2. Em 97.06.18, foi preenchido o mapa de apuramento modelo DC-22 referente ao exercício de 1993, tendo sido preenchidos os seguintes campos no quadro
20 (APURAMENTO DO RESULTADO PARA EFEITOS FISCAIS):
| A ACRESCER | | SINAL | VALORCORRECÇÕES | VALOREM EUROS |
|---|
| 21 | Correcções nos termos do art.º 57.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas | 223 | + | 12.560.941$00 | 62.653,71 |
| 25 | SOMA | 240 | + | 12.560.941$00 | 62.653,71 |
| 40 | TOTAL DAS CORRECÇÕES | 261 | + | 12.560.941$00 | 62.653,71 |
| 41 | PREJUÍZO FISCAL DECLARADO | 262 | - | 26.255.862$00 | 130.963,69 |
| 42 | PREJUÍZO FISCAL CORRIGIDO | 263 | - | 13.694.921$00 | 68.309,98 |
3. Na mesma data, foi preenchido o mapa de apuramento modelo DC-22 referente ao exercício de 1994, tendo sido preenchidos os seguintes campos no quadro 20 (APURAMENTO DO RESULTADO PARA EFEITOS FISCAIS):
| A ACRESCER | | SINAL | VALOR CORRECÇÕES | VALOR EM EUROS |
|---|
| 14 | Despesas confidenciais e/ou não documentadas [art.º 41.º, n.º 1, alínea h)] | 214 | + | 4.792.792$00 | 23.906,35 |
| 21 | Correcções nos termos do art.º 57.º do CIRC | 223 | + | 8.370.943$00 | 41.754,09 |
| 22 | Custos não devidamente documentados | 230 | + | 6.146.396$00 | 30.658,09 |
| 25 | SOMA | 240 | + | 19.310.131$00 | 96.318,53 |
| 40 | TOTAL DAS CORRECÇÕES | 261 | + | 19.310.131$00 | 96.318,53 |
| 41 | PREJUÍZO FISCAL DECLARADO | 262 | – | 22.967.575$00 | 114.561,78 |
| 42 | PREJUÍZO FISCAL CORRIGIDO | 263 | – | 3.657.444$00 | 18.243,25 |
4. Na mesma data, foi preenchido o mapa de apuramento modelo DC–22 referente ao exercício de 1995, tendo sido preenchidos os seguintes campos no quadro 20 (APURAMENTO DO RESULTADO PARA EFEITOS FISCAIS):
| A ACRESCER | | SINAL | VALOR CORRECÇÕES | VALOR EM EUROS |
|---|
| 14 | Despesas confidenciais e/ou não documentadas [art.º 41.º, n.º 1, alínea h)] | 214 | + | 4.181.509$00 | 20.857,28 |
| 21 | Correcções nos termos do art.º 57.º do CIRC | 223 | + | 18.442.096$00 | 91.988,78 |
| 22 | Custos não devidamente documentados | 230 | + | 6.569.771$00 | 32.769,88 |
| 25 | SOMA | 240 | + | 29.193.376$00 | 145.615,95 |
| A DEDUZIR | | SINAL | VALOR CORRECÇÕES | VALOR EM EUROS |
| 36 | Correcções nos termos do art.º 57.º do CIRC | | + | 4.349.367$00 | 21.694,60 |
| 39 | SOMA | 260 | + | 4.349.367$00 | 21.694,60 |
| 40 | TOTAL DAS CORRECÇÕES | 261 | + | 24.844.000$00 | 123.921,35 |
| 41 | PREJUÍZO FISCAL DECLARADO | 262 | – | 5.654.260$00 | 28.203,33 |
| 42 | PREJUÍZO FISCAL CORRIGIDO | 263 | + | 19.189.740$00 | 95.718,02 |
5. Em 98.07.08, foi preenchido o mapa de apuramento modelo DC–22 referente ao exercício de 1996, tendo sido preenchidos os seguintes campos no quadro 20 (APURAMENTO DO RESULTADO PARA EFEITOS FISCAIS):
| A ACRESCER | | SINAL | VALOR CORRECÇÕES | VALOR EM EUROS |
|---|
| 36 | Artigo 37º | | + | 1.155.207$00 | 5.762,15 |
| 39 | SOMA | 240 | + | 1.155.207$00 | 5.762,15 |
| 40 | TOTAL DAS CORRECÇÕES | 261 | + | 1.155.207$00 | 5.762,15 |
| 41 | LUCRO TRIBUTÁVEL DECLARADO | 262 | + | 26.616.133$00 | 132.760,71 |
| 42 | LUCRO TRIBUTÁVEL CORRIGIDO | 263 | – | 27.771.340$00 | 138.522,86 |
E no quadro 22 (FUNDAMENTAÇÃO DAS CORRECÇÕES EFECTUADAS) o seguinte:
«Foi acrescida a importância de 1.155.207$00, relativa aos créditos considerados incobráveis (conforme documentos anexados) e contabilizados como custo do exercício, uma vez que não são custos fiscais, nos termos do artigo 37.º, porque, embora decorrentes da actividade normal, não se encontravam cobertos por provisões».
