9630789 - Tribunal da Relação do Porto
Tribunal da Relação do PortoTRP
Relator: Oilveira Vasconcelos
Processo: 9630789
Acórdão
Descritores: Remissão, Animus donandi, Forma do contrato, Tradição da coisa, Sociedade anónima, Administrador, Poderes de administração, Fim social, Responsabilidade civil, Bons costumes, Nulidade do contrato
Decisão: Confirmada a sentença
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Apelação
Nr Convencional: JTRP00020046
Nr Documento: RP199612199630789
Referência Publicação: CJ T5 ANOXXI PAG222
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/56a6e7121657f91e80257cda00381fdf/7b64bb6908ccef808025686b0066e7fb
Sumário
I - A declaração, feita pelo vendedor de coisa móvel ao comprador, de que não tem de pagar o respectivo preço, por constituir uma oferta, traduz-se no negócio jurídico bilateral de remissão feita com " animus donandi ". II - Essa remissão está sujeita às regras de forma das doações e, tratando-se de coisa móvel, não depende de formalidade alguma externa, quando acompanhada de tradição da coisa. III - Tal tradição ou entrega da coisa não tem de ser simultânea com a doação, podendo ser anterior ou posterior à declaração de doação. IV - Uma sociedade anónima fica vinculada, perante terceiros, por actos dos seus administradores, desde que os actos sejam praticados por administradores, em nome da sociedade e dentro dos respectivos poderes, salvo certas circunstâncias cuja prova cabe à sociedade. V - Os actos dos administradores, alheios ao escopo social, são em princípio válidos e eficazes perante terceiros, sem prejuízo da responsabilidade desses administradores para com a sociedade. VI - Os " bons costumes ", ofendidos pelo fim de negócio jurídico, como causa da sua nulidade, são uma noção variável com os tempos e lugares, abrangendo um conjunto de regras éticas aceites pelas pessoas honestas, correctas, de boa fama, num dado ambiente e num certo momento. VII - Para esse efeito, não são relevantes os motivos do negócio mas só a ilicitude do fim visado. VIII - Um simples " relacionamento amoroso " entre duas pessoas não pode considerar-se, sem mais, como ofensivo dos bons costumes.