A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
O Ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, em 12 de maio de 2025. - A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em 9 de maio de 2025. - O Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, em 10 de maio de 2025.
ANEXO
(a que se refere o artigo 1.º)
PLANO DE GESTÃO DA ZEC PENEDA/GERÊS (PTCON0001)
LOCALIZAÇÃO
A ZEC Peneda/Gerês, com uma área total aproximada de 89 574 ha, localiza-se nos concelhos de Terras de Bouro, Montalegre, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Melgaço, Amares, Vila Verde e Vieira do Minho conforme se apresenta no quadro 1. A sua localização encontra-se representada cartograficamente na figura 1, estando os seus limites disponíveis no geocatálogo da Autoridade Nacional da Conservação da Natureza e Biodiversidade.
Quadro 1 - Unidades territoriais abrangidas pela ZEC Peneda/Gerês
Unidade territorial (UT)
Área da ZEC na UT
Proporção da UT ocupada pela área da ZEC
Proporção da área da ZEC na UT
Terras de Bouro
26 312
95 %
29 %
Montalegre
21 063
26 %
24 %
Arcos de Valdevez
19 534
44 %
22 %
Ponte da Barca
10 739
59 %
12 %
Melgaço
10 195
43 %
11 %
Amares
771
9 %
1 %
Vila Verde
777
3 %
1 %
Vieira do Minho
183
1 %
0,2 %
(Fonte: CAOP 2019 - DGT)
Figura 1 - Enquadramento territorial da ZEC Peneda/Gerês
(Fonte: CAOP 2018 - DGT)
CARACTERIZAÇÃO
A ZEC Peneda/Gerês corresponde a uma extensa área territorial, que engloba uma série de maciços e relevos graníticos que exercem uma profunda marca na paisagem do noroeste peninsular, onde são frequentes altitudes superiores a 1300 m.
A ocupação de solo da ZEC Peneda-Gerês reflete, este cenário fisiográfico (sucessão de montanhas graníticas), favorável à proliferação de vegetação rasteira, por vezes descontínua. Efetivamente assinalam-se extensas áreas onde predominam os matos e matagais assim como as áreas de vegetação esparsa natural dominando as pastagens tradicionalmente utilizadas entre o princípio da primavera e o fim do outono e, nos topos mais aplanados, o pastoreio extensivo com recurso ao coberto arbustivo espontâneo, nomeadamente em áreas de baldio. Conjuntamente, estas duas tipologias ocupam mais de 60 % de todo o território da ZEC, ou seja, a primeira representa cerca de 46 % e a segunda aproximadamente 15 %, estando normalmente contíguas em áreas de vertente e em cumes montanhosos. Desde a segunda metade do século passado, os sistemas de pastoreio deste território têm vindo a sofrer algumas alterações, relacionadas com a diminuição de pastoreio de caprinos e de ovinos, a concentração do efetivo bovino por exploração e o aumento dos equinos da raça garrana, que têm vindo a ser introduzidos em grande quantidade, em regime livre, nas zonas serranas. Face ao contínuo processo de abandono das atividades do setor primário na região, o território da Peneda/Gerês tem sido alvo de diversos apoios de caráter agroambiental, que visam a preservação das atividades agrícolas tradicionais e a consolidação dos sistemas de produção agro-silvo-pastoris existentes.
As áreas florestais são também uma marca dominante na região, pois cobrem mais de 30 % do território. A este nível, destacam-se as florestas de folhosas autóctones (19 %), essencialmente constituídas por carvalhos, estando representadas (de modo mais ou menos contínuo) em várias áreas de vertente.
O padrão de distribuição territorial das florestas de resinosas é algo similar às florestas de folhosas autóctones, embora se possam identificar áreas com maior concentração, particularmente nos setores situados mais a sul (Rio Caldo, Valdosende e Vilar da Veiga), com extensas áreas ocupadas por pinheiro-bravo representando praticamente 10 % do território da ZEC.
