A aplicação e desenvolvimento dos programas compete aos órgãos e agentes responsáveis pela formação nos internatos, os quais devem assegurar a maior uniformidade a nível nacional.
A Ministra da Saúde, Ana Maria Teodoro Jorge, em 26 de Junho de 2009.
ANEXO
Programa de formação do internato médico da área profissional de especialização de angiologia/cirurgia vascular
A formação específica no internato médico de angiologia e cirurgia vascular tem a duração de 72 meses (seis anos) e é antecedida por uma formação genérica, partilhada por todas as especialidades, designada por ano comum.
A - Ano comum
- 1 -Duração - 12 meses.
- 2 -Blocos formativos e sua duração:
- a)Medicina interna - 4 meses;
- b)Pediatria geral - 2 meses;
- c)Obstetrícia - 1 mês;
- d)Cirurgia geral - 2 meses;
- e)Cuidados de saúde primários - 3 meses.
- 3 -Precedência - a frequência com aproveitamento de todos os blocos formativos do ano comum é condição obrigatória para que o médico interno inicie a formação específica.
- 4 -Equivalência - os blocos formativos do ano comum não substituem e não têm equivalência a eventuais estágios com o mesmo nome da formação específica.
B - Formação específica
- 1 -Duração - 72 meses.
- 2 -Sequência e duração dos estágios - a sequência dos estágios a seguir apresentada é preferencial, mas não obrigatória.
- 2.1 -Estágios obrigatórios:
- 2.1.1 -Cirurgia geral - 12 meses (a efectuar preferencialmente durante o 1.º ano).
- 2.1.2 -Cuidados intensivos - 2 meses (a efectuar preferencialmente durante o 3.º ano).
- 2.1.3 -Cirurgia cardiotorácica - 2 meses (a efectuar preferencialmente durante o 4.º ano).
- 2.1.4 -Cirurgia vascular - de 53 a 56 meses (a efectuar preferencialmente entre o 2.º e o 6.º ano).
O estágio de cirurgia vascular pode ser prolongado 3 meses em prejuízo do estágio opcional.
- 2.2 -Estágios opcionais - 3 meses.
Este estágio deve ser efectuado noutros serviços de cirurgia vascular, sempre que exista carência formativa no serviço onde decorre o internato.
- 3 -Local de formação:
- 3.1 -Cirurgia geral - serviços de cirurgia geral.
- 3.2 -Cuidados intensivos - serviços de cuidados intensivos.
- 3.3 -Cirurgia cardiotorácica - serviços de cirurgia cardiotorácica.
- 3.4 -Cirurgia vascular - serviços de cirurgia vascular.
- 3.5 -Estágios opcionais - serviços de cirurgia vascular.
- 4 -Objectivos de desempenho:
- 4.1 -Estágio de cirurgia geral:
- a)História clínica do doente cirúrgico;
- b)Acompanhamento do doente nas fases pré e pós-operatórias;
- c)Execução de intervenções de pequena cirurgia do pescoço e membros;
- d)Execução de intervenções em cirurgia da parede abdominal (hérnias);
- e)Participação em actos cirúrgicos nas cavidades abdominal e torácica (exemplo: vesícula biliar, estômago, intestino, baço, apêndice, útero, ovário) e na região cervical (tiróide);
- f)Execução e vigilância de pensos no pós-operatório;
- g)Participação no atendimento e terapêutica do doente cirúrgico no domínio do serviço de urgência;
- h)Participação activa em reuniões clínicas do serviço;
- i)Acompanhamento do doente em unidades de recobro cirúrgico.
- 4.2 -Estágio de cuidados intensivos - prática em execução técnica de diagnóstico, reanimação e suporte em cuidados intensivos.
- 4.3 -Estágio de cirurgia cardiotorácica:
- a)Participação em intervenções cirúrgicas no tórax;
- b)Acompanhamento dos doentes nas fases pré e pós-operatórias em cirurgia cardiotorácica.
