As normas de incorporação entram em vigor após a sua aprovação pela Câmara Municipal do Fundão.
ANEXO III
Plano de Conservação Preventiva do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro
Introdução
O Museu Arqueológico Municipal José Monteiro procura garantir as condições adequadas e promover as medidas preventivas necessárias à conservação dos bens culturais neles incorporados. A prática continuada e correta de um plano de conservação preventiva assegura a estabilidade dos acervos tornando assim possível o seu estudo, divulgação e exposição.
Nessa perspetiva, e indo de encontro ao estabelecido na Lei n.º 47/2004, de 19 de agosto, que define e aprova a Lei-Quadro dos Museus Portugueses e conforme previsto no artigo 17.º do Regulamento do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, foi elaborado o seguinte plano de conservação preventiva.
Este documento teve como base orientadora as normas definidas pela publicação "Plano de Conservação Preventiva" do Instituto dos Museus e da Conservação, de acordo com três eixos: caracterização, avaliação de risco e normas e procedimentos.
I -Caracterização
Localização do Museu
O Museu Arqueológico Municipal localiza na Rua do Serrão, 13-15, artéria transversal à Rua da Cale, um dos eixos mais importantes da designada "Zona Antiga do Fundão". Esta cidade fica situada na vertente setentrional da Serra da Gardunha e desenvolve-se ao longo do sopé da vertente Norte do Monte de São Brás, em altitudes que variam entre os 550 e 400 metros, na região que tradicionalmente se designada por Cova da Beira (1).
Características climatéricas e agentes poluentes
A localização e a orografia conferem à região um clima temperado, de invernos frios e verões quentes. A temperatura média anual do concelho do Fundão é de 14,1ºC, sendo a média das temperaturas máximas 19,8ºC e a média das temperaturas mínimas 8,5ºC. A temperatura mais elevada, para o mesmo período, registou-se no mês de setembro com 40ºC, e a temperatura mais baixa foi registada em fevereiro com o valor de -8,1ºC. A temperatura média máxima registou-se nos meses de julho e agosto com 30,3ºC, e a temperatura média mínima tem como valor 2,7ºC, tendo sido registada no mês de janeiro.
Os valores pluviométricos médios anuais são de 943,7 mm, variando entre 10,4 mm no mês de julho e 136,3 mm no mês de fevereiro, para o mesmo período de tempo.
Os ventos predominantes são os de quadrantes Este-Sudeste com os valores 12,7 % e 12,6 % respetivamente, e Noroeste-Oeste com os valores 15,5 % e 26,3 % respetivamente.
Os valores da humidade relativa do ar médios anuais às 9h e 18h são de 65 % e 62 % respetivamente, com variações mensais entre os 46 % (Julho e Agosto) e 82 % (Janeiro) às 9h; e às 18h as variações mensais variam desde os 45 % (Agosto) e 76 % (dezembro e janeiro).
O valor da insolação média anual para o concelho do Fundão é de 2697,5 horas, correspondendo a 60 % do número de horas anuais de sol.
Tendo em conta a quantidade de tráfego rodoviário e a atividade industrial na cidade do Fundão, considerou-se que o impacto dos agentes poluentes não é relevante.
Características e estado de conservação do edifício
O Museu Arqueológico Municipal do Fundão é um edifício reabilitado que procede de uma construção do século XVI, rodeado por outras edificações.
O edifício do Museu é constituído por 3 pisos. No rés-do-chão encontra-se a biblioteca, áreas expositivas (sala de epigrafia, área de exposição da Estela e Menir), área técnica, arrumos, cafetaria e pátio exterior. No piso 1 situa-se a receção, auditório, salas de exposição (sala das temporárias, 5 salas de exposição permanente), reservas e os sanitários. No piso 2 são as áreas administrativas e técnicas, gabinete da direção e a sala de conservação e reserva.
São de acesso restrito, as áreas técnicas, administrativa, gabinete de direção, arrumos e salas de reserva e conservação.
