9310091 - Tribunal da Relação do Porto
Tribunal da Relação do PortoTRP
Relator: Ramiro de Almeida Valente Correia
Processo: 9310091
Acórdão
Descritores: Infracção aduaneira, Contrabando, Receptação, Pessoa colectiva, Responsabilidade pessoal, Multa, Atenuação especial da pena, Isenção da pena
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Recurso, Penal
Nr Convencional: JTRP00008414
Nr Documento: RP199304149310091
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/56a6e7121657f91e80257cda00381fdf/d918f4bae36359498025686b0066635a
Sumário
I - Incorrem no crime da previsão do artigo 32, nº 1 do Regime Jurídico das Infracções Fiscais Aduaneiras ( R. J. I. F. A. ), aprovado pelo Decreto-Lei nº 376-A/89, de 25 de Outubro, o arguido A que, agindo em nome, representação e no interesse da sociedade B, adquiriu por compra à arguida C casacos de couro no valor de 800 contos, que essa sociedade destinava à venda, e que a arguida C, com o conhecimento do arguido A, havia adquirido no estrangeiro e introduzido em Portugal sem os declarar na alfândega e sem pagar os respectivos direitos aduaneiros. II - Aquela sociedade é também responsável pela citada infracção face ao disposto no artigo 7, nº 1 do Regime Jurídico das Infracções Fiscais Aduaneiras. III - A entrega da mercadoria objecto da infracção à autoridade competente só relevará para o efeito da livre atenuação ou isenção da pena ( artigo 32 nº 4 do Regime Jurídico das Infracções Fiscais Aduaneiras ) se traduzir um acto voluntário da iniciativa do arguido, o que não acontece se tiver sido apreendida. IV - A multa a que se refere o artigo 12, nº 3 do Regime Jurídico das Infracções Fiscais Aduaneiras, na redacção que lhe foi dada pelo artigo 1 do Decreto-Lei nº 255/90, de 7 de Agosto, só poderá ser fixada no " dobro " do valor da mercadoria, caso esse " dobro " não exceda a cifra que resultar do maior número de dias de multa previsto na respectiva moldura abstracta e à máxima taxa diária.