019633 - Supremo Tribunal Administrativo
Supremo Tribunal AdministrativoSTA
Relator: Correia de Lima
Processo: 019633
Acórdão
Descritores: Processo disciplinar, Prescrição do procedimento disciplinar, Conhecimento da falta, Inquerito, Contagem de prazo, Acusação vaga e generica, Qualificação de infracção, Aposentação compulsiva, Inactividade, Erro nos pressupostos de direito, Prestação de contas, Professor do ensino basico
Recorrente: Caetano , Julia
Recorridos: Sea do Mine
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Recurso jurisdicional
Objeto: DESP SEA DO MINE DE 1983/08/17.
Nr Convencional: JSTA00031336
Nr Documento: SA119900621019633
Data de Entrada: 04/10/1983
Áreas Temáticas: DIR ADM GER - FUNÇÃO DISCIPLINAR. DIR ADM CONT - ACTO.
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/bcb97501433f4289802568fc0037ebb1
Sumário
I - Para efeitos do n. 2 do art, 4 do E.D. aprovado pelo D.L.191-D/79, de 25/6, o conhecimento da falta ou infracção pressupõe uma determinação provavel das faltas, seus condicionalismos ou circunstancias em que ocorreram, de sorte,que a partir dai, se possa fazer a sua imputação a certo funcionario ou agente e presumir o seu caracter de ilicito disciplinar. II - Se, para obter esse conhecimento, for necessario instaurar inquerito, o prazo de prescrição de tres meses (n.2 do art.4 do E.D.) conta-se a partir da data em que os respectivos resultados foram transmitidos aos superiores hierarquicos. III - Imputada certa infracção a uma professora do ensino basico, por incumprimento "atempado" da prestação de contas relativa a certa quantia recebida da Directora da Escola e para lhe dar certa utilização nesse ano lectivo, para o que fora instada por aquela no dia 7 de Julho desse ano escolar, essa expressão constante da acusação não envolve a nulidade do art. 40 n. 1 do E.D., por ser do conhecimento geral das professoras qual e esse tempo devido - ate ao fim do ano escolar - e, por outro, a arguida na sua defesa, revelou conhecer qual era esse tempo em que devia prestar contas, se acaso tivesse recebido dinheiro,facto que não aceitou ter ocorrido. IV - Tendo o despacho punitivo considerado que uma infracção era punivel nos termos do art. 25 do E.D - aposentação compulsiva - quando o seu correcto enquadramento juridico e o do art. 24 n. 1 do E.D - pena de inactividade - impõe-se a anulação desse despacho por erro de direito nos pressupostos e violação do art. 25 do E.D, não obstante a pena concreta aplicada ter sido a de inactividade graduada em um ano "para se conceder a arguida mais uma oportunidade de repensar a sua futura acção".