As atuais instalações do Museu abriram ao público em fevereiro de 2007, após obras de reabilitação, tendo sido realizados os seguintes trabalhos:
Picagem de todas as paredes em alvenaria de granito e aplicação de novo reboco;
Substituição de toda a caixilharia, as portas envidraçadas e janelas em alumínio lacado, apenas a porta para o exterior, do auditório, em alumínio;
Demolição do piso 1, exceto as escadas em pedra e zona da atual receção;
Construção de Lage do piso 1 e 2 em estrutura metálica;
Rebaixamento da cota no piso 0, para aumentar o pé direito;
Melhoramento estrutural das paredes-mestras;
Manutenção das cérceas originais, contudo, no interior, com a colocação de uma nova cobertura, ficou com mais uma área funcional disponível;
Colocação de pavimentos em madeira maciça nos dois pisos superiores;
No rés-do-chão os pavimentos foram revestidos a granito (receção), mosaico (cafetaria e biblioteca) e flutuante (área expositiva);
Manutenção do poço com iluminação do seu interior e o assentamento de uma tampa de vidro, como medida cautelar.
Instalação de uma plataforma hidráulica no átrio de entrada para o acesso em cadeira de rodas ao piso 1;
No espaço de expositivo no piso 0 (sala de epigrafia) foram colocadas duas claraboias com vidros de controlo térmico do tipo solarlux da Isolar Glass;
Nas restantes caixilharias utilizaram-se vidros de controlo térmico do tipo solarlux da Isolar Glass e cortinas de rolo de tela solar;
As áreas expositivas e funcionais foram equipadas com sistema AVAC, para climatização dos ambientes.
De modo geral o edifício encontra-se em regular estado de conservação e sempre que são detetadas anomalias procura-se uma solução no imediato.
Acervo
O acervo do Museu e constituído por bens próprios, artefactos doados ou provenientes de trabalhos arqueológicos ou achados fortuitos ocorridos no concelho do Fundão. Tem também peças em depósito para efeitos de exposição e de investigação, resultado de protocolos estabelecidos com particulares e instituições públicas.
O seu acervo é composto por materiais cerâmicos (de uso doméstico e de construção), objetos metálicos em cobre, bronze, ferro e chumbo (armas, numismas, utilitários, etc.), materiais líticos (epigráficos, arquitetónico, etc.), materiais vítreos (de uso doméstico e na construção), material osteológico, carvões e macro restos vegetais, ecofactos, por fundo documental, pintura e elementos etnográficos.
Localização do acervo
Encontram-se em exposição permanente artefactos cerâmicos, líticos, vítreos e metálicos dos períodos da Pré-História, da Proto-história e Época Romana.
Nas áreas de reservas, localizadas no piso 1 e 2, bem como em armazém deslocalizado do Museu, encontram-se outros bens respeitantes a períodos cronológicos em exposição e também dos Períodos Medieval, Moderno e Contemporâneo, peças de carácter etnográfico, pintura e fundo documental.
Estado de conservação
O estado de conservação dos artefactos em exposição é bom, sendo frequentemente monitorizado.
Os bens culturais em reserva apresenta características de conservação diversificadas. Ainda que a maior parte dos bens se encontrem em bom ou regular estado de conservação, algumas peças arqueológicas, nomeadamente objetos em ferro e bronze apresentam deficiências de conservação, necessitando de trabalhos a esse nível. O mesmo acontece com alguns objetos de carácter etnográfico, em madeira.
Áreas e equipamentos
Nas áreas expositivas, todas as janelas estão equipadas com vidros solarlux, que não permitem que passe mais de 50 % da luz luminosa, estando para além disso protegidas com telas opacas de filtro UV. As lâmpadas das vitrines são tipo LED GU10, de baixa radiação térmica e não produz radiação UV (2).
Na área de reservas, os bens culturais encontram-se armazenados em distintas condições, conforme a sua proveniência e tipologia, que tanto pode ser em embalagens herméticas ou em contentores abertos que permitem o empilhamento.
