A aplicação e desenvolvimento dos programas compete aos órgãos e agentes responsáveis pela formação nos internatos, os quais devem assegurar a maior uniformidade a nível nacional.
A Ministra da Saúde, Ana Maria Teodoro Jorge, em 20 de Julho de 2010.
ANEXO
Programa de formação do internato médico da área profissional de especialização de medicina interna
A formação específica no internato médico de Medicina Interna tem a duração de 60 meses (cinco anos, a que correspondem 55 meses efectivos de formação) e é antecedida por uma formação genérica, partilhada por todas as especialidades, designada por ano comum.
A. Ano comum
- 1 -Duração - 12 meses.
- 2 -Blocos formativos e sua duração:
- a)Medicina interna - quatro meses;
- b)Pediatria geral - dois meses;
- c)Obstetrícia - um mês;
- d)Cirurgia geral - dois meses;
- e)Cuidados de saúde primários - três meses.
- 3 -Precedência. - A frequência com aproveitamento de todos os blocos formativos do ano comum é condição obrigatória para que o médico interno inicie a formação específica.
- 4 -Equivalência. - Os blocos formativos do ano comum não substituem e não têm equivalência a eventuais estágios com o mesmo nome da formação específica.
B. Formação específica
- 1 -Introdução:
- 1.1 -A medicina interna ocupa-se da prevenção, diagnóstico e orientação da terapêutica curativa não cirúrgica das doenças de órgãos e sistemas ou das afecções multi-sistémicas dos adolescentes, adultos e idosos.
- 1.2 -A visão integradora da constelação de características fisiológicas e patológicas do doente e a articulação com as práticas de outras especialidades definem a sua essência.
- 1.3 -Esta especialidade exerce-se em clínica de internamento, de ambulatório, clínica de urgência/emergência dos estados críticos.
- 1.4 -A variedade nosológica não permite o estabelecimento de compartimentações rígidas relativas aos objectivos dos conhecimentos, exigindo-se ao médico interno de medicina interna a construção de um edifício teórico multidisciplinar que, em conjunto com a aquisição de uma experiência prática sólida e variada, lhe permita a resolução de problemas clínicos progressivamente mais complexos.
- 2 -Duração da formação específica - 60 meses.
- 3 -Estrutura, duração e sequência dos estágios:
- 3.1 -Estrutura e duração dos estágios:
- 3.1.1 -Medicina interna - duração mínima de 42 meses;
- 3.1.2 -Medicina de cuidados intensivos polivalentes - estágio obrigatório de seis meses em unidade polivalente;
- 3.1.3 -Estágios opcionais - duração até 12 meses.
- 3.1.3.1 -Os estágios opcionais realizam-se em serviços ou unidades com idoneidade formativa reconhecida que permitam assegurar tirocínios que interessem ao plano de treino, definido pelo interno e seu orientador de formação, ouvido o director do serviço onde está colocado.
- 3.1.3.2 -Cada um dos estágios opcionais não poderá ter uma duração inferior a três meses.
- 3.1.3.3 -Recomendam-se os seguintes estágios opcionais nas áreas referidas:
- a)Cardiologia;
- b)Dermatologia;
- c)Doenças infecciosas;
- d)Doença vascular cerebral;
- e)Endocrinologia e metabolismo;
- f)Gastrenterologia;
- g)Hematologia clínica;
- h)Imunologia clínica/doenças auto-imunes;
- i)Nefrologia;
- j)Neurologia;
- l)Oncologia médica;
- m)Pneumologia.
- 3.2 -Sequência dos estágios:
- 3.2.1 -O primeiro e o último ano do internato são desejavelmente efectuados em serviço de medicina interna, obedecendo os restantes estágios ao plano de formação aprovado em cada instituição.
- 4 -Local de formação para cada estágio:
- 4.1 -Estágio de medicina interna - serviço de medicina interna.
- 4.2 -Estágio de medicina de cuidados intensivos polivalentes - serviço ou unidade de cuidados intensivos polivalentes.
- 4.3 -Estágios opcionais - serviço ou unidade cujo exercício permita o cumprimento do plano e dos objectivos do tirocínio.
- 4.4 -Não são considerados válidos os estágios que não contemplem actividade clínica ou desempenho.
