0757/13 - Supremo Tribunal Administrativo
Supremo Tribunal AdministrativoSTA
Relator: Alberto Augusto Oliveira
Processo: 0757/13
Acórdão
Descritores: Peritos, Avaliação, Curso de formação, Exclusão, Apreciação preliminar, Recurso de revista
Recorrente: A........ e Outros
Recorridos: Centro de Estudos Judiciários e Outros
Votação: Unanimidade
Nr Convencional: JSTA000P18736
Nr Documento: SA1201503120757
Data de Entrada: 02/05/2013
Juízes: Vítor Manuel Gonçalves GomesSão Pedro
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/626e340fa3733e5680257e1100433757
Sumário
É de admitir recurso revista excepcional estando em discussão o regime de impugnação da atribuição de nota negativa no curso de formação previsto no DL 125/2002, de 10.5.
Texto
Acordam na Formação de Apreciação Preliminar da Secção do Contencioso Administrativo do Supremo Tribunal Administrativo: A………. e outros intentaram acção administrativa especial pedindo a declaração de nulidade ou a anulação das deliberações de 29.12.2009 e 28.01.2010 do Júri do curso de formação de peritos avaliadores. O TAF de Leiria julgou que eram inimpugnáveis os actos objecto da acção. Em recurso, o Tribunal Central Administrativo Sul, por acórdão de 10/01/2013 (fls. 394/399), manteve aquele julgamento. É desse acórdão que vem interposto novo recurso, ao abrigo do artigo 150.º, n.º 1, do CPTA. O Ministério da Justiça sustenta a não admissão. Cumpre apreciar e decidir. Tem-se em atenção a matéria de facto considerada no acórdão recorrido. O artigo 150.º, n.º 1, do CPTA prevê que das decisões proferidas em 2ª instância pelo Tribunal Central Administrativo possa haver, «excepcionalmente » , recurso de revista para o Supremo Tribunal Administrativo «quando esteja em causa a apreciação de uma questão que, pela sua relevância jurídica ou social, se revista de importância fundamental » ou « quando a admissão do recurso seja claramente necessária para uma melhor aplicação do direito ». A jurisprudência deste STA, interpretando o comando legal, tem reiteradamente sublinhado a excepcionalidade deste recurso, referindo que o mesmo só pode ser admitido nos estritos limites fixados neste preceito. Trata-se, efectivamente, não de um recurso ordinário de revista, mas antes, como de resto o legislador cuidou de sublinhar na Exposição de Motivos das Propostas de Lei nºs 92/VIII e 93/VIII, de uma «válvula de segurança do sistema» que apenas deve ser accionada naqueles precisos termos. 2.3. Está em discussão nos presentes autos a impugnabilidade contenciosa de deliberações de júri de curso de formação que atribuiu nota negativa aos autores, deliberações no quadro do regime do DL 125/2002 . As instâncias consideraram que aquelas deliberações não eram contenciosamente impugnáveis, atenta, nomeadamente, a exigência de homologação da classificação final por parte do ministro responsável, nos termos do artigo 9.º-B, n.º 3, do diploma. Mas os recorrentes vêm sustentando, desde o início do processo, que tendo tido classificação negativa na prova final do curso, foram imediatamente excluídos, atento o seu carácter eliminatório (artigo 9.º-A, n.º 5), sendo esse acto lesivo e não apenas preparatório. O problema respeita a matéria que trata do recrutamento de peritos avaliadores em sede de procedimentos anteriores à declaração de utilidade pública e no âmbito de processos de expropriação. Embora apresente simplicidade na sua formulação, a verdade é que interessa a um sector importante, sendo de toda a utilidade que com a intervenção do Supremo Tribunal fique mais evidente para todos os intervenientes qual o direito aplicável. 3 . Pelo exposto, admite-se a revista. Lisboa, 12 de Março de 2015. – Alberto Augusto Oliveira (relator) – Vítor Gomes – São Pedro.