0240489 - Tribunal da Relação do Porto
Tribunal da Relação do PortoTRP
Relator: Agostinho Freitas
Processo: 0240489
Acórdão
Descritores: Cheque sem provisão, Elemento subjectivo, Decisão absolutória, Pedido cível, Improcedência, Responsabilidade extra contratual, Culpa, Cheque post-datado
Decisão: Provido. Revogada parcialmente
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Recurso, Penal
Nr Convencional: JTRP00034839
Nr Documento: RP200209250240489
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/56a6e7121657f91e80257cda00381fdf/c89aa1013d26eea080256c7d002a6ce6
Sumário
Absolvido o arguido do crime de emissão de cheque sem provisão de que vinha acusado, por não se ter provado o elemento subjectivo do crime, impõe-se a improcedência do pedido cível conexo com o crime, por, fundando-se o pedido em responsabilidade extracontratual, faltar um dos pressupostos da obrigação de indemnizar, ou seja a culpa. O facto de não se ter provado que os cheques tenham sido entregues ao ofendido nas datas neles apostas (o que beneficiaria o arguido pela alteração legislativa que consagrou a descriminalização dos cheques pré-datados), não se repercute na responsabilidade civil do emitente dos cheques, porque a absolvição do arguido não resulta da aplicação "a posteriori" da lei nova mais favorável, mas "ab initio" por não se ter provado o elemento subjectivo do crime.