As demais áreas florestais são constituídas por espécies não autóctones, como: eucaliptais (floresta alóctone), em zonas de encosta, e acaciais (manchas de espécies invasoras) em encostas e na proximidade de corpos de água. Conjuntamente, estes dois tipos de florestas ocupam 2 % desta área classificada.
Entre as demais classes de ocupação do solo, destacam-se ainda, em áreas mais localizadas, expressões fisiográficas relacionadas com a atividade humana, como: corpos de água artificiais (albufeiras e açudes), territórios artificializados (e.g. povoações, equipamentos turísticos e instalações agrícolas).
VALORES NATURAIS
Na ZEC Peneda/Gerês ocorrem com presença significativa 21 tipos de habitat (quadro 2) e 27 espécies da flora e da fauna (quadro 3) dos anexos i e ii da Diretiva Habitats, respetivamente.
A ZEC assume especial relevância para a conservação de 16 tipos de habitat, 8 espécies da flora e 14 espécies da fauna, valores que constituem prioridades de conservação e para os quais se impõem medidas de gestão mais urgentes (valores-alvo assinalados com um # e a negrito nos quadros 2 e 3).
Acresce ainda que, embora sem populações estabelecidas na ZEC, Margaritifera margaritifera (incluída nos anexos ii e v da Diretiva Habitats) está referenciada como tendo ocorrência potencial nos ecossistemas da ZEC, territórios que integram a área de ocorrência histórica mais recente da espécie e que apresentam potencial como área adequada para a sua reintrodução, razão pela qual é considerada espécie alvo.
Quadro 2 - Tipos de habitat do anexo i da Diretiva Habitats com presença significativa na ZEC
Código
Habitat
3130
# Águas paradas, oligotróficas a mesotróficas, com vegetação da Littorelletea uniflorae e/ou da Isoeto-Nanojuncetea
3260
# Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
4010
# Charnecas húmidas atlânticas setentrionais de Erica tetralix
4020
# Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ciliaris e Erica tetralix
4030
# Charnecas secas europeias
4090
Charnecas oromediterrânicas endémicas com giestas espinhosas
5230
# Matagais arborescentes de Laurus nobilis
6160
Prados oro-ibéricos de Festuca indigesta
6230
# Formações herbáceas de Nardus, ricas em espécies, em substratos siliciosos das zonas montanas (e das zonas submontanas da Europa continental)
6410
# Pradarias com Molinia em solos calcários, turfosos e argilo-limosos (Molinion caeruleae)
6430
Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos pisos montano a alpino
6510
# Prados de feno pobres de baixa altitude (Alopecurus pratensis, Sanguisorba officinalis)
7140
# Turfeiras de transição e turfeiras ondulantes
7150
# Depressões em substratos turfosos da Rhynchosporion
8220
Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
8230
Rochas siliciosas com vegetação pioneira da Sedo-Scleranthion ou da Sedo albi-Veronicion dillenii
9160
# Carvalhais pedunculados ou florestas mistas de carvalhos e carpas subatlânticas e médio-europeias da Carpinion betuli
91E0
# Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)
9230
# Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus pyrenaica
9380
# Florestas de Ilex aquifolium
9580
# Florestas mediterrânicas de Taxus baccata
Quadro 3 - Espécies da flora e fauna do anexo ii da Diretiva Habitats com presença significativa na ZEC
Código
Grupo
Espécie
1388
PL
# Bryoerythrophyllum campylocarpum
1793
PL
Centaurea micrantha subsp. herminii (sin. C. langei subsp. rothmaleriana in part.?)