- 4.4 -Estágio de cirurgia vascular:
- 4.4.1 -Primeiro ano:
- a)História clínica do doente vascular;
- b)Acompanhamento do doente nas fases pré e pós-operatórias;
- c)Prática de exames invasivos e não invasivos;
- d)Execução de pensos em doentes operados;
- e)Execução de algumas técnicas cirúrgicas (vias de acesso vascular, tratamento cirúrgico de varizes simples, amputações);
- f)Participação em intervenções vasculares diversificadas;
- g)Frequência do serviço de urgência;
- h)Participação activa em reuniões clínicas do serviço.
- 4.4.2 -Segundo ano:
- a)Interpretação de exames vasculares invasivos e não invasivos:
a1) Ecodoppler venoso com avaliação e determinação da compressibilidade, permeabilidade, competência valvular, aspectos parietais, variações do fluxo com os movimentos respiratórios e com as manobras compressivas;
a2) Mapeamento de varizes com avaliação e determinação dos pontos de insuficiência e trajectos venosos;
a3) Ecodoppler arterial com avaliação e verificação de alterações parietais, caracterização da placa de ateroma, graus percentuais de estenose, velocidades de fluxos, picos sistólicos, índices de resistência;
a4) Arteriografia com avaliação de anatomia vascular radiológica, permeabilidade, caracterização de estenoses, colateralizações, oclusões, variações patológicas;
a5) Flebografia com avaliação da anatomia, vias de derivação, obstruções, refluxo;
- b)Diagnóstico diferencial em patologia vascular;
- c)Vigilância de doentes em pós-operatório;
- d)Execução de intervenções cirúrgicas de complexidade crescente (varizes, simpaticectomia lombar, acessos vasculares para hemodiálise, revascularização arterial simples - embolectomias, trombectomias, arteriorrafias, anastomoses arteriais);
- e)Participação em intervenções vasculares diversificadas;
- f)Frequência do serviço de urgência;
- g)Participação activa em reuniões clínicas do serviço.
- 4.4.3 -Terceiro ano:
- a)Execução de técnicas cirúrgicas mais complexas (endarteriectomias, bypass nos sectores aorto-femoral e femoro-poplíteo-distal, simpaticectomia torácica);
- b)Execução de técnicas de revascularização extra-anatómica;
- c)Participação em intervenções vasculares diversificadas;
- d)Triagem de doentes;
- e)Consultas de follow-up;
- f)Participação activa em reuniões clínicas do serviço.
- 4.4.4 -Quarto ano:
- a)Participação em investigação clínica e laboratorial;
- b)Execução de técnicas de revascularização cerebrovascular;
- c)Resolução de complicações da cirurgia vascular;
- d)Execução de técnicas de revascularização renal;
- e)Tratamento de síndromes do desfiladeiro toracobraquial;
- f)Elaboração e apresentação pessoal de comunicações em reuniões científicas;
- g)Apresentação, para publicação em revistas científicas, de artigos sobre temas vasculares;
- h)Colaboração na orientação dos médicos internos mais novos na elaboração dos processos clínicos e no estudo dos doentes;
- i)Avaliação dos resultados dos procedimentos terapêuticos;
- j)Participação activa em reuniões clínicas do serviço;
- l)Participação em trabalhos de informatização, bibliografia e arquivo no âmbito do serviço;
- m)Progressiva autonomia nas decisões terapêuticas, nomeadamente no serviço de urgência.
- 4.4.5 -Quinto ano:
- a)Execução de técnicas de revascularização cerebrovascular;
- b)Resolução de complicações da cirurgia vascular;
- c)Execução de técnicas de revascularização renal;
- d)Tratamento de síndromes do desfiladeiro toracobraquial;
- e)Execução de técnicas endovasculares;
- f)Execução de técnicas endoscópicas.
- 4.5 -Estágios opcionais:
- a)Execução de técnicas endovasculares;
- b)Execução de técnicas endoscópicas.