6. Foram posteriormente efectuadas as liquidações de IRC do exercício de 1996 e de IRS, cfr. quadro infra:
NúmeroImpostoPeríodoValor (Esc.)Data Limite Pag. 8310016316IRC199612.427.771$0098.12.07 6410000260IRS e Juros19931.508.401$0098.04.08 6410000261IRS e Juros19942.088.086$0098.04.08 6410000262IRS e Juros19951.611.551$0098.04.08 6410000263IRS e Juros1996735.250$0098.04.08
7. A presente impugnação deu entrada no Serviço de Finanças de Montemor-o-Velho em 99.03.02 e a impugnação em apenso deu entrada no mesmo Serviço de Finanças em 98.07.07.
8. Os juros de mora, debitados pela “B...” e pela “C...” à Impugnante em 1993, 1994 e 1995, e que esta contabilizou como custos, também foram considerados proveitos por aquelas empresas;
9. Nas condições gerais de venda propostas pela “B…” no verso das suas facturas consta que «Pour tout règlement effectué au-delà du délai contractuel, seront exigibles outre le principal, les frais décomptés par les banques (frais fixes, proportionnels, taxes), une participation fofaitaire de 200 francs, par effet impayé en couverture dês frais administratifs occasionnés à l‘entreprise par le traitement de l‘impayé, les intéréts de retard pour la période s` écoulant entre l‘échéance initiale et la date effective de règlement. Ceux-ci sont dus de plein droit et sans même une mise en demeure formelle préalable sur la base de 1,5% par mois.»
10. As comissões debitadas por França (casa mãe), referentes ao exercício de 1994, de valor de 1.170.340$00 respeitam a um comissionista de nome “D...”.
11. Em 98.11.02, a Impugnante oficiou à Direcção Distrital de Finanças de Coimbra, solicitando a confirmação TVA, da empresa E..., com sede em ..., Rue ..., Saint Maio du Bois France, TVA — Fr — 79 384 762
712, tendo os Serviços de Administração do IVA da D.G.C.I. confirmado em 3 do mesmo mês que o n.° de registo é válido e coincidente quanto ao nome e morada;
12. A Impugnante pagou a “F... “, a título de comissões,
645.016$ em 1993, 866.014$ em 1994 e 1.141.404$ em 1995;
13. Os Sr.s G..., H..., I..., J..., L..., M..., N..., e as Sras. O... e P..., residem em França;
III – Vem o presente recurso interposto da sentença recorrida na parte em que esta julgou improcedente a impugnação judicial deduzida contra a liquidação de IRC do ano de 1996 quanto à alegada não aceitação como custo fiscal da quantia de 1.155.207$00, referente a créditos incobráveis.
Conforme consta expressamente do probatório da sentença recorrida, em consequência de exame à escrita da impugnante, relativamente ao exercício de 1996, a AT procedeu à correcção dos resultados declarados para efeitos de IRC, tendo acrescido a estes a importância de 1.155.207$00, relativa a créditos considerados incobráveis e contabilizados como custo do exercício, porque embora decorrentes da actividade normal não se encontravam cobertos por provisões e, por isso, não podiam ser considerados custos fiscais, nos termos do artigo 37.º CIRC.
