0225551 - Tribunal da Relação do Porto
Tribunal da Relação do PortoTRP
Relator: Fonseca
Processo: 0225551
Acórdão
Descritores: Indicios suficientes, Despacho de pronuncia, Burla, Falsificação de cunho, Dolo especifico, Contrabando de circulação, Aplicação da lei no tempo, Regime concretamente mais favoravel
Decisão: Negado provimento
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Recurso, Penal
Nr Convencional: JTRP00000455
Nr Documento: RP199102200225551
Juízes: Fonseca Guimarães
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/56a6e7121657f91e80257cda00381fdf/9e884ee110a1277c8025686b00661d3d
Sumário
1. Indicios suficientes para pronunciar o agente de um crime são os elementos de prova que, relacionados e conjugados, persuadem da culpabilidade daquele, fazendo nascer a convicção de que vira a ser condenado. 2. Não se justifica a pronuncia de um arguido pelo crime de burla se nos autos faltarem elementos que permitam concluir que os ofendidos foram determinados por aquele, ou por outrem a seu mando, a adquirir objectos de ourivesaria fabricados pelo mesmo, marcados com punções falsos, o que era necessario para o preenchimento daquele tipo legal de crime. 3. Pronunciado o arguido pela pratica de um crime de falsificação previsto no artigo 228 n. 1 do Codigo Penal, havera que fazer constar do despacho de pronuncia a intenção daquele de causar prejuizo a outrem ou ao Estado, ou de alcançar para si ou para terceiro um beneficio ilegitimo, intenção essa que consubstancia o "dolo especifico", cuja materia constava da acusação. 4. Constando da acusação ter o arguido praticado o crime de contrabando de circulação p. e p. pelos artigos 36 n. 5 e 37 ~ 5 do Contencioso Aduaneiro ( Dec. Lei n. 31664, de 22/11/41 ), e referindo-se no despacho de pronuncia que esse crime e p. e p. pelo artigo 9 ns. 1 e 2 alinea a), 4, 5 e 6 do Dec. Lei n. 187/83, de 13 de Maio, e estando em vigor as datas da querela e de pronuncia o Dec. Lei n. 376-A/89, de 25 de Outubro, que no seu artigo 3 revogou aqueles diplomas e o Dec. Lei n. 424/86, de 27 de Dezembro, havera que ponderar, de acordo com o disposto no artigo 2 n. 4 do Codigo Penal, qual o regime que concretamente se mostra mais favoravel ao arguido no tocante a punição dessa infracção.