Todos os materiais estão em contentores devidamente numerados e identificados, numa base de inventário própria, que permite o seu fácil acesso e localização.
De modo geral a sala apresenta condições ambientais que permitem o controlo e manutenção do regular estado de conservação das peças.
Durante o período de funcionamento as áreas de acesso ao público são vigiadas pelos funcionários da área de receção e biblioteca. Durante o período em que está encerrado é acionado o alarme de deteção de intrusos. O museu possui detetores de incêndio e extintores, cuja manutenção é efetuada regularmente.
Circulação de bens culturais
A circulação de peças no museu pode ocorrer internamente ou externamente e implica sempre o seu manuseamento. No primeiro caso, acontece sempre que é necessário proceder a limpezas da exposição permanente, realizar exposições temporárias, reorganizações da reserva, realização de fotografias, trabalhos de investigação ou intervenções de conservação e restauro. Em situações concretas as peças poderão circular fora do museu, por exemplo, para fins expositivos, de conservações e restauro, de estudo, sendo que, nestes casos deverão ser garantidas as condições de transporte e permanências adequadas à preservação dos bens.
Recursos humanos
O pessoal afeto ao serviço do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro pertence ao mapa de pessoal do Município do Fundão, Divisão de Educação e Cultura, especificamente na Área do Património Histórico e Museus.
Recursos externos
O Município do Fundão não possui no seu quadro de pessoal, técnicos especializados em conservação e restauro, pelo que, sempre que são necessários trabalhos desta natureza, são contratados serviços externos.
Formação profissional continua
São dadas a conhecer ações de formação aos trabalhadores do Museu e é facilitada a sua frequência, bem com a possibilidade de comunicar em conferências, trabalhos relacionados com as investigações realizadas.
A Câmara proporciona, anualmente, aos seus trabalhadores um conjunto de ofertas formativas de âmbito geral.
II -Avaliação de Risco
Considera-se que existem alguns fatores podem influenciar ou contribuir para a degradação cativa dos bens culturais existentes no Museu, nomeadamente a luz, as variações bruscas ou valores incorretos de temperatura e humidade relativa, presença de pragas, infiltrações ou o manuseamento e acondicionamento inadequado dos bens culturais.
A avaliação realizada foi feita com base na frequência com que ocorrem os riscos: raramente (ou que nunca ocorrem), ocasionalmente ou continuamente, e o grau de danos que representam: grave, moderado ou pouco grave (3).
Área expositiva
A instabilidade e a constante vibração das peças, provocada pelo soalho em madeira de carvalho existente no percurso expositivo, faz com que este seja o agente de deterioração com um dos riscos considerados mais elevados.
Embora a luz visível e radiação UV, sejam fatores de deterioração de peças, este risco é minimizado pela utilização de telas opacas com filtro UV e lâmpadas led, no interior das vitrinas.
Inadequados valores de temperatura de humidade relativa, têm impacto significativo na conservação do acervo exposto, particularmente dos artefactos cerâmicos e metálico. Contudo, não dispomos de dados suficiente caracterizar a situação real do Museu, pelo que optamos por considerar que esses constituem riscos moderados.
Durante o período de vigência da atual exposição perante (patente desde 2007), uma das peças em exposição - a espada em ferro - foi alvo de conservação curativa tendente à sua consolidação e estabilização.
Com uma regularidade semestral, ou inferior, realizamos a limpeza do interior das vitrinas efetuamos a observação atentamente os artefactos quanto ao seu estado de conservação.
Edifício e outras áreas funcionais
Apenas registámos a ocorrência, de infiltrações provocadas pelo sistema de canalização de um dos sanitários. Por sua vez, devido ao rebaixamento da cota no rés-do-chão, em relação ao nível de circulação no exterior, ocorrem, em dias de muita chuva, pequenas inundações na zona da cafetaria. As paredes com alvenaria de pedra visível, na zona da receção, apresentam em alguns pontos eflorescências de sais. Focos de humidade excessiva foram também registados no auditório, nas paredes revestidas a madeira, voltadas para exterior.
