Regulamento Interno do Museu do Neo-Realismo
Identificação e fundação
O Museu do Neo-Realismo (MNR) é uma instituição cultural pública tutelada pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (CMVFX), e é identificada por logotipo próprio que deverá ser sempre incluído em toda a documentação produzida internamente, assim como na documentação de suporte de cedências e empréstimos externos. O MNR foi fundado em 1990 por uma comissão instaladora, para funcionar em instalações provisórias cedidas pela CMVFX, e em 2007 foi instalado em edifício próprio construído de raiz, com projeto do Arquiteto Alcino Soutinho, cofinanciado pela União Europeia através do Programa Operacional da Cultura.
Localização e contactos
Telefone/Telemóvel: 263 285 626/ 964 820 806
Endereço eletrónico: [email protected]
Sítio na Internet: www.museudoneorealismo.pt
Logótipo
O MNR tem logótipo próprio, concebido para a sua identificação e representação gráfica, o qual deve ser aposto em todos os documentos técnicos e impressos gerados internamente. O logótipo identifica a entrada e está colocado no cimo da porta principal de acesso (Anexo 1 ao presente Regulamento).
Vocação
O MNR é um museu vocacionado para o estudo e disponibilização de fontes documentais e artísticas do conjunto de bens culturais de cariz neorrealista à sua guarda, através da investigação, inventário, conservação, interpretação, exposição e divulgação, com objetivos científicos, educativos e lúdicos, através de uma ação pedagógica e didática adequada.
Objetivos
Instrumentos de gestão
Enquadramento orgânico
O MNR é uma instituição cultural de caráter permanente, sem personalidade jurídica e sem fins lucrativos, centrado no território do município de Vila Franca de Xira. Hierarquicamente é dependente da divisão municipal com responsabilidade sob área dos museus, e do departamento com responsabilidade sob a área da cultura de acordo com o determinado no Regulamento Orgânico da CMVFX em vigor.
Estrutura orgânica dos serviços do Museu do Neo-Realismo
O MNR está integrado na divisão municipal com responsabilidade pelos museus, é um núcleo do setor de museus (Organograma - Anexo 2 ao presente Regulamento) e é constituído pelos seguintes serviços:
1) Direção Técnica;
2) Direção Científica;
3) Administrativo;
4) Comunicação e Imagem;
5) Produção de Atividades;
6) Artes Plásticas e Espólios Artísticos;
7) Centro de Documentação e Espólios Literários;
8) Educativo;
9) Conservação e Restauro.
Política de incorporações
O MNR possui uma política de incorporações definida de acordo com a sua vocação e missão, e cumprindo um programa que objetiva a continuidade do enriquecimento do acervo museológico no âmbito da sua temática, o Movimento Neorrealista Português.
A política de incorporações do MNR está descrita no documento Politica de Incorporações do Museu do Neo-Realismo, (Anexo 3 ao presente Regulamento) de acordo com a Lei-Quadro de Museus Portugueses (Lei n.º 47/2004), anexo ao presente Regulamento.
Coleções
Inventário
Investigação e estudo das coleções
Conservação preventiva
Segurança
Horário
O horário de abertura ao público respeita o horário de trabalho dos funcionários, estipulado de acordo com as regras fixadas para a Administração Pública, adaptadas à Administração Local e às necessidades do MNR, sem prejuízo de, por despacho do presidente da Câmara Municipal, poder vir a sofrer alterações.
Acesso
O acesso ao MNR é gratuito, estando, todavia, sujeito a normas específicas de identificação e circulação através dos seus espaços internos.
Restrições à entrada
Registo de visitantes
Acolhimento ao público
Normas de visita
Apoio a pessoas com diversidade funcional
Acesso às reservas museológicas
c1) A indisponibilidade temporária de pessoal técnico para acompanhar os utilizadores que o solicitem;
c2) A necessidade de cuidados especiais na conservação dos bens culturais;
c3) O mau estado de conservação dos bens culturais;
c4) Outros fatores considerados relevantes pela direção do MNR;
Acesso à documentação
Normas para a utilização das coleções e documentos por investigadores e instituições
Auditório
Livraria
Cafetaria
Missão e objetivos
Utilizadores
Acesso e utilização dos fundos documentais
Fundos documentais
Informação e livre acesso
Devolução de documentos
Áreas temáticas
O CDEL disponibiliza informação nas seguintes áreas temáticas reportadas às disciplinas de base do MNR, sem prejuízo de outras que venham a ser criadas:
LIT - Literatura
ART - Arte
CIN - Cinema
MUS - Música
TEA - Teatro
CAT - Catálogos
OR - Obras de referência
PP - Publicações periódicas
ARQIMP - Arquivo de imprensa
ARQGRA - Arquivo gráfico
ARQFOT - Arquivo fotográfico
ARQMUL - Arquivo multimédia
ESPLIT - Espólios literários
ESPED - Espólios editoriais
ESPINST - Espólios institucionais
LEG - Legados
Serviço de referência
Serviço de empréstimo local
Serviço de reprodução de documentos
Difusão da informação
O CDEL desenvolve e disponibiliza produtos diversificados de informação, visando a promoção e o conhecimento dos recursos e serviços que gere, potenciando a sua utilização e apresenta os seguintes meios de difusão:
Normas e condições gerais de utilização dos espaços do CDEL
Exposições, curadoria, programas e espaços expositivos
Comunicação e difusão do acervo
Educação
A marcação destes serviços é feita através do Serviço Educativo, de segunda a sexta-feira, das 9h30 m às 12h30 m e das 14h00 m às 17h30 m.
Divulgação e publicidade
Considerando a importância da comunicação social para a divulgação das atividades desenvolvidas nos museus, o MNR usará todos os meios ao seu alcance para a divulgação das suas iniciativas, dispondo dos meios internos, nomeadamente do Serviço de Comunicação e Imagem, e pelos serviços da autarquia através da Divisão de Comunicação e Imagem, fazendo-se divulgação institucional interna e externa, nos diferentes meios de comunicação, imprensa local, regional e nacional, bem como rádio, Internet e televisão.
Atividades comerciais
Museus e instituições
O MNR dispõe-se a colaborar com todos os museus, instituições culturais, escolas, universidades, ou outras, nacionais e internacionais, com os quais possa vir a encetar protocolos ou parcerias, nomeadamente, no âmbito da sua natureza institucional e disciplinar, garantindo assim os laços de cooperação solidária suscetíveis de servirem ao desenvolvimento do conhecimento e da cidadania.
Estágios
O MNR aceita a realização de estágios curriculares e profissionais, assim como os dos programas de ocupação de jovens, promovidos pela CMVFX. A duração dos estágios é de seis meses ou de um ano, podendo, em casos excecionais devidamente ponderados, ter maior ou menor duração. No âmbito dos estágios curriculares celebra protocolos de colaboração com estabelecimentos de ensino técnico e/ou superior. Os programas de ocupação de jovens de longa e curta duração obedecem a regulamento próprio do serviço municipal que promove os programas. As ações a desenvolver nos estágios são definidas superiormente pela direção, em horário a combinar, e integradas no âmbito das atividades, projetos, e programas ou outras formas de intervenção.
Voluntariado
O MNR apoiará a colaboração de voluntários maiores de idade, que mostrem interesse em participar, de forma desinteressada e não remunerada, em atividades superiormente definidas pela direção, em horário a combinar, e integradas no âmbito de projetos, programas ou outras formas de intervenção, sempre desenvolvidas sem fins lucrativos, de acordo com o estipulado na Lei n.º 71/98, de 3 de novembro e no Decreto-Lei n.º 389/99, de 30 de setembro.
Dúvidas e omissões
As dúvidas suscitadas na interpretação e aplicação do presente Regulamento, bem como os casos omissos são analisados pela direção do MNR, e resolvidos pelo presidente da Câmara Municipal ou pelo vereador com responsabilidade no pelouro da cultura.
Recolha e tratamento de dados pessoais
O presente Regulamento encontra-se de acordo com o previsto no Regulamento (UE) 2016/679 do Parlamento Europeu e do Conselho de 27 de abril de 2016, relativo à proteção das pessoas singulares no que diz respeito ao tratamento de dados pessoais e à livre circulação desses dados, designado por Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, na Lei n.º 58/2019, de 8 de agosto, que assegura a execução, na ordem jurídica nacional do mencionado regulamento e em conformidade com a Política de Privacidade da CMVFX.
