022655 - Supremo Tribunal Administrativo
Supremo Tribunal AdministrativoSTA
Relator: Antonio Samagaio
Processo: 022655
Acórdão
Descritores: Reforma agraria, Interpretação do acto administrativo, Acto aparente, Entrega de reserva, Acto juridicamente inexistente, Conhecimento oficioso, Declaração de inexistencia pela administração, Recurso contencioso, Perda de objecto, Prosseguimento do recurso, Revogação de acto preparatorio, Substituição do objecto do recurso
Recorrente: Ucp Agricola Aguiar e Outros
Recorridos: Minagr
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Recurso contencioso
Objeto: DESP MINAGR DE 1985/03/06.
Nr Convencional: JSTA00021357
Nr Documento: SA119880419022655
Data de Entrada: 24/05/1985
Áreas Temáticas: DIR ADM ECON - REFORMA AGRARIA. DIR ADM CONT - ACTO.; DIR PROC CIV.
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jsta.nsf/35fbbbf22e1bb1e680256f8e003ea931/1a6a73a8348151d4802568fc00376420
Sumário
I - Na interpretação do acto administrativo deve atender-se ao seu tipo legal, aos termos atraves dos quais se expressa o seu autor e as circunstancias em que foi proferido. II - Os serviços do Ministerio da Agricultura ao entregarem as reservas tal como se estivessem a executar um verdadeiro acto administrativo definitivo e executorio, com base num acto meramente preparatorio por nele se ordenar que se procedesse a novo calculo das pontuações e das areas daquelas, criaram a aparencia juridica do acto administrativo produzindo efeitos lesivos na esfera juridica dos administrados (recorrentes). III - A aparencia juridica de acto conduz não a rejeição do recurso mas antes a declaração da inexistencia juridica do acto aparente, de conhecimento oficioso. IV - A autoridade recorrida ao reconhecer, na fase da sustentação do acto recorrido, que este não era definitivo e executorio, antes constituindo a aparencia de um acto mas com base no qual os seus serviços procederam a entrega de reservas, como se de um verdadeiro acto se tratasse, e ao ordenar, em face disso, o prosseguimento da instrução do processo gracioso para no termo desta, proferir decisão final atributiva das reservas, irradicou da ordem juridica a aparencia de tal acto. V - Em consequencia da pratica do acto referido em IV o recurso perdeu o objecto o que leva a sua extinção. VI - O recurso não pode prosseguir, nos termos do n. 2 do art. 51 do Dec.-Lei n. 267/85, de 15 de Julho (LPTA) tendo por objecto o despacho final atributivo das reservas porquanto este ultimo não revogou, como ali se exige, o acto objecto inicial do mesmo.