024078 - Supremo Tribunal de Justiça
Supremo Tribunal de JustiçaSTJ
Relator: Silva Monteiro
Processo: 024078
Acórdão
Descritores: Recurso penal, Declaração expressa, Fixação de jurisprudência
Votação: Maioria; c/Voto de Vencido
Meio Processual: Tribunal pleno
Nr Convencional: JSTJ00012710
Nr Documento: SJ19350412024078
Indicações Eventuais: ASSENTO 5/1935
Referência Publicação: DG IªS 08-05-1935; COL OF ANO34,101; RLJ ANO 67,408
Juízes: Pires SoaresCarlos Alves
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/c6ce1c88b8faecfd802568fc0039f70c
Sumário
O facto de se escreverem as respostas do reu e os depoimentos das testemunhas significa que as partes fizeram a declaração expressa de que não prescindem do recurso, nos termos e para os efeitos do artigo 540 do Codigo do Processo Penal.
Texto
Acordam os do Conselho no Supremo Tribunal de Justiça, reunidos em sessão plenaria: A firma A respondeu, e foi absolvida, no 3 juizo criminal da comarca do Porto sob a acusação do Ministerio Publico e do Instituto do Vinho do Porto de ter praticado a transgressão prevista no artigo 7 do Decreto n. 21884, de 18 de Novembro de 1932, por haver expedido de Coruche para Vila Nova de Gaia tres cascos de aguardente impropria para a beneficiação de vinhos por dar prova anormal. Da sentença absolutoria recorreu o Instituto do Vinho do Porto e bem assim o Ministerio Publico, mas a Relação, no acordão de folhas..., decidiu não tomar conhecimento do recurso, com fundamento de que nenhuma das partes havia declarado expressamente, antes do interrogatorio da re, que dele não prescindia, como exige o artigo 540 do Codigo do Processo Penal, entendendo-se por isso que haviam feito a respectiva renuncia. O Ministerio Publico recorre extraordinariamente deste acordão, nos termos do artigo 669 do citado Codigo, por a sua doutrina estar em oposição com a de outro da mesma Relação, certificado a folha..., em que se tomou conhecimento de um recurso interposto em identicas circunstancias, pela razão de se haverem escrito os depoimentos e o recurso ser obrigatorio. Na sua minuta reconhece o Ministerio Publico que se não observou o preceito do artigo 540 do Codigo do Processo Penal, mas invoca a presunção derivada do facto da redução a escrito dos depoimentos, bem como a obrigatoriedade do recurso prescrita no artigo 86 do Decreto n. 7934, de 10 de Dezembro de 1921. O que tudo examinado: Considerando que so no caso de a sentença poder subir em recurso e que se deverão escrever as respostas do reu e os depoimentos das testemunhas produzidos na audiencia do julgamento; Considerando que para a sentença poder subir em recurso e condição essencial que as partes declarem expressamente que não prescindem dele; Considerando que e mais logico e razoavel explicar pela realização dessa condição a pratica da longa e trabalhosa formalidade de se escreverem os depoimentos do que atribui-la a incompreensivel inadvertencia e ignorancia da lei por parte de todos os que intervieram no julgamento; Considerando assim que a redução dos depoimentos a escrito faz legitimamente pressupor que as partes não hajam renunciado ao recurso: Por estes fundamentos, concedendo provimento ao recurso, mandam que a Relação conheça da apelação interposta e estelecem o seguinte assento: O facto de se escreverem as respostas do reu e os depoimentos das testemunhas significa que as partes fizeram a declaração expressa de que não prescindem do recurso nos termos e para os efeitos do artigo 540 do Codigo do Processo Penal. Lisboa, 12 de Abril de 1935 Silva Monteiro - Pires Soares - Carlos Alves - B. Vieira - E. Santos - Crispiniano - Ponces de Carvalho - Alexandre de Aragão - A. Osorio de Castro - Alfeu Cruz - Arez - A. Campos - J. Cipriano (vencido porque a lei exige declaração expressa e não presunção de que se não prescindiu do recurso) - Mendes Arnaud (vencido pelo mesmo fundamento essencial) - Amaral Pereira (vencido pelo mesmo motivo) - J. Soares (vencido pela mesma razão).