A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Em 20 de fevereiro de 2026.
O Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida. - A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. - O Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes.
ANEXO
(a que se refere o artigo 1.º)
PLANO DE GESTÃO DA ZEC PENICHE/SANTA CRUZ (PTCON0056)
LOCALIZAÇÃO
A ZEC Peniche/Santa Cruz apresenta uma área total aproximada de 8 286 ha. A componente terrestre abrange 2 810 ha e localiza-se nos concelhos de Peniche, Torres Vedras, Lourinhã e Óbidos, conforme se apresenta no Quadro 1. A componente marinha ocupa cerca de 54,76 km2. A sua localização encontra-se representada cartograficamente na Figura 1, estando os seus limites disponíveis no geocatálogo da Autoridade Nacional da Conservação da Natureza e Biodiversidade.
QUADRO 1
Unidades territoriais abrangidas pela ZEC Peniche/Santa Cruz
CARACTERIZAÇÃO
A ZEC Peniche/Santa Cruz inclui uma componente terrestre que se estende ao longo de uma faixa litoral, de largura variável (entre 50 m e 2500 m), num território caracterizado pela alternância entre falésias e sistemas dunares, com grande heterogeneidade litológica. Nos cerca de 45 km de linha costeira que esta área abrange (de forma descontínua), destaca-se como elemento mais marcante, do ponto de vista biofísico, o Cabo Carvoeiro.
Neste território é evidente uma intensa intervenção humana, particularmente ao nível da implantação de áreas agrícolas (24,1 % do território) e de zonas artificializadas (19,6 %). Em algumas áreas, a oeste da lagoa de Óbidos e a sudeste de Peniche, os territórios artificializados correspondem a campos de golfe.
Com exceção da Península de Peniche, as áreas agrícolas evidenciam uma extensa distribuição ao longo da ZEC. Com frequência, estas áreas confinam com matos e matagais, com territórios artificializados e com zonas de floresta.
As áreas de vegetação esparsa constituem a segunda tipologia de uso e ocupação de solo mais representada da ZEC, e distribuem-se ao longo de uma faixa litoral (quase contínua), confinando essencialmente com matos e matagais, e com áreas urbanas.
Os matos e matagais, os prados e pastagens, e as áreas florestais também ocupam algum destaque na região. As duas primeiras classes de ocupação distribuem-se um pouco por toda a ZEC, enquanto as áreas florestais se concentram essencialmente a norte e nordeste.
As demais classes de uso e ocupação de solo representam uma ínfima parte da ZEC.
VALORES NATURAIS
Na ZEC Peniche/Santa Cruz ocorrem com presença significativa 24 tipos de habitat (21 terrestres e três marinhos), a grande maioria relacionados com a matriz litoral e costeira deste território (Quadro 2) e cinco espécies da flora (Quadro 3), dos anexos I e II da Diretiva Habitats, respetivamente.
A ZEC assume especial relevância para a conservação de onze tipos de habitat e três espécies da flora, valores que constituem prioridades de conservação e para os quais se impõem medidas de gestão mais urgentes (valores alvo assinalados com um # e a negrito nos Quadros 2 e 3).
QUADRO 2
Tipos de habitat do anexo I da Diretiva Habitats com presença significativa na ZEC
QUADRO 3
Espécies da flora do anexo II da Diretiva Habitats com presença significativa na ZEC
OBJETIVOS DE CONSERVAÇÃO
Os objetivos de conservação para os valores alvo são identificados no Quadro 4 e constituem o quadro de referência das medidas de conservação definidas para a gestão da ZEC. São ainda identificadas as metas a atingir no período de vigência do plano e os respetivos indicadores de resultado.
Para os restantes valores naturais com presença significativa na ZEC estabelece-se como objetivo de conservação a manutenção da condição ecológica que estes valores apresentam atualmente na ZEC.
Considerando o grau de desconhecimento existente da condição ecológica do habitat 4030 nesta área classificada, para este valor não é identificado objetivo de conservação para a gestão da ZEC, sendo certo, no entanto, que o mesmo beneficiará das medidas de conservação a adotar na conservação dos restantes tipos de habitat e espécies de flora de arribas e afloramentos. O plano identifica uma medida de conservação complementar visando colmatar as lacunas de conhecimento de forma a permitir futuramente a definição dos objetivos de conservação para esse habitat.
A integridade ecológica da ZEC fica, deste modo, enquadrada pelo conjunto dos objetivos de conservação definidos, cuja prossecução permitirá contribuir para os objetivos da Diretiva Habitats, ou seja, assegurar a biodiversidade através da manutenção ou restabelecimento do estado de conservação favorável dos tipos de habitats e das espécies presentes nos sítios e para a coerência da Rede Natura 2000.
QUADRO 4
Objetivos de conservação para a gestão da ZEC
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO COMPLEMENTARES
O Plano de Gestão identifica as medidas de conservação complementares às previstas no Decreto-Lei n.º 20/2026, de 27 de janeiro, que visam dar resposta às exigências ecológicas dos valores com prioridade em termos de conservação (valores alvo), definidas em função da condição destes e dos condicionamentos e contextos de ordem legal, social, organizacional, económica e financeira.
As medidas de conservação complementares estabelecidas para a gestão da ZEC Peniche/Santa Cruz e respetivo quadro operacional estão identificados no Quadro 5, com a definição dos indicadores de realização, as respetivas metas, as entidades envolvidas na execução e a calendarização.
A informação relevante para a execução das medidas de conservação complementares é apresentada de forma detalhada nas “Fichas das Medidas de Conservação Complementares”.
Considerando que determinadas medidas de conservação complementares (MC1 e MC2) são aplicáveis apenas em áreas específicas e não a toda a área da ZEC, o âmbito territorial da sua aplicação é representado adiante nas “Cartas das Medidas de Conservação Complementares”.
QUADRO 5
Quadro operacional das medidas de conservação complementares
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO REGULAMENTARES
O plano de gestão aplica-se complementarmente a um conjunto de medidas de natureza regulamentar e preventiva, identificadas e operacionalizadas no Decreto-Lei n.º 20/2026, de 27 de janeiro.
VIGÊNCIA DO PLANO DE GESTÃO
O plano de gestão terá uma vigência de dez anos.
ACOMPANHAMENTO
A execução do plano de gestão é objeto de acompanhamento continuado ao longo do seu período de vigência.
O acompanhamento é coordenado pelo ICNF com a participação das autoridades corresponsáveis em razão da matéria, das administrações central e local, das entidades representativas dos agentes e operadores dos setores económico, social, da sociedade civil e dos proprietários, relevantes para a prossecução dos objetivos do plano.
Será efetuada uma avaliação intercalar ao quinto ano de vigência do plano, a qual incluirá o ponto de situação intermédio da execução das medidas, um balanço das medidas concluídas, das medidas em curso e das medidas não iniciadas. Da análise da realização intermédia atingida face às metas estabelecidas para a medida, a entidade responsável pelo acompanhamento do plano de gestão deverá decidir sobre as alterações necessárias no plano de gestão, num quadro de articulação institucional, a propor às respetivas tutelas. Caso seja necessário, deverá ser elaborada uma versão revista das fichas das medidas de conservação.
No final do seu período de vigência, a eficácia do plano de gestão deve ser avaliada num exercício de análise cruzada entre o grau de execução das medidas de conservação e a evolução da condição dos valores alvo. Para esta avaliação relacionam-se os resultados finais da execução das medidas (através dos indicadores de realização) e do cumprimento dos objetivos de conservação (através dos indicadores de resultado). O relatório desta avaliação final deverá também incluir a análise da evolução dos fatores externos com eventual impacto na gestão da ZEC (por exemplo, das pressões e atividades mais relevantes, das condicionantes legais e dos instrumentos de financiamento das medidas de conservação), a descrição da análise efetuada no período em causa para a evolução dos indicadores de realização, a descrição das alterações intercalares efetuadas e respetiva fundamentação, e as propostas de alteração do plano de gestão.
A aferição dos indicadores de resultado decorrerá dos procedimentos correntes de monitorização da Rede Natura 2000 a que o Estado português está obrigado no âmbito da implementação da Diretiva Habitats.
O Quadro 6 estabelece a correspondência entre as medidas de conservação complementares e os objetivos de conservação para os quais concorrem, cuja avaliação final permite decidir sobre a necessidade de manutenção/exclusão/alteração da medida no ciclo de programação seguinte. No referido quadro são assinalados (a cinza) os campos a preencher em sede de avaliação final da implementação do plano de gestão.
QUADRO 6
Modelo de matriz de avaliação final da implementação do plano de gestão
FICHAS DE MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO COMPLEMENTARES
Fontes de Financiamento - Glossário:
PEPAC - Plano Estratégico da Política Agrícola Comum para Portugal 2023-2027;
Centro 2030 - Programa Operacional Regional do Centro (FEDER);
POSEUR - Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (Fundo de Coesão - Portugal 2020);
MAR 2030 - Programa que aplica o Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura;
LIFE - Instrumento de financiamento da União Europeia para o ambiente e a ação climática;
I&D - Investigação e Desenvolvimento;
OE - Orçamento de Estado.
CARTAS DAS MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO COMPLEMENTARES MC1 e MC2
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