A presença de focos de humidade excessiva e de água, ainda que em áreas onde não se encontram bens culturais do Museu, e ocasionalmente registados, pode ter a médio/longo prazo implicações graves no estado de conservação dos mesmos, particularmente dos objetos metálicos.
Foram detetados dois focos de pragas no Museu, nomeadamente de roedores, no pátio exterior, provenientes do sistema de drenagem de águas e formigas, junto a uma das portas de acesso ao interior do Museu. Nos dois casos a situação já foi resolvida quer com a colocação de armadilhas, no primeiro caso, quer com a utilização de inseticidas, no segundo caso.
Reservas
A área disponível para armazenamento e acondicionamento de bens culturais no Museu é francamente diminuta, relativamente à quantidade de espólio existe. Neste momento, encontra-se a decorrer uma fase de reorganização das reservas do Museu, ao mesmo tempo que estamos a avaliar o real estado de conservação dos bens que se encontram nesta situação. Já procedemos à substituição da maioria dos contentores que se encontravam em estado degradado, inventariamos grande parte dos bens e estamos a preparar um nova área de reservas.
Sinalizamos também a coleção de metais (moedas, objetos diversos em ferro e bronze), provenientes dos trabalhos de escavação da Termas Romanas da Quinta do Ervedal (Castelo Novo), cuja necessidade de conservação é mais urgente. O risco deste acervo, de natureza arqueológica, está sobretudo relacionado com as questões de temperatura e humidade relativa que necessitam de ser melhoras, mas também de acondicionamento e manuseamento, quer pelos funcionários, quer por pessoas externas a quem é concedido o seu acesso, que não poderá ser negligenciado.
Segurança
A vigilância dos espaços do Museu é feita pelos seus trabalhadores, mas seria preferível um sistema de vídeo vigilância global dos diversos espaços Museu, embora todas as peças em exposição, suscetíveis de poderem ser levadas, se encontrem em vitrinas fechadas.
Algumas considerações
De modo geral, o edifício e o acervo encontra-se em razoável estado de conservação. No entanto, face aos factos e acontecimentos anteriormente mencionados, poderão ser desencadeados procedimentos tendentes à resolução dos problemas detetados, pelo que se propõe como medidas mais imediatas, as seguintes:
Solucionar os problemas de infiltrações decorrentes das chuvas, ao nível do rés-do-chão.
Adquirir mecanismos de controlo da luz e radiação UV (luxímetro e medidor de ultravioletas).
Equacionar a substituição dos pavimentos das áreas expositivas, ou outra solução arquitetónica, que acabe com a constante trepidação dos mesmos e consequentemente das vitrinas e peças nelas contidas.
III -Normas e procedimentos de conservação preventiva
As normas e procedimentos de conservação preventiva são o conjunto de orientações e boas práticas destinadas a garantir a preservação e proteção dos bens culturais. A implementação de normas diminui as probabilidades de riscos e alerta toda a equipa do Museu para as questões da conservação preventiva.
- 1 -Segurança
O Museu deve dispor de plano de segurança onde estão definidas as condições indispensáveis para garantir a proteção e a integridade dos bens culturais nele incorporados, bem como dos visitantes, do respetivo pessoal e das instalações, designadamente de meios mecânicos, físicos ou eletrónicos que garantem a prevenção, a proteção física, a vigilância, a deteção e o alarme.
- 2 -Monitorização e controlo ambiental e biológico
A monitorização e controlo ambiental e biológico devem ser efetuados, de forma regular, por técnicos do Museu com conhecimentos e formação compatíveis, em todas as áreas expositivas, reservas e em outros locais do edifício.
Os registos efetuados em ficha própria devem ser analisado e convertidos em relatórios, tendo em vista a supressão de falhas detetadas.