1885
PL
# Festuca elegans (sin. F. elegans subsp. merinoi)
1891
PL
# Festuca summilusitana
1390
PL
# Marsupella profunda
1865
PL
# Narcissus asturiensis (sin. N. minor subsp. asturiensis)
1857
PL
# Narcissus pseudonarcissus subsp. nobilis
1733
PL
# Veronica micrantha
1426
PL
# Woodwardia radicans
1065
I
# Euphydryas aurinia
6199
I
# Euplagia quadripunctaria (sin. Callimorpha quadripunctaria)
1024
I
# Geomalacus maculosus
1041
I
# Oxygastra curtisii
1046
I
# Gomphus graslinii
1083
I
# Lucanus cervus
1088
I
# Cerambyx cerdo
6155
P
Achondrostoma arcasii (sin. Rutilus arcasii)
5296
P
# Pseudochondrostoma duriense (sin. Chondrostoma polylepis)
1172
A
# Chioglossa lusitanica
1194
A
# Discoglossus galganoi
1259
R
# Lacerta schreiberi
1308
M
Barbastella barbastellus
1321
M
Myotis emarginatus
1324
M
Myotis myotis
1301
M
# Galemys pyrenaicus
1355
M
Lutra lutra
1352
M
# Canis lupus
Grupo: PL - Planta; I - Invertebrado; P - Peixe; A - Anfíbio; R - Réptil; M - Mamífero
OBJETIVOS DE CONSERVAÇÃO
Os objetivos de conservação para os valores com presença significativa são identificados no quadro 4 e constituem o quadro de referência das medidas de conservação definidas para a gestão da ZEC. São ainda identificadas as metas a atingir no período de vigência do plano e os respetivos indicadores de resultado.
A integridade ecológica da ZEC fica, deste modo, enquadrada pelo conjunto dos objetivos de conservação definidos, cuja prossecução permitirá contribuir para os objetivos da Diretiva Habitats, ou seja, assegurar a biodiversidade através da manutenção ou restabelecimento do estado de conservação favorável dos tipos de habitats e das espécies presentes nos sítios e para a coerência da Rede Natura 2000.
Quadro 4 - Objetivos de conservação para a gestão da ZEC
Tipos de habitat e espécies aquáticos, ripícolas e higroturfófilos
Objetivos de conservação
Indicadores
Metas
1.1. Manter o grau de conservação do habitat 3130 - Águas paradas, oligotróficas a mesotróficas, com vegetação da Littorelletea uniflorae e/ou da Isoeto-Nanojuncetea
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
1.2. Manter o grau de conservação do habitat 3260 - Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
1.3. Manter o grau de conservação do habitat 4010 - Charnecas húmidas atlânticas setentrionais de Erica tetralix
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
1.4. Manter o grau de conservação do habitat 4020 - Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ciliaris e Erica tetralix
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
1.5. Manter o grau de conservação do habitat 7140 - Turfeiras de transição e turfeiras ondulantes
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
1.6. Manter o grau de conservação do habitat 7150 - Depressões em substratos turfosos da Rhynchosporion
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
1.7. Manter o grau de conservação do habitat 91E0 - Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
1.8. Manter o grau de conservação do habitat de Chioglossa lusitanica
• Quadrículas 1 × 1 km ocupadas pela espécie
• Manter o número de quadrículas 1 × 1 km ocupadas
1.9. Manter o grau de conservação do habitat de Galemys pyrenaicus
• Expressão linear da presença da espécie
• Densidade populacional
• Número de barreiras
• Manter a expressão linear da presença da espécie
• Manter a densidade populacional
• Melhorar a conectividade fluvial
1.10. Manter o grau de conservação do habitat de Lacerta schreiberi
• Quadrículas 1 × 1 km ocupadas pela espécie
• Manter o número de quadrículas 1 × 1 km ocupadas
1.11. Restabelecimento de uma população de Margaritifera margaritifera
• Extensão do habitat com qualidade ecológica
• Número de barreiras
• Estabelecimento de uma população
• Melhorar a extensão de habitat com qualidade ecológica
• Melhorar a conectividade fluvial
• Confirmação da ocorrência de recrutamento de juvenis
1.12. Manter o grau de conservação do habitat de Pseudochondrostoma duriense
• Extensão do habitat com qualidade ecológica
• Tendência populacional
• Manter a extensão do habitat com qualidade ecológica
• Manter a tendência populacional
1.13. Manter o grau de conservação do habitat de Achondrostoma arcasii
