As disposições constantes da norma portuguesa NP 2026 (1987), relativa a determinação do teor do amido pelo método polarimétrico, não são aplicáveis para efeitos dos controlos oficiais no domínio da alimentação animal.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 31 Agosto de 2000. - António Manuel de Oliveira Guterres - Joaquim Augusto Nunes Pina Moura - Luís Manuel Capoulas Santos - José Mariano Rebelo Pires Gago.
Promulgado em 3 de Outubro de 2000.
Publique-se.
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
Referendado em 4 de Outubro de 2000.
O Primeiro-Ministro, António Manuel de Oliveira Guterres.
ANEXO
Determinação do teor de amido
Método polarimétrico
- 1 -Objectivo e domínio de aplicação - o presente método permite a determinação do teor de amido e dos produtos da sua degradação de elevado peso molecular nos alimentos para animais, tendo em vista verificar o respeito da Portaria n.º 1106/90, de 6 de Novembro, e do Decreto-Lei n.º 181/99, de 22 de Maio.
- 2 -Princípio - o método compreende duas determinações:
Na primeira, a amostra é tratada a quente com ácido clorídrico diluído. Depois de clarificada e filtrada, mede-se o poder rotatório da solução por polarimetria;
Na segunda, a amostra é submetida a extracção com etanol a 40%. Depois de acidificado o filtrado com ácido clorídrico, clarificado e filtrado, mede-se o poder rotatório tal como na primeira determinação.
A diferença entre as duas medições, multiplicada por um factor conhecido, dá o teor de amido da amostra.
- 3 -Reagentes:
- 3.1 -Ácido clorídrico a 25% (m/m), d: 1,126.
- 3.2 -Ácido clorídrico a 1,128% (m/v).
A concentração é verificada por titulação com uma solução 0,1 N de hidróxido de sódio, na presença de vermelho de metilo a 0,1% (m/v) em etanol a 94% (v/v):
10 ml = 30,94 ml de NaOH 0,1 N.
- 3.3 -Solução de Carrez I: dissolver em água 21,9 g de acetato de zinco, Zn(CH(índice 3)CO)(índice 2).2H(índice 2) =, e 3 g de ácido acético glacial. Completar o volume até 100 ml com água.
- 3.4 -Solução de Carrez II: dissolver em água 10,6 g de ferrocianeto de potássio K(índice 4)[Fe(CN)](índice 3)3H(índice 2)0. Completar o volume até 100 ml com água.
- 3.5 -Etanol a 40% (v/v), d:0,948 a 20ºC.
- 4 -Aparelhagem:
- 4.1 -Erlenmeyer de 250 ml com esmerilado normalizado e condensador de refluxo.
- 4.2 -Polarímetro ou sacarímetro.
- 5 -Procedimento:
- 5.1 -Preparação de amostra - triturar a amostra de maneira a passar a totalidade da mesna por um crivo de malha de 0,5 mm de diâmetro.
- 5.2 -Determinação do poder rotatório total (P ou S) (v. observação 7.1):
Pesar, com a aproximação de 1 mg, 2,5 g da amostra triturada para um balão aferido de 100 ml. Adicionar 25 ml de ácido clorídrico (3.2), agitar, para obter uma boa repartição da amostra, e adicionar mais 25 ml de ácido clorídrico (3.2). Introduzir o balão num banho de água em ebulição e agitar enérgica e regularmente durante três minutos, para evitar a formação de aglomerados. A quantidade de água do banho deve ser suficiente para que este se mantenha em ebulição quando o balão for introduzido. O balão não pode ser retirado do banho durante a agitação. Exactamente quinze minutos depois, retirar o balão do banho, adiconar 30 ml de água fria e arrefecer imediatamente a 20ºC;
Adicionar 5 ml da solução de Carrez I (3.3) e agitar durante um minuto. Adicionar em seguida 5 ml da solução de Carrez II (3.4) e agitar de novo durante um minuto. Completar o volume com água, homogeneizar e filtrar. Se o filtrado não ficar perfeitamente límpido (o que é pouco frequente), recomeçar a análise utilizando uma quantidade maior das soluções de Carrez I e II, por exemplo, 10 ml;
Medir, em seguida, o poder rotatório da solução num tubo de 200 mm inserido no polarímetro ou no sacarímetro.