- 2.1 -Luz
A monitorização dos níveis de iluminação deve ser efetuada durante a primeira colocação, e em cada substituição de lâmpadas ou filtros, com vista a garantir que sejam respeitados os valores inicialmente definidos em conformidade com o tipo de coleções a iluminar.
As medições devem ser feitas com a periodicidade mínima mensal.
Os filtros ultravioletas, quando existam, devem ser substituídos regularmente.
Deve garantir-se que em nenhuma altura do dia, existam objetos que estejam sujeitos à iluminação direta pelo sol.
Os sistemas de iluminação das áreas expositivas devem ser desligados, sempre que o Museu se encontre fechado ao público.
As reservas devem ser mantidas na escuridão, sempre que possível.
Quadro dos valores máximos recomendados de exposição à luz e radiação U.V.:
(ver documento original)
- 2.2 -Humidade relativa e temperatura
Providenciar condições que impeçam valores extremos e rápidas oscilações de temperatura e humidade relativa. Essas oscilações nunca devem ser superiores a 10 % em 24 horas.
Efetuar medições com periodicidade mínima semanal.
Limitar o número de pessoas num determinado espaço (exposição ou reserva).
Evitar colocar objetos na proximidade de focos de luz intensa, janelas, portas ou paredes exteriores e em zonas de correntes de ar.
Manter as telas das janelas fechadas, evitando o aumento de temperatura provocado pela entrada de luz solar direta.
Efetuar o devido controlo dos equipamentos de controlo ambiental - ar condicionado - para manter a temperatura adequada e estável.
Os equipamentos de controlo ambiental não podem ser desligados durante a noite ou durante os períodos de encerramento, para evitar flutuações de temperatura e humidade relativa.
Quadro dos valores de humidade relativa e temperaturas aconselhados, consoante o tipo de material:
(ver documento original)
- 2.3 -Poluente
Manter as portas e janelas fechadas para evitar poluentes exteriores, provenientes de atividades industriais e do tráfego de veículos.
Inspecionar o pó em reservas e salas expositivas (registar os dados referentes à acumulação de pó desde a última limpeza, bem como o tempo decorrido desde então).
Colocar os bens culturais em caixas, armários, expositores ou cobri-los recorrendo, por exemplo, a tecidos em algodão ou películas em polietileno
Evitar, em espaços que contenham bens culturais (ou na sua proximidade), executar determinados trabalhos que possam ser fontes de poluentes.
Instalar filtros de poluentes em sistemas de ar condicionado e tratamento de ar.
Isolar objetos que podem libertar poluentes.
Selecionar criteriosamente materiais de construção, de equipamento expositivo, de armazenamento e de acondicionamento, com vista a excluir os que podem libertar poluentes.
Utilizar, em pequenos volumes de ar, materiais adsorventes de poluentes, como carvão cativado ou zeólitos.
Quadro da categoria de poluentes, origem e efeitos nos materiais:
(ver documento original)
- 2.4 -Controlo biológico
Vigiar e prevenir a presença de organismos nocivo no Museu.
Limpeza cuidada e frequente e boa manutenção de zonas de vegetação exterior.
Limpeza cuidada e frequente em todas as áreas do interior do Museu.
Remover o lixo, preferencialmente todos os dias e efetuar a desinfeção regular de contentores.
Efetuar o correto isolamento de portas, janelas e outras aberturas.
Restringir a presença de comida ou bebida em locais não adequados;
Na circulação de bens culturais, incluindo novas incorporações, implementar procedimentos que evitem a contaminação do acervo.
Um bem suspeito de ataque biológico deve ser devidamente inspecionado, ficar em quarentena e, se necessário, ser tratado.
Bens em circulação exterior, que regressem ao Museu, ou novas incorporações/ depósitos, devem ser sujeitos a um período de quarentena.
Se necessário contratados serviços especializados de desinfestação.
- 2.1 -Luz
- 3 -Manutenção de equipamentos técnicos
Devem ser efetuadas verificações periódicas aos equipamentos técnicos, por profissionais habilitados, nomeadamente do sistema de alarme e deteção de incêndios, extintores e sistema de ar condicionado.
