Regula o conteúdo, duração e métodos de avaliação do exame cinotécnico, para efeitos da utilização de canídeos no exercício da atividade de segurança privada
Objeto e âmbito
O presente Despacho regula o exame cinotécnico a realizar pelo pessoal de vigilância e todos os procedimentos a ele associados, com vista à certificação de binómios segurança privado/canídeo, nos termos da Lei n.º 34/2013, de 16 de maio.
Competência
A preparação e aplicação do exame cinotécnico, e a fiscalização da sua execução, são asseguradas pela Polícia de Segurança Pública (PSP), através da Unidade Especial de Polícia (UEP), sem prejuízo das funções atribuídas ao júri, nos termos do presente Despacho.
Publicitação
A Direção Nacional da PSP (DN/PSP) publicita, no seu sítio da internet, a data da realização dos exames, que ocorrem três vezes por ano.
Duração e local de realização
Requerimento de admissão ao exame
Júri do exame
Documentação necessária
Não admissão
Objetivos gerais da avaliação
O exame a que se refere o presente Despacho consiste na realização de uma prova de conhecimentos, dividida em duas vertentes, teórica e prática, e visa apurar se o pessoal de vigilância:
Prova teórica
Prova prática
Prova de obediência Begleithund
Prova situacional de controlo e segurança
Aprovação, classificação, comunicação e renovação
Reprovação e repetição do exame
Multiplicidade de binómios
Um segurança privado que pretenda obter a certificação para operar com mais do que um canídeo terá de realizar a prova prática com cada um deles, sendo dispensado da prova teórica desde que nela tenha sido aprovado, há menos de três anos.
Recurso
Exclusão do exame
Situações omissas
As situações não previstas no presente Despacho são decididas por despacho do Diretor Nacional da PSP, mediante proposta do Departamento de Segurança Privada, nos termos da alínea b) do n.º 3 do artigo 3.º da Lei n.º 53/2007, de 31 de agosto.
28 de junho de 2018. - O Diretor Nacional, Luís Manuel Peça Farinha, Superintendente-Chefe.
ANEXO I
Regulamento da prova Begleithund (BH)
São admitidos cães de todas as raças e tamanhos, com a idade mínima de 15 meses.
Antes da prova BH todos os cães são submetidos a um teste inicial de temperamento, em que a identidade do animal é confirmada através da verificação do número da tatuagem ou microchip. Animais que não possam ser identificados não podem ser admitidos à prova. Além desta avaliação inicial, o temperamento do animal é avaliado ao longo de toda a prova. Se o animal não passar neste teste inicial de temperamento, não pode continuar a prova. Se durante a prova o animal evidenciar defeitos de temperamento pode, se o júri assim o determinar, ser impedido de continuar em prova, mesmo que tenha passado no teste inicial de temperamento.
Os cães que não atingirem 70 % do total dos pontos necessários na Parte A, são impedidos de prosseguir para a Parte B.
No final da prova o júri dá o resultado não em pontos mas sim como Passou ou Falhou. A prova considera-se superada se na Parte A o animal conseguir atingir 70 % do total dos pontos possíveis e se na Parte B o júri considerar que o animal realizou os exercícios de modo satisfatório.
No caso de o animal ter falhado a prova, esta pode ser repetida a qualquer altura, sendo o seu resultado registado na caderneta de trabalho independentemente do resultado.
Cada exercício inicia-se e termina na posição base. O cão senta-se (o mais junto possível) à esquerda do condutor e com o seu ombro direito ao nível do joelho esquerdo deste.
O condutor deve colocar-se direito e com os pés juntos. A posição base no fim de cada exercício pode ser a mesma do início do exercício seguinte. Ajudas corporais por parte do condutor, não são permitidas e se usadas resultam em penalizações pontuais. A posse de um objeto motivador para o cão não é permitida.
O júri apenas dá o sinal de início de cada exercício. As mudanças de direção, mudanças de velocidade, etc., são feitas sem indicação do júri. No entanto, é permitido ao condutor requerer ao júri estas indicações.
É permitido felicitar o animal no final de cada exercício, após o que o condutor e o cão assumem uma nova posição base. Entre o felicitar o cão e o início de um novo exercício deverá haver uma pausa não superior a 3 segundos. Entre os exercícios o animal deve manter-se ao lado do condutor.
Comando: "Lado" ("Heel", "Fu(beta)")
A partir da posição base e ao comando "Lado" ("Heel", "Fu(beta)') o animal deve acompanhar o condutor alegremente. Não é permitida a coleira na posição de estrangulamento.