- 5 -Objectivos de conhecimento:
- 5.1 -Estágio de cirurgia geral:
- a)Avaliação do doente cirúrgico;
- b)Patologia da parede abdominal;
- c)Vias de acesso à cavidade peritoneal;
- d)Vias de acesso em cateterizações centrais;
- e)Técnicas e material de sutura;
- f)Técnicas de reparação de lesões do intestino e bexiga;
- g)Traumatismos do pescoço, torácicos e abdominais;
- h)Traumatismos da bacia e dos membros;
- i)Fisiopatologia do choque;
- j)Preparação pré-operatória;
- l)Cuidados pós-operatórios;
- m)Equilíbrio hemodinâmico e metabólico no pós-operatório.
- 5.2 -Estágio de cuidados intensivos - bases científicas de diagnóstico, reanimação e suporte em medicina intensiva.
- 5.3 -Estágio de cirurgia cardiotorácica:
- a)Técnicas de circulação extracorporal;
- b)Abordagem cirúrgica do tórax;
- c)Hemodinâmica cardiorrespiratória.
- 5.4 -Estágio de cirurgia vascular:
- 5.4.1 -Primeiro ano:
- a)Anatomia e fisiologia do sistema circulatório;
- b)Semiologia vascular;
- c)Epidemiologia das doenças vasculares;
- d)Avaliação do doente vascular;
- e)Técnicas de diagnóstico vascular:
e1) Não invasivas:
Doppler, ecodoppler, pletismografia de volume, impedância, fotométrica, tensional) - conhecimento básico dos princípios físicos que determinam a sua aplicação, suas indicações, limitações e contra-indicações;
Tomografia axial computorizada aplicada ao estudo vascular;
Ressonância magnética aplicada ao estudo vascular;
Linfocintigrafia isotópica e sua aplicação ao estudo vascular;
e2) Invasivas:
Arteriografia geral e selectiva, flebografia e linfografia - conhecimento das suas indicações, limitações e contra-indicações;
- f)Interpretação de exames vasculares não invasivos e invasivos;
- g)Patogenia da aterosclerose;
- h)Patogenia da insuficiência venosa;
- i)Vias de acesso em cirurgia vascular.
- 5.4.2 -Segundo ano:
- a)Isquemia aguda e crónica dos membros (diagnóstico e terapêutica);
- b)Patologia aneurismática arterial (diagnóstico e terapêutica);
- c)Técnicas de execução de acessos para hemodiálise;
- d)Tromboses venosas (profilaxia, diagnóstico e tratamento);
- e)Síndromes neurovasculares;
- f)Critérios e indicações de exames vasculares não invasivos e invasivos;
- g)Hemostase e coagulação;
- h)Substitutos arteriais.
- 5.4.3 -Terceiro ano:
- a)Avaliação do risco cirúrgico;
- b)Complicações em cirurgia vascular (prevenção, diagnóstico e terapêutica);
- c)Traumatologia vascular;
- d)Técnicas de cirurgia endovascular;
- e)Doença reno-vascular;
- f)Isquemia intestinal;
- g)Arteriopatias inflamatórias.
- 5.4.4 -Quarto ano:
- a)Doença cerebrovascular;
- b)Doença do sistema linfático;
- c)Angiodisplasias;
- d)Critérios e prioridades no doente vascular multidisciplinar;
- e)Reabilitação em cirurgia vascular;
- f)Metodologias de investigação clínica básica, epidemiologia e estatística.
- 5.4.5 -Quinto ano:
- a)Efeitos mecânicos e de remodelação da placa aterosclerótica após angioplastia;
- b)Cateteres, guias, balões, stents, endopróteses;
- c)Indicações, limitações e contra-indicações das técnicas endovasculares nos sectores aórtico, ilíaco, renal, carotídeo e periférico;
- d)Indicações, limitações e contra-indicações das técnicas endovasculares no sistema venoso;
- e)Adequação e utilização correcta do material endovascular;
- f)Toracoscópios, endoscópios;
- g)Indicações, limitações e contra-indicações das técnicas endoscópicas;
- h)Adequação e utilização correcta do material endoscópico.