Revisão do presente Regulamento
Entrada em vigor
O presente Regulamento entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação no Diário da República e no sítio institucional da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
16 de setembro de 2020. - O Presidente da Câmara Municipal, Alberto Simões Maia Mesquita.
ANEXO 1
Logotipo do Museu do Neo-Realismo
(ver documento original)
ANEXO 2
Estrutura Orgânica dos serviços do Museu do Neo-Realismo
(ver documento original)
ANEXO 3
Política de Incorporações do Museu do Neo-Realismo
Preâmbulo
O Museu do Neo-Realismo (MNR) dispõe de uma política de incorporação definida, que se exprime num conjunto de ações e procedimentos de organização e gestão que têm por objetivo dar continuidade ao enriquecimento das suas coleções.
A política de incorporações do MNR assenta no estabelecido no artigo 12.º, Secção III - Incorporação, da Lei n.º 47/2004, de 19 de agosto, que define e aprova a Lei-Quadro dos Museus Portugueses, e que define este documento normativo como imprescindível para o correto funcionamento de qualquer instituição museológica. Determina o artigo 12.º que os museus devem "formular e aprovar, ou propor para aprovação da entidade de que dependem, uma política de incorporações, definida de acordo com a sua vocação e consubstanciada num programa de atuação que permita imprimir coerência e dar continuidade ao enriquecimento do respetivo acervo de bens culturais".
O presente documento define a Política de Incorporações do Museu do Neo-Realismo, enquadrando-se nas disposições gerais definidas no Capítulo I do Regulamento Interno, e o estipulado no artigo 9.º, do Capítulo III - Gestão do acervo, do mesmo Regulamento.
O presente documento possibilita a uniformização de metodologias, imprimindo coerência e continuidade, destinadas a promover as boas práticas na gestão das coleções do MNR.
A Política de Incorporações do Museu do Neo-Realismo tem como princípios orientadores a Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural, o Código Deontológico do Conselho Internacional dos Museus (ICOM) para os Museus e a Lei-Quadro dos Museus Portugueses - Lei n.º 47/2004, de 19 de agosto.
Os procedimentos, regras e normas definidos no presente documento são aplicáveis aos bens culturais das várias coleções já existentes no MNR e aos bens que nele venham a ser integrados.
O MNR iniciou o seu percurso em 1990, num imóvel de propriedade não municipal, onde funcionou durante 17 anos, e com o papel preponderante da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo que promoveu uma intensa política de incorporação de bens culturais, que se materializava nos esforços para encetar contactos no sentido de recolher e formar coleções dos bens culturais produzidos e criados pelos intelectuais ligados ao movimento neorrealista português que testemunhassem e garantissem um destino unitário num espaço dedicado àquele movimento cultural, político e social tão importante na década de 30 a 60 do séc. XX e que legou importantes heranças às épocas seguintes.
Criado a partir da atividade de um centro de documentação, desde logo evoluiu, sobretudo, em torno da área arquivística e bibliográfica, enriquecendo e diversificando o seu património, e desenvolvendo um vasto conjunto de coleções museológicas, com destaque para espólios literários, editoriais e artísticos, arquivos documentais (impressos e audiovisuais), obras de arte, publicações periódicas, bibliotecas particulares e uma biblioteca especializada na temática neorrealista.
Em 2003, é aprovado pela CMVFX, o projeto da autoria do Arquiteto Alcino Soutinho, para a construção de um edifício de raiz no centro da cidade, cofinanciado pela União Europeia através do Programa Operacional da Cultura. O novo edifício, com cinco pisos e novas valências museológicas, nomeadamente cinco espaços de exposições temporárias e de longa duração, um auditório, reservas museológicas, uma biblioteca especializada, e dois espaços públicos que contemplam uma cafetaria e uma livraria, é inaugurado a 20 outubro de 2007.
O MNR possui uma diversidade tipológica de bens culturais móveis relacionados com o Movimento Neorrealista Português, catalogáveis nas diversas áreas disciplinares que constituem as suas coleções.
A origem da incorporação das coleções no MNR reportam-se aos anos 90, aquando da sua instalação pela Comissão Instaladora do Museu do Neo-Realismo (CIMNR), que deu lugar, mais tarde, à Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo (APMNR), com o aval, apoio financeiro, e recursos humanos da CMVFX. Depois da sua instalação, foram encetados os primeiros contactos com os autores e artistas neorrealistas, ou respetivas famílias, num esforço intensivo de recolher e reunir os bens culturais que testemunhassem a existência do Movimento Neorrealista Português.
Mesmo sem as condições essenciais para as boas práticas museológicas, nomeadamente o espaço de reservas, foi no edifício onde o MNR esteve instalado durante 17 anos, adaptado essencialmente para albergar a biblioteca no 1.º piso e os arquivos e sala de exposições no 2.º piso, que se reuniu mais de 50 % dos bens culturais que hoje integram o seu acervo.
As coleções começaram a ser formadas de acordo com a tipologia e a técnica dos bens culturais, e de acordo com a separação natural que se assumiu desde o início, por um lado a coleção documental, centrada no Centro de Documentação que foi a sua génese, e por outro a coleção de bens artísticos, que foram sendo incorporados ou depositados.
O intenso trabalho de recolha de bens culturais, nomeadamente espólios literários e editoriais, publicações periódicas, bibliotecas particulares enriquecidas pelas primeiras edições autografadas de autores neorrealistas, audiovisuais ou obras de artes plásticas, foi recompensado com importantes incorporações ao longo dos anos, e que naturalmente fazem parte da história do MNR. Assim, foi com a doação do primeiro grande acervo documental incorporado no Centro de Documentação, o Espólio Literário de Manuel da Fonseca doado pelo próprio escritor em 1991, e com a doação em 1997, do primeiro grande Espólio Artístico de José Dias Coelho, feita pelos seus herdeiros, que se assinalaram 2 momentos importantes na formação do MNR e no enriquecimento do seu acervo.
De 1991 a 2007 foram sendo reunidos espólios de autores significativos do Movimento Neorrealista Português, com destaque para as áreas da literatura e das artes plásticas, e de espólios ligados a editoras que tiveram um papel significativo na divulgação do neorrealismo como o da revista Vértice.
Os espólios literários ou artísticos incorporados no seu acervo são de escritores como Alexandre Babo, Alexandre Cabral, Álvaro Feijó, Alves Redol, Antunes da Silva, Armindo Rodrigues, Arsénio Mota, Carlos Coutinho, Carlos de Oliveira, Garcez da Silva, Faure da Rosa, Joaquim Lagoeiro, Joaquim Namorado, José Ferreira Monte, Jorge Reis, José Fonte Santa, Júlio Graça, Leão Penedo, Manuel Campos Lima, Manuel da Fonseca, Mário Braga, Mário Sacramento, Orlando da Costa, e Soeiro Pereira Gomes, ou de artistas plásticos como Alice Jorge, Avelino Cunhal, Francisco Castro Rodrigues, João Machado da Costa e Natércia Costa, José Augusto, José Dias Coelho, Jorge Oliveira, Maria Barreira e Vasco Pereira da Conceição e Rui Filipe, ou ainda os espólios editoriais da revista Vértice, dos jornais O Diabo e Horizonte, e da editora Cosmos. A coleção de artes plásticas é constituída por obras de artes plásticas nas diversas técnicas de produção como a pintura, gravura, desenho, ou escultura, de artistas conceituados como Júlio Pomar, Cipriano Dourado, Rogério Ribeiro, Alice Jorge, Lima de Freitas, Nuno San Payo, Manuel Ribeiro de Pavia, Mário Dionísio, Querubim Lapa, José Dias Coelho, Maria Barreira, ou Vasco Pereira da Conceição, entre outros.
A biblioteca é especializada na temática neorrealista, e o seu acervo ultrapassa os 20 000 volumes de poesia, ficção, teatro e ensaio, com particular destaque para as primeiras edições impressas de autores neorrealistas. Inclui as bibliotecas particulares de Alves Redol, Armindo Rodrigues, Santos Silva, Aleixo Ribeiro, Ferreira Monte, Alexandre Cabral, Carlos de Oliveira, Arsénio Mota, Mário Sacramento, entre outros. Possui uma vasta bibliografia em áreas como a poesia, ficção, teatro, cinema, artes plásticas, história e política contemporâneas, sempre privilegiando a temática do neorrealismo ou com ela relacionada, para além de obras de referência (dicionários, enciclopédias, etc). Para além dos volumes monográficos, estão igualmente disponíveis para consulta a coleção de publicações periódicas, de imprensa regional e nacional, desde os anos 40 do século XX até à atualidade.