- 5.3 -Determinação do poder rotatório (PM ou SM) das substâncias solúveis em etanol a 40% - introduzir, num balão aferido de 100 ml, 5 g de amostra, pesada com a aproximação de 1 mg, e adicionar cerca de 80 ml de etanol (3.5) (v. observação 7.2). Deixar o balão em repouso à temperatura ambiente durante uma hora; durante esse período de tempo, agitar energicamente seis vezes, para que a amostra fique bem misturada com o etanol. Completar o volume até 100 ml com etanol (3.5), homogeneizar e filtrar. Pipetar 50 ml de filtrado (=2,5 g de amostra) para um erlenmeyer de 250 ml, adicionar 2,1 ml de ácido clorídrico (3.1) e agitar energicamente. Adaptar um condensador de refluxo ao erlenmeyer e mergulhar este num banho de água em ebulição. Exactamente quinze minutos depois, retirar o erlenmeyer do banho, transferir o conteúdo para um balão aferido de 100 ml, lavar com um pouco de água fria e arrefecer a 20ºC. Clarificar, em seguida, com as soluções de Carrez I (3.3) e II (3.4), completar o volume com água, homogeneizar, filtrar e medir o poder rotatório como indicado em 5.2 (segundo e terceiro parágrafos).
- 6 -Cálculo dos resultados - o teor percentual de amido é calculado como segue:
- 6.1 -Medições polarimétricas:
Percentagem de amido = 2000 (P - P')/[(alfa)](índice D)(elevado a 20º)
em que:
P = poder rotatório total, em graus de arco;
P' = poder rotatório, em graus de arco, das substâncias solúveis em etanol a 40%;
[(alfa)](índice D)(elevado a 20º) = poder rotatório específico de amido puro.
Os valores convencionalmente admitidos para este factor são os seguintes:
+185,9º: amido de arroz;
+185,4º: amido de batata;
+184,6º: amido de milho;
+182,7º: amido de trigo;
+181,5º: amido de cevada;
+181,3º: amido de aveia;
+184,0º: outros tipos de amido e misturas de amidos de alimentos compostos para animais.
- 6.2 -Medidas sacarimétricas:
(ver fórmula no documento original)
- 6.3 -Repetibilidade - a diferença entre os resultados de duas determinações paralelas efectuadas com a mesma amostra não deve ultrapassar 0,4% em valor absoluto, para teores de amido inferiores a 40%, ou 1,1% em valor relativo, para teores de amido iguais ou superiores a 40%.
- 6.1 -Medições polarimétricas:
- 7 -Observações:
- 7.1 -Se a amostra contiver mais de 6% de carbonatos, expressos em carbonato de cálcio, estes devem ser destruídos por tratamento com a quantidade apropriada, exacta, de ácido sulfúrico diluído antes da determinação do poder rotatório total.
- 7.2 -No caso dos produtos com teor de lactose elevado, como o soro de leite em pó desnatado, proceder como segue depois da adição de 80 ml de etanol (3.5): adaptar um condensador de refluxo ao balão e mergulhar este durante trinta minutos num banho de água a 50ºC. Em seguida, deixar arrefecer e prosseguir a análise como indicado em 5.3.
- 7.3 -Poderão ocorrer resultados incorrectos caso estejam presentes em quantidades significativas as matérias constituintes de alimentos para animais a seguir indicadas e que produzem comprovadamente interferências na determinação do teor de amido por polarimetria:
Produtos derivados da beterraba (sacarina), nomeadamente polpa de beterraba (sacarina), melaço de beterraba (sacarina), polpa de beterraba (sacarina) melaçada, vinassa de beterraba (sacarina), açúcar (de beterraba);
Polpa de citrinos;
Sementes de linho; bagaço de linho, obtido por pressão; bagaço de linho, obtido por extracção;
Colza; bagaço de colza, obtido por pressão; bagaço de colza, obtido por extracção; cascas de colza;
Sementes de girassol; bagaço de girassol, obtido por extracção; bagaço de girassol, parcialmente descascado, obtido por extracção;
Bagaço de copra (coco), obtido por pressão; bagaço de copra (coco), obtido por extracção;
Polpa de batata;
Leveduras desidratadas;
Produtos ricos em inulina (por exemplo, lascas e farinha de tupinambos);
Torresmos.