- 5.5 -Estágios opcionais:
- a)Efeitos mecânicos e de remodelação da placa aterosclerótica após angioplastia;
- b)Cateteres, guias, balões, stents, endopróteses;
- c)Indicações, limitações e contra-indicações das técnicas endovasculares nos sectores aórtico, ilíaco, renal, carotídeo e periférico;
- d)Indicações, limitações e contra-indicações das técnicas endovasculares no sistema venoso;
- e)Adequação e utilização correcta do material endovascular;
- f)Toracoscópios, endoscópios;
- g)Indicações, limitações e contra-indicações das técnicas endoscópicas;
- h)Adequação e utilização correcta do material endoscópico.
- 6 -Currículo mínimo em cirurgia vascular:
- 6.1 -Cirurgia arterial directa, electiva e urgente - 150 intervenções;
- 6.2 -Cirurgia neurovascular - 10 intervenções;
- 6.3 -Cirurgia venosa - 100 intervenções;
- 6.4 -Cirurgia de acessos vasculares para hemodiálise - 35 intervenções;
- 6.5 -Cirurgia endovascular - 25 participações;
- 6.6 -Ajudas em cirurgia arterial e venosa - 300 participações;
- 6.7 -Exames complementares de diagnóstico:
- 6.7.1 -Não invasivos:
- a)Doppler - 100;
- b)Ecodoppler - 230;
- 6.7.2 -Invasivos - 65 angiografias.
- 7 -Avaliação do desempenho em cada estágio:
- 7.1 -Tipo de avaliação - contínua e formalizada no fim de cada estágio ou anualmente no estágio de cirurgia vascular, mediante apresentação de relatório a discutir publicamente.
- 7.2 -Momentos de avaliação - no final de cada estágio ou no fim de cada ano no estágio de cirurgia vascular.
- 7.3 -Parâmetros a avaliar, cada um dos quais com o coeficiente 1:
- a)Conhecimentos práticos (recolha, interpretação de dados e sua aplicação apropriada);
- b)Capacidade de execução técnica (habilidade e rigor de execução);
- c)Eficácia em situações de urgência (capacidade de avaliação e execução correcta e rápida da solução adequada);
- d)Integração no trabalho de equipa;
- e)Interesse pela valorização profissional (incluindo interesse e participação em actividades não assistenciais do serviço: reuniões clínicas, necessidades administrativas, arquivo, biblioteca, escalas);
- f)Relações humanas no trabalho (com os doentes e colegas);
- g)Responsabilidade profissional (incluindo ética profissional).
- 7.4 -Documentos auxiliares de avaliação - relatório de actividades (clínica e científica), a apresentar em cada um dos momentos referidos no n.º 7.2.
- 8 -Avaliação de conhecimentos:
- 8.1 -Tipo de avaliação - contínua e formalizada no fim de cada estágio ou anualmente no de cirurgia vascular.
Incidirá sobre os conhecimentos práticos, teóricos e clínicos adquiridos pelo médico interno.
- 8.2 -Momentos de avaliação - no final de cada estágio ou anualmente no estágio de cirurgia vascular.
- 8.1 -Tipo de avaliação - contínua e formalizada no fim de cada estágio ou anualmente no de cirurgia vascular.
- 9 -Avaliação final do internato:
- 9.1 -Prova de discussão curricular - integrando os resultados da avaliação contínua, obtida ao longo da formação específica, de acordo com o disposto no Regulamento do Internato Médico.
- 9.2 -Prova prática - de acordo com o previsto no Regulamento do Internato Médico para este tipo de provas.
- 9.3 -Prova teórica - oral e executada nos termos previstos no Regulamento do Internato Médico para este tipo de prova.
- 10 -Aplicabilidade:
- 10.1 -O presente programa entra em vigor em 1 de Janeiro de 2010 e aplica-se a todos os médicos internos que iniciem a formação específica do internato a partir dessa data.
