Aprova o Programa de Acção para Várias Zonas Vulneráveis de Portugal Continental
Objecto
É aprovado o Programa de Acção para as Zonas Vulneráveis n.º 1, constituída pelas áreas de protecção da formação sedimentar entre Esposende e Vila do Conde e do troço inferior do rio Cávado, n.º 2, constituída pela área de protecção do sistema aquífero quaternário de Aveiro, n.º 3, constituída pela área de protecção dos aquíferos Almansil-Medronhal, Campina de Faro, Chão de Cevada-Quinta João de Ourém e São João da Venda-Quelfes, n.º 4, constituída pela área de protecção do sistema aquífero quaternário de Aveiro, n.º 5, constituída pela área de protecção dos sistemas aquíferos Aluviões do Tejo/Sado - margem esquerda e das águas das albufeiras de Magos e Patudos, n.º 6, constituída pela área de protecção do sistema aquífero Gabros de Beja, n.º 7, constituída pela área de protecção do sistema aquífero Elvas-Vila Boim, e n.º 8, constituída pela área de protecção do sistema aquífero Luz-Tavira, em anexo ao presente diploma e que dele faz parte integrante.
Revogação
São revogadas as Portarias n.os 556/2003, de 12 de Julho, 557/2003, de 14 de Julho, 591/2003, de 18 de Julho, e 617/2003, de 22 de Julho.
Entrada em vigor
A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
O Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Rui Pedro de Sousa Barreiro, em 25 de Janeiro de 2010.
ANEXO
Programa de Acção para as Zonas Vulneráveis de Portugal Continental
Objectivo
O presente Programa de Acção tem como objectivo reduzir a poluição das águas causada ou induzida por nitratos de origem agrícola, bem como impedir a propagação desta poluição nas zonas vulneráveis n.º 1 (Esposende-Vila do Conde), n.º 2 (Aveiro), n.º 3 (Faro), n.º 4 (Mira), n.º 5 (Tejo), n.º 6 (Beja), n.º 7 (Elvas-Vila Boim) e n.º 8 (Luz-Tavira).
Definições
Para efeitos do presente diploma entende-se por:
V = n x up x vd
em que:
n = maior número de dias que medeia entre duas aplicações sucessivas, registado no plano de fertilização;
up = unidades de animais por espécie pecuária conforme definido no anexo n.º 2 do CBPA;
vd = volume ou peso diário de chorume e ou estrume por espécie, cujos valores de referência constam da tabela do anexo n.º 2 do CBPA;
Época de aplicação
Aplicação de fertilizantes em solos inundados ou inundáveis
Práticas agrícolas em terrenos declivosos
Aplicação de fertilizantes em terrenos adjacentes a cursos de água, a captações de água e albufeiras
Na aplicação de fertilizantes devem ser respeitadas as seguintes distâncias mínimas de segurança:
Plano e balanço de fertilização
Quantidade máxima de azoto a aplicar às culturas
Armazenamento e deposição de efluentes pecuários
Licenciamento da aplicação de efluentes pecuários
A aplicação de efluentes pecuários no solo não carece de título de utilização, desde que esteja assegurado o cumprimento das normas técnicas aplicáveis à valorização agrícola de efluentes, no âmbito do processo de licenciamento das explorações pecuárias, de acordo com o Decreto-Lei n.º 214/2008, de 10 de Novembro, regulamentado pela Portaria n.º 631/2009, de 9 de Junho.
Gestão da rega
Controlo dos nitratos
Sanções
Em caso de incumprimento das medidas contidas nos artigos 3.º, 4.º, 5.º, 6.º, 7.º, 8.º, 9.º, 10.º e 11.º do presente Programa anexo à portaria, conforme o previsto no anexo iv do Decreto-Lei n.º 235/97, de 3 de Setembro, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 68/99, de 11 de Março, aplica-se o regime sancionatório referido no artigo 10.º do mesmo decreto-lei.
Disposições finais
ANEXO I
Características das zonas vulneráveis
Zona vulnerável n.º 1 (Esposende-Vila do Conde)
Área - superfície total de 205,72 km2.
Concelhos - integra todo o concelho de Esposende e parte dos concelhos de Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Barcelos.
Declives - integra-se na zona litoral da região de Entre Douro e Minho, caracterizada por um relevo predominantemente plano a suave (70 %), variando a restante área de moderado a acentuado.
Sistemas agrícolas predominantes - parcelas de pequena dimensão orientadas para a produção de hortícolas ao ar livre e culturas forrageiras.
Pressão agro-pecuária - a espécie pecuária dominante é a bovina.
Solos dominantes - as manchas de solos mais representativas são os cambissolos dístricos e os antrossolos cumúlicos dístricos, seguindo-se com uma área ligeiramente inferior os regossolos úmbricos espessos e os arenossolos háplicos.
Precipitação (1) - a precipitação média anual observada na estação climatológica de Viana do Castelo é de 1427 mm, repartindo-se por um semestre chuvoso, de Outubro a Março (com 73,9 % da precipitação média anual), que coincide com a estação fria e por um semestre seco, de Abril a Setembro (com 26,1 % da precipitação média anual), na época quente.
Temperatura (1) - a temperatura média anual situa-se nos 14,3ºC, apresentando uma variação regular ao longo do ano, atingindo os valores médios mensais mínimo e máximo, respectivamente, em Janeiro (9,5ºC) e em Julho (20ºC).
Zona vulnerável n.º 2 (Aveiro)
Área - superfície total de 45,86 km2.
Concelhos - integra parte do concelho de Aveiro.
Declives - integra-se na zona do Baixo Vouga da região da Beira Litoral, apresentando um relevo muito heterogéneo.
Sistemas agrícolas predominantes - parcelas de pequena dimensão orientadas para a produção de hortícolas ao ar livre ocupando uma área cultivada de 40 % e cerca de 20 % da área pela sucessão de culturas milho + forragem e a restante por floresta.
Pressão agro-pecuária - pouca expressão.
Solos dominantes - as manchas de solos predominantes correspondem aos solos litólicos não húmicos normais (cambissolos), de materiais arenáceos de textura mediana e ligeira.
Precipitação (1) - a precipitação média anual observada na estação de São Jacinto é de 960,6 mm, repartindo-se por um semestre chuvoso (com 77,1 % da precipitação média anual) que coincide com a estação fria e por um semestre seco (com 22,9 % da precipitação média anual) na época quente.
Temperatura (1) - a temperatura média anual situa-se nos 14,2ºC, apresentando uma variação regular ao longo do ano, atingindo os valores médios mensais mínimo e máximo respectivamente em Janeiro (10ºC) e em Julho (18,6ºC).
Zona vulnerável n.º 3 (Faro)
Área - superfície total de 97,73 km2.
Concelhos - integra parte dos concelhos de Olhão, Faro e Loulé.
Declives - integra-se numa região com um relevo muito heterogéneo.
Sistemas agrícolas predominantes - na zona do Sotavento predominam desde a subzona do barrocal, onde o regadio permitiu a instalação de pomares de citrinos, algumas prunóideas e vinha, coexistindo com as culturas tradicionais até à zona litoral, onde se destaca a campina de Faro, ocupada principalmente com hortícolas e pomares de citrinos.
Pressão agro-pecuária - a pecuária não tem expressão.
Solos dominantes - os solos dominantes são os aluviossolos, antigos calcáreos de textura pesada (cambissolos calcários flúvicos), os solos calcáreos vermelhos (calcissolos háplicos crómicos) e os solos litólicos não húmicos de arenitos e os regossolos psamíticos não húmicos.
Precipitação (1) - a precipitação média anual observada na estação de Faro é de 514 mm, repartindo-se por um semestre chuvoso (com 82 % da precipitação média anual) que coincide com a estação fria e por um semestre seco (com 18 % da precipitação média anual) na época quente, característico do clima mediterrânico.
Temperatura (1) - a temperatura média anual situa-se nos 17ºC, apresentando uma variação regular ao longo do ano, atingindo os valores médios mensais, mín(iota)mo e máximo respectivamente em Janeiro (12ºC) e em Julho e Agosto (23,2ºC).
Zona vulnerável n.º 4 (Mira)
Área - superficie total de 23,99 km2.
Concelhos - integra parte dos concelhos de Mira, Vagos e Cantanhede.
Declives - integra-se na zona litoral da região da Beira Litoral, apresentando um relevo quase plano.
Sistemas agrícolas predominantes - parcelas de pequena dimensão orientadas quer para a produção de hortícolas ao ar livre quer para a produção de pecuária.
Pressão agro-pecuária - com relevância para os bovinos de leite.
Solos dominantes - as manchas de solos predominantes correspondem a podzóis hidromórficos com surraipa de areias e arenitos (podzóis gleizados) seguidos de podzóis não hidromórficos com surraipa de areias e arenitos (podzóis háplicos).
Precipitação (1) - a precipitação média anual observada na estação de Dunas de Mira é de 917 mm, repartindo-se por um semestre chuvoso (com 75,7 % da precipitação média anual) que coincide com a estação fria e por um semestre seco (com 24,3 % da precipitação média anual) na época quente.
Temperatura (1) - a temperatura média anual situa-se nos 14,3ºC, apresentando uma variação regular ao longo do ano, atingindo os valores médios mensais mínimo e máximo respectivamente em Janeiro (9,6ºC) e em Julho (18,9ºC).
Zona vulnerável n.º 5 (Tejo)
Área - superfície total de 2416,86 km2.
Concelhos - Alcochete, Alpiarça, Benavente, Moita, Montijo, Palmela e parte dos concelhos de Alenquer, Azambuja, Vila Franca de Xira, Abrantes, Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Golegã, Salvaterra de Magos, Santarém, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
Declives - integra-se numa zona de aluviões ao longo do rio Tejo, apresentando declive plano a suave (90 % da área), 6 % com declive suave a moderado, 2 % com declive moderado a moderadamente acentuado, 1 % com declive acentuado e 1 % com declive muito acentuado.
Sistemas agrícolas predominantes - sistemas de agricultura de regadio onde predominam as culturas horto-frutícolas, horto-industriais e arvenses.
Pressão agro-pecuária - forte pressão exercida no solo e nos recursos hídricos.
Solos dominantes - os solos dominantes são os podzóis não hidromórficos, seguindo-se na mesma proporção os solos litólicos não húmicos (cambissolos êutricos ou dístricos ou crómicos), os aluviossolos modernos (fluvissolos êutricos ou dístricos ou calcários), os regossolos (arenossolos háplicos ou gleizados) e os solos salinos (fluvissolos tiónicos, sálicos e sálicos calcários) e em menor percentagem os solos hidromórficos sem horizonte eluvial (fluvissolos êutricos), os aluviossolos antigos (cambissolos êutricos flúvicos), os solos mediterrâneos pardos (luvissolos gleizados), os podzóis hidromórficos e os coluviossolos (fluvissolos êutricos ou dístricos ou calcários).
Precipitação (1) - na parte Norte da zona vulnerável a precipitação média anual é de 737 mm (observada na estação de Santarém), repartindo-se por um semestre chuvoso (com 77 % da precipitação média anual) que coincide com a estação fria e por um semestre seco (com 23 % da precipitação média anual) na época quente; na parte Sul a precipitação média anual é de 577 mm (observada na estação do Montijo/B. Aérea), repartindo-se por um semestre chuvoso (com 81 % da precipitação média anual) que coincide com a estação fria e por um semestre seco (com 19 % da precipitação média anual) na época quente, característico do clima mediterrânico.
Temperatura (1) - a temperatura média anual situa-se nos 16ºC, apresentando uma variação regular ao longo do ano, atingindo os valores médios mensais, mínimo e máximo respectivamente em Janeiro (10ºC) e em Agosto (23ºC).
Zona vulnerável n.º 6 (Beja)
Área - superfície total de 328,60 km2.
Concelhos - integra parte dos concelhos de Ferreira do Alentejo, Beja e Serpa.
Declives - integra-se numa região com um relevo plano a moderado (87 % da área) e em que a restante área (13 %) apresenta um declive ligeiramente acentuado a acentuado estendendo-se pelas margens do rio Guadiana e pela área circunscrita pelas povoações de Beringel, Peroguarda, Ferreira do Alentejo e Mombeja.
Sistemas agrícolas predominantes - predominam os sistemas culturais de sequeiro (arvenses e olival) tendo o regadio permitido a instalação de pomares, olival, vinha e algumas culturas arvenses e horto-industriais.
Pressão agro-pecuária - a pecuária tem pouca expressão.
Solos dominantes - os solos dominantes são os barros pretos calcários muito descarbonatados (vertissolos calcários pélicos), os barros castanho-avermelhados muito descarbonatados (vertissolos cálcicos crómicos), os barros castanho-avermelhados não calcários (vertissolos êutricos crómicos), os barros pretos não calcários (vertissolos êutricos pélicos) seguidos dos solos mediterrâneos pardos de materiais não calcários - para-barros (luvissolos vérticos).
Precipitação (1) - a precipitação média anual observada na estação de Beja é de 606 mm, repartindo-se por um período chuvoso, de Outubro a Abril (com 86 % da precipitação média anual), que coincide com a estação fria e por um período seco, de Maio a Setembro (com 14 % da precipitação média anual), na época quente.
Temperatura (1) - a temperatura média anual situa-se nos 16ºC, apresentando uma variação regular ao longo do ano, atingindo os valores médios mensais, mínimo e máximo respectivamente em Janeiro (9,5ºC) e em Agosto (23,8ºC).
Zona vulnerável n.º 7 (Elvas-Vila Boim)
Área - superfície total de 186,21 km2.
Concelhos - integra parte dos concelhos de Elvas e Vila Viçosa.
Declives - integra-se numa região com um relevo plano a moderado (84 % da área) e os restantes 16 % apresentam um declive de ligeiramente acentuado a muito acentuado que se estendem pela zona sul da ZV.