• Extensão do habitat com qualidade ecológica
• Tendência populacional
• Manter a extensão do habitat com qualidade ecológica
• Manter a tendência populacional
1.14. Manter o grau de conservação do habitat de Lutra lutra
• Expressão linear da presença da espécie
• Densidade populacional
• Manter a expressão linear da presença da espécie
• Manter a densidade populacional
1.15. Manter o grau de conservação do habitat de Gomphus graslinii e Oxygastra curtisii
• Extensão do habitat com qualidade ecológica
• Manter a extensão do habitat com qualidade ecológica
Tipos de habitat e espécies de formações herbáceas mesófilas a higrófilas
Objetivos de conservação
Indicadores
Metas
2.1. Manter o grau de conservação do habitat 6230 - Formações herbáceas de Nardus, ricas em espécies, em substratos siliciosos das zonas montanas (e das zonas submontanas da Europa continental)
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
2.2. Manter o grau de conservação do habitat 6410 - Pradarias com Molinia em solos calcários, turfosos e argilo-limosos (Molinion caeruleae) e travar a tendência de declínio da área ocupada
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
2.3. Manter o grau de conservação do habitat 6430 - Comunidades de ervas altas higrófilas das orlas basais e dos pisos montano a alpino
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
2.4. Manter o grau de conservação do habitat 6510 - Prados de feno pobres de baixa altitude (Alopecurus pratensis, Sanguisorba officinalis)
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
2.5. Manter o grau de conservação do habitat de Narcissus pseudonarcissus subsp. nobilis
• Área de habitat adequado para a espécie
• Número de núcleos populacionais
• Densidade populacional dos núcleos
• Manter a atual área de habitat adequado para a espécie
• Manter o número de núcleos populacionais
• Manter densidade populacional dos núcleos
2.6. Manter o grau de conservação do habitat de Veronica micrantha
• Área de habitat adequado para a espécie
• Número de núcleos populacionais
• Densidade populacional dos núcleos
• Manter a atual área de habitat adequado para a espécie
• Manter o número de núcleos populacionais
• Manter densidade populacional dos núcleos
2.7. Manter o grau de conservação do habitat de Discoglossus galganoi
• Quadrículas 1 × 1 km ocupadas pela espécie
• Manter o número de quadrículas 1 × 1 km ocupadas
2.8. Manter o grau de conservação do habitat de Myotis myotis
• Número de abrigos de importância nacional com condições favoráveis
• Tendência populacional
• Manter todos dos abrigos de importância nacional na ZEC
• Tendência estável
2.9. Manter o grau de conservação do habitat de Euphydryas aurinia e Euplagia quadripunctaria
• Quadrículas 1 × 1 km ocupadas pelas espécies
• Manter o número de quadrículas 1 × 1 km ocupadas
Tipos de habitat e espécies rupestres e de matos mesófilos a xerófilos
Objetivos de conservação
Indicadores
Metas
3.1. Manter o grau de conservação do habitat 4030 - Charnecas secas europeias
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
3.2. Manter o grau de conservação do habitat 4090 - Charnecas oromediterrânicas endémicas com giestas espinhosas
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
3.3. Manter o grau de conservação do habitat 6160 - Prados oro-ibéricos de Festuca indigesta
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
3.4. Manter o grau de conservação do habitat 8220 - Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
3.5. Manter o grau de conservação do habitat 8230 - Rochas siliciosas com vegetação pioneira da Sedo-Scleranthion ou da Sedo albi-Veronicion dillenii
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat em boa condição ecológica
3.6. Manter o grau de conservação do habitat de Festuca summilusitana
• Quadrículas 1 × 1 km com presença da espécie
• Manter o número de quadrículas 1 × 1 km com presença da espécie
3.7. Manter o grau de conservação do habitat de Marsupella profunda
• Número de núcleos populacionais
• Densidade populacional dos núcleos
• Manter o número de núcleos populacionais
• Manter densidade populacional dos núcleos
3.8. Manter o grau de conservação do habitat de Narcissus asturiensis
• Número de núcleos populacionais