- 4.5 -Os serviços ou unidades responsáveis pelos estágios devem possuir obrigatoriamente um plano de formação que respeite o programa mínimo definido, nomeando um responsável de estágio para acompanhamento do médico interno.
- 5 -Objectivos dos estágios:
- 5.1 -Estágio em medicina interna:
- 5.1.1 -Objectivos de desempenho:
- 5.1.1.1 -Durante a totalidade do internato, o interno deve adquirir progressiva autonomia nos seguintes itens:
- a)Colheita e elaboração de histórias clínicas, elaboração de diagnóstico diferencial, emissão de diagnósticos clínicos provisórios, solicitação de exames complementares de diagnóstico, interpretação de anomalias clínico-laboratoriais, integração de todos os elementos de investigação clínica, obtenção de um diagnóstico final, prescrição e realização de um protocolo terapêutico e definição de um prognóstico;
- b)Apresentação oral clara, extensa ou resumida (em forma de epícrise) de casos clínicos, em visita médica ou reunião clínica;
- c)Capacidade de apresentação sumária de um conjunto de doentes, em visita médica, reunião de serviço ou transferência de turno de urgência;
- d)Realização de nota de alta ou transferência;
- e)Participação activa em reuniões clínicas;
- f)Colaboração no tratamento e manutenção de elementos de informação clínica do serviço (arquivo);
- g)Realização/participação activa em sessões temáticas ou de revisão bibliográfica;
- h)Assimilação e emprego com conveniência das regras que regem a solicitação de serviços de outras especialidades;
- i)Integração nas equipas de urgência interna;
- j)Integração nas equipas de urgência externa por períodos de 12 horas semanais, com formação em exercício, sob tutela de um especialista de medicina interna, em todos os sectores que constituem o serviço de urgência, sendo esta actividade reconhecida como fundamental na formação em medicina interna, pelo que a explanação das competências adquiridas nesta área e a reflexão sobre a respectiva casuística serão relevantes para a avaliação final;
- l)Integração na consulta externa e reflexão crítica sobre a casuística respectiva;
- m)Execução das seguintes técnicas:
1) Punção e canalização das veias periféricas;
2) Punção arterial (para diagnóstico);
3) Toracocentese;
4) Biopsia pleural;
5) Paracentese abdominal;
6) Punção lombar;
7) Punção medular (com ou sem biopsia óssea);
8) Biopsia hepática percutânea;
9) Outras técnicas de colheita de tecidos para estudo histológico;
10) Avaliação electrocardiográfica;
11) Reanimação cardiorrespiratória (curso de suporte avançado de vida);
- n)Conhecimento dos princípios de estatística aplicados às ciências biológicas e ou capacidade de utilização e interpretação de programas informáticos de tratamento e análise estatística na área biomédica;
- o)Conhecimento e aplicação dos consensos de ética e da deontologia médicas;
- p)Participação em publicações clínicas ou científicas;
- q)Participação em cursos de pós-graduação (nacionais ou estrangeiros) de interesse e mérito reconhecidos;
- r)Elaboração e execução de projectos de investigação;
- s)Integração em núcleos de ensino pré ou pós-graduado;
- t)Participação em acções de consultadoria a outras especialidades, em regime tutelado.
- 5.1.2 -Objectivos de conhecimento - para o 1.º, 2.º, 3.º, 4.º e 5.º anos - etiopatogenia, epidemiologia, fisiopatologia, anatomia patológica, semiologia clínica e laboratorial, diagnóstico e terapêutica de entidades nosológicas incluídas nas seguintes áreas:
- a)Cardiologia;
- b)Cuidados paliativos;
- c)Doenças do metabolismo;
- d)Doenças infecciosas;
- e)Doenças vasculares;
- f)Endocrinologia;
- g)Farmacologia clínica;
- h)Gastrentologia;
- i)Geriatria e gerontologia;
- j)Hematologia clínica;
- l)Imunologia clínica/doenças auto-imunes;
- m)Medicina de urgência, emergência e do doente crítico;
- n)Nefrologia;
- o)Neurologia;
- p)Nutrição clínica;
- q)Oncologia médica;
- r)Pneumologia;
- s)Reumatologia;
- t)Toxicologia e substâncias de abuso.