Sistemas agrícolas predominantes - as principais culturas são o olival e as arvenses de sequeiro e regadio.
Pressão agro-pecuária - a pecuária extensiva tem alguma expressão.
Solos dominantes - os solos dominantes são os solos argiluviados pouco insaturados, de materiais calcários, normais (luvissolos crómicos), existindo, no entanto, uma grande diversidade de outros solos presentes numa área apreciável, tais como: solos litólicos não húmicos, pouco insaturados, normais (cambissolos dístricos), solos argiluviados pouco insaturados de materiais não calcários, para-barros (luvissolos vérticos) e ainda solos calcários vermelhos, para-barros, de calcários não compactos (cambissolos calcários crómicos vérticos).
Precipitação (1) - a precipitação média anual observada na estação de Elvas é de 602 mm, repartindo-se por um período chuvoso, de Outubro a Abril (com 84 % da precipitação média anual), que coincide com a estação fria e por um período seco, de Maio a Setembro (com 16 % da precipitação média anual), na época quente.
Temperatura (1) - a temperatura média anual situa-se nos 16ºC, apresentando uma variação regular ao longo do ano, atingindo os valores médios mensais, mínimo e máximo respectivamente em Janeiro (8,6ºC) e em Julho (24,6ºC).
Zona vulnerável n.º 8 (Luz-Tavira)
Área - superficie total de 31,86 km2.
Concelhos - integra parte do concelho de Tavira.
Declives - integra-se numa região com um relevo plano a suave a moderado (98 %) e os restantes 2 % ligeiramente acentuado a muito acentuado.
Sistemas agrícolas predominantes - predominam os pomares de citrinos, outras fruteiras regadas e vinha de mesa, coexistindo com as culturas tradicionais e algumas hortícolas.
Pressão agro-pecuária - a pecuária não tem expressão.
Solos dominantes - os solos dominantes são os calcários pardos, normais, de calcários não compactos (calcissolos háplicos ou cambissolos calcários), os solos argiluviados pouco insaturados de materiais não calcários (luvissolos crómicos), os solos calcáreos vermelhos (calcissolos háplicos crómicos) e os solos litólicos não húmicos de arenitos grosseiros (cambissolos dístricos).
Precipitação (1) - a precipitação média anual observada na estação de Tavira é de 587 mm, repartindo-se por um semestre chuvoso (com 84 % da precipitação média anual) que coincide com a estação fria e por um semestre seco (com 16 % da precipitação média anual) na época quente, característico do clima mediterrânico.
Temperatura (1) - a temperatura média anual situa-se nos 17ºC, apresentando uma variação regular ao longo do ano, atingindo os valores médios mensais, mínimo e máximo respectivamente em Janeiro (11ºC) e em Agosto (23,6ºC).
(1) Fonte: INMG, Normais Climatológicas (1951-1980).
ANEXO II
(a que se refere os n.os 1, 5 e 6 do artigo 3.º)
Épocas em que não é permitido aplicar determinados tipos de fertilizantes
TABELA II.1
Zona vulnerável n.º 1 (Esposende-Vila do Conde)
(ver documento original)
TABELA II.2
Zonas vulneráveis n.º 2 (Aveiro) e n.º 4 (Mira)
(ver documento original)
TABELA II.3
Zonas vulneráveis n.º 3 (Faro) e n.º 8 (Luz-Tavira)
(ver documento original)
TABELA II.4
Zona vulnerável n.º 5 (Tejo)
(ver documento original)
TABELA II.5
Zonas vulneráveis n.º 6 (Beja) e n.º 7 (Elvas-Vila Boim)
(ver documento original)
ANEXO III
(a que se refere n.º 2 do artigo 5.º)
Limitações às culturas e às práticas agrícolas
(ver documento original)
ANEXO IV
(a que se refere o n.º 8 do artigo 7.º)
Ficha de registo de fertilização
(ver documento original)
ANEXO V
(a que se refere o n.º 1 do artigo 8.º)
Quantidade máxima de azoto a aplicar às culturas
(ver documento original)
ANEXO VI
(a que se refere o n.º 3 do artigo 9.º)
Armazenamento de efluentes pecuários
ANEXO VII
(a que se refere o n.º 6 do artigo 9.º)
Plano de Gestão de Efluentes Pecuários
QUADRO VII.1
Capacidade das infra-estruturas de armazenamento da exploração agrícola
(ver documento original)
QUADRO VII.2
Quantidade de efluentes pecuários produzidos na exploração agrícola, adquiridos externamente e vendidos/cedidos a terceiros
(ver documento original)
QUADRO VII.3
Aplicação de efluentes pecuários
(ver documento original)