• Densidade populacional dos núcleos
• Manter o número de núcleos populacionais
• Manter densidade populacional dos núcleos
3.9. Manter o grau de conservação do habitat de Centaurea micrantha subsp. herminii
• Quadrículas 1 × 1 km com presença da espécie
• Manter o número de quadrículas 1 × 1 km com presença da espécie
Tipos de habitat e espécies de carvalhais e bosquetes relictos mesófilos a higrófilos
Objetivos de conservação
Indicadores
Metas
4.1. Melhorar o grau de conservação do habitat 5230 - Matagais arborescentes de Laurus nobilis
• Área ocupada pelo habitat (ha)
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter área ocupada pelo habitat
• Aumentar a área de habitat com estrutura bem conservada
4.2. Melhorar o grau de conservação do habitat 9160 - Carvalhais pedunculados ou florestas mistas de carvalhos e carpas subatlânticas e médio-europeias da Carpinion betuli
• Área ocupada pelo habitat (ha)
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a área ocupada pelo habitat
• Aumentar a área de habitat com estrutura bem conservada
4.3. Manter o grau de conservação do habitat 9230 - Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus pyrenaica
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter a atual área de ocorrência do habitat com boa condição ecológica
4.4. Melhorar o grau de conservação do habitat 9380 - Florestas de Ilex aquifolium e travar a tendência de declínio da área ocupada
• Área ocupada pelo habitat (ha)
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Aumentar a área ocupada pelo habitat
• Aumentar a área de habitat com estrutura bem conservada
4.5. Melhorar o grau de conservação do habitat - 9580 - Florestas mediterrânicas de Taxus baccata e travar a tendência de declínio da área ocupada
• Área ocupada pelo habitat (ha)
• Área de habitat com estrutura bem conservada (ha)
• Manter área ocupada pelo habitat
• Aumentar a área de habitat com estrutura bem conservada
4.6. Manter o grau de conservação do habitat de Bryoerythrophyllum campylocarpum
• Área de habitat adequado para a espécie
• Número de núcleos populacionais
• Densidade populacional
• Manter área de habitat adequado para a espécie
• Manter número de núcleos populacionais
• Manter densidade populacional
4.7. Manter o grau de conservação do habitat de Festuca elegans
• Quadrículas 1 × 1 km com presença da espécie
• Densidade de ocupação
• Manter o número de quadrículas 1 × 1 km com presença da espécie
• Manter a densidade de ocupação
4.8. Manter o grau de conservação do habitat de Woodwardia radicans
• Área de habitat adequado para a espécie
• Número de núcleos populacionais
• Densidade populacional
• Melhorar a estrutura do habitat em núcleos populacionais conhecidos, entre outros, controlo de acacial no núcleo do Ribeiro de Feixa Ferreiros
• Manter número de núcleos populacionais
• Manter densidade populacional
4.9. Manter o grau de conservação do habitat de Myotis emarginatus
• Número de abrigos de importância nacional com condições favoráveis
• Tendência populacional
• Manter todos dos abrigos de importância nacional na ZEC
• Tendência estável
4.10. Manter o grau de conservação do habitat de Barbastella barbastellus
• Quadrículas 1 × 1 km ocupadas pela espécie
• Densidade populacional
• Manter o número de quadrículas 1 × 1 km ocupadas
• Manter densidade populacional
4.11. Manter o grau de conservação do habitat de Cerambyx cerdo, Geomalacus maculosus e Lucanus cervus
• Área de habitat adequado para as espécies
• Manter a área de habitat adequado para as espécies
Lobo
Objetivos de conservação
Indicadores
Metas
5.1. Manter as condições necessárias à ocorrência da população reprodutora de Canis lupus
• Número de grupos reprodutores (alcateias)
• Manter o número de grupos reprodutores
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO COMPLEMENTARES
O plano de gestão identifica as medidas de conservação complementares às previstas no Decreto-Lei n.º 76/2025, de 7 de maio, que visam dar resposta às exigências ecológicas dos valores com prioridade em termos de conservação (valores-alvo), definidas em função da condição destes e dos condicionamentos e contextos de ordem legal, social, organizacional, económica e financeira.
