Aprova o Regulamento de Betões de Ligantes Hidráulicos. Revoga o Decreto n.º 404/71, de 23 de Setembro
Objecto e campo de aplicação
Documentos normativos aplicáveis
Tipos de betões
Os tipos de betões considerados no presente Regulamento são os seguintes:
Tipo B - betão que é caracterizado por determinada resistência mecânica;
Tipo BD - betão que é caracterizado pela durabilidade em meios ambientes agressivos.
Qualidades de betões
Classes de betões do tipo B
Classes de betões do tipo BD
Classes 1 - betão que é caracterizado pela durabilidade quando em contacto com águas de elevada agressividade química;
Classes 2 - betão que é caracterizado pela durabilidade quando em contacto com águas de moderada agressividade química;
Classe 3 - betão que é caracterizado pela durabilidade quando exposto em ambientes em que a temperatura pode atingir, com frequência, valores inferiores a 5ºC.
Designação dos betões
A designação de um betão será, em geral, constituída por uma sigla formada pela sucessão dos indicativos do tipo, da classe e da qualidade.
Ligantes
Inertes
Água
Adjuvantes
Os adjuvantes que haja necessidade de empregar devem, em geral, ter a sua utilização sancionada pela experiência. No caso de não haver experiência da sua aplicação, devem ser submetidos a ensaios que provem a sua eficiência e inocuidade.
Quantidades de halogenetos, de sulfuretos, de sulfatos e de álcalis contidas nos componentes
Critérios gerais
Estudo da composição do betão
Dosagens mínimas de ligante
As dosagens de ligante devem satisfazer as condições indicadas nas alíneas seguintes:
(ver documento original)
Em caso algum, porém, a dosagem poderá ser inferior aos valores mínimos estabelecidos nos regulamentos específicos daquelas estruturas;
(ver documento original)
Valores máximos da razão água/ligante
Granulometria dos inertes
Quantidade de ar a incorporar nos betões do tipo BD da classe 3
Nos betões do tipo BD da classe 3 deve ser incorporada a quantidade de ar indicada no quadro XI do anexo II em função da máxima dimensão do inerte a utilizar.
Critérios gerais
Armazenamento dos componentes
Pode dispensar-se este procedimento se no fabrico do betão for utilizado equipamento em que a adição de água de amassadura é realizada automaticamente por meio de dispositivos eficientes que mantenham constante a quantidade total de água em cada amassadura.
Medição dos componentes
Humidade dos inertes
Amassadura
t = 60 + ((V - 750)/250) x 10
em que t é expresso em segundos e V, volume da amassadura, é expresso em litros; o valor numérico da fracção que figura na expressão deve ser aproximado às unidades por excesso;
Fabrico em condições de temperatura desfavoráveis
Transporte
Depósito
Colocação
Juntas de betonagem
Utilizando uma argamassa, que pode ser a do próprio betão, cuja dosagem de ligante não exceda 800 kg/m3; a espessura da camada não deve exceder cerca de 2 cm;
Sobredoseando o betão em areia (por exemplo, mais 10%), em ligante (por exemplo, mais 50 kg/m3) e em água (de modo a aumentar a trabalhabilidade); a espessura da camada não deve exceder cerca de 10 cm;
Utilizando o betão depois de excluído o inerte de dimensões superiores a 20 mm; a espessura da camada não deve exceder cerca de 10 cm;
Compactação
Cura
Transporte, colocação e cura em condições de temperatura desfavoráveis
No caso de a temperatura ambiente ser tal que exista o risco e a temperatura do betão no momento da sua colocação ser inferior a 5ºC ou superior a 35ºC (v. artigo 27.º) ou ser tal que prejudique as condições de cura do betão, há que tomar, além de cuidados no fabrico (v. artigo 24.º), disposições especiais no transporte, na colocação e na cura do betão, de acordo com o indicado nas alíneas seguintes:
Moldes e cimbres
Os moldes e cimbres devem ser executados de modo a serem satisfeitas as condições indicadas nas alíneas seguintes:
Desmoldagem e descimbramento
Verificação e fiscalização
Boletim de fabrico do betão
Boletim de encomenda e guia de remessa do betão fabricado em central industrial
Livro de registo da obra
Recepção dos componentes
Critérios gerais de recepção do betão
Recepção dos betões do tipo B
(ver documento original)
tomando-se, no caso da resistência à compreensão, K(índice 1) = 5 MPa e K(índice 2) = 1 MPa no início da produção do betão e K(índice 1) = K(índice 2) = 3 MPa desde que as condições de produção se encontrem estabilizadas.