- 10.2 -Pode, facultativamente, abranger os médicos internos que iniciaram a formação específica em data anterior e, nesse caso, os interessados, no prazo de dois meses a partir da publicação deste programa, deverão entregar na direcção do internato médico do hospital de colocação uma declaração em que conste esta pretensão, com concordância averbada do orientador de formação e do director de serviço.
Programa de formação do internato médico da área profissional de especialização de radioterapia
A formação específica no internato médico de radioterapia tem a duração de 48 meses (quatro anos) e é antecedida por uma formação genérica, partilhada por todas as especialidades, designada por ano comum.
A - Ano comum
- 1 -Duração - 12 meses.
- 2 -Blocos formativos e sua duração:
- a)Medicina interna - 4 meses;
- b)Pediatria geral - 2 meses;
- c)Obstetrícia - 1 mês;
- d)Cirurgia geral - 2 meses;
- e)Cuidados de saúde primários - 3 meses.
- 3 -Precedência - a frequência com aproveitamento de todos os blocos formativos do ano comum é condição obrigatória para que o médico interno inicie a formação específica.
- 4 -Equivalência - os blocos formativos do ano comum não substituem e não têm equivalência a eventuais estágios com o mesmo nome da formação específica.
B - Formação específica
- 1 -Introdução:
- 1.1 -A radioterapia é uma especialidade médica que utiliza radiações ionizantes (exclusivamente ou em combinação com outras modalidades terapêuticas) no tratamento de doentes com cancro e, eventualmente, outras doenças.
- 1.2 -A radioterapia, como parte integrante do tratamento multidisciplinar do cancro, tem responsabilidade não só no diagnóstico e tratamento da doença como ainda no seguimento e na terapêutica de suporte.
- 2 -Objectivos gerais da formação:
- 2.1 -O objectivo do programa de formação é estabelecer, de forma integrada, as normas para a aprendizagem teórica e prática da especialidade de radioterapia.
- 2.2 -A frequência do programa de formação do internato de radioterapia deve permitir ao médico interno não só adquirir um conhecimento profundo das ciências básicas e clínicas na área da radioterapia-oncologia como também fornecer a experiência necessária ao bom desempenho na prática clínica, permitindo-lhe ser reconhecido como especialista independente.
- 3 -Duração da formação específica:
- 3.1 -Duração total - 48 meses.
- 3.2 -O tempo de formação em serviços de radioterapia deve corresponder a, pelo menos, 60 % do tempo de formação.
- 4 -Aspectos gerais da formação específica - a formação específica em radioterapia deve oferecer ensino teórico e treino prático, aprofundando as ciências básicas e clínicas da área da radioterapia-oncologia.
- 4.1 -Os serviços hospitalares responsáveis pela formação dos médicos internos devem estar inseridos em hospitais onde exista oncologia médica/hematologia, cirurgia oncológica, ginecologia oncológica e outros serviços oncológicos específicos como cabeça e pescoço, pediatria oncológica e urologia.
- 4.2 -Os serviços hospitalares responsáveis pela formação dos médicos devem organizar reuniões científicas regulares, nomeadamente: apresentações de casos clínicos, discussão de planeamentos e casos problemáticos, cursos e conferências.
- 4.3 -Os médicos em formação devem utilizar no mínimo 10 % do seu horário semanal na preparação de trabalhos científicos, pesquisa bibliográfica e estudo.
- 4.4 -Os médicos em formação têm, durante o internato, de participar pelo menos num projecto de investigação básica ou clínica, supervisionados por um especialista.
- 4.5 -É desejável a frequência de congressos e cursos teórico-práticos nacionais e internacionais, devendo as instituições facilitar, nos termos do Regulamento do Internato Médico, o acesso dos médicos a esse tipo de formação.
- 4.6 -É igualmente desejável a frequência de um estágio opcional noutra instituição, nacional ou internacional, reconhecidamente idónea para o ensino da radioterapia.
- 4.7 -Toda a actividade do médico em formação deve ser documentada numa «caderneta do interno».