As medidas de conservação complementares estabelecidas para a gestão da ZEC Peneda/Gerês e respetivo quadro operacional estão identificados no quadro 5, com a definição dos indicadores de realização, as respetivas metas, as entidades envolvidas na execução e a calendarização.
A informação relevante para a execução das medidas de conservação complementares é apresentada de forma detalhada nas «Fichas das medidas de conservação complementares».
Quadro 5 - Quadro operacional das medidas de conservação complementares
Medida de conservação complementar
Relevância *
Indicadores de realização
Meta
Entidade responsável
Entidades envolvidas
Calendarização
Inicio
Fim
MC1. Promover a gestão sustentável dos prados e pastagens e mosaicos higroturfófilos
1
Proporção de área contratualizada
50 % da área elegível
ICNF GPP
Autoridade de gestão do PEPAC
Comunidades locais
Produtores agrícolas
CCDR/Agri
Ano 1
Ano 10
MC2. Promover a manutenção de pastagens permanentes com alto valor natural
2
Proporção de área contratualizada
70 % da área elegível
ICNF GPP
Produtores agrícolas
Comunidades locais
Autoridade de gestão do PEPAC
CCDR/Agri
Ano 1
Ano 10
MC3. Promover a proteção dos efetivos pecuários
1
Percentagem dos criadores que usam medidas de proteção do efetivo pecuário
50 % dos criadores pecuários
ICNF GPP
Autoridade de gestão do PEPAC
CCDR/Agri
DGAV
Produtores pecuários
Órgãos de gestão de baldios
Ano 1
Ano 10
MC4. Colmatar lacunas de informação referentes aos tipos de habitat higrófilos
1
Data de conclusão do estudo
Ano 3 da execução do plano de gestão
ICNF
-
Ano 1
Ano 3
MC5. Promover a gestão sustentável dos tipos de habitat florestais
1
Proporção de área contratualizada
50 % da área elegível
ICNF GPP
Autoridade de Gestão do PEPAC
Produtores florestais
CCDR/Agri
Órgãos de gestão de baldios
Ano 1
Ano 10
MC6. Adaptar o planeamento e a operacionalização da gestão integrada dos fogos rurais à salvaguarda dos valores naturais protegidos
2
Percentagem de planos/programas adaptados e incluindo diretrizes de salvaguarda
100 %
ICNF
Comissões regionais, sub-regionais e municipais de gestão integrada de fogos rurais
Entidades gestoras de AIGP
Comunidades intermunicipais
APA
CCDR
Proprietários
Organizações de produtores florestais
Empresas
Comissões intermunicipais
Ano 1
Ano 10
Percentagem de planos de recuperação pós-incêndio com medidas orientadas para o restauro e salvaguarda dos valores naturais protegidos
100 %
MC7. Criação de um sistema de valorização de produtos pecuários associados à presença de lobo
3
Produção do estudo de mercado e plano de comercialização associado
Ano 3 da execução do plano de gestão
ICNF
Associações de produtores pecuários
Associações de desenvolvimento local
ONG
Ano 5
Ano 8
MC8. Realização regular de reuniões participativas com criadores de gado e seus representantes para identificação de soluções de compatibilização da atividade pecuária com a presença de lobo
1
Número de sessões
Duas sessões por ano
ICNF GPP
Autoridade de gestão do PEPAC
DGAV
Produtores pecuários
Associações de desenvolvimento local
ONG
Ano 1
Ano 10
Proporção de produtores participantes
80 % dos produtores da ZEC
MC9. Estabelecer plano de deteção e atuação frente a pragas e doenças florestais
2
Data de estabelecimento do plano
Ano 5 da execução do plano de gestão
ICNF
APA
Academia
ONG
Ano 1
Ano 5
MC10. Deteção, controlo e gestão de espécies invasoras
2
Data de elaboração do plano de controlo de espécies exóticas invasoras
Ano 1 da implementação do plano de gestão
ICNF GPP
Autoridade de gestão do PEPAC
APA
Municípios
Associações de desenvolvimento local