Recepção dos betões do tipo BD
Recepção dos betões fabricados em central industrial
ANEXO I
Lista dos documentos normativos aplicáveis
A - Ligantes
Decreto-Lei n.º 208/85, de 26 de Junho.
Caderno de encargos para o fornecimento e recepção de pozolanas (Decreto n.º 42999, de 1 de Junho de 1960).
NP-2064 - Cimentos. Definições, classes de resistência e características.
NP-2065 - Cimentos. Condições de fornecimento e recepção.
LNEC E 29 - Cimentos. Determinação da resistência mecânica.
LNEC E 49 - Cimentos. Determinação do teor em sulfuretos.
LNEC E 56 - Cimento portland. Determinação do teor em álcalis solúveis em água.
LNEC E 59 - Cimentos. Determinação da perda ao fogo.
LNEC E 61 - Cimentos. Determinação do teor em sulfatos.
LNEC E 64 - Cimentos. Determinação da massa volúmica.
LNEC E 65 - Cimentos. Determinação da superfície específica.
LNEC E 66 - Cimentos pozolânicos. Ensaio de pozolanicidade.
LNEC E 68 - Cimentos. Determinação do calor de hidratação.
LNEC E 229 - Cimentos. Ensaio de expansibilidade. Processo de autoclave.
LNEC E 231 - Cimentos. Determinação do teor em halogenetos.
LNEC E 328 - Cimentos. Preparação da pasta normal.
LNEC E 329 - Cimentos. Determinação dos tempos de presa.
LNEC E 330 - Cimentos. Ensaios de expansibilidade. Processo de La Châtelier.
LNEC E 331 - Cimentos. Determinação do resíduo de peneiração.
LNEC E 332 - Cimentos. Preparação das amostras para análise química.
LNEC E 333 - Cimentos. Determinação do teor em matéria insolúvel em solução de ácido clorídrico e de carbonato de sódio.
LNEC E 334 - Cimentos. Determinação do teor em matéria insolúvel em soluções de ácido clorídrico e de hidróxido de potássio.
LNEC E 339 - Cimentos. Determinação do teor em sílica.
LNEC E 340 - Cimentos. Determinação do teor em óxido de cálcio.
LNEC E 341 - Cimentos. Determinação do teor em óxido de magnésio.
B - Inertes
NP-85 - Areias para argamassas e betões. Pesquisa da matéria orgânica pelo processo do ácido tânico.
NP-86 - Inertes para argamassas e betões. Determinação do teor em partículas muito finas e matérias solúveis.
NP-581 - Inertes para argamassas e betões. Determinação das massas volúmicas e da absorção de água de britas e godos.
NP-953 - Inertes para argamassas e betões. Determinação do teor em partículas leves.
NP-954 - Inertes para argamassas e betões. Determinação das massas volúmicas e da absorção de água de areias.
NP-955 - Inertes para argamassas e betões. Determinação da baridade.
NP-956 - Inertes para argamassas e betões. Determinação dos teores em água total e em água superficial.
NP-957 - Inertes para argamassas e betões. Determinação dos teores em água total e em água superficial de areias.
NP-1039 - Inertes para argamassas e betões. Determinação da resistência ao esmagamento.
NP-1040 - Pedras naturais. Determinação da tensão de rotura por compressão.
NP-1378 - Agregados. Ensaio de alteração pelo sulfato de sódio ou pelo sulfato de magnésio.
NP-1379 - Inertes para argamassas e betões. Análise granulométrica.
NP-1380 - Inertes para argamassas e betões. Determinação do teor em partículas friáveis.
NP-1381 - Inertes para argamassas e betões. Ensaio de reactividade potencial com os álcalis do ligante (processo da barra de argamassa).
NP-1382 - Inertes para argamassas e betões. Determinação do teor em álcalis solúveis (processo por espectrofotometria de chama).
NP-2106 - Inertes para argamassas e betões. Determinação do teor em sulfatos.
NP-2107 - Inertes para argamassas e betões. Determinação do teor em sulfuretos.
LNEC E 159 - Agregados. Determinação da reactividade potencial.
LNEC E 196 - Solos. Análise granulométrica.
LNEC E 222 - Agregados. Determinação do teor em partículas moles.
LNEC E 223 - Agregados. Determinação do índice volumétrico.
LNEC E 237 - Agregados. Ensaio de desgaste pela máquina de Los Angeles.
LNEC E 251 - Inertes para argamassas e betões. Ensaio de reactividade com os sulfatos em presença de hidróxido de cálcio.
LNEC E 253 - Inertes para argamassas e betões. Determinação do teor em halogenetos solúveis.
C -Águas
NP-413 - Água. Determinação do teor em sulfatos.
NP-423 - Água. Determinação do teor em cloretos.
NP-505 - Água. Determinação do teor em resíduo.
NP-507 - Água. Determinação do teor em magnésio.
NP-625 - Água. Determinação do teor em sódio (processo gravimétrico).
NP-626 - Água. Determinação do teor em potássio (processo colorimétrico).
NP-730 - Águas. Determinação do teor em azoto amoniacal (processo expedito).
NP-1414 - Águas. Determinação do consumo químico do oxigénio de águas de amassadura e de águas em contacto com betões (processo do dicromato de potássio).
NP-1415 - Água. Colheita das amostras de águas de amassadura e de águas em contacto com betões.
NP-1416 - Águas. Determinação da agressividade para o carbonato de cálcio de águas de amassadura e de águas em contacto com betões.
NP-1417 - Águas. Determinação do teor em sulfuretos totais de águas de amassadura e de águas em contacto com betões (processo volumétrico).
NP-1418 - Águas. Determinação do teor em sulfuretos dissolvidos de águas de amassadura e de águas em contacto com betões (processo volumétrico).
LNEC E 202 - Solos. Determinação da quantidade de sulfatos de um solo e da quantidade de sulfatos da água de um solo.
D - Betões
NP-87 - Consistência do betão. Ensaio de abaixamento.
NP-414 - Consistência do betão. Ensaio de espalhamento.
NP-1383 - Betões. Preparação de provetes para ensaios de compressão e de flexão.
NP-1384 - Betões. Determinação da massa volúmica do betão fresco.
NP-1385 - Betões. Determinação da composição do betão fresco.
NP-1386 - Betões. Determinação do teor em ar do betão fresco (processo pneumático).
NP-1387 - Betões. Determinação dos tempos de presa.
LNEC E 226 - Betão. Ensaio de compressão.
LNEC E 227 - Betão. Ensaio de flexão.
LNEC E 228 - Betão. Determinação da trabalhabilidade vebê.
ANEXO II
Quadros
(ver documento original)
ANEXO III
Determinação do desvio padrão, do coeficiente de variação e do valor característico da tensão de rotura do betão a partir dos resultados dos ensaios
Para cada amostra determina-se a média dos valores da tensão de rotura obtidos para cada provete retirado dessa amostra. Designado por f(índice ci) os valores médios assim determinados e correspondentes às diferentes amostras, cujo número se designa por n, calcula-se a média aritmética f(índice cm) daqueles valores pela expressão
(ver documento original)
e determina-se o desvio padrão (delta) pela expressão
(ver documento original)
Admitindo que o valor da média e o quadrado do valor do desvio padrão assim determinados são boas estimas da média e da variância da distribuição estatística da população que as amostras apresentam e admitindo que esta distribuição é normal, o valor característico da tensão de rotura f(índice ck) - definido como valor que é atingido com a probabilidade de 95% - distará da média 1,64 desvios padrões.
Será então:
f(índice ck) = f(índice cm) - 1,64 (Delta)
ou, designando por coeficiente de variação a relação entre o desvio padrão e a média
(delta) = ((Delta)/f(índice cm))
ter-se-á, também para calcular o valor característico, a expressão
f(índice ck) = f(índice cm)(1 - 1,64 (delta))
No cálculo do valor característico à compressão não poderão ser considerados valores do desvio padrão inferiores a 2,5 MPa; do mesmo modo, será de 7% o limite inferior ao valor do coeficiente de variação a considerar.
O Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, João Maria Leitão de Oliveira Martins.