro, pequenas ou médias empresas;
- d)Prever um critério de equiparação das pessoas coletivas de direito público que não constituam empresas e das pessoas coletivas de direito privado que não revistam a forma de sociedade a micro ou pequenas empresas e proceder à criação de um regime aplicável às situações em que não é possível determinar a dimensão de uma empresa, para efeitos da determinação da moldura contraordenacional aplicável;
- e)Nos casos em que a contraordenação aeronáutica civil consista na omissão de um dever, consagrar a possibilidade de a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) sujeitar o infrator à injunção de cumprir o dever em causa, sob pena de aplicação de uma sanção pecuniária compulsória, devendo ser fixados os critérios de determinação do seu montante e os seus limites mínimos e máximos;
- f)Nas situações em que se determinar a publicidade da punição por contraordenação, determinar a obrigatoriedade de se fixar o prazo da sua publicitação na decisão condenatória, o qual deve ter um limite máximo e ser definido segundo critérios predeterminados;
- g)Alargar o elenco das sanções acessórias e determinar a consequência do seu desrespeito;
- h)Alterar as normas respeitantes à perda de objetos ou à perda de valor a favor do Estado, no sentido de determinar, em concreto, o objeto deste regime e as circunstâncias que determinam a sua perda a favor do Estado e, consequentemente, a sua transmissão para a ANAC, bem como o seu destino;
- i)Fixar um prazo máximo de conservação dos dados que compõem o registo individual dos infratores;
- j)Proceder à alteração das situações que podem dar origem a um auto de advertência, estabelecendo que apenas podem ser objeto do mesmo as infrações tipificadas como contraordenação leve ou grave, suscetíveis de ser sanáveis, e das quais não tenham resultado prejuízos irreparáveis;
- k)Esclarecer que a aplicação da advertência não constitui uma decisão condenatória;
- l)Clarificar que os autos de notícia lavrados no âmbito de ações de fiscalização fazem fé sobre os factos presenciados pelos autuantes, enquanto a veracidade do seu conteúdo não for fundamentadamente posta em causa;
- m)Densificar o conteúdo dos autos de notícia e de participação;
- n)Substituir a previsão da necessidade de confirmação do auto de notícia pela ANAC e subsequente remessa do mesmo ao infrator pela notificação do infrator quanto ao teor da acusação, a fim de se garantir a clarificação e simplificação do procedimento;
- o)Proceder à revogação das normas respeitantes ao prazo de instrução dos processos de contraordenação, por ser meramente indicativo;
- p)Consagrar a possibilidade de a ANAC instaurar processo de contraordenação sempre que tome conhecimento, por qualquer meio ao seu dispor, de factos passíveis de constituir contraordenação aeronáutica civil;
- q)Indicar o local da realização das inquirições e dos depoimentos;
- r)Prever a possibilidade de a ANAC proceder ao registo áudio ou audiovisual da tomada de declarações, depoimentos e esclarecimentos de quaisquer sujeitos processuais, bem como de proceder à realização de diligências por videoconferência, quando, designadamente, o sujeito processual esteja domiciliado ou temporariamente deslocado nas Regiões Autónomas dos Açores ou da Madeira, ou no estrangeiro;
- s)Estabelecer que a tradução de documentos em língua estrangeira pode ser dispensada, desde que a língua utilizada seja facilmente compreensível pelos sujeitos processuais;
- t)Alterar e desenvolver o regime das notificações, no sentido de, designadamente, adaptar as formas de realização das notificações aos sistemas e tecnologias disponíveis, de permitir notificar as pessoas coletivas que não tenham sede ou domicílio em Portugal na sucursal, agência ou representação em Portugal;
- u)Introduzir regras relativas à publicidade, instituindo o princípio de que o processo é público, podendo a ANAC determinar que o mesmo seja sujeito a segredo de justiça até à decisão final, quando considere que a publicidade prejudica os interesses da investigação ou os direitos do arguido ou do ofendido;
- v)Prever que, em caso de segredo de justiça, a ANAC pode, oficiosamente ou mediante requerimento do arguido ou do ofendido, determinar o seu levantamento em qualquer momento do processo e, bem assim, dar conhecimento a terceiros do conteúdo de qualquer ato ou documento, se tal não puser em causa a investigação, se se afigurar conveniente ao esclarecimento da verdade e se não forem prejudicados os direitos do arguido ou do ofendido;
- w)Determinar a possibilidade de acesso ao processo pelos sujeitos processuais e dele obter, a expensas suas, extratos, cópias ou certidões, e de a ANAC vedar o acesso ao processo ao arguido, até à notificação da acusação, quando o processo estiver sujeito a segredo de justiça e for considerado que tal acesso pode prejudicar a investigação;
- x)Prever a possibilidade, em sede de apreensão cautelar, de a ANAC determinar igualmente a apreensão provisória de peças, equipamentos e demais materiais associados à prática da infração, para além de aeronaves e de licenças, certificados, autorizações, aprovações, permissões, guias de substituição e outros documentos equiparados;
- y)Clarificar o sentido da norma referente à determinação do valor da coima quando o infrator incumprir as medidas recomendadas no auto de advertência;
- z)Definir as finalidades das custas e estabelecer o reembolso das despesas com notificações e comunicações, meios audiovisuais e materiais, cópias ou certidões do processo, bem como o seu método de cálculo;
- aa)Consagrar regras gerais sobre prazos e sobre o pedido de informações da ANAC;
- bb)Prever a possibilidade de dispensa de processo contraordenacional quando esteja em causa o incumprimento de obrigações pecuniárias que tenham sido pagas após o prazo legalmente estabelecido, desde que se verifiquem um conjunto de requisitos que assegurem uma utilização não abusiva deste regime;
- cc)Consagrar a possibilidade de se realizar a conexão de processos instaurados por infração ao regime jurídico de atribuição de faixas horárias e de restrições da operação noturna;
- dd)Proceder à alteração dos montantes das coimas, à previsão da obrigatoriedade da sua atualização, de três em três anos, e à definição dos critérios para a sua atualização;
- ee)Atribuir à ANAC o dever de publicitação das atualizações dos montantes das coimas;
- ff)Prever os montantes das coimas aplicáveis às situações de violação do Regulamento (UE) 2023/2405 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de outubro de 2023, relativo à garantia de condições de concorrência equitativas para um transporte aéreo sustentável (ReFuelEU Aviação) e o regime de afetação do produto das coimas mencionadas;
- gg)Densificar os critérios que fundamentam a decisão da suspensão de aplicação das sanções;
- hh)Clarificar o regime do processo sumaríssimo e, nesse âmbito, alargar o prazo de pagamento da coima e de aceitação da admoestação;
- ii)Prever um regime aplicável à interposição de recursos, identificando, designadamente, as decisões proferidas pela ANAC que são passíveis de recurso;
- jj)Conferir legitimidade ativa à ANAC para, autonomamente, recorrer de sentenças e despachos do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão.