Capítulo I - Disposição geral
Objeto
a)Procede à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 124/2017, de 27 de setembro, que estabelece e regula as condições de atribuição de apoios pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) às ações do movimento associativo das comunidades portuguesas;
b)Cria e regula o programa de apoios à comunicação social da diáspora portuguesa.
Capítulo II - Apoios às ações do movimento associativo das comunidades portuguesas
Alteração ao Decreto-Lei n.º 124/2017, de 27 de setembro
a)Promover a integração social em termos linguísticos, culturais, políticos, económicos e reforçar a ligação dos portugueses nos países de acolhimento;
g)Promover a igualdade de género, a não discriminação em razão da raça, cor, origem étnica ou nacional, ascendência, língua, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência física ou psíquica, a participação cívica e a cidadania.
2 -Sem prejuízo do número anterior, consideram-se prioritárias as ações do movimento associativo que privilegiem a promoção da língua e da cultura portuguesas, a diplomacia científica, os jovens, os idosos, a inclusão social, a capacitação e a valorização profissional, a participação cívica e política, o combate à xenofobia, a promoção da igualdade de género e da não discriminação.
4 -O pedido de credenciação pode ser requerido a todo o tempo pela entidade proponente, por via eletrónica, através da apresentação:
5 -A lista das associações credenciadas e o período de validade da credenciação conferida é publicitada anualmente no sítio na Internet do MNE.
6 -Podem candidatar-se à concessão de apoios as entidades credenciadas nos termos dos números anteriores.
7 -Cada entidade pode apresentar até três candidaturas por ano civil.
Aditamento ao Decreto-Lei n.º 124/2017, de 27 de setembro
1 -As candidaturas apresentadas são objeto de registo, no momento em que as entidades candidatas as submetem eletronicamente, sendo permitidas, dentro do prazo fixado para a apresentação de candidaturas, por iniciativa da própria entidade ou a pedido do posto consular ou da secção consular da embaixada territorialmente competente, alterações posteriores para suprir deficiências documentais.
2 -A não apresentação das candidaturas dentro do prazo fixado para a sua apresentação e a falta de apresentação dos documentos previstos no n.º 3 do artigo 5.º determina o indeferimento liminar da candidatura pelo posto consular ou secção consular da embaixada territorialmente competente.
a)Diretor-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, que preside;
b)Quatro trabalhadores em funções públicas, pertencentes ao mapa de pessoal da DGACCP, dois efetivos, um deles substitui o presidente nas suas faltas e impedimentos, e dois suplentes.
3 -Em casos excecionais, e de comprovada ausência de meios tecnológicos adequados, podem ser admitidas candidaturas e respetivos documentos em suporte papel.
Capítulo III - Programa de apoios à comunicação social da diáspora portuguesa
Secção I - Âmbito de aplicação
Âmbito subjetivo
1 -Consideram-se órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa, elegíveis para beneficiar do programa de apoios previsto no presente capítulo, os órgãos de comunicação social que preencham, cumulativamente, os seguintes requisitos:
a)Tenham sede no estrangeiro ou em Portugal, desde que os seus conteúdos sejam dirigidos às comunidades portuguesas;
b)Estejam registados como órgãos de comunicação social junto das autoridades locais competentes do país em que se encontrem sediados há, pelo menos, um ano;
c)Não tenham fins partidários;
d)As respetivas publicações ou conteúdos sejam exclusiva ou maioritariamente emitidos ou difundidos em língua portuguesa;
e)Tenham uma tiragem mínima de 100 exemplares, no caso das publicações periódicas.
2 -Não são elegíveis para beneficiar do programa de apoios previsto no presente capítulo os órgãos de comunicação social detidos, total ou parcialmente, por entidades públicas nacionais ou estrangeiras.
Condições de elegibilidade dos conteúdos
a)Constituir um meio de valorização e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro;
b)Promover a integração social, cultural, política e económica dos portugueses nos países de acolhimento;
c)Reforçar a ligação dos portugueses residentes no estrangeiro à vida social, política, cultural e económica de Portugal;
d)Consolidar os laços de solidariedade entre os membros da comunidade em que os portugueses se inserem;
e)Promover a igualdade, designadamente de género, e a cidadania nas comunidades portuguesas;
f)Divulgar informações dos serviços oficiais portugueses no estrangeiro, nomeadamente embaixadas, consulados, serviços de ensino, organismos de promoção económica e serviços culturais;
g)Valorizar o movimento associativo das comunidades portuguesas.