- 5 -Estrutura, duração e local de formação dos estágios da formação específica:
- 5.1 -Os estágios incluídos no período de formação específica e a sua sequência preferencial são:
- a)Iniciação à investigação clínica e ciências básicas em radioterapia-oncologia - 12 meses em serviço de radioterapia;
- b)Radioterapia clínica - 24 meses em serviço de radioterapia;
- c)Imagiologia - 4 meses em serviços de imagiologia e de medicina nuclear;
- d)Oncologia médica - 4 meses em serviço de oncologia médica;
- e)Estágio opcional - 4 meses em serviço de radioterapia, hematologia, laboratório de radiobiologia, anatomia patológica, ginecologia ou urologia oncológica, entre outros, de acordo com o interesse do interno e parecer favorável do orientador de formação. O tempo deste estágio poderá ser utilizado na totalidade numa opção ou repartido por duas ou três opções.
- 5.1.1 -Os médicos em formação devem, durante o internato, alcançar objectivos de nível 1 (conhecimentos) ou objectivos de nível 2 (conhecimentos e desempenho), através da frequência de estágios curriculares e de outros tipos de formação, como cursos teórico-práticos nacionais ou internacionais.
- 6 -Objectivos dos estágios:
- 6.1 -Iniciação à investigação clínica e ciências básicas em radioterapia-oncologia:
- 6.1.1 -Investigação clínica aplicada à radioterapia:
- a)Consulta de processo técnico e clínico (nível 2);
- b)Recolha de dados clínicos (nível 2);
- c)Avaliação e medição do controlo tumoral e toxicidade (nível 2);
- d)Desenho de ensaios clínicos (nível 1);
- e)Interpretação e análise de dados (nível 1);
- f)Tratamento estatístico (nível 1);
- g)Interpretação da literatura, meta-análises, níveis de evidência, entre outros tipos (nível 1);
- h)Escrever, apresentar e ou publicar um trabalho científico (nível 2);
- i)Conhecimento da estrutura, organização e gestão de um serviço de radioterapia e da relação custo/benefício dos diferentes tratamentos (nível 1).
- 6.1.2 -Física das radiações aplicadas à radioterapia:
- a)Bases físicas das radiações (nível 1);
- b)Estrutura atómica e nuclear, decaimento radioactivo, propriedades das radiações corpusculares e electromagnéticas. Isótopos radioactivos (nível 1);
- c)Interacções entre radiações e matéria (nível 1);
- d)Tubos de raios X e geradores em radiologia. Produção, propriedades e medidas de outras radiações. Medidas de radiação ionizante (nível 1);
- e)Aparelhos de radioterapia externa e de braquiterapia (nível 1);
- f)Aspectos gerais de dosimetria clínica. Execução de cálculos dosimétricos em radioterapia externa e em braquiterapia. Planeamento 2D e 3D (nível 2);
- g)Determinação de curvas de isodose e modificação do feixe de radiações (nível 2);
- h)Princípios, aspectos técnicos e aplicações da radioterapia conformal (CRT) e de intensidade modulada (IMRT) (nível 1);
- i)Resolução de problemas sobre física das radiações (nível 2);
- j)Execução de cálculos dosimétricos (nível 1);
- l)Avaliação de curvas de isodose (nível 2);
- m)Medida de dose absorvida (nível 1);
- n)Manipulação de aparelhos de raios X, teleterapia e simuladores (nível 1);
- o)Radioprotecção, segurança radiológica e controlo de qualidade (nível 1);
- p)Ponderação de medidas de radioprotecção dos doentes, dos trabalhadores e do público (nível 1).
- 6.1.3 -Oncologia básica:
- a)Etiologia e epidemiologia do cancro. Diagnóstico e princípios gerais de tratamento das neoplasias (nível 2);
- b)Prevenção, rastreio e detecção precoce do cancro e educação do público (nível 2);
- c)Cancro hereditário. Genética e cancro. O genoma e os mecanismos de prevenção do cancro (nível 1);
- d)Terminologia e técnicas de biologia molecular. Proliferação, o ciclo celular e morte celular no cancro. Transdução de sinal (nível 1);
- e)Inter-relacionamento do tumor com o hospedeiro (nível 1).