- 4 -Materiais, equipamentos expositivos e de reserva - organização dos espaços
Os equipamentos a utilizar, como vitrinas, plintos, molduras, prateleiras ou outras estruturas, bem como todos os materiais usados para construir ou ultimar instalações, devem ser: seguros, neutros, estáveis, funcionais, resistentes e compatíveis com a natureza dos bens culturais a que se destinam.
- 4.1 -Exposição
Não expor bens cujo estado de conservação não o permitir.
A área de exposição deve dispor de equipamentos eletrónicos de vigilância, vigilância presencial, detetores de incêndio e extintores colocados em locais visíveis e de fácil acesso.
Não colocar bens culturais diretamente sobre as superfícies pintadas ou envernizadas, aconselhando-se como medida de segurança a colocação de um filme (Melinex(ver documento original), Mylar(ver documento original), ou outros) entre o bem cultural e a superfície.
A sala e os equipamentos expositivos devem estar prontos, limpos e isentos de poeiras antes da colocação dos bens culturais.
Adaptar os sistemas de suporte e exposição aos objetos e não o contrário.
As vitrinas deve ser sólidas, funcionais e o mais estanques possível, para permitir uma manutenção regular, garantir a segurança contra o roubo e o vandalismo e conservar o ambiente adequado aos objetos expostos.
Não sujeitar os objetos a choques ou vibrações.
A colocação de objetos expostos fora de vitrinas deve observar as condições necessárias à sua segurança.
Numa exposição permanente, os materiais sensíveis não devem ser expostos de forma contínua.
Efetuar a manutenção e monitorização das condições de exposição e o estado de conservação dos objetos expostos regularmente.
- 4.2 -Reservas
Distribuir as coleções por áreas distintas e autónomas, segundo critérios cronológicos, tipológicos e geográficos.
Elaborar um levantamento com a localização atualizada de cada objeto.
Identificar os objetos de forma clara, com o número de inventário visível.
Escolher equipamento de armazenamento de acordo com a especificidade das coleções.
Tapar objetos de maiores dimensões com película transparente ou pano-cru, para evitar a deposição do pó.
As prateleiras devem ter rebordos para evitar a queda de objetos.
Deixar passagens suficientemente largas e o espaço necessário entre estantes ou objetos para possibilitar a sua verificação, a sua limpeza ou o seu manuseamento.
Evitar o contacto direto entre objetos que podem encontrar-se sobrepostos, interpondo um material inerte e macio.
Não colocar os objetos diretamente no solo.
Inserir, consoante a sua natureza e dimensão, os objetos em sacos de plástico microperfurados, protegidos com película transparente ou tecido de pano-cru.
Dotar as reservas de material e utensílios para adequados ao seu manuseamento.
Reservar um espaço para inventariação, estudo e embalagem de objetos.
Prever uma área de quarentena.
Guardar nas reservas apenas bens culturais do acervo.
- 4.3 -Outros espaços
Os bens culturais que se encontram distribuídos pelo Museu, tanto nos espaços de circulação pública como nos de circulação restrita, devem ser objeto de igual atenção no que diz respeito aos cuidados a observar.
A limpeza e a manutenção desses bens também deve ser cuidada e regular.
- 4.1 -Exposição
- 5 -Limpeza de espaços, equipamentos e acervo
É indispensável que o Museu apresente os seus espaços, os seus equipamentos e as suas coleções impecavelmente limpos, pois a limpeza é um facto essencial quando se pretende uma correta conservação do acervo. A limpeza eficaz e regular em conjunto com uma boa manutenção dos espaços museológicos contribui para a correta conservação dos bens culturais.
- 5.1 -Espaços e equipamentos
Os equipamentos devem ser limpos com especial cuidado, pois estão em contacto direto com os bens culturais.
A limpeza das vitrinas e peças é feita por pessoal técnico especializado.
