Autorização para a realização de despesa com a aquisição de serviços, no âmbito da Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030
Fica o conselho diretivo do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, I. P. (IFAP, I. P.), autorizado a realizar a despesa com a aquisição de serviços, no âmbito da Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030, até ao montante máximo global de (euro) 4 860 000 (quatro milhões, oitocentos e sessenta mil euros), acrescido do IVA à taxa legal em vigor, de acordo com o programa de execução que consta do anexo à presente portaria e que dela faz parte integrante.
Os encargos orçamentais decorrentes da aquisição de serviços referidos no artigo anterior são repartidos da seguinte forma, e não podem, em cada ano económico, exceder os seguintes montantes (todos os valores infra são acrescidos do IVA à taxa legal em vigor):
A importância fixada para cada ano económico pode ser acrescida do saldo apurado no ano que lhe antecedeu.
Os encargos financeiros resultantes da execução da presente portaria são satisfeitos por conta das verbas inscritas e a inscrever no orçamento do IFAP, I. P., provenientes do investimento RE-C05-i03, da componente C5, «Capitalização e inovação empresarial», do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O procedimento pré-contratual a adotar é concurso limitado por prévia qualificação com publicação de anúncio no Jornal Oficial da União Europeia.
A competência para a prática de todos os atos a realizar no âmbito do procedimento de aquisição dos serviços identificados no artigo 1.º da presente portaria fica delegada no conselho diretivo do IFAP, I. P., com a faculdade de subdelegação.
A presente portaria produz efeitos a partir da data da sua assinatura.
29 de dezembro de 2021. - A Ministra da Agricultura, Maria do Céu de Oliveira Antunes.
ANEXO
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da área governativa da agricultura, na sua componente 5 - Investigação e inovação - e na reforma «Agenda de investigação e inovação para a sustentabilidade da agricultura, alimentação e agroindústria», consagra um programa de transformação digital suportado por cinco projetos estruturantes e um polo de inovação digital (cloud), materializado nas seguintes metas:
O programa de transformação digital do Ministério da Agricultura integra assim um total de seis projetos subdivididos em vários subprojetos, a saber:
A) Plano de Ação para a Transformação Digital (projeto estruturante n.º 1/transição digital) - levantamento da maturidade digital dos organismos do Ministério da Agricultura, avaliação de sistemas e planeamento das ações a desenvolver para a transformação digital do Ministério:
B) Data Lake & Analytics (projeto estruturante n.º 2/transição digital) - constituição de um repositório de dados de negócio do setor agrícola, de apoio ao agricultor para consulta na sua área reservada, e para apoio ao MA para conhecimento do estado da agricultura em Portugal com apoio de ferramentas de Business intelligence (BI):
C) Portal Único (projeto estruturante n.º 3/transição digital) - iniciado em março de 2020, composto pela construção de um portal único para o setor da agricultura, centralizado no agricultor, onde este poderá aceder a toda a informação que a Administração tem sobre si no setor agrícola numa área reservada específica para o efeito, acesso a serviços online orientados à sua atividade, e a conteúdos e avisos de apoio à sua atividade, independentemente da fonte da informação:
D) Reorganiza (projeto estruturante n.º 4/transição digital) - aferição da adequabilidade e eficácia da organização atual do MA, e das várias entidades que o compõem, no que concerne às suas estruturas, modelo de governo e competências para dar resposta aos desafios atuais e futuros na resposta às diferentes solicitações ao longo da cadeia de valor da produção agrícola nacional e em alinhamento com a estratégia e programa de transformação a ser implementados:
E) Fraude & Fiscalização (projeto estruturante n.º 5/transição digital) - implementação de ferramentas de gestão de risco para a deteção de potenciais situações de fraude no acesso às ajudas e da reengenharia dos processos de controlo atualmente existentes, para uma maior eficácia e eficiência:
F) Cloud (projeto referente ao polo de inovação digital/transição climática) - implementação de uma solução de Cloud pública para os organismos do MA, promovendo a segurança de sistemas e de cibersegurança, com recursos às melhores práticas, com o fim de migração das aplicações do Ministério e respetivas bases de dados para uma infraestrutura robusta:
O programa de transformação digital do Ministério da Agricultura procurará: i) acelerar a transição digital e a transição climática do Ministério, fazendo evoluir o seu modelo operativo, modernizando tecnologicamente sistemas e processos, contribuindo para a melhoria da experiência dos utilizadores internos e externos e diminuindo a pegada carbónica; ii) atuar sobre a cultura interna do Ministério da Agricultura no sentido de atingir um desempenho organizacional de excelência, e iii) aumentar a relevância dos diferentes serviços do Ministério da Agricultura junto de todos os seus públicos-alvo.