O acervo bibliográfico e artístico (espólios literários e espólios artísticos) é constituído por um vasto arquivo de materiais em diferentes suportes como a produção literária do autor, a história pessoal, a correspondência trocada com outros, a fotografia, artes plásticas, objetos pessoais, livros, publicações periódicas, catálogos, e documentos pós-morte.
No Centro de Documentação foram ainda incorporados os documentos impressos ou em suporte multimédia que constituem os arquivos de imprensa, fotográfico, gráfico e audiovisual.
Com a instalação do MNR, em 2007, num edifício construído de raiz, materializado sob o projeto do Arquiteto Alcino Soutinho, e com todas as funções museológicas adequadas à preservação e divulgação do seu acervo, foi assumida a estratégia de centrar os seus recursos no tratamento museológico das suas coleções e divulgá-las através da exposição de longa duração e das dezenas de exposições temporárias que tem vindo a produzir desde então.
A estratégia que as diferentes direções assumiram na sua promoção e dinamização, particularmente na captação e fidelização de públicos, foram, também, no sentido de continuar o enriquecimento do seu acervo seguindo uma política de novas incorporações de bens culturais. Assim, nos últimos anos a percentagem de bens incorporados no seu acervo, seja de espólios literários ou artísticos, de bibliotecas particulares, ou de obras de artes plásticas foi significativo.
Desde 2007 o acervo foi enriquecido com novas entradas de bens culturais para incorporar em espólios literários já existentes, tais como Alexandre Cabral, Joaquim Namorado, Mário Braga, Alves Redol, e Mário Sacramento. Os novos espólios literários foram de António Ramos de Almeida, Carlos de Oliveira, Luís Amaro, Arsénio Mota, assim como as respetivas bibliotecas particulares. Também foram incorporadas as bibliotecas particulares de Orlando da Costa, Manuel Mendes, Joaquim Namorado, e Maria Barreira e Vasco Pereira da Conceição. Foram ainda incorporados os espólios artísticos de Avelino Cunhal, José Augusto, Jorge de Oliveira, Alice Jorge, Francisco Castro Rodrigues, Maria Barreira e Vasco Pereira da Conceição, João Machado da Costa e Natércia Costa e Rui Filipe. E ainda o legado e biblioteca de Severiano Falcão, e os legados artísticos de António Alfredo Paiva Nunes, Gabriela Vitorino e João Lavinha, Maria Margarida Tengarrinha, Noémia Cruz e Aida Barata e Joaquim Barata.
A atual política de incorporações do MNR rege-se pelos princípios orientadores definidos na Lei-Quadro dos Museu Portugueses aprovada pela Lei n.º 47/2004, de 19 de agosto, nomeadamente os artigos 12.º e 13.º, pelo presente documento e pelo Código Deontológico do ICOM.
É vocação primária do MNR inventariar, estudar, conservar e divulgar as coleções que possui. A APMNR, que nos anos 90 se responsabilizou pela recolha e incorporação de grande parte dos bens à sua guarda, e que exercia essa função com a colaboração técnica dos recursos humanos da CMVFX, que à época não eram suficientes para inventariar tão elevado acervo, deixou de ter a missão de recolha e incorporação de bens a partir de 2007 aquando da sua instalação no atual edifício, que contou a partir dessa data com um quadro de pessoal especializado nas várias funções museológicas do tratamento, conservação e divulgação das coleções.
O MNR tem vindo a enriquecer o seu acervo seguindo uma política de incorporações definida de acordo com a sua vocação, missão e objetivos, de forma coerente e continuada, recolhendo espólio nas áreas do património documental, bibliográfico e artístico no território nacional e internacional se necessário.
A intenção de dar continuidade ao crescimento das coleções prende-se com os seguintes fatores:
A incorporação dos bens culturais será feita segundo o determinado no artigo 13.º da Lei-Quadro dos Museu Portugueses aprovada pela Lei n.º 47/2004, de 19 de agosto, que compreende as seguintes modalidades:
No caso da doação, prevista na alínea b), caso a mesma comporte condições impostas pelo(s) doador(es), estas poderão ser ou não aceites de acordo com o estipulado entre as partes. As condições da doação devem ser fixadas por escrito, em forma de contrato, assinado por ambas as partes, e de acordo com os modelos já formalizados pelo MNR.
Os bens culturais depositados ou cedidos a título de empréstimo não são considerados incorporações, por não implicar transferência de propriedade. Estes procedimentos são alvo de tratamento adequado, normalizado, com documentação e formulários adequados para o efeito.
O responsável pela proposta de incorporação de novos bens culturais é a direção do MNR. Os responsáveis pela gestão das coleções emitirão um parecer técnico, devidamente justificado, da incorporação em causa, que fará parte do processo, instruído com a carta de intenção da doação, formulário de incorporação com registo de dados, lista de bens (com valores patrimoniais), auto de entrega e minuta do contrato de doação, produzidos para o efeito.
O processo de incorporação de novos bens culturais será validado pela direção do MNR, que o submeterá para aceitação e aprovação da CMVFX.
A efetivação da incorporação só se verifica depois de concedida a necessária autorização da tutela.
A incorporação de novos bens culturais deve ter em atenção o seguinte:
O MNR possui as aplicações informáticas (área documental e área artística) específicas para o registo, classificação e catalogação de todos os dados referentes aos bens culturais incorporados. As aplicações informáticas permitem a articulação entre os vários registos de dados do bem, a bibliografia e os registos fotográficos.
O MNR tem as suas coleções organizadas de acordo com a tipologia da documentação e as áreas a que pertencem.
ESPLIT - Espólios literários (A)
ESPED - Espólios editoriais (B)
ESPINST - Espólios institucionais
LEG - Legados
ARQIMP - Arquivo de imprensa
ARQGRA - Arquivo gráfico
ARQFOT - Arquivo fotográfico
ARQMUL - Arquivo multimédia
PP - Publicações periódicas
BIBPAR - Bibliotecas particulares
Biblioteca Geral:
LIT - Literatura
ENS - Ensaio
ART - Arte
CIN - Cinema
MUS - Música
TEA - Teatro
CAT - Catálogos
OR - Obras de Referência
Quando novos bens culturais são incorporados no acervo é-lhes atribuído um «Número de Inventário», constituído por um código alfanumérico, seguido do número, como a seguir se indica:
AP - Artes plásticas
AD - Artes decorativas
EA - Espólios artísticos (C)
LA - Legados artísticos (I)
O inventário da coleção de artes plásticas, artes decorativas, espólios artísticos e legados artísticos é feito informaticamente em tabelas Excel, e em base de dados.
Aos bens culturais das coleções de artes plásticas nas diferentes técnicas, referidas no ponto 4. do presente documento é atribuído um número de inventário por ordem sequencial de entrada dos bens no acervo e é constituído por uma referência alfanumérica. Exemplo: MNR-R.000001-06 (Museu do Neo-Realismo-Reservas- n.º 1-ano de 2006).
Aos bens culturais inseridos nos espólios artísticos (C) e legados artísticos (I) é atribuída uma referência alfanumérica, sequencial por ordem de entrada do espólio ou legado. O n.º de inventário é sequencial dentro de cada um. Exemplo: MNR-C1-R.000016-06 (Museu do Neo-Realismo-Espólio Artístico de José Dias Coelho-Reservas- n.º 16-ano de 2006).
O número de inventário das diferentes coleções, é o número que identificará os bens culturais em toda a documentação produzida e também no inventário museológico informatizado nas bases de dados dos serviços de gestão de coleções.
Quando um bem cultural inicia o processo de registo e de catalogação pressupõe-se que já foi cumprido o estipulado nos pontos 7. e 8. do presente documento. O método de registo utilizado é o definido no ponto 11. do presente documento.