- 6.1.4 -Radiobiologia:
- a)Interacção da radiação com as moléculas. Dano celular e ADN (nível 1);
- b)Curvas de sobrevida celulares, relação dose-resposta para os tecidos normais e modelos de sistemas tumorais (nível 1);
- c)Radiossensibilidade e danos por radiação. Cinética celular, tecidual e tumoral (nível 1);
- d)Efeito do oxigénio e reoxigenação. Radiossensibilizadores e radioprotectores (nível 1);
- e)Tempo, dose e fraccionamento em radioterapia. Transferência linear de energia (nível 2);
- f)Interacção radioterapia/quimioterapia. Hipertermia (nível 2);
- g)Efeitos agudos e tardios da radiação (nível 2).
- 6.2 -Radioterapia clínica:
- a)Avaliação do doente oncológico e elaboração da história clínica (nível 2);
- b)Diagnóstico e estadiamento da doença (nível 2);
- c)Proposta terapêutica, tendo em conta a multidisciplinaridade do tratamento em oncologia (nível 2);
- d)Terapêuticas combinadas com cirurgia, quimioterapia, hormonoterapia, terapêuticas alvo e outros tipos de terapêuticas (nível 1);
- e)Radioterapia curativa e paliativa (nível 2);
- f)Critérios de urgência (nível 2);
- g)Patologia benigna, indicações da radioterapia (nível 2);
- h)Planeamento de um tratamento por radiações (nível 2);
- i)Definição de volumes; gross tumor volume (GTV), clinical target volume (CTV) e planning target volume (PTV). Escolha de técnicas, doses e fraccionamentos. Recomendações da International Comission on Radiation Units and Mesurements (ICRU) (nível 2);
- j)Execução das várias técnicas de tratamento de radioterapia externa e braquiterapia (nível 2);
- l)Verificação, controlo clínico e terapêutica de suporte dos doentes em tratamento (nível 2);
- m)Consultas de seguimento a doentes tratados (nível 2);
- n)Avaliação do efeito das radiações (resultados e complicações) e controlo de doenças intercorrentes (nível 2);
- o)Qualidade de vida e medidas de reabilitação (nível 1);
- p)Apoio psicológico ao doente e familiares (nível 1).
- 6.3 -Imagiologia:
- a)Conhecimento das indicações das várias técnicas no diagnóstico, estadiamento, planeamento de radioterapia e seguimento do doente oncológico (nível 2);
- b)Interpretação dos aspectos normais e de patologia oncológica em radiologia convencional, mamografia, ecografia, tomografia axial computorizada, ressonância magnética nuclear, cintigrafia e tomografia por emissão de positrões (nível 1);
- c)Aplicação dos radionuclídeos em terapêutica (nível 2);
- d)Indicações e limitações dos exames em medicina nuclear (nível 2);
- e)Interpretação de exames funcionais e morfológicos (nível 1).
- 6.4 -Oncologia médica - durante este estágio a actividade do médico interno será repartida entre o hospital de dia, a consulta externa e o internamento:
- a)Conhecimento do modo de actuação dos principais citostáticos e terapêuticas alvo e indicações terapêuticas (nível 2);
- b)Conhecimento das interacções entre a quimioterapia e a radioterapia (nível 2);
- c)Definição de critérios para a instituição de uma terapêutica sistémica (quimioterapia, hormonoterapia e imunoterapia, terapêuticas alvo), tendo em conta a multidisciplinaridade do tratamento em oncologia (nível 2);
- d)Conhecimento dos protocolos usados nas diferentes patologias oncológicas (nível 2);
- e)Utilização adequada de toda a gama de fármacos usados em oncologia (nível 2);
- f)Conhecimento dos efeitos secundários da quimioterapia quando utilizada isoladamente ou associada à radioterapia (nível 2);
- g)Critérios de urgência (nível 2).