Esta solução inovadora será concretizada pela junção dos três primeiros projetos (A, B, C) que definem Plataforma Tecnológica do Ministério da Agricultura e os três últimos (D, E e F) que complementam o programa de transformação digital e visam reforçar as capacidades de cibersegurança dos diferentes organismos do Ministério da Agricultura, assim como assegurar a migração para a cloud das aplicações prioritárias e apoiar a transformação organizacional pela implementação de um programa de gestão de mudança e de uma fábrica de processos.
A sua concretização será realizada através de duas fases:
A 1.ª fase, através do presente procedimento, na aquisição de serviços divididos em dois lotes: O lote 1 para a identificação e definição da Plataforma Tecnológica e projetos associados de segurança e Cloud, com uma duração estimada de 74 semanas e valor de 3 150 000 (euro) (sem IVA), e o lote 2 de PMO para acompanhamento dos diversos projetos, até ao fim do 3.º trimestre de 2025, com a duração de 160 semanas e valor de 1 645 000 (euro) (sem IVA).
A 2.ª fase, para o desenvolvimento e implementação da solução de plataforma tecnológica que vier a ser desenhada, será realizada em procedimento posterior.
Nesta 1.ª fase pretende-se, com os serviços do lote 1, analisar e desenhar uma solução tecnológica integrada, sob a forma de uma plataforma tecnológica para dar resposta a necessidades diversas de operação, a partir de um vasto conjunto de dados não agregados e não estruturados assim como de múltiplos processos de trabalho e de gestão de informação nos diversos organismos do Ministério da Agricultura. Estes serviços englobam alguns subprojetos do programa de transformação digital, que devem ser vistos de forma integrada, e cujos entregáveis a obter são os seguintes:
A - Plano de Ação para a Transformação Digital (projeto estruturante n.º 1/transição digital):
Relatório de definição da Visão 360º do Agricultor, incluindo a estruturação de Arquétipos/Personas e a jornada futura do Agricultor;
Lista de oportunidades acionáveis para a criação/melhoria de novos produtos e serviços alinhados às necessidades do Agricultor na sua relação com o Ministério da Agricultura;
Lista de oportunidades acionáveis para segmentação e personalização da comunicação entre os Agricultores e o Ministério da Agricultura, os seus vários formatos e canais pelas quais são veiculadas;
Relatório de definição de alto nível das oportunidades identificadas na Visão 360º do Agricultor do ponto de vista funcional tecnológico e de dados;
Relatório de maturidade digital segundo o modelo utilizado, instanciado e aplicado às entidades do Ministério com o seu nível de maturidade e ambição;
Relatório com a descrição do estado de situação atual da maturidade de cibersegurança em todos os organismos do Ministério da Agricultura, contendo:
Lista de ativos e serviços críticos;
Lista de riscos que afetam os ativos críticos e as capacidades existentes;
Lista de stakeholders críticos;
Lista das inconformidades registadas e não alinhadas com as melhores práticas de segurança (de acordo com o Quadro Nacional de Referência para a Cibersegurança - QNRCS);
Identificação das capacidades mínimas de cibersegurança em falta;
Documento de definição da Estratégia para a Transformação Digital e respetivos atributos e pilares estratégicos;
Relatório de potenciais iniciativas de transformação digital nas três vertentes de análise (foco relacional; foco operacional; foco habilitacional);
Relatório de portfólio de iniciativas priorizadas, de acordo com os critérios de priorização definidos e identificação das capacidades chave necessárias para apoiar a implementação;
Roadmap de implementação de alto nível até final de 2025;
Caderno de requisitos detalhado com as especificações aplicacionais a incluir na 2.ª fase para desenvolvimento dos subprojetos «Sistema de controlo de fraudes» e «Sistema de fiscalização»;
Documento com as métricas de custeio que permita obter o preço base para o documento referido anteriormente;
B - Data Lake & Analytics (projeto estruturante n.º 2/transição digital):
Documento de assessment às fontes de informação e dados existentes e análise de gaps;
Roadmap de atividades para integração da informação no repositório central de informação;
Documento com definição do Modelo de Governo de Dados (MGD);
Documento com descrição de políticas e normas de dados;
Desenho de processos de governo de dados e respetivos KPI de controlo e monitorização;
Benchmark de ferramentas mais adequadas ao Ministério da Agricultura para gestão de informação;
Documento que materializa a definição de perfis, responsabilidades, políticas e procedimentos de acesso a dados;
Documento com catalogação e classificação de informação de acordo com o seu grau de sensibilidade e correspondência com personas/hierarquias de acesso;