Os bens ou conjunto de bens culturais depois de incorporados, são registados em fichas específicas, ou tabelas informáticas, onde deve constar:
Registo de entradas:
Os bens incorporados (documentais e artísticos) são identificados com o n.º de inventário e coleção a que pertencem, no caso dos bens documentais, nas capilhas de acondicionamento, e no caso dos bens artísticos com marcação em etiqueta adequada. Ao proceder-se a esta tarefa deve assegurar-se a legibilidade do código e que a marcação não causará dano nem interferirá na leitura da peça.
Catalogação:
Diagnóstico:
O bem, ou conjunto de bens, depois de registado e catalogado, é diagnosticado pelo Serviço de Conservação e Restauro, de forma a avaliar o seu estado de conservação, e serão executados todos os tratamentos curativos considerados necessários, conforme definido nas Normas e Procedimentos de Conservação Preventiva do Museu do Neo-Realismo.
Marcação dos bens:
Depois de diagnosticados e intervencionados curativamente (quando necessário), os bens são marcados com o n.º de inventário atribuído. Esta marcação será efetuada respeitando a natureza físico-química dos materiais constituintes e seguindo as boas práticas da conservação preventiva.
Acondicionamento:
Após efetuados todos os procedimentos referidos anteriormente, o bem ou conjunto de bens, é devidamente acondicionado nas reservas museológicas, ou, em casos excecionais, em outros espaços da CMVFX considerados adequados para o efeito e seguindo sempre as boas práticas da conservação preventiva estabelecidas nas Normas e Procedimentos de Conservação Preventiva do Museu do Neo-Realismo.
Circulação e transporte:
A circulação e o transporte de bens museológicos não deverão pôr em causa a segurança física dos mesmos. A realização de qualquer deslocação implicará necessariamente a realização de um seguro de transporte e permanência no novo local. O transporte de bens culturais, deverá ser efetuado, sempre que possível, e dependendo dos bens a circular, por empresas de transporte especializado. A sistematização destes procedimentos é enunciada nas Normas e Procedimentos de Conservação Preventiva do Museu do Neo-Realismo.
Responsabilidade:
Os procedimentos de incorporação de novos bens culturais no acervo do MNR são da responsabilidade do serviço de gestão de coleções do Centro de Documentação e Espólios Literários e Artes Plásticas e Espólios Artísticos, que deve seguir escrupulosamente o estabelecido no presente documento, no Regulamento Interno e nas Normas e Procedimentos de Conservação Preventiva do Museu do Neo-Realismo.
No caso dos bens ou conjunto de bens cuja incorporação não foi aceite pelos motivos expostos ponto 7.2., a direção do MNR, bem como os responsáveis pela gestão das coleções, pode sugerir a sua integração noutros museus cujo acervo seja mais consentâneo com a temática daqueles.
O abatimento de um bem cultural é o processo através do qual este é definitivamente retirado do acervo da instituição.
O bem não se enquadra nos objetivos definidos no preâmbulo e ponto 4. deste documento;
O bem sofreu danos físicos irrecuperáveis, por motivo de acidente ou catástrofe;
Apesar de cuidados de conservação preventiva o bem encontra-se em avançado estado de deterioração;
O bem exige cuidados especiais de conservação e de armazenamento que o MNR não consegue disponibilizar;
O bem vai ser transferido para outra instituição museológica onde é mais consentâneo com o conjunto das coleções.
A decisão de abatimento de um bem cultural é da responsabilidade da direção do MNR, após análise e proposta fundamentada dos técnicos dos serviços de gestão das coleções. O diretor deve propor à tutela (CMVFX) o abatimento do bem através do envio da correspondente proposta formal, onde deverá constar;
A efetivação do abatimento só se verifica depois de a CMVFX ter concedido a necessária aprovação.
Deverá existir um registo de abatimento de bens, no qual se enumeram todos os bens abatidos, assinalando-se os dados constantes na proposta de abatimento do bem e a data em que tal sucedeu.
O abatimento de qualquer bem do MNR não subentende o abatimento do seu número de inventário, que é intransmissível e não pode ser atribuído a outro bem, nem a destruição ou alienação, por qualquer forma, da informação ou documentação que lhe estavam associadas.
A ficha de inventário informatizada e o processo técnico do bem devem ser atualizados com a informação sobre o seu abatimento.
As dúvidas e omissões serão analisadas e sujeitas a parecer técnico da direção do Museu, superiormente aprovado pela CMVFX.
A presente política de incorporação é revista e atualizada quando exista matéria que justifique essa revisão.
A responsabilidade da revisão é da direção e dos técnicos dos serviços de gestão das coleções do MNR.
ANEXO 4
Normas de Procedimento de Conservação Preventiva do Museu do Neo-Realismo
I -Caracterização
O Museu do Neo-Realismo (MNR) insere-se, organicamente, na Divisão de Cultura, Museus e Património Histórico, do Departamento de Cultura, do Município de Vila Franca de Xira, estando os seus serviços sedeados, fisicamente, na sede de concelho.
De acordo com o Plano Diretor Municipal de Vila Franca de Xira, de junho de 2004 (1), o clima do concelho apresenta características mediterrâneas. Fontes do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) apresentam mapas nos quais Vila Franca de Xira se localiza na região Csa, de acordo com a classificação de Koppen, ou seja, exibe um clima temperado com inverno chuvoso e verão seco e quente. (2) Importa ainda mencionar que a proximidade ao rio Tejo permite regular as características do clima, principalmente, ao nível da temperatura (3).
O Museu do Neo-Realismo está localizado na Rua Alves Redol n.º 45, 2600-099 Vila Franca de Xira (coordenadas GPS: 38º57'19.71'' N e 8º59'18.15'' O).
Os edifícios adjacentes são de habitação e a fachada do museu está virada para a EN 10, no sentido norte/sul, considerando-se, simultaneamente, uma artéria rodoviária principal para a cidade.
De acordo com o projeto de execução do museu, o estudo geotécnico revela uma "camada de aterro com 1 a 5 metros de profundidade, sem capacidade resistente, sobre formações aluvionares até 10 a 15 metros de profundidade, constituídas por estratos arenosos e argilosos com níveis lodosos intercalados, com uma capacidade resistente reduzida, que não é adequada para estabelecer as fundações da estrutura. Só no estrato subsequente, considerado como miopliocénico, composto por argilas arenosas com concreções margosas e gresosas dispersas, se encontra capacidade resistente adequada, preconizando-se assim fundações indiretas, por meio de estacas em betão armado" (4).
Relativamente à presença de lençóis freáticos, o projeto refere que "nos cálculos considera-se que o nível freático poderá atingir temporariamente cotas bastante superficiais depois de concluída a obra, mas durante a construção assume-se que o nível freático ficará abaixo da cota de laje do piso -1" (5).
Apesar da proximidade do museu ao rio Tejo, o edifício não se encontra dentro das zonas inundáveis.
No que respeita à ação dos sismos, dividimos a análise em dois tópicos: zonamento do território e natureza do terreno. Quanto ao zonamento do território, o edifício está incluído na zona A sísmica do território continental, apresentando um coeficiente de sismicidade de 1,0. Quanto à natureza do terreno, este é do tipo III, ou seja, apresenta solos coerentes moles e muito moles; solos incoerentes soltos (6) (7).
O projeto do museu foi aprovado, em 2003, pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. O edifício foi construído entre os anos de 2006 e 2007, sendo inaugurado a 20 de outubro de 2007. O imóvel é de construção tradicional em betão armado, estrutura metálica e painéis de enchimento em alvenaria de tijolo rebocado e revestido a estuque. Os materiais utilizados na construção foram:
Betão armado;
Tijolo;
Mármore nos revestimentos das escadas dos pisos expositivos e de alguns painéis, nomeadamente no revestimento de zonas nobres;
Azulejos no revestimento das instalações sanitárias;
Epóxis nos pavimentos, bem como no revestimento das escadas de serviço.
Pladur nos tetos falsos;
Tinta plástica na pintura em paredes e tetos;
Tinta tipo Hammerite na pintura de elementos metálicos;
Portas executadas em madeira com dobradiças, na maioria dos espaços (tais como gabinetes ou portas de acesso ao espaço dos gabinetes);
Ferro pintado e vidro na porta principal do edifício;
Metal nas portas das reservas.
Relativamente à caracterização dos diferentes espaços no interior do museu, podemos encontrar espaços de acesso público e de acesso restrito. Os espaços de acesso ao público são: as salas expositivas, as da livraria, a biblioteca especializada do centro de documentação, o auditório e as instalações sanitárias dos pisos 0 e 1 e os de acesso restrito são: os gabinetes, o piso das reservas e as mesmas, bem como, os espaços de apoio ao funcionamento do museu (pisos técnicos). Para além destes espaços o museu tem uma cafetaria que está aberta ao público e possui duas entradas: uma com acesso direto à rua e outra de acesso pelo museu.
As áreas expositivas estão divididas por quatro pisos:
No piso 0: existem duas salas, a sala de arte contemporânea e a sala de literatura contemporânea;
No piso 1: encontra-se a sala de exposições temporárias;
Nos pisos 2 e 3: encontram-se as salas de exposição de longa duração.
O museu está munido de quatro espaços de reserva: dois deles destinados aos acervos documentais e duas salas para bens culturais e acervos de artes plásticas.
(ver documento original)
Tabela de áreas e volumes dos espaços expositivos, reservas e outros
(ver documento original)
A área total do edifício é de 3 747,70 m2, dos quais 277,50 m2 correspondem à cobertura e 1 095 m2 à área total de exposição.
O acervo do museu é composto por objetos de duas áreas distintas: documental e artística. Sendo estes objetos incorporados através de várias modalidades, tais como: doação, aquisição, legado, depósito, entre outros.
As coleções do MNR são de natureza documental e de artes plásticas. A área documental integra:
Espólios literários, constituídos por originais manuscritos e/ou datiloscritos, provas tipográficas, correspondência, fotografias, documentos e objetos pessoais, materiais gráficos, entre outros;
Espólios editoriais, constituídos por documentação de editoras e suas edições;
Espólios institucionais, legados, publicações periódicas, biblioteca especializada, constituídos por monografias - todas as edições - de autores neorrealistas, obras de referência, estudos e teses sobre autores ou temas neorrealistas;
Bibliotecas particulares.
Salienta-se a existência de arquivos fotográfico, gráfico, de imprensa e multimédia. O MNR possui espólios literários, quatro espólios editoriais e um espólio institucional.
No que concerne à área artística, esta encontra-se dividida em artes plásticas, artes decorativas e espólios artísticos. A coleção de artes plásticas é constituída pelas tipologias de pintura, desenho, aguarela, gravura, escultura, pintura mural, património integrado, fotografia e vídeo. A coleção de artes decorativas é constituída pelas tipologias de medalhística, cerâmica e vidro. Os espólios artísticos são constituídos por documentação de artistas, como documentos relacionados com a produção das suas obras, exposições, edição de catálogos, documentos e objetos pessoais e de trabalho (cavaletes, pincéis, paletas, fotografias, entre outros). Parte das obras que se encontram em acervo são da autoria de artistas neorrealistas e de artistas contemporâneos que, de certo modo, dedicam a sua atividade a temáticas relacionadas com o movimento neorrealista.
As obras das diversas coleções encontram-se em vários espaços do MNR, dependendo da fase de tratamento em que se encontram ou da sua função. Deste modo, o museu apresenta quatro espaços de reserva: dois destinados a espólios documentais e dois espaços para acervos de artes plásticas. As reservas encontram-se no piso -1 do edifício.
Para além disso, existem dois espaços do museu destinados a acolher espólios do Centro de Documentação: uma sala no primeiro andar dos pisos técnicos, onde se encontram espólios a aguardar tratamento e inventário, e ainda uma sala no piso -1, onde se encontram documentos e livros já tratados.
No patamar da escada de serviço, entre os pisos 2 e 3, encontra-se exposta a obra Servidão-Despertar Esperança de Manuel Filipe, pertencente ao acervo do Museu Municipal de Vila Franca de Xira. Existe ainda um painel da autoria de Querubim Lapa, numa das paredes da cafetaria (património integrado).
O acervo está sujeito a uma avaliação por tipologia e, considerando a subjetividade da caracterização dos níveis de avaliação do estado de conservação em cada instituição, optou-se por se reduzir o número de níveis recomendados, facilitando assim uma análise geral em cada tipologia.
Desta forma, considerando as características do acervo das Artes Plásticas e Espólios Artísticos, estabeleceram-se três níveis com as seguintes denominações:
Bom: entende-se que o objeto tem um estado de conservação Bom quando este se apresenta íntegro, sem patologias, embora possa apresentar um envelhecimento natural;
Regular: enquadram-se no nível Regular todos os objetos que apresentam cicatrizes - falhas, fissuras, rasgões, lacunas e outros -, manchas e amarelecimentos de anteriores patologias, mas mantêm o seu estado físico-químico estável;
Mau: aplica-se aos objetos que manifestam a existência de fatores de degradação ativos ou potencialmente ativos, provocando a degradação dos mesmos. Enquadram-se, neste nível, todos os objetos que, por qualquer razão, se encontram instáveis. Nesta situação, promovem-se as condições necessárias para se proceder a uma intervenção de conservação e restauro, de forma a devolver o seu estado físico-químico estável.
Relativamente ao acervo do Centro de Documentação e Espólios Literários, são usados os mesmos três termos, seguindo o seguinte critério:
Bom: peças que não apresentam instabilidade física ou química, mas podem apresentar algumas falhas, que não coloquem em causa o documento;
Regular: peças que apresentam danos que necessitam de intervenção de conservação e/ou restauro (capas descoladas; documentos amarelecidos, mas cuja leitura não está comprometida);
Mau: peças muito degradadas e com problemas de conservação muito severos (documentos que apresentem manchas de humidade; ataque de pragas; pontas com lacunas; margens amarelecidas, de forma acentuada, que comprometam a leitura do documento; manchas de maré).
É de salientar que são considerados inaptos para exposição todos os bens que se encontrem em mau estado de conservação, por serem muito frágeis e/ou poderem colocar em risco o estado de conservação de outros documentos. Estes bens são também acondicionados em reserva, isolados dos restantes.
As áreas expositivas estão distribuídas por quatro dos cinco pisos do MNR. No piso 0, existem duas salas: a sala de arte contemporânea e a sala de literatura contemporânea. No piso 1 encontra-se a sala de exposições temporárias. Nos pisos 2 e 3, encontram-se as salas de exposição de longa duração.
Nas salas de cariz temporário (Sala de arte contemporânea, sala de literatura contemporânea e piso 1), o período de permanência depende de cada exposição, realizando por um período de tempo inferior a um ano e é realizada de acordo com o plano de atividades anual do museu. Normalmente, têm uma duração de três ou seis meses.
Os espaços expositivos interligam-se de formas distintas. No piso 0, as duas salas (Sala de arte contemporânea e sala de literatura contemporânea) comunicam através do foyer, espaço que se encontra entre ambas. A sala de arte contemporânea tem acesso a um vestíbulo, onde se encontra o elevador monta-cargas, e este tem acesso direto à rampa de cargas e descargas.
As salas de exposição, que se situam nos pisos 1, 2 e 3, articulam-se por meio de escadas (de serviço e das salas de exposição), ligando assim os distintos espaços. Para além disso, o público pode usufruir de um elevador que lhes permite aceder às salas dos vários pisos. O MNR não apresenta restrições de acesso aos seus espaços públicos, não existindo barreiras arquitetónicas ou obstáculos.
O MNR possui sistema de gravação de imagens (CCTV) e de deteção e alarme contra intrusão. O museu tem quatro vigilantes-rececionistas do quadro de pessoal do museu estando dois em permanência na receção e/ou na livraria/ loja durante o horário de abertura do museu. Os outros dois, além de alternar o horário, efetuam o trabalho de vigilância nos espaços expositivos. Um segurança, contratado por uma empresa externa, assegura a abertura e o fecho do museu. Todas as salas de exposição têm um sistema de registo de imagens controlado remotamente pela Divisão de Infraestruturas Tecnológicas da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Na sala de arte contemporânea existe uma porta que dá acesso direto a espaços reservados ao pessoal do museu, como tal, procedeu-se à colocação de um alarme sonoro na porta e um selo. O MNR não tem detetores de metais ou aparelhos radiográficos.