A limpeza dos pavimentos não deve ser feita com utensílios que possibilitam a disseminação do pó
Na lavagem do pavimento deve ser utilizada apenas água
Os objetos só podem ser recolocados quando as superfícies estiverem completamente secas.
- 5.2 -Acervo
Devem ser minimizadas as ações de limpeza direta das peças.
A limpeza do pó deve ser realizada de forma cuidada, com a menor fricção possível e tendo em conta as zonas vulneráveis dos objetos.
Podem ser utilizados panos, pincéis ou trinchas de pêlo suave.
Não deve ser utilizada água ou outro produto na limpeza nas peças.
A limpeza das peças deve ser feita por pessoal técnico especializado.
- 5.1 -Espaços e equipamentos
- 6 -Circulação de bens culturais
- 6.1 -Manuseamento
Deve evitar-se o manuseamento desnecessário de peças.
A permissão para o manuseamento de peças é estabelecida tendo em conta o estado de conservação, o material, a fragilidade, raridade, valor científico, estético ou educacional.
Qualquer manuseamento de peças deve ser efetuado em total segurança e concentração.
Usar luvas de características apropriadas ao tipo de objeto a manusear.
Nunca manusear dois objetos em simultâneo.
As operações de manuseamento de bens culturais, de grandes dimensões ou pesados, devem ser devidamente planeadas, de forma a garantir a segurança dos objetos e dos operadores.
Em caso de danos provocados acidentalmente num bem cultural todos os seus fragmentos devem ser cuidadosamente recolhidos e essa ocorrência registada.
- 6.2 -Circulação interna
Deve ocorrer sem perigo para o objeto.
Os locais de movimentação e circulação devem estar desimpedidos.
Os objetos devem ser movimentados em contentores, caixas, paletes ou tabuleiros.
Deve haver um registo de qualquer movimentação.
- 6.3 -Circulação externa
A circulação externa de peças só poderá ocorrer caso estejam garantidas as condições de segurança e de conservação das mesmas.
É necessário um seguro de transporte e permanência.
As peças devem ser acompanhadas de toda a documentação relativa às mesmas e ao seu estado de conservação (em duplicado).
Devem ser acompanhadas, até ao local de depósito temporário por um técnico do Museu.
Qualquer ocorrência anómala relativa aos objetos em circulação deve ser comunicada imediatamente ao Museu, não se podendo proceder a tratamentos de conservação sem autorização prévia.
Os mesmos cuidados devem ser observados, com igual rigor, no processo de desmontagem, na verificação, na ré embalagem e no regresso dos bens culturais.
- 6.1 -Manuseamento
- 7 -Formação de recursos humanos
O Município do Fundão deve possuir recursos humanos habilitados e qualificados, com conhecimentos, capacidades e atitudes que permitam o pleno exercício das funções para as quais estão designados.
No domínio da conservação preventiva, equacionar as medidas a implementar implica possuir conhecimentos adequados, assegurar um diagnóstico correto de cada situação e garantir o bom desempenho das tarefas. A conservação preventiva é, cada vez mais, assumida como uma atividade que deve envolver todos os técnicos, funcionários e colaboradores de um museu e não apenas os conservadores de museu. Todo o pessoal do museu deve ser responsável pela boa conservação do acervo.
- 8 -Público
O Museu tem o papel didático de sensibilização e de clara informação e formação dos seus visitantes, na medida em que todos somos responsáveis pela conservação dos bens culturais. As normas de comportamento do público durante a visita ao Museu estão estabelecidas no 25.º artigo do Regulamento do Museu e devem ser respeitadas, tendo em vista a proteção e conservação dos bens patrimoniais.
(1) Diário da República, II série, n.º 217, de 9 de Novembro de 2012, Classificação definitiva da "Zona Antiga Do Fundão" como área de reabilitação urbana, p. 76-78.
(2) run.unl.pt .
(3) Elaborada com base no diagnóstico efetuado por Sara Almeida em 2015 ( run.unl.pt) e complementada com a análise mais atualizada das diversas situações.
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