Documento com a definição dos processos de monitorização e auditoria;
Caderno de requisitos detalhados com as especificações aplicacionais a incluir na 2.ª fase relativo aos subprojetos «Data Lake», «Modelo analítico de suporte ao negócio», «Quadro de Desempenho - Dashboard estratégico» e «STATSTAT»;
Documento com as métricas de custeio que permita obter o preço base para o documento referido anteriormente;
C -Reorganiza (projeto estruturante n.º 4/transição digital):
Modelo organizativo atual - mapeamento e análise de organograma, matriz RACI, dimensionamento (FTE), split de atividades e respetiva alocação - caracterização de desafios e oportunidades (exemplo: redundâncias funcionais);
Modelo de governo atual - mapeamento e análise de delegações de competências, stakeholders e fóruns de decisão, mecanismos de controlo e aprovação - caracterização de desafios e oportunidades (exemplo: iniciativas de eficiência e agilização da decisão);
Mapa de competências atuais e necessidades atuais e futuras - mapeamento e análise de famílias funcionais, roles e responsabilidades atuais, competências, gaps de competências, matriz de impacto;
Benchmark de casos de referência e análise organizacional com funções e/ou âmbito semelhante;
Plano de ação para a implementação do novo modelo organizativo e de governo - caracterização de iniciativas a implementar nas componentes âmbito e calendário da transformação;
Estrutura de governança de cibersegurança;
Lista de iniciativas e das capacidades de segurança a desenvolver;
Roadmap para a implementação das capacidades de cibersegurança;
Caderno de requisitos detalhado com as especificações aplicacionais a incluir na 2.ª fase para desenvolvimento dos subprojetos «Plano de ação para a digitalização e automação de processos», «Fábrica de processos - set up», «Fábrica de processos - implementação de processos prioritários», «Programa de gestão da mudança», «Desenvolvimento do programa de formação para a gestão da mudança - capacitação do capital humano», «Programa de comunicação para a gestão da mudança» e «Conceptualização e criação das peças de comunicação para a gestão da mudança», considerando as especificações do capítulo ii do anexo iv do presente caderno de encargos;
Documento com as métricas de custeio que permita obter o preço base para o documento referido anteriormente;
D - Cloud (projeto referente ao polo de inovação digital/transição climática);
Relatório de Visão e Estratégia que inclui:
Visão alto nível da futura Cloud e princípios orientadores;
Estratégia de migração e princípios de transformação para as vertentes infraestrutura, aplicações, organização e modelo operativo;
Business Case;
Dossier do portfólio de aplicações com:
Relatório do modelo para aplicações na futura Cloud, incluindo as opções avaliadas, análise comparativa e racional da decisão;
Plano de migração detalhado das aplicações para a futura Cloud;
Apuramento de custos, investimentos e benefícios;
Dossier da organização, operação e pessoas de IT com:
Modelo organizacional e operativo para a futura Cloud, incluindo as opções debatidas e os racionais de decisão considerados;
Plano detalhado de evolução do modelo organizativo e modelo operativo incluindo as opções debatidas, os racionais de decisão, o impacto de evolução no quadro humano e ações de capacitação e comunicação;
Apuramento de custos, investimentos e benefícios;
Caderno de requisitos detalhado com as especificações aplicacionais a incluir na 2.ª fase para desenvolvimento dos subprojetos «Definição da arquitetura cloud, landing zone e plano de migração», «Set up da arquitetura cloud e da landing zone - set up», «Apoio à transformação da cibersegurança», «Infraestrutura Cloud» e «Migração Cloud»;
Documento com as métricas de custeio que permita obter o preço base para o documento referido anteriormente.
Com os serviços do lote 2, pretende-se fazer o acompanhamento estratégico e melhoria contínua para a transformação digital do Ministério da Agricultura, isto é, o PMO - Project Management Office. O PMO é fundamental para alinhar todos os stakeholders internos e externos do Ministério da Agricultura e garantir a concretização dos milestones e metas do programa de transformação digital do Ministério da Agricultura. Face ao número de intervenientes abrangidos pelo Plano de Transformação Digital do Ministério da Agricultura bem como à complexidade dos serviços a prestar pelos diversos serviços que irão surgir para a definição e implementação desse mesmo Plano, pretende-se contratar os serviços de uma equipa que apoie o IFAP e coordene as tarefas que conduzam à melhor estratégia de acompanhamento dos diversos projetos que, até ao fim do 3.º trimestre de 2025, irão surgir no âmbito do PRR. Os serviços a prestar abrangem dois dos subprojetos do A - Plano de Ação para a Transformação Digital (projeto estruturante n.º 1/transição digital):
314863633