No início do exercício, o condutor anda, em velocidade normal e sem interrupções, cerca de 40 -50 passos em linha reta e dá uma meia volta (o condutor roda sobre si próprio para o lado esquerdo e retoma a linha em que vinha, só que em sentido inverso). Após 10-15 passos em velocidade normal seguem-se 10-15 passos em velocidade rápida e 10-15 passos em velocidade lenta. O condutor retoma a velocidade normal e ao fim de 10-15 passos executa no mínimo uma mudança de direção para a direita, outra para a esquerda e uma meia volta a seguir ao que se imobiliza assumindo a posição base.
O comando "Lado" ("Heel", "Fu(beta)') é permitido apenas no início do exercido a partir da posição base e aquando das mudanças de velocidade. Quando o condutor se imobiliza o animal deverá sentar-se imediatamente, e sem ajuda, ao lado esquerdo do condutor com o seu ombro direito ao nível do joelho esquerdo deste. Se a posição base não for perfeita, esta não deve ser corrigida. Durante o exercício a trela deve estar segura pela mão esquerda e não deve estar esticada. À indicação do júri, o condutor e o cão dirigem-se até um grupo constituído no mínimo por 4 pessoas que se move aleatoriamente, devendo o condutor imobilizar-se pelo menos uma vez no meio do grupo.
Atrasos e desvios do cão para o lado enquanto anda ao lado, assim como pausas do condutor nas mudanças de direção e meia volta são considerados incorretos.
O andamento dentro do grupo em movimento deve ser executado com e sem trela. Dentro do grupo, o condutor e o cão devem contornar as pessoas uma vez pela esquerda e uma vez pela direita. A cada passagem pelo grupo o condutor deve imobilizar-se próximo de uma pessoa. O júri pode requerer ao condutor a repetição do exercício. Felicitar o animal é permitido apenas na posição base após a saída do grupo.
Comando: "Lado" ("Heel", "Fu(beta)")
À indicação do júri, o condutor retira a trela enquanto o cão está na posição base (o condutor coloca a trela a tiracolo ou no bolso, e sempre no lado oposto ao cão) e avançam para o grupo imobilizando-se pelo menos uma vez no meio deste. Após deixar o grupo o condutor assume a posição base e inicia o percurso descrito no ponto 1, mas desta vez sem trela.
Exemplo do percurso com e sem trela
(ver documento original)
Comando: "Senta" ("Sit", "Sitz")
A partir da posição base e com o cão sem trela, o condutor caminha em linha reta. Após 10- 15 passos o comando "Senta" ("Sit", "Sitz"), o cão deve sentar-se rapidamente sem que o condutor pare ou olhe para trás. Após mais 30 passos o condutor pára e volta-se imediatamente para o cão. À indicação do júri, o condutor encaminha -se para o cão e assume a posição base ao lado direito do cão. Se o cão se levantar ou se deitar há uma penalização de 5 pontos.
(ver documento original)
Comandos: "Deitar" ("Down", "Platz");
"Aqui" ("Here/Come", "Hier/Komm");
"Lado" ("Heel", "Fu(beta)").
A partir da posição base e com o cão sem trela, o condutor caminha em linha reta. Após 10-15 passos e ao comando "Deitar" (Down, "Platz"), o cão deve deitar-se rapidamente sem que o condutor pare ou olhe para trás. Após mais 30 passos o condutor pára e volta-se imediatamente para o cão. À indicação do júri, o condutor chama o cão que deve alegre e prontamente sentar-se em frente do condutor. Seguidamente e ao comando "Lado" ("Heel", "Fu(beta)") o cão deve assumir a posição base.
Comandos: "Deitar" ("Down", "Platz");
"Senta" ("Sit", "Sitz").
No início da prova de obediência de um outro cão, o condutor, que está na posição base, manda o seu cão deitar-se num local designado pelo júri sem deixar a trela ou qualquer objeto junto do cão. O condutor distancia-se 30 passos e permanece aí de costas voltadas para o cão. Enquanto está deitado o cão deve permanecer calmo. À indicação do júri, o condutor dirige-se ao cão colocando-se ao seu lado direito, e a uma segunda indicação do júri, o condutor deve retomar a posição base mandando o seu cão sentar-se. Se o cão não se sentar, ficar de pé ou inquieto são descontados pontos. Se o cão se mover mais do que o seu comprimento da posição de deitado, o exercício é considerado falhado.
Intranquilidade do condutor assim como ajudas corporais são consideradas incorretas. Um cão que não consiga atingir o mínimo de 70 % (42 pontos) do total de pontos nos exercícios 1 a 5 é dispensado da participação no resto da prova.
Os exercícios que se seguem têm lugar fora do campo de treino num ambiente adequado, escolhido pelo júri sem que seja interrompido o tráfego público.
A parte B da prova BH não é pontuada mas é avaliada a atitude do cão perante as situações criadas, e que o cão deve cumprir de modo satisfatório.
Os exercícios descritos seguidamente são apenas exemplificativos e que podem ser alterados pelo júri.
À indicação do júri e com o cão à trela, o condutor caminha ao longo do troço predefinido do passeio. O júri segue a equipa (condutor + cão) a uma distância apropriada.
O cão deve acompanhar com vontade o condutor e a trela nunca deverá estar esticada e o ombro do cão deverá estar ao nível do joelho do condutor.
O cão deve mostrar-se indiferente aos peões e ao tráfego motorizado.
Durante este exercício uma pessoa a correr deverá passar junto da equipa e o cão deve mostrar-se neutro e indiferente.
A equipa continua a andar ao encontro de um grupo de 6 pessoas. Uma das pessoas deve dirigir a palavra ao condutor e cumprimentá-lo com um aperto de mão. Ao comando do condutor, o cão deve sentar-se ao lado esquerdo deste e permanecer calmo durante a conversa.
Com o cão à trela, o condutor caminha ao longo de uma rua e seguidamente a equipa é ultrapassada por uma bicicleta (que vem de trás) que deve tocar a campainha ao passar. A bicicleta inverte a direção e dirige-se de frente para a equipa. Ao passar por esta deve tocar novamente a campainha, O exercício deve ser planeado de modo que, à passagem da bicicleta, o cão fique posicionado entre a bicicleta e o condutor.
Durante este exercício o cão deve mostrar-se neutro e indiferente à bicicleta e ao ciclista.
Com o cão à trela, o condutor caminha ao longo de uma rua passando por vários automóveis. Um dos carros aciona a ignição e ao passar da equipa o carro deve fechar uma porta. A equipa continua a andar e mais à frente um carro pára junto daquela. O motorista desce o vidro e pede uma informação ao condutor. Neste momento o condutor manda o seu cão sentar-se ou deitar-se
Durante este exercício o cão deve mostrar-se calmo e indiferente aos carros e ao barulho destes.
Com o cão à trela, o condutor caminha ao longo de uma rua sossegada. Um mínimo de 2 desportistas ultrapassa (vindos de trás) a equipa, sem abrandarem a corrida. Assim que um dos desportistas passa um outro aproxima-se de frente para a equipa. O cão não necessita de permanecer ao lado mas não deve incomodar os desportistas. Durante o encontro com os desportistas o condutor pode sentar ou deitar o cão.
Os desportistas podem ser substituídos por 2 patinadores em linha.
Quando a equipa é ultrapassada (vindos de trás) por um outro condutor com cão, ou quando se cruza (vindos de frente), o cão que está a ser avaliado deverá comportar-se de uma forma neutra. Nesta altura o condutor pode repetir o comando "Lado" ("Heel", "Fu(beta)") ou optar por colocar o cão sentado ou deitado.
À indicação do júri e com o cão à trela, o condutor caminha por um passeio moderadamente movimentado. Após uma pequena distância e às instruções do júri, o condutor pára e prende a trela a uma vedação. O condutor sai do campo de visão do cão colocando-se, por exemplo, na entrada de um prédio.
O cão pode permanecer de pé, sentado ou deitado.
Durante a ausência do condutor um estranho com um cão deve passar pelo lado do cão que está a ser avaliado a uma distância de 5 passos. O cão a ser avaliado não deve mostrar agressividade (puxar intensamente a trela ou ladrar insistentemente) para o cão que está a passear. À indicação do juiz o condutor deve ir buscar o seu cão.
ANEXO II
Regulamento da prova situacional de controlo e segurança
Tendo por base os objetivos enunciados no n.º 19 do presente despacho, na prova situacional de controlo e segurança são especialmente avaliados os seguintes aspetos:
A prova situacional de controlo e segurança obedece às seguintes regras:
Na prova situacional de controlo e segurança são testadas as seguintes situações:
311470072