96P650 - Supremo Tribunal de Justiça
Supremo Tribunal de JustiçaSTJ
Relator: Lucio Teixeira
Processo: 96P650
Acórdão
Descritores: Absolvição, Inutilidade superveniente do recurso, Interesse em agir, Apensação de processos, Desobediência, Elementos da infracção, Tribunal colectivo, Competência, Pena, Tribunal singular, Audiência de julgamento, Constitucionalidade, Embargo de obra nova, Arbitramento, Responsabilidade criminal, Dono da obra, Trabalhador, Continuação da obra, Gravação da prova
Votação: Unanimidade
Meio Processual: Recurso, Penal
Nr Convencional: JSTJ00033627
Nr Documento: SJ199612190006503
Fontes: DGSI: https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/d6afb87e11a9e4a8802568fc003b8862
Sumário
I - A absolvição de decisão final da qual não há recurso tira interesse em agir nos recursos interlocutórios, interpostos pelos arguidos. II - Não há lugar à apensação de processos, quando num só falta a leitura do acórdão e no outro vai começar o julgamento. III - Os elementos do crime de desobediência são a ordem ou mandado legítimos, a sua comunicação regular, a emanação de autoridade ou funcionário competentes e a falta à obediência devida e a intenção de desobedecer. IV - O artigo 15 do CPP reporta-se à "pena a aplicar no processo" e não à pena pelos crimes nele abrangidos. V - O artigo 364 do CPP apenas tem aplicação nas audiências perante o tribunal singular. VI - O artigo 364 do CPP não atenta contra o princípio constitucional do artigo 32 n. 1 da CRP. VII - O crime de desobediência a embargo de obra nova não está condicionado à sua verificação por arbitramento. VIII - O não acatamento de uma decisão judicial cível não integra, em regra, o crime de desobediência previsto no artigo 388 n. 1 do CP de 1982 (e actualmente no n. 1 do artigo 348 do CP de 1995). IX - E este entendimento só sofria desvio, quando a lei expressamente estabelecesse essa previsão criminal. X - Mas ainda aqui há que nos conter nos limites da norma excepcional que apenas prevê a responsabilidade criminal. XI - Assim, não cometem o crime de desobediência os arguidos que não são donos da obra embargada, mas apenas trabalhadores ao serviço daqueles, continuando a obra embargada.