Relativamente à monitorização da temperatura e humidade relativa, esta é realizada com recurso a termohigrógrafos e dataloggers. O MNR possui termohigrógrafos nos espaços expositivos dos pisos 0, 2 e 3, sendo a monitorização da sala do piso 1 realizada com um datalogger, modelo Hygrolog Serie HL20.
Foram também tomadas medidas preventivas relacionadas com a interferência da luz nas salas expositivas com janelas (Salas de arte contemporânea e de literatura contemporânea, situadas no piso 0), uma vez que os valores de Lux eram elevados. Para salvaguardar os bens aí expostos foram adquiridos e aplicados filtros para a radiação (Controssol/ Titanium Claro). Estas películas semi-refletoras de proteção solar reduzem o calor incidente e difundem a luz. As suas características consistem na redução de calor incidente (40 %), na transmissão da luz (70 %), na redução de ultravioletas (99,5 %) e ainda um fator de proteção solar de 3/4.
As áreas expositivas do museu apresentam espaços iluminados de forma natural (janelas e montras) e artificial, e outros espaços que são iluminados de forma artificial. A iluminação artificial é, maioritariamente, proporcionada por calhas iluminadas, nas quais também é possível aplicar projetores (sistema amovível). Em casos específicos, estão aplicados focos de luz fixos. A nível da tipologia das lâmpadas, o museu possui lâmpadas fluorescentes e de LED.
A nível do controlo ambiental, o MNR possui um sistema de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) para o controlo do ambiente no interior do edifício. Este controlo pode ser realizado em cada sala, individualmente.
Relativamente aos equipamentos expositivos, destacam-se as vitrinas em madeira com tampos de vidro ou vitrinas metálicas com campânulas acrílicas. São ainda utilizados plintos de madeira e seus derivados para a exposição de esculturas. É de salientar que estes equipamentos variam de acordo com os projetos expositivos e com as necessidades de conservação dos objetos. Devendo o mobiliário expositivo ser adequado às condicionantes de conservação que alguns bens culturais possuem.
As reservas do MNR encontram-se localizadas no piso subterrâneo do edifício (piso -1). As quatro reservas estão divididas de acordo com um critério de tipologias de bens, sendo duas dedicadas aos acervos e espólios de artes plásticas e outras duas destinadas aos acervos e espólios documentais.
As reservas estão em articulação com o elevador monta-cargas, que se encontra na zona técnica do museu e, para além disso, também comunicam com o elevador de uso público. Estão situadas junto à porta de acesso à escada de serviço. Através do percurso que inclui o elevador monta-cargas, as obras conseguem alcançar a zona de cargas e descargas. É de salientar que o elevador público dá acesso direto ao piso da cave, onde se encontram as reservas, não existindo um mecanismo de diferenciação ou restrição entre este piso e os restantes. Isto pode levar a que, por vezes, os visitantes se desloquem ao mesmo, inadvertidamente.
Os acessos às reservas são controlados mediante requisição das chaves destas, junto dos vigilantes-rececionistas, que controlam a circulação das mesmas com recurso a uma folha de registo.
Relativamente à temperatura e humidade relativa, os espaços de reserva são monitorizados através de dataloggers do modelo Hygrolog Serie HL20. É realizado o controlo de infestações por meio de armadilhas para insetos rastejantes (Insect Monitoring Trap da AgriSense) colocadas no interior das quatro reservas e no corredor que dá acesso às mesmas. Nos espaços de reserva, realiza-se ainda, de forma periódica, uma recolha de resíduos sólidos para avaliação do impacto resultante do acesso a esta. A nível do controlo ambiental, as reservas encontram-se também abrangidas pelo sistema AVAC. A iluminação das reservas é artificial e apenas ligada quando se encontra alguém no seu interior.
No que respeita aos equipamentos das reservas, destaca-se o uso de estantes metálicas fixas para escultura, bens culturais (mesas, cadeiras, máquinas de escrever, entre outros) e livros. Para a pintura, existe um armário móvel com gradeamento. Para alguma documentação, existem armários móveis com prateleiras. No caso dos desenhos, existem armários de gavetas. Por fim, algumas esculturas e bens de maiores dimensões encontram-se sobre paletes plásticas.
Para além das áreas previamente estruturadas, em detrimento das diversas funções do museu, existe um conjunto de espaços que são adaptados a novas funções, de forma permanente ou temporária.
O MNR utiliza, de forma pontual e quando é possível assegurar as condições adequadas, o foyer e a receção como espaços de prolongamento das exposições. São exemplo disso, as últimas exposições temporárias como a Cosmo Politica #5 - Comunidades Provisórias, que usou a receção para albergar uma instalação e a exposição Raízes de uma coleção: Alves Redol e (seus) ilustradores, que se prolongou da sala de literatura contemporânea para o foyer.
Existem ainda dois espaços no museu onde se encontram arrumados bens culturais, nomeadamente, bibliotecas particulares no piso -1, na sala com numeração de porta 6 (Sala P6) e no piso 1, que se considera de receção de bens, designadamente, bens documentais e a integrar no acervo do museu.
Na parte técnica do piso 2, existe uma sala de apoio às exposições, receção de bens e quarentena.
O Museu do Neo-Realismo procede à circulação de bens culturais de duas formas distintas: interna e externa.
No âmbito da circulação interna, esta é motivada por uma série de atividades que fazem parte da vivência do museu: deslocação para o laboratório de conservação e restauro (situado na Quinta Municipal da Piedade); para a realização de exposições temporárias no museu; para a reorganização de reservas museológicas ou para a investigação e inventariação dos bens.
No âmbito da circulação externa, existem situações de empréstimo de obras a instituições e museus ou a adjudicação de serviços de conservação e restauro a entidades externas, como por exemplo, o Instituto de Conservação e Restauro José Figueiredo.
O MNR é, à data, dirigido pelo diretor do Departamento de Cultura. Para além do diretor de departamento municipal existe um diretor científico.
O MNR depende da Divisão de Cultura, Museus e Património Histórico, integrada no Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Existindo ainda um(a) diretor(a) científico(a). Está estruturado em subunidades orgânicas de acordo com as funções museológicas previstas na Lei-Quadro dos Museus Portugueses. O quadro de pessoal é composto por recursos humanos das seguintes carreiras profissionais: Técnico superior - áreas de História, História de Arte, Sociologia, Conservação e Restauro, Ciências da Informação e da Documentação e Animação Sociocultural e Turismo, Assistentes Técnicos e Assistentes Operacionais.
O MNR é tutelado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, beneficiando da colaboração de profissionais de outros serviços da autarquia, nomeadamente, de design, carpintaria, transportes, comunicação e impressão.
O Museu do Neo-Realismo encontra-se aberto de terça a sexta-feira e domingo, entre as 10 e as 18 horas. Ao sábado, o horário é das 10 às 19 horas. O mesmo encerra à segunda-feira, feriados nacionais, feriado municipal e tolerâncias de ponto.
O horário do museu, os seus contactos, acessibilidades, coordenadas GPS, informações sobre transportes, serviços disponibilizados e mapa de localização estão inseridos na página oficinal do museu e em todos os materiais de divulgação. A entrada no museu é gratuita.
Apesar do MNR ainda não ter realizado nenhum estudo de públicos, anualmente, no seguimento da aprovação do relatório de atividades, o museu faz uma avaliação dos dados, de modo a melhorar a qualidade dos serviços prestados e avaliar as necessidades dos seus visitantes, nomeadamente, de públicos com mobilidade condicionada e dificuldades sensoriais.
O registo de visitantes no MNR é elaborado de forma manual, através de um impresso específico, que se encontra na receção do museu (tendo em conta que a entrada é gratuita, não se efetua a contagem de bilhetes vendidos). Os visitantes são distinguidos através de um critério que tem por base a atividade em que o visitante participa, resultando assim nas seguintes categorias: visitantes livres, inaugurações, atividades e visitas do Serviço Educativo, Centro de Documentação, visitas guiadas pelos curadores e sessões de auditório.
Para além disso, os visitantes do museu são diferenciados por faixas etárias e por nacionalidade (nacionais ou estrangeiros), assim como nas atividades do Serviço Educativo, os participantes são também distinguidos por faixas etárias.
Os registos de visitantes permitem uma análise comparativa diária, mensal e anual.