- 6.5 -Estágio opcional:
- a)Conhecimento de técnicas especiais em radioterapia (nível 2);
- b)Conhecimento de critérios para a instituição de terapêuticas e técnicas médicas ou cirúrgicas tendo em vista a multidisciplinaridade em oncologia (nível 2);
- c)Conhecimento básico de técnicas de histopatologia, citologia e imuno-histoquímica (nível 1).
- 7 -Avaliação:
- 7.1 -Avaliação de desempenho:
- 7.1.1 -Estágio de iniciação à investigação clínica e ciências básicas em radioterapia-oncologia:
- a)Capacidade de execução técnica: factor de ponderação - 4;
- b)Interesse pela valorização profissional: factor de ponderação - 3;
- c)Responsabilidade profissional: factor de ponderação - 3;
- d)Relações humanas no trabalho: factor de ponderação - 2.
- 7.1.2 -Estágio de radioterapia clínica - a avaliação efectua-se anualmente, usando os seguintes parâmetros:
- a)Capacidade de execução técnica: factor de ponderação - 4;
- b)Interesse pela valorização profissional: factor de ponderação - 3;
- c)Responsabilidade profissional: factor de ponderação - 3;
- d)Relações humanas no trabalho: factor de ponderação - 2.
- 7.1.3 -Estágio de imagiologia:
- a)Capacidade de execução técnica: factor de ponderação - 4;
- b)Interesse pela valorização profissional: factor de ponderação - 3;
- c)Responsabilidade profissional: factor de ponderação - 3;
- d)Relações humanas no trabalho: factor de ponderação - 2.
- 7.1.4 -Estágio de oncologia médica:
- a)Capacidade de execução técnica: factor de ponderação - 4;
- b)Interesse pela valorização profissional: factor de ponderação - 3;
- c)Responsabilidade profissional: factor de ponderação - 3;
- d)Relações humanas no trabalho: factor de ponderação - 2.
- 7.1.5 -Estágio opcional:
- 7.1.5.1 -Capacidade de execução técnica: factor de ponderação - 4;
- 7.1.5.2 -Interesse pela valorização profissional: factor de ponderação - 3;
- 7.1.5.3 -Responsabilidade profissional: factor de ponderação - 3;
- 7.1.5.4 -Relações humanas no trabalho: factor de ponderação - 2.
- 7.2 -Avaliação de conhecimentos:
- 7.2.1 -Estágio de iniciação à investigação clínica e ciências básicas em radioterapia-oncologia - a avaliação efectua-se através de discussão de trabalho de investigação (iniciação à investigação clínica) e prova escrita (física, oncologia básica e radiobiologia).
- 7.2.2 -Estágio de radioterapia clínica - efectuada anualmente, a avaliação consta de:
- a)Prova prática com observação de doente e elaboração do respectivo relatório e sua discussão;
- b)Prova oral, englobando patologias observadas naquele período.
- 7.2.3 -Estágio de imagiologia - a avaliação efectua-se através de discussão de relatório.
- 7.2.4 -Estágio de oncologia médica - a avaliação efectua-se através de discussão de relatório.
- 7.2.5 -Estágio opcional - a avaliação efectua-se através da discussão de relatório, excepto no caso de a opção ter sido prolongar o estágio de radioterapia clínica, em que a avaliação será feita de acordo com o ponto 7.2.2.
- 7.3 -Avaliação final do internato:
- 7.3.1 -Prova de discussão curricular - a avaliação contínua feita ao longo da formação específica tem o peso de 45 % na classificação atribuída à discussão curricular.
- 7.3.2 -Prova prática - observação de um doente e elaboração de um relatório de que constem a história clínica, hipóteses diagnósticas, plano terapêutico, prognóstico e seguimento. Segue-se a discussão do relatório.
- 7.3.3 -A prova teórica reveste a forma oral.
- 8 -Aplicabilidade - o presente programa entra em vigor em de 1 de Janeiro de 2010 e aplica-se aos médicos internos que iniciam a formação específica a partir dessa data.