- 5.2 -Estágio em medicina de cuidados intensivos polivalentes:
- 5.2.1 -Objectivos de desempenho - execução de técnicas de diagnóstico e terapêutica em doentes em cuidados intensivos, nomeadamente:
- a)Monitorização electrocardiográfica;
- b)Monitorização clínica e laboratorial da função respiratória;
- c)Cateterismo venoso central percutâneo;
- d)Cateterismo venoso e arterial;
- e)Entubação endotraqueal e manutenção da via aérea;
- f)Suporte ventilatório mecânico e suas diferentes modalidades;
- g)Suporte nutricional entérico e parentérico;
- h)Instalação de estimulador cardíaco transvenoso provisório;
- i)Pericardiocentese;
- j)Drenagem pleural;
- l)Técnicas de analgesia e sedação.
- 5.2.2 -Objectivos de conhecimento:
- a)Conhecimento de critérios de admissão e alta das unidades de cuidados intensivos;
- b)Vigilância e monitorização (invasiva/não invasiva) de doentes em estado crítico;
- c)Reanimação e terapêutica do choque;
- d)Reanimação cardiorrespiratória;
- e)Alterações do equilíbrio hidroelectrolítico e ácido-base;
- f)Emprego de soluções parenterais;
- g)Transfusão de sangue e derivados;
- h)Fisiopatologia e terapêutica das alterações agudas da coagulação;
- i)Fisiopatologia e terapêutica substitutiva das situações de insuficiência respiratória;
- j)Fisiopatologia e terapêutica substitutiva das situações de insuficiência renal;
- l)Fisiopatologia e terapêutica substitutiva das situações agudas do sistema cardiovascular;
- m)Fisiopatologia e terapêutica da insuficiência hepática aguda e das hemorragias gastrentestinais;
- n)Fisiopatologia e terapêutica das crises endócrinas agudas;
- o)Abordagem da infecção grave e sepsia;
- p)Avaliação e tratamento em pós-operatório;
- q)Abordagem do grande traumatizado;
- r)Abordagem das principais intoxicações.
- 5.3 -Estágios opcionais:
- 5.3.1 -Recomenda-se a realização de estágios opcionais de acordo com o regulamentado no n.º 3.1.3.
- 5.3.2 -Os estágios opcionais implicam obrigatoriamente:
- a)Existência de objectivos de desempenho (avaliação e seguimento de doentes portadores das patologias mais frequentes e relevantes);
- b)Existência de objectivos de conhecimento:
1) Etiologia, fisiopatologia, clínica, diagnóstico, terapêutica e prognóstico das entidades nosológicas;
2) Monitorização da actividade das doenças com recurso a protocolos validados (quando existentes) e seu reflexo na decisão terapêutica.
- 6 -Avaliação:
- 6.1 -A avaliação é feita de acordo com o estabelecido no Regulamento do Internato Médico.
- 6.2 -Avaliação do desempenho - desempenho individual:
- a)Capacidade de execução técnica - ponderação 3;
- b)Interesse pela valorização profissional - ponderação 3;
- c)Responsabilidade profissional - ponderação 2;
- d)Relações humanas no trabalho - ponderação 2.
- 6.3 -Avaliação de conhecimentos:
- 6.3.1 -A avaliação quantitativa dos estágios opcionais fará média ponderada com a nota obtida na avaliação de conhecimentos referente ao ano respectivo.
- 6.3.2 -As restantes avaliações de conhecimentos, no final de cada estágio ou por cada 12 meses de internato, consistem em:
- a)Apreciação do relatório de actividades e trabalhos produzidos pelo médico interno;
- b)Discussão das matérias estabelecidas como objectivos de conhecimentos para o estágio ou período de estágio;
- c)Discussão de um relatório escrito, construído com base na entrevista e observação de um doente, onde constem o diagnóstico, a terapêutica e a epícrise.
- 7 -Avaliação final do internato:
- 7.1 -As provas de avaliação final e a composição do júri nacional obedecem ao disposto no Regulamento do Internato Médico.
- 8 -Aplicabilidade:
- 8.1 -O presente programa entra em vigor em 1 de Janeiro de 2011 e aplica-se aos médicos internos que iniciam a formação específica do internato a partir dessa data.