II -Avaliação de riscos
O risco de incêndio é considerado o mais elevado e o que tem as consequências mais nefastas para as coleções do museu. A construção e a aplicação de materiais do edifício foram projetadas para a minimização deste risco. De acordo com esta lógica, as coleções museológicas estão localizadas no piso -1 e ocupam cerca de 60 % da área total. Coabitam ainda, no piso -1, áreas técnicas (Quadro geral elétrico; instalação informática; instalações técnicas do AVAC, CPU de controlo e filtros de ar das condutas) com uma ocupação de cerca de 30 % e uma zona de apoio às refeições dos funcionários com um espaço anexo destinado aos carros de transporte e equipamentos de apoio à circulação dos bens culturais com uma ocupação de cerca de 10 %. As reservas estão separadas da zona de apoio às refeições dos funcionários e junto ao acesso da reserva 1 está instalada uma casa de banho de serviço com um espaço de arrumo onde se guardam detergentes e ferramentas de utensílio de limpeza.
Nenhuma das reservas tem entradas de luz natural e, relativamente à presença de luz artificial, esta só é ligada quando existe presença humana no local. A presença de poluentes atmosféricos presume-se ser residual, visto que o ar é renovado pelo sistema AVAC. Relativamente aos valores de humidade relativa e a temperatura, são controlados pelo sistema integral da AVAC. Este sistema permite definir valores diferentes pelas áreas previamente delimitadas.
As reservas 1 e 4 têm equipamento de apoio (mesas e armários) para a preparação dos objetos, quer seja para o transporte quer seja para o estudo e inventário de bens.
O maior risco de ocorrência atual é a possibilidade de inundações e, como medida de proteção dos bens, instituíram-se vários equipamentos (paletes de plástico, estantes metálicas e móveis articulados) de forma a que todos os bens culturais se encontrem acima do pavimento, a cotas superiores a 10 cm.
Os edifícios adjacentes são de habitação, não criando riscos adicionais, e a fachada do museu está virada para a EN 10, no sentido norte/sul, considerando-se, simultaneamente, uma artéria rodoviária principal para a cidade. O risco de poluição atmosférica é significativo, sendo que a porta principal do museu se mantém fechada no período de funcionamento do mesmo.
As áreas das reservas estão restritas à função de depósito do acervo e com acesso reservado. A reserva 1 tem um sistema de bombagem de águas residuais e pluviais, que bombeia as águas para as redes de saneamento público. Este sistema está equipado com alarme de deteção de avarias das bombas e é monitorizado diariamente por um funcionário do museu (ver anexo I).
As áreas expositivas do museu, em princípio, mantêm as mesmas condições ambiente dos registos verificados nas reservas. Os registos efetuados indicam ligeiras oscilações de humidade relativa e temperatura, sendo estas mais acentuadas que as verificadas nas reservas. A sala da literatura contemporânea, no piso 0, é o espaço expositivo com maior exposição solar, considerando-se em cada exposição, a melhor forma de posicionar os bens culturais mais sensíveis à luz.
No piso 2, adaptou-se um espaço para apoio às exposições, de receção de bens culturais e de quarentena. Este espaço tem acesso direto ao elevador de monta-cargas que por sua vez, no piso 0, tem um acesso direto ao exterior, através de um corredor em rampa. Estes espaços têm as mesmas características de segurança e de monitorização do ambiente.
O acervo está guardado nas reservas, em equipamentos estudados para esta função: estantes fechadas e abertas, móveis articulados e gavetas. A colocação dos bens foi determinada segundo dois critérios principais: a tipologia das coleções e as dimensões dos objetos.
Os bens encontram-se acondicionados em pelicula de polietileno com bolhas de ar e pelicula de espuma de polietileno, utilizando-se também caixas de cartão livre de ácidos e de polipropileno, de forma a minimizar o risco de impacto e o excessivo contacto com a luz.
O acesso ao piso -1, onde se encontram todas as reservas do museu, tem o acesso restrito aos funcionários desta instituição e é vedado ao público. No entanto, não existem barreiras físicas para garantir esta proibição.
A deslocação interna dos bens está sujeita ao registo de circulação interna, onde se regista a identificação do objeto, o local destinado dentro da reserva a que pertence e a localização exata donde será colocado.
Relativamente à circulação externa, esta está sujeita a documentação própria e ao acondicionamento adequado.
O manuseamento das coleções é realizado apenas por funcionários com formação específica: técnicos de conservação e restauro; técnicos de gestão de coleções; técnicos de produção de eventos.
A circulação dos bens está condicionada pelas normas instituídas pelo museu, que identifica as condições de trânsito. Estes procedimentos refletem o conhecimento do estado de conservação de cada objeto, o acondicionamento e os meios de transporte adequados. Reflete, ainda, os procedimentos a efetuar para a realização das tarefas, os percursos desobstruídos, o transporte por carros ou outro meio auxiliar e, no caso do transporte manual, será efetuado objeto a objeto, entre outros.
A circulação externa tem de ser acompanhada por um técnico de conservação e restauro do museu, assegurando a função de courier, que garante a segurança no transporte e verifica as condições ambientais e de segurança na entidade recetora, de forma a salvaguardar os bens cedidos.
O acesso às coleções e o seu manuseamento são restritos aos funcionários do museu com funções de gestão do acervo e os mesmos são conhecedores dos procedimentos exigíveis na salvaguarda dos bens, minimizando assim o fator de negligência.
Os visitantes estão sujeitos às normas de segurança e de comportamento determinadas pelo museu, como por exemplo, o depósito de malas com dimensões significativas na receção, a proibição do transporte de comidas e/ou bebidas para o interior das salas de exposições e a proibição de fotografar com flash e/ou tripé no interior do mesmo.
III -Normas e procedimentos
O Museu do Neo-Realismo tem um plano de segurança, de forma a garantir a prevenção de riscos e perigos e a respetiva neutralização.
O museu conta com um sistema de deteção e alarme contra intrusão, da marca INIM, modelo SmartLiving SML10100L Grau II. Este equipamento é caracterizado por uma central com capacidade de 100 zonas, 100 utilizadores, comunicação do alerta de alarme e falha, através de comunicador GSM/GPRS. A cobertura de intrusão está aplicada em todo o edifício. Capacidade de energia de reserva de 52 horas em standby.
O MNR possui um sistema de deteção e alarme contra incêndio, também ele da marca INIM, do modelo SmartLoop 2080G - 2 Lopps. É caracterizado por uma central endereçável de 2 Lopps, capacidade de 480 dispositivos, memória de eventos, matriz de comando ativa e comunicação do alerta de alarme, através da central de intrusão. A cobertura de deteção e alarme contra incêndio é realizada em todo o edifício, de acordo com o projeto implementado de segurança contra incêndios. Tem capacidade de energia de reserva de 72 horas em standby mais 30 minutos de alarme.
Ambos os sistemas estão ligados à central recetora de alarmes, contratualizada com o município de Vila Franca de Xira.
Relativamente ao sistema de segurança, o museu está ainda equipado com um sistema de gravação de imagens. O sistema usado é de circuito fechado de televisão (CCTV/CFTV), que é composto por 32 câmaras gravadas em 2 unidades centrais instaladas na receção (piso 0). O CCTV é da marca VIDEOSAFE, modelo VX16-1T. Caracteriza-se por um gravador digital analógico, 16 canais, conectividade Ethernet (2 unidades). A cobertura estende-se a todos os pisos do edifício, tendo capacidade para gravação de 30 dias.
O registo de entradas e saída dos funcionários é realizado com recurso a um relógio de ponto. Para a circulação de bens, tanto a nível interno como externo, são acionados seguros de transporte e de permanência dos objetos nos locais de destino. Para além disso, existe um formulário de circulação, criado em parceria com a gestão das artes plásticas, para a circulação das obras, denominada de "Relatório de Verificação" (Condition Report).
A circulação de pessoas nas reservas é controlada através da requisição da(s) chave(s) e respetivo registo de levantamento da(s) mesma(s). No ato da requisição, é anotada, em folha própria, a data, a hora de levantamento e a de entrega, bem como é assinalado o requerente. Este processo é efetuado e supervisionado pelas vigilantes-rececionistas, na receção do museu.
O Núcleo de Conservação e Restauro tem vindo a obter registos de luz, humidade relativa e temperatura nos espaços das reservas e nas diversas salas de exposição do Museu do Neo-Realismo. Para além disso, efetua o controlo biológico das reservas e do corredor adjacente.