ONGA
Órgãos de gestão de baldios
Academia
Ano 1
Ano 10
Proporção das áreas prioritárias intervencionadas
100 % das áreas prioritárias
MC11. Sensibilizar a população local e os visitantes para a conservação dos valores naturais da ZEC
3
Data da criação de conteúdos digitais
Ano 5 da implementação do plano de gestão
ICNF
CCDR/Agri CCDR
Turismo do Porto e Norte
Municípios
Escolas
Associações de desenvolvimento local
ONG
Academia
Comunidades locais
Ano 1
Ano 10
Número de iniciativas
Uma iniciativa por ano
MC12. Reforçar a fiscalização
2
Número de ações de fiscalização por ano
24 ações (2 ações por mês)
SEPNA/GNR
ICNF
Municípios
Ano 1
Ano 10
MC13. Promover a permeabilidade das infraestruturas viárias na envolvente da ZEC
2
Data de elaboração do estudo de avaliação (diagnóstico)
Ano 2 da implementação do plano de gestão
ICNF
Comunidade Intermunicipal do Alto Minho
CCDR-Norte
Concessionárias de infraestruturas de transporte viário
Infraestruturas de Portugal, I. P.
Ano 1
Ano 10
Proporção de áreas prioritárias intervencionadas
100 %
MC14. Assegurar densidades de presas selvagens de lobo adequadas ao habitat
3
Data de elaboração do estudo de monitorização da população de presas (diagnóstico) e proposta de medidas de fomento
Ano 3 da implementação do plano de gestão
ICNF
Academia
Entidades titulares e gestoras das zonas de caça
Organizações do setor da caça (OSC) de 1.º nível
ONG
Ano 4
Ano 8
MC15. Estabelecer e consolidar os critérios e parâmetros de quantificação e avaliação dos objetivos de conservação, e os recursos necessários para a execução das medidas de conservação
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Quadro de densificação dos objetivos de conservação, indicadores e metas
Quadros aprovados pela(s) entidade(s) responsável(eis) pelo plano de gestão até ao final do 2.º ano de execução do plano
ICNF
GPP
Norte 2030
Ano 1
Ano 2
Quadro de estimativa preliminar dos recursos financeiros, humanos e técnicos para os primeiros cinco anos de execução do plano
* O campo relevância representa a importância relativa de cada uma das medidas de conservação e encontra-se classificado da seguinte forma: 1 - Muito elevada; 2 - Elevada; 3 - Média.
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO REGULAMENTARES
O plano de gestão aplica-se complementarmente a um conjunto de medidas de natureza regulamentar e preventiva, identificadas e operacionalizadas no Decreto-Lei n.º 76/2025, de 7 de maio.
VIGÊNCIA DO PLANO DE GESTÃO
O plano de gestão terá uma vigência de 10 anos.
ACOMPANHAMENTO
A execução do plano de gestão é objeto de acompanhamento continuado ao longo do seu período de vigência.
O acompanhamento é coordenado pelo ICNF com a participação das autoridades corresponsáveis em razão da matéria, das administrações central e local, das entidades representativas dos agentes e operadores dos setores económico, social, da sociedade civil e dos proprietários, relevantes para a prossecução dos objetivos do plano.
Será efetuada uma avaliação intercalar ao quinto ano de vigência do plano, a qual incluirá o ponto de situação intermédio da execução das medidas, um balanço das medidas concluídas, das medidas em curso e das medidas não iniciadas. Da análise da realização intermédia atingida face às metas estabelecidas para a medida, a entidade responsável pelo acompanhamento do plano de gestão deverá decidir sobre as alterações necessárias no plano de gestão, num quadro de articulação institucional, a propor às respetivas tutelas. Caso seja necessário, deverá ser elaborada uma versão revista das fichas das medidas de conservação.
No final do seu período de vigência, a eficácia do plano de gestão deve ser avaliada num exercício de análise cruzada entre o grau de execução das medidas de conservação e a evolução da condição dos valores-alvo. Para esta avaliação relacionam-se os resultados finais da execução das medidas (através dos indicadores de realização) e do cumprimento dos objetivos de conservação (através dos indicadores de resultado). O relatório desta avaliação final deverá também incluir a análise da evolução dos fatores externos com eventual impacto na gestão da ZEC (por exemplo, das pressões e atividades mais relevantes, das condicionantes legais e dos instrumentos de financiamento das medidas de conservação), a descrição da análise efetuada no período em causa para a evolução dos indicadores de realização, a descrição das alterações intercalares efetuadas e respetiva fundamentação, e as propostas de alteração do plano de gestão.
A aferição dos indicadores de resultado decorrerá dos procedimentos correntes de monitorização da Rede Natura 2000 a que o Estado português está obrigado no âmbito da implementação da Diretiva Habitats.
O quadro 6 estabelece a correspondência entre as medidas de conservação complementares e os objetivos de conservação para os quais concorrem, cuja avaliação final permite decidir sobre a necessidade de manutenção/exclusão/alteração da medida no ciclo de programação seguinte. No referido quadro são assinalados (a cinza) os campos a preencher em sede de avaliação final da implementação do plano de gestão.
Quadro 6 - Modelo de matriz de avaliação final da implementação do plano de gestão
1. Tipos de habitat e espécies aquáticos, ripícolas e higroturfófilos
Objetivo de conservação [Indicador de resultado]
Meta
Meta alcançada
Medida de conservação complementar
Indicador de realização
Realização atingida/meta
Grau de execução (Não iniciada/em curso/concluída)
Revisão (Manter/não manter/altera)
Obs.
2. Tipos de habitat e espécies de formações herbáceas mesófilas a higrófilas
Objetivo de conservação [Indicador de resultado]
Meta
Meta alcançada
Medida de conservação complementar
Indicador de realização
Realização atingida/meta
Grau de execução (Não iniciada/em curso/concluída)
Revisão (Manter/não manter/altera)
Obs.
3. Tipos de habitat e espécies rupestres e de matos mesófilos a xerófilos
Objetivo de conservação [Indicador de resultado]
Meta
Meta alcançada
Medida de conservação complementar
Indicador de realização
Realização atingida/meta
Grau de execução (Não iniciada/em curso/concluída)
Revisão (Manter/não manter/altera)
Obs.
4. Tipos de habitat e espécies de carvalhais e bosquetes relictos mesófilos a higrófilos
Objetivo de conservação [Indicador de resultado]
Meta
Meta alcançada
Medida de conservação complementar
Indicador de realização
Realização atingida/meta
Grau de execução (Não iniciada/em curso/concluída)
Revisão (Manter/não manter/altera)
Obs.
5. Lobo
Objetivo de conservação [Indicador de resultado]
Meta
Meta alcançada
Medida de conservação complementar
Indicador de realização
Realização atingida/meta
Grau de execução (Não iniciada/em curso/concluída)
Revisão (Manter/não manter/altera)
Obs.
FICHAS DE MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO COMPLEMENTARES
Fontes de financiamento - Glossário:
PEPAC - Plano Estratégico da Política Agrícola Comum para Portugal 2023-2027;
Norte 2030 - Programa Operacional Regional do Norte (FEDER);
LIFE - Instrumento de financiamento da União Europeia para o ambiente e a ação climática;
PRR - Plano de Recuperação e Resiliência;
I&D - Investigação e Desenvolvimento;
OE - Orçamento de Estado;
PNA-PNGIFR - Programa Nacional de Ação do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
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