Entendeu o Mmo. Juiz “a quo” que analisada a petição inicial em nenhum momento se invoca a ilegalidade desta correcção sendo que é sobre as partes que recai o ónus de formular as suas pretensões de forma clara e inequívoca, identificando a parte do acto impugnada e apontando-lhe o vício de que padece, e o tribunal só pode conhecer dos vícios que estejam concreta e devidamente alegados.
Não tem, porém, razão o Mmo. Juiz “a quo” porquanto, como ele próprio reconhece em despacho que proferiu sobre pedido de esclarecimento da sentença recorrida formulado a esse respeito pela impugnante, o artigo 21.º da petição inicial reporta-se, de facto, à alegada não aceitação como custo de créditos incobráveis, no valor de 1.155.207$00, não aceites fiscalmente em 1996, por não ter sido feita anteriormente a provisão, não só na sua epígrafe como nos seus § 2.º e 3.º.
É, com efeito, nestes parágrafos que a impugnante alega concretamente a ilegalidade da correcção efectuada, consubstanciada no facto de o entendimento da AT, neste caso, se afastar da doutrina expressa pela própria AT em ofícios e circulares.
Sendo que o § 5.º do mesmo artigo mais não é do que a conclusão do alegado nos parágrafos anteriores.
Embora admitindo que a redacção deste último parágrafo não fosse a mais feliz e se prestasse até a alguma confusão literal, a perfilar-se aqui alguma obscuridade ou ambiguidade, tal situação nunca imporia a sua rejeição liminar, antes obrigaria ao convite ao seu aperfeiçoamento.
Na verdade, se é sobre as partes que recai o ónus de formular na petição inicial as suas pretensões de forma clara e inequívoca, identificando o acto impugnado e a entidade que o praticou, e expondo os factos e as razões de direito que fundamentam o pedido (artigo 108.º, n.º 1 CPPT), como bem refere o Mmo. Juiz “a quo”, convém também não esquecer que, nos termos do n.º 2 do artigo 110.º CPPT, o juiz pode sempre convidar o impugnante a suprir qualquer deficiência ou irregularidade.
Por outro lado, não colhe também o argumento de que a impugnante não alega a origem dos créditos ou a sua incobrabilidade, uma vez que nada disso foi posto em causa pela AT, a qual se limitou a não aceitar os referidos créditos como custos fiscais, nos termos do artigo 37.º CIRC, porque, embora decorrentes da actividade normal, não se encontravam cobertos por provisões (v. teor do relatório dos serviços de fiscalização transcrito no probatório da sentença recorrida).
Sendo que é a necessidade e a imprescindibilidade da constituição de provisões para cobertura de tais créditos para que estes possam ser considerados como custos fiscais que a impugnante contesta, alegando que isso contraria a posição da própria AT manifestada já em diversos ofícios e circulares.
Aliás, foi dessa forma que a questão foi equacionada na sentença recorrida, só dela não tendo conhecido o Mmo. Juiz “a quo” por entender, como vimos, que em nenhum momento a impugnante invocara a ilegalidade da correcção a que a AT procedera, antes concentrando os fundamentos da impugnação nas correcções aos exercícios anteriores.
Assim, tendo a impugnante, de forma minimamente perceptível, alegado os factos e invocado as razões por que não se conforma com a correcção operada pela AT relativamente ao exercício de 1996 quanto à verba contabilizada como custo fiscal referente a créditos incobráveis, não poderia o Mmo. Juiz “a quo” ter deixado de conhecer de tal questão, com os fundamentos citados.
IV – Termos em que, face ao exposto, acordam os Juízes da Secção de Contencioso Tributário do STA em conceder provimento ao recurso, revogando a sentença recorrida no segmento em que não conheceu da ilegalidade da correcção efectuada pela AT ao não aceitar como custo do exercício de 1996, para efeitos de IRC, o valor contabilizado como créditos incobráveis, por estes não se encontrarem cobertos por provisões, e, em consequência, ordenar a baixa dos autos à 1.ª instância para que o Mmo. Juiz “a quo” conheça dessa questão.
Sem custas.
Lisboa, 23 de Janeiro de 2008. – António Calhau (relator) – Brandão de Pinho – Pimenta do Vale.