O Núcleo de Conservação e Restauro efetua a monitorização da iluminação com recurso a um luxímetro, Lutron Lx-101 Lux Meter. Salienta-se o exemplo da montagem de exposições, em que são feitas medições da intensidade da luz artificial, sendo esta ajustada de acordo com as necessidades específicas de cada coleção. As salas de literatura contemporânea e de arte contemporânea, que se localizam no piso 0, têm entrada de luz natural, que é monitorizada nas horas de maior intensidade.
Na maioria dos espaços encontram-se em funcionamento termohigrógrafos de "folha" ou "cabelo", que permitem obter, com rigor, a informação da variação dos valores mínimos e máximos. No entanto, relativamente aos valores absolutos registados, foi necessário implementar novos aparelhos que demonstrem maior rigor. Nesse sentido, no ano de 2018, adquiriram-se vários dataloggers calibrados, os HYGROLOG Serie HL20, da Rotronic, adequados para se obterem os dados com máxima precisão e estabelecer uma nova forma de tratamento desses registos, bem como, um novo modo de apresentação da informação.
No museu, procede-se a uma limpeza diária dos espaços, realizado por funcionários da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
São realizadas avaliações dos estados de conservação dos objetos e feitas inspeções a potenciais riscos biológicos. Caso se verifique a necessidade, o museu pode recorrer a instituições especializadas para a realização de expurgo, como por exemplo, através de método de anoxia.
No piso -1, onde se situam as reservas, para regular a monitorização da temperatura e humidade relativa, é também efetuado o controlo de agentes biológicos, em especial de insetos rastejantes. A monitorização destes agentes é realizada com recurso a armadilhas Insect Monitoring Trap da Agrisense.
As armadilhas são colocadas em todas as reservas e no corredor adjacente.
A manutenção dos equipamentos do edifício é realizada de forma periódica. A periodicidade depende dos contratos estabelecidos com as empresas prestadoras dos serviços especializados.
Para além das manutenções regulares, são requisitadas manutenções pontuais, caso se verifique a necessidade de se colmatar falhas ocorridas nos equipamentos. O museu recorre aos serviços de empresas de manutenção do AVAC, empresas que procedem ao controlo de pragas, empresas que prestam serviços de limpeza de edifícios e ainda requer serviços de manutenção de equipamentos de combate a incêndios, como extintores.
Nas exposições temporárias, são usadas vitrinas para a apresentação de bens culturais que exigem atenção especial. As vitrinas não têm metais ferrosos na sua estrutura, pois são de madeira com campânulas em acrílico. Alguns bens com necessidades específicas são expostos sobre papel livre de ácidos ou Melinex (ver documento original). Na exposição permanente, as vitrinas em vigor são construídas em metal e acrílico, algumas das quais possuem iluminação exterior, o que permite a substituição de lâmpada sem que se abram as vitrinas.
As áreas expositivas são vigiadas através de videovigilância e duas das vigilantes-rececionistas efetuam o trabalho de vigilância nos espaços expositivos. As salas expositivas estão equipadas com detetores de incêndio e extintores.
No âmbito da monitorização dos espaços, quando se verifica a necessidade, são usados os dataloggers HL-1D/TL-10 no interior das vitrinas.
Durante os trabalhos de montagem das exposições, as funcionárias da limpeza estão encarregues da manutenção da limpeza do espaço, assegurando assim que não exista uma possível acumulação de detritos ou poeiras resultantes dos trabalhos.
As quatro reservas do MNR estão destinadas a albergar os bens que não se encontram em exposição - duas dedicadas aos acervos e espólios de artes plásticas e outras duas destinadas aos acervos e espólios documentais.
A reserva 1 acolhe diversas tipologias de coleções de menores dimensões, como escultura em vários materiais (pedra, metal, gesso e pastas cerâmicas), mobiliário, pintura (suportes em derivados de madeira, papel e tela), têxteis, desenho, gravura e documentação, sendo usado mobiliário e equipamento específico para o seu acondicionamento:
A escultura e o mobiliário são distribuídos por três móveis de estantes fixas e armazenados de acordo com as suas dimensões e formatos (os mais pesados nas prateleiras inferiores); algumas peças são embaladas com película de espuma de polietileno e as peças mais frágeis são acondicionadas em caixas; os painéis de azulejos são armazenados e acondicionado em contentores plásticos devidamente identificados;
A pintura é suspensa num armário móvel com gradeamento;
Entre os têxteis, destacam-se as tapeçarias acondicionadas em rolo, com película de espuma de polietileno entre cada peça para proteção das mesmas;
Os desenhos e gravuras, não emolduradas, são armazenadas num armário de gavetas, protegidos por papel livre de ácidos e colocados dentro de capas rígidas que permitem a sua identificação;
Os espólios artísticos são arrumados em capilhas, acondicionados em caixas arquivadores e ocupam um armário móvel com prateleiras, sobre calhas deslizantes.
Nesta reserva, existe ainda um armário com estantes e gavetas, onde se conservam os bens culturais diversos que integram espólios de artistas (vestuário, máquinas de escrever ou objetos pessoais).
Na reserva 2, encontram-se as coleções de pintura e de escultura de maiores dimensões. Esta reserva subdivide-se ainda em duas áreas: uma com escultura e outra com pintura, gravura e fotografia emolduradas. A pintura é colocada em estantes metálicas e em paletes de plástico. A escultura, abrangendo obras de materiais distintos, também é acondicionada sobre paletes.
Na reserva 3, estão arrumadas as coleções de espólios literários, editoriais e institucionais, em armário móvel com prateleiras, sobre calhas deslizantes, e móveis de estantes metálicas fixas. Os espólios são acondicionados em capilhas individuais e em caixas arquivadores.
Na reserva 4, estão arrumadas as coleções de publicações periódicas, em pastas de atilhos de algodão e em caixas arquivadores, e as bibliotecas particulares de escritores integrados nos espólios literários ou avulsas. As coleções são arrumadas em armário móvel com prateleiras, sobre calhas deslizantes, e móveis de estantes metálicas fixas. Os livros são forrados com papel livre de ácidos e as cotas coladas na lombada (sobre a forra) com adesivo livre de ácidos.
No piso -1, existe uma sala destinada à arrumação de bibliotecas particulares.
A limpeza dos espaços expositivos é realizada todas as segundas-feiras, visto que o museu se encontra encerrado ao público, permitindo a execução desta tarefa.
Os espaços são aspirados e lavados. As funcionárias têm atenção para não deixar grandes quantidades de água sobre o pavimento, secando-o o mais possível. Aplicam quantidades residuais de detergentes na água da lavagem, para a salvaguarda dos bens expostos. Nas zonas sanitárias e acessos do museu, recorrem ao uso de detergente para a sua limpeza.
Os pavimentos das áreas de reserva são limpos com recurso a uma solução de água e álcool, para se evitar o uso de detergentes nestes espaços.
Apesar da regularidade com que as reservas são limpas, o Núcleo de Conservação e Restauro sentiu necessidade de proceder ao controlo dos resíduos existentes nas mesmas.
O manuseamento das obras e bens culturais do MNR é efetuado por técnicos especializados (técnicos de conservação e restauro e técnicos de gestão das coleções), sendo que o procedimento tem um cuidado especial nas obras com o estado de conservação fragilizado ou que contém peças expostas.
Deste modo, deve-se evitar pegar nos objetos pelas áreas mais vulneráveis ou salientes, por serem os pontos mais sensíveis e com maior risco de perda de material. As zonas restauradas ou com danos são outras zonas a evitar pegar, por serem as mais frágeis dos objetos.
Para o manuseamento de documentos e obras em papel, são usadas luvas de algodão. No caso dos restantes bens (escultura, pintura ou objetos pessoais), recorre-se à utilização de luvas de nitrilo e, no caso de objetos de maiores dimensões, são utilizadas luvas de algodão com material anti deslizante. É de salientar que as obras, quando são manuseadas, na sua maioria, encontram-se acondicionadas com embalagens protetoras.
Este manuseamento é feito objeto a objeto (um objeto por cada funcionário). Quando se tratam de obras de maiores dimensões ou que comportem pesos elevados, são reunidas mais pessoas para se garantir a segurança do objeto e dos funcionários. O museu possui porta-paletes e carros de transporte para o auxílio do