Natureza dos apoios
Os apoios têm a natureza de apoio financeiro não reembolsável e são concedidos através do financiamento de ações, projetos ou programas até ao limite máximo de 80 % do valor considerado elegível do orçamento apresentado, por verbas inscritas no orçamento do MNE.
Ações informativas e divulgação
1 -A Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas (DGACCP) promove a divulgação de materiais de suporte às candidaturas no sítio na Internet do MNE ou noutros meios de informação relevantes.
2 -Os serviços periféricos externos do MNE divulgam, junto dos órgãos de comunicação social, a informação relevante sobre o regime previsto no presente capítulo.
Secção II - Acesso aos apoios
Credenciação e candidaturas
1 -É condição prévia à apresentação de qualquer candidatura a credenciação, junto da DGACCP, dos órgãos de comunicação social que reúnam os critérios identificados no artigo 4.º
2 -A credenciação é conferida pelo prazo de cinco anos.
3 -O pedido de credenciação pode ser requerido a todo o tempo pela entidade proponente, por via eletrónica, através da apresentação dos seguintes elementos:
a)Ato de constituição da entidade e respetivos estatutos;
b)Evidência do registo da entidade junto das autoridades competentes do país onde está sediada.
4 -Em caso de não aplicação do n.º 3, o pedido de credenciação é acompanhado de outros documentos que comprovem os requisitos previstos no artigo 4.º
5 -A lista dos órgãos de comunicação social credenciados e o período de validade da credenciação conferida é publicitada, anualmente, no sítio na Internet do MNE.
6 -Podem candidatar-se à concessão de apoios as entidades credenciadas, nos termos dos números anteriores.
7 -Cada entidade pode apresentar até três candidaturas por ano civil.
8 -Não podem candidatar-se as entidades que se encontrem nas condições previstas no artigo 18.º
Apresentação de candidaturas
1 -O prazo para apresentação de candidaturas decorre, anualmente, entre 1 e 28 de fevereiro para as ações ou projetos a realizar no ano da respetiva candidatura, ou que tenham conclusão até 28 de fevereiro do ano civil seguinte.
2 -As candidaturas são apresentadas, por via eletrónica, preferencialmente, através do Portal Único dos Serviços Digitais - o gov.pt ou em suporte papel, junto:
a)Do posto consular ou secção consular da embaixada territorialmente competente, no caso das entidades com sede no estrangeiro;
b)Da DGACCP, no caso das entidades com sede em território nacional.
3 -As candidaturas são apresentadas mediante entrega de formulário disponível no sítio na Internet do MNE, aprovado por portaria do membro do Governo responsável pela área das comunidades portuguesas, devendo ser acompanhadas dos seguintes documentos:
d)Relatório de atividades e contas relativas ao ano anterior ao da apresentação da candidatura, aprovados e assinado pelos órgãos sociais;
e)Certidões comprovativas de situação contributiva e tributária regularizadas, quando aplicável, ou de consentimento para consulta da situação tributária ou contributiva regularizada;
f)Programa do projeto com orçamento e cronograma do qual conste a estimativa de custos e receitas, incluindo os apoios de outras entidades, nacionais ou estrangeiras, quando existam, de modo a permitir a avaliação da viabilidade do projeto.
4 -A tramitação das candidaturas deve observar as normas e boas práticas de desmaterialização, garantindo:
Admissão de candidaturas
2 -A não apresentação das candidaturas no prazo fixado e/ou a falta dos documentos previstos no n.º 3 do artigo anterior determinam o indeferimento liminar da candidatura pelo posto consular ou secção consular da embaixada.
Parecer consular
1 -As candidaturas admitidas pelo posto consular ou secção consular da embaixada territorialmente competente são enviadas, por via eletrónica, à DGACCP, no prazo de 10 dias úteis após o fim do prazo para a respetiva apresentação, acompanhadas do parecer do posto consular ou secção consular, sem prejuízo do disposto no número seguinte.
2 -O parecer consular não se aplica às candidaturas apresentadas por entidades com sede em território nacional.
Júri
1 -A apreciação das candidaturas é da competência de um júri constituído pelo diretor-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, que preside, e por dois vogais efetivos e dois vogais suplentes, designados pelo diretor-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas de entre trabalhadores pertencentes ao mapa de pessoal da DGACCP.
2 -O presidente é substituído por um dos vogais efetivos nas suas faltas e impedimentos.
Critérios de apreciação do mérito das candidaturas
a)Adequação da ação ou projeto às condições definidas no artigo 5.º;
b)Natureza inovadora do projeto;
c)Componente digital do projeto;
d)Qualidade do projeto apresentado, bem como a sua relevância e interesse para a diáspora portuguesa;
e)Capacidade de organização do candidato e a exequibilidade do projeto ou ação;
f)Adequação do orçamento ao projeto ou ação propostos.
Elegibilidade das despesas
1 -São consideradas elegíveis as despesas previstas no orçamento apresentado com a candidatura, desde que adequadas e necessárias à execução da ação ou projeto.
2 -Não são consideradas as despesas relativas a:
a)Encargos correntes e permanentes que digam respeito ao regular e normal funcionamento da entidade candidata ao apoio;
b)Aquisição e arrendamento de instalações;
c)Aquisição e aluguer de veículos automóveis;
Decisão
1 -O júri procede à análise das candidaturas e elabora uma proposta de distribuição da dotação orçamental disponível até 30 de abril de cada ano.
2 -A proposta do júri é publicada no sítio na Internet do MNE, podendo qualquer interessado pronunciar-se sobre a mesma, no prazo de 10 dias úteis, em sede de audiência prévia.
3 -O júri elabora uma proposta final de distribuição da dotação orçamental disponível, tendo em conta os contributos apresentados nos termos do número anterior, a qual deve ser homologada pelo membro do Governo responsável pela área das comunidades portuguesas.
4 -A lista das entidades cujas candidaturas foram aprovadas é divulgada no sítio na Internet do MNE até ao dia 30 de maio de cada ano.
5 -As candidaturas a que não seja atribuído financiamento são indeferidas, sendo as entidades em causa notificadas da decisão, nos termos dos artigos 110.º e seguintes do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 4/2015, de 7 de janeiro, na sua redação atual.
Publicitação obrigatória
1 -As entidades beneficiárias ficam obrigadas a publicitar o apoio recebido, com menção explícita ao MNE e utilização do logótipo das comunidades portuguesas, em todas as ações, atividades ou suportes de comunicação com divulgação pública.
2 -O incumprimento do disposto no número anterior determina a impossibilidade de apresentação de novas candidaturas, nos três anos seguintes à sua verificação.
3 -A DGACCP divulga anualmente, no sítio na Internet do MNE, a lista de apoios concedidos, nos termos dos artigos 2.º, 4.º e 5.º da Lei n.º 64/2013, de 27 de agosto.
4 -A DGACCP remete anualmente à área governativa com a tutela da comunicação social a lista de entidades credenciadas, cujas candidaturas foram aprovadas, com indicação de eventos a realizar no âmbito dos projetos, ações ou programas aprovados.
Secção III - Atribuição dos apoios
Entrega do apoio atribuído
1 -A entrega do apoio atribuído é feita por intermédio do posto ou secção consular da embaixada territorialmente competente, mediante a celebração de um contrato.
2 -O contrato a celebrar com a entidade apoiada contém, designadamente:
a)A identificação das partes e dos respetivos representantes, assim como do título a que intervêm;
b)A descrição do objeto do contrato;
c)Os direitos e obrigações de cada uma das partes;
d)O prazo de execução das atividades apoiadas;
e)O montante do apoio atribuído;
f)As consequências do incumprimento contratual, tendo em conta, nomeadamente, o disposto no artigo 19.º
3 -O contrato é assinado, em representação da República Portuguesa, pelo titular do posto ou secção consular da embaixada territorialmente competente.
4 -O contrato é celebrado em triplicado, sendo um exemplar enviado à DGACCP no prazo de 30 dias a contar da sua assinatura.
5 -No caso das entidades com sede em Portugal, a entrega do financiamento é feita mediante a assinatura, pela entidade apoiada, de declaração de compromisso de execução da ação ou projeto, nos termos da candidatura, e de aceitação das condições previstas no presente decreto-lei, bem como do correspondente recibo de pagamento.
Ações, projetos ou programas não executados
1 -Quando, por motivos não imputáveis à entidade, devidamente fundamentados, uma ação, projeto ou programa financeiramente apoiado não for cumprido no prazo estabelecido na candidatura, o mesmo pode ainda ser excecionalmente executado até ao final do trimestre seguinte ao termo daquele prazo, desde que previamente autorizado pelo Diretor-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, e exista a respetiva dotação orçamental.
Incumprimento
1 -O incumprimento das obrigações do beneficiário, bem como a inexistência ou a perda de qualquer dos requisitos de concessão do apoio, determinam a impossibilidade de apresentação pelo mesmo de novas candidaturas nos três anos seguintes à verificação do incumprimento ou até à reposição total ou parcial da verba atribuída.
2 -Os montantes indevidamente recebidos, designadamente por incumprimento das obrigações legais ou contratuais, pela ocorrência de qualquer irregularidade, bem como pela perda de qualquer requisito de concessão do apoio, constituem dívida das entidades que deles beneficiaram.
3 -Os montantes indevidamente recebidos, designadamente por incumprimento das obrigações legais ou contratuais, pela ocorrência de qualquer irregularidade, bem como pela perda de qualquer requisito de concessão do apoio, constituem dívida solidária das entidades que deles beneficiaram.
4 -O prazo de reposição do montante recebido é de 90 dias úteis, a contar da data da receção da notificação pela entidade beneficiária, aplicando-se, quanto a esta matéria e com as devidas adaptações, o disposto no regime da administração financeira do Estado, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 155/92, de 28 de julho, na sua redação atual.
5 -As falsas declarações são puníveis nos termos gerais da lei.
Secção IV - Fiscalização dos apoios
Controlo, acompanhamento e avaliação
1 -As entidades beneficiárias dos apoios devem reportar anualmente à DGACCP, através de relatório, os termos e os níveis de execução dos apoios concedidos.
2 -No prazo de 60 dias a contar do termo da ação, projeto ou programa apoiado é remetido à DGACCP um relatório final de execução que menciona todos os elementos de natureza qualitativa e quantitativa necessários à análise e avaliação dos resultados obtidos e da boa aplicação do apoio, o qual, salvo no caso das entidades com sede em Portugal, deve obrigatoriamente ser acompanhado de parecer do posto ou secção consular da embaixada territorialmente competente.
3 -A não aprovação do relatório final de execução pela DGACCP por facto imputável à entidade beneficiária determina a obrigação de restituição do montante do apoio concedido.
4 -As entidades apoiadas devem organizar um arquivo autónomo, preferencialmente em suporte eletrónico, da documentação relativa à ação ou projeto apoiado, utilizando os documentos originais ou cópias autenticadas das despesas efetuadas e respetivos comprovativos de pagamento, emitidos nos termos legais aplicáveis, devidamente numerados, e identificando a percentagem de qualquer outro apoio financeiro recebido, quando aplicável.
5 -Para efeitos de apreciação e avaliação dos resultados obtidos e da boa aplicação do apoio concedido, a DGACCP pode solicitar o acesso ao arquivo mencionado no número anterior ou, através dos postos consulares ou das secções consulares das embaixadas, a todos os elementos que entenda pertinentes para a melhor apreciação e avaliação dos projetos apoiados.
6 -O modelo de relatório final é aprovado por portaria do membro do Governo responsável pela área das comunidades portuguesas e é disponibilizado no sítio na Internet do MNE.
7 -A DGACCP remete anualmente à área governativa com a tutela da comunicação social a lista de relatórios finais de execução, com indicação individualizada de aprovação, ou não, pela DGACCP.
Capítulo IV - Disposições complementares e finais
Encargos
Os encargos decorrentes da aplicação do capítulo anterior são inscritos no orçamento da DGACCP.
Direito subsidiário
Em tudo o que não estiver previsto no presente decreto-lei, aplica-se subsidiariamente o disposto no CPA e no Decreto-Lei n.º 167/2008, de 26 de agosto.
Norma revogatória
São revogados a alínea b) do n.º 1 e o n.º 3 do artigo 1.º e os n.os 4 a 7 do artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 124/2017, de 27 de setembro.
Republicação
É republicada em anexo ao presente decreto-lei e do qual faz parte integrante o Decreto-Lei n.º 124/2017, de 24 de setembro, com a redação dada pelo presente decreto-lei.
Entrada em vigor
O presente decreto-lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação
Anexo - Republicação do Decreto-Lei n.º 124/2017, de 27 de setembro
Capítulo I - Disposições gerais
Objeto e âmbito
1 -O presente decreto-lei estabelece e regula as condições de atribuição de apoios, por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), às ações e projetos de movimentos associativos das comunidades portuguesas no estrangeiro, que contribuam para os seguintes objetivos gerais:
a)Promover a integração social em termos linguísticos, culturais, políticos, económicos e reforçar a ligação dos portugueses nos países de acolhimento;
c)Promover e divulgar a língua e cultura portuguesas no estrangeiro;
d)Consolidar os laços de solidariedade entre os membros de uma determinada comunidade, nomeadamente com os mais idosos e carenciados;
e)Estimular e consolidar os vínculos de pertença à cultura portuguesa;
f)Promover a formação dos dirigentes associativos;
g)Promover a igualdade de género, a não discriminação em razão da raça, cor, origem étnica ou nacional, ascendência, língua, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência física ou psíquica, a participação cívica e a cidadania.
2 -Sem prejuízo do número anterior, consideram-se prioritárias as ações do movimento associativo que privilegiem a promoção da língua e da cultura portuguesas, a diplomacia científica, os jovens, os idosos, a inclusão social, a capacitação e a valorização profissional, a participação cívica e política, o combate à xenofobia, a promoção da igualdade de género e da não discriminação.
Natureza
Os apoios têm a natureza de apoio financeiro não reembolsável e são concedidos através do financiamento de ações e projetos, enquadrados no plano de atividades e orçamento da entidade proponente, até ao limite máximo de 80 % ou de 50 % do valor considerado elegível do orçamento apresentado, consoante se trate de entidades com sede em território estrangeiro ou em território nacional.
Publicitação do apoio
1 -As entidades beneficiárias ficam obrigadas a publicitar o apoio atribuído, com menção explícita ao MNE e utilização do logótipo das Comunidades Portuguesas, disponível no sítio na Internet do MNE, em todas as ações, atividades ou suportes de comunicação com divulgação pública.
2 -O incumprimento do disposto no número anterior determina a impossibilidade de apresentação de novas candidaturas nos três anos seguintes à sua verificação.
3 -A Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas (DGACCP) divulga anualmente, no sítio na Internet do MNE, a lista de apoios concedidos, nos termos dos artigos 4.º e 5.º da Lei n.º 64/2013, de 27 de agosto.
Capítulo II - Acesso aos apoios
Credenciação e candidaturas
1 -É condição prévia à apresentação de qualquer candidatura a credenciação junto da DGACCP.
2 -Podem credenciar-se as seguintes entidades:
a)Associações e federações das comunidades portuguesas no estrangeiro, constituídas legalmente há mais de um ano, sem fins lucrativos ou partidários, cujo objeto vise o benefício sociocultural das referidas comunidades;
b)Outras pessoas coletivas nacionais ou estrangeiras, cujos órgãos sociais sejam constituídos por cidadãos nacionais ou lusodescendentes, constituídas há mais de um ano, sem fins lucrativos ou partidários, que proponham a realização de atividades que resultem em benefício das comunidades portuguesas e se enquadrem em pelo menos um dos objetivos e prioridades definidas no artigo 1.º
3 -A credenciação é conferida pelo prazo de três anos.
4 -O pedido de credenciação pode ser requerido a todo o tempo pela entidade proponente, por via eletrónica, através da apresentação:
5 -A lista das associações credenciadas e o período de validade da credenciação conferida é publicitada anualmente no sítio na Internet do MNE.
6 -Podem candidatar-se à concessão de apoios as entidades credenciadas, nos termos dos números anteriores.
7 -Cada entidade pode apresentar até três candidaturas por ano civil.
Apresentação de candidaturas
1 -As candidaturas são apresentadas por via eletrónica, pela entidade credenciada, junto do posto consular ou secção consular da embaixada territorialmente competente, em razão da área de execução da ação ou projeto.
2 -O prazo para apresentação de candidaturas decorre, anualmente, entre 1 de outubro e 31 de dezembro.
3 -As candidaturas são acompanhadas pelos seguintes documentos:
a)Formulário disponível no sítio na Internet do MNE;
b)Plano de atividades calendarizado e do orçamento do ano para o qual se solicita o apoio, aprovados e assinados pelos órgãos sociais;
c)Certidões comprovativas de situação contributiva e tributária regularizadas, quando aplicável, ou de consentimento para consulta da situação tributária ou contributiva regularizada;
d)Programa do projeto, com orçamento e cronograma.
Admissão de candidaturas
1 -As candidaturas apresentadas são objeto de registo, no momento em que as entidades candidatas as submetem eletronicamente, sendo permitidas, dentro do prazo fixado para a apresentação de candidaturas, por iniciativa da própria entidade ou a pedido do posto consular ou da secção consular da embaixada territorialmente competente, alterações posteriores para suprir deficiências documentais.
2 -A não apresentação das candidaturas dentro do prazo fixado para a sua apresentação e a falta de apresentação dos documentos previstos no n.º 3 do artigo 5.º determina o indeferimento liminar da candidatura pelo posto consular ou secção consular da embaixada territorialmente competente.
3 -Em casos excecionais, e de comprovada ausência de meios tecnológicos adequados, podem ser admitidas candidaturas e respetivos documentos em suporte papel.
Parecer consular
a)A exequibilidade temporal e objetiva do projeto ou ação;
b)A capacidade organizativa da entidade candidata;
c)A adequação dos meios utilizados para a concretização do projeto ou ação;
d)Os benefícios para as comunidades portuguesas residentes na área de execução do projeto ou ação.
Júri
1 -A apreciação das candidaturas é da competência do júri constituído por um presidente, dois vogais efetivos e dois vogais suplentes, designados pelo diretor-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.
2 -O júri é constituído por:
a)Diretor-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, que preside;
b)Quatro trabalhadores em funções públicas, pertencentes ao mapa de pessoal da DGACCP, dois efetivos, um deles substitui o presidente nas suas faltas e impedimentos, e dois suplentes.
Critérios de apreciação do mérito das candidaturas
1 -Na apreciação do mérito das candidaturas, e para efeitos de instrução da decisão sobre o pedido de atribuição do apoio, são considerados os seguintes critérios:
a)A conformidade da ação ou projeto com os objetivos ou prioridades definidas no artigo 1.º;
b)A conformidade com as exigências previstas no artigo 5.º;
c)A qualidade do projeto apresentado, bem como a sua relevância e interesse para a comunidade portuguesa local;
d)A capacidade de organização, de promoção e de divulgação de iniciativas demonstradas pela entidade candidata;
e)O número e a caracterização dos potenciais destinatários do projeto;
f)Previsão da ação ou projeto no plano de atividades anual, nos termos previstos no número seguinte;
g)A não atribuição de financiamento para a mesma ação ou projeto por outra entidade, nacional ou estrangeira.
2 -Para a concessão do apoio, é obrigatório que as ações ou projetos estejam devidamente enquadrados no plano de atividades anual da entidade candidata, aprovado pelos órgãos estatutários competentes.
Elegibilidade das despesas
1 -São consideradas elegíveis as despesas previstas no orçamento apresentado com a candidatura, desde que adequadas, proporcionais e necessárias à execução da ação ou projeto.
2 -Não são por regra consideradas as despesas relativas, nomeadamente:
a)Aos encargos correntes e permanentes que digam respeito ao regular e normal funcionamento da entidade candidata ao apoio;
b)À aquisição de instalações;
c)À aquisição e aluguer de veículos automóveis;
d)À aquisição de instrumentos, equipamentos científicos, técnicos e de software;
e)Às viagens, alojamento, alimentação e ajudas de custo de qualquer espécie de colaboradores permanentes da entidade candidata ao apoio.
Decisão
1 -Até ao dia 15 de março de cada ano, o júri procede à análise das candidaturas e elabora uma lista provisória de decisão, devidamente fundamentada, com a distribuição da dotação orçamental disponível que é notificada às candidaturas, deferidas e indeferidas, para pronúncia no prazo de 10 dias úteis, em sede de audiência prévia.
2 -A lista provisória de decisão é, igualmente, publicada no sítio na Internet do MNE.
3 -Após aquele prazo e analisadas as eventuais pronúncias, o júri envia a lista final de distribuição da dotação orçamental disponível para homologação do membro do Governo responsável pela área das comunidades portuguesas.
4 -A lista das candidaturas a quem foi atribuído financiamento é divulgada no sítio na Internet do MNE, até ao dia 30 de abril de cada ano e as candidaturas notificadas.
5 -As candidaturas que não foram objeto de atribuição de financiamento são notificadas da decisão, nos termos dos artigos 110.º e seguintes do Código do Procedimento Administrativo, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n. 4/2015, de 7 de janeiro, na sua redação atual.
Capítulo III - Entrega, controlo e avaliação dos apoios
Entrega do apoio atribuído
1 -A entrega do apoio atribuído é feita por intermédio do posto ou secção consular da embaixada territorialmente competente, mediante a celebração de um contrato.
2 -O contrato a celebrar contém, designadamente:
a)A identificação das partes e dos respetivos representantes, assim como do título a que intervêm;
b)A descrição do objeto do contrato;
c)Os direitos e obrigações de cada uma das partes;
d)O prazo de execução das atividades apoiadas;
e)O montante do apoio atribuído;
f)As consequências do incumprimento contratual.
3 -O contrato é assinado, em representação da República Portuguesa, pelo titular do posto ou secção consular da embaixada territorialmente competente.
4 -O contrato é celebrado em triplicado, sendo um exemplar enviado à DGACCP no prazo de 30 dias a contar da sua assinatura
5 -A entrega do financiamento faz-se mediante a assinatura, pela entidade apoiada, de declaração de compromisso de execução da ação ou projeto, nos precisos termos da candidatura, e de aceitação das condições previstas no presente decreto-lei, a enviar pelo titular do posto ou secção consular da embaixada territorialmente competente à DGACCP, no prazo previsto no número anterior.
Circunstâncias imprevistas
1 -Se, por circunstâncias imprevistas e imprevisíveis, uma ação ou projeto financeiramente apoiado não for cumprido no prazo estabelecido, o mesmo pode ainda ser executado até ao final do trimestre seguinte àquele prazo, nos termos do número seguinte.
2 -O pedido de prorrogação deve ser apresentado junto do posto consular ou da secção consular da embaixada territorialmente competente, dirigido ao diretor-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, e é remetido à DGACCP no prazo de 10 dias, instruído com o parecer do titular do serviço, para autorização.
Prorrogação excecional
1 -Em circunstâncias absolutamente excecionais e imprevisíveis, designadamente provocadas por desastre natural ou ambiental, ou fortes perturbações de ordem pública, de segurança pública ou de saúde pública, e tendo em conta os pareceres dos postos consulares ou secções consulares das embaixadas territorialmente competentes e proposta da DGACCP, pode o membro do Governo responsável pela área das comunidades portuguesas prorrogar os prazos de execução dos projetos para além dos prazos identificados no n.º 1 do artigo anterior, bem como autorizar o reembolso até 40 % de despesas que tiveram de ser contraídas.
2 -Para a entidade apoiada beneficiar do regime previsto no número anterior, deverá submeter requerimento fundamentado, junto do posto ou secção consular da embaixada territorialmente competente.
3 -O requerimento deve ser acompanhado de prova dos pagamentos efetuados ou compromissos registados junto de fornecedores de bens ou serviços das despesas elegíveis do projeto, desde que emitidos em data prévia às circunstâncias excecionais que levaram ao cancelamento da ação ou projeto e em nome da entidade beneficiária do apoio.
Controlo, acompanhamento e avaliação
1 -Cabe à DGACCP, em articulação com o posto consular ou secção consular da embaixada territorialmente competente, o controlo, acompanhamento e avaliação dos projetos apoiados e da respetiva execução.
2 -As entidades apoiadas são obrigadas a apresentar à DGACCP, no prazo de 45 dias a contar do termo da ação ou projeto apoiado, um relatório final que contenha todos os elementos de natureza qualitativa e quantitativa necessários à análise e avaliação dos resultados obtidos e da boa aplicação do apoio concedido, o qual deve merecer parecer do posto ou secção consular da embaixada territorialmente competente.
3 -Para efeitos do disposto no número anterior, a DGACCP, o posto consular ou secção consular da embaixada competente podem solicitar às entidades apoiadas o envio de informações ou documentos adicionais que considerem pertinentes.
4 -As entidades apoiadas devem ainda organizar um arquivo autónomo, preferencialmente em suporte eletrónico, da documentação relativa à ação ou projeto apoiado, utilizando os documentos originais ou cópias autenticadas das despesas efetuadas e respetivos comprovativos de pagamento, emitidos nos termos legais aplicáveis, devidamente numerados, e identificando a percentagem de qualquer outro apoio financeiro recebido, quando seja caso disso.
5 -O modelo de relatório final é aprovado por portaria do membro do Governo responsável pela área das comunidades portuguesas e disponibilizado no sítio na Internet do MNE.
Incumprimento
1 -A falta de cumprimento, pela entidade apoiada, das respetivas obrigações ou do disposto no presente decreto-lei, determina a impossibilidade de apresentação de novas candidaturas nos três anos seguintes à verificação do incumprimento ou até à reposição total ou parcial da verba atribuída.
2 -Implica ainda a reposição da totalidade ou de parte do montante atribuído, pela entidade apoiada, qualquer dos seguintes factos:
a)A não execução ou execução parcial da ação ou projeto no prazo previsto ou até ao final da prorrogação autorizada nos termos do artigo 11.º;
b)A não apresentação do relatório previsto no n.º 2 do artigo anterior;
c)A não apresentação dos elementos solicitados pela DGACCP, nos termos do n.º 3 do artigo anterior, sempre que estes sejam considerados essenciais para justificar a boa aplicação do apoio concedido;
d)A utilização do apoio financeiro, no todo ou em parte, para fins diversos daqueles para os quais foi atribuído, ou outras irregularidades de igual gravidade.
3 -A reposição do montante atribuído pode ser exigida no prazo de dois anos a contar do seu recebimento pela entidade apoiada, aplicando-se quanto a esta matéria, com as devidas adaptações, o disposto no regime da administração financeira do Estado, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 155/92, de 28 de julho, na sua redação atual.
4 -As falsas declarações são puníveis nos termos gerais da lei.
Ações informativas e divulgação
1 -A DGACCP promove a divulgação de materiais de suporte no sítio na Internet do MNE ou outros meios de informação relevantes a definir anualmente, com vista à capacitação de potenciais destinatários.
2 -Os serviços periféricos externos do MNE divulgam, junto do movimento associativo ou outras entidades interessadas, a informação relevante sobre o regime consagrado no presente decreto-lei.
Capítulo IV - Disposições complementares e finais
Direito subsidiário
Em tudo o que não estiver especificamente regulado no presente decreto-lei, aplica-se subsidiariamente, e com as necessárias adaptações, o disposto no Código do Procedimento Administrativo e no regime jurídico aplicável à concessão de subvenções públicas, estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 167/2008, de 26 de agosto.
Norma revogatória
É revogado o Despacho n.º 16155/2005, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 141, de 25 de julho, com efeitos à data de 30 de setembro de 2017.
Entrada em vigor
O presente decreto-lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.