- 1 -A realização da prática cultural de poda será preferencialmente realizada no período de repouso vegetativo, excetuando-se os casos pontuais de necessária e urgente intervenção.
- 2 -Para além dos casos que constem do plano anual de podas e abates, as podas só devem ocorrer quando haja perigo ou risco potencial do arvoredo existente provocar danos na sua envolvente, designadamente em pessoas, vegetação, estruturas construídas e outros bens, ou sempre que tal se justifique.
- 3 -As necessidades de poda de árvores são avaliadas pelo Gabinete Técnico Florestal (GTF) ou pela unidade orgânica com competências na gestão do arvoredo municipal distinguindo-se dois níveis de intervenção:
- a)Ao Nível da Segurança de Pessoas, Bens e do Direito de Propriedade, a qual pressupõe:
- i)Existência de ramos baixos que estejam, ou possam vir, a afetar a normal passagem de veículos ou utentes da via;
- ii)Ramos que impeçam a normal visualização de sinais de trânsito, placas de toponímia, sinais luminosos;
- iii)Existência de ramos secos, em vias de secar, partidos ou esgaçados;
- iv)Existência de ramos muito afetados por pragas e/ou doenças, cujo tratamento passa pela supressão dos ramos atacados;
- v)Existência de ramos com cavidades ou podridão do lenho;
- vi)Ramos a invadirem propriedade privada, devendo ser respeitado o disposto no artigo 1366.º do Código Civil;
- vii)Ramos a prejudicar as condições mínimas de habitabilidade, nomeadamente que estejam a tocar em janelas, telhados ou fachadas.
- b)Ao Nível da Conformação e Estrutura do Exemplar, a qual pressupõe:
- i)Ramos mal formados;
- ii)Ramos mal inseridos;
- iii)Revitalização de árvores;
- iv)Correção ou eliminação de bifurcações ou codominância com casca inclusa;
- v)Necessidade de adequar a forma da árvore ao seu crescimento (Poda de Formação);
- vi)Remoção de ramos epicórmicos, vulgarmente conhecidos por rebentos ladrões;
- vii)Remoção de ramos mais pesados que possam afetar a estrutura da árvore ou que haja o risco de esgaçarem devido ao excesso de peso suportado;
- viii)Supressão de ramos com problemas fitossanitários.
- a)Ao Nível da Segurança de Pessoas, Bens e do Direito de Propriedade, a qual pressupõe:
- 4 -Os procedimentos a utilizar são definidos conforme o tamanho da árvore, o espaço envolvente e a espécie alvo de intervenção.
- 5 -Não é permitido o corte da guia terminal das árvores, assim como podas a talão, devendo ser privilegiada a forma natural do exemplar, salvo em situações pontuais expressamente assinaladas e fundamentadas pelo Gabinete Técnico Florestal (GTF) ou pela unidade orgânica com competências na gestão do arvoredo municipal.
- 6 -O tipo de corte deve atender à biologia da espécie, nomeadamente à sua sensibilidade e ao período de repouso vegetativo.
- 7 -Deverá sempre optar-se por podas ligeiras, metódicas e criteriosas de acordo com as necessidades individuais da árvore e sua interação com o espaço envolvente, em vez de podas profundas.
- 8 -As podas profundas, designadamente para revitalização da árvore, só serão excecionalmente autorizadas mediante a emissão de parecer por parte do Gabinete Técnico Florestal (GTF) ou sa unidade orgânica com competências na gestão do arvoredo municipal.
- 9 -O diâmetro dos ramos a cortar não deverá por norma exceder os 8 cm, sendo que cortes de maiores dimensões só deverão ocorrer em situações excecionais, devendo apenas ser efetuados em árvores com boa capacidade de compartimentação e evitando árvores com fraca capacidade de compartimentação.
- 10 -Consideram-se designadamente, para os efeitos do número anterior, árvores com boa capacidade de compartimentação os plátanos e os pinheiros mansos, e com fraca capacidade de compartimentação os choupos, as mélias, os castanheiros da índia, as sóforas e os lódãos.
- 11 -Nas técnicas de poda empregues, não devem ser utilizadas esporas ou outro material que danifique a casca do tronco, nem técnicas suscetíveis de provocar danos na árvore.
- 12 -Sempre que tecnicamente adequado, podem ser empregues fungicidas e cicatrizantes nas feridas de poda, caso o corte seja de grande diâmetro (> 8cm), devendo estes serem aplicados de acordo com as indicações do rótulo do produto.
- 13 -Todas as podas devem ser revistas após a rebentação para, ser possível, corrigir e suprimir de início os ramos ladrões e os rebentos que se formaram no tronco, assim como avaliar a reação da árvore às operações efetuadas.
- 14 -A fiscalização e eventual autuação das operações previstas neste artigo, quando não sejam de iniciativa municipal, incumbe ao Gabinete Técnico Florestal (GTF) ou à unidade orgânica com competências na gestão do arvoredo municipal, sempre que necessário.
Artigo 49.º — Das Podas em Geral
Vigente desde: 17/03/2025
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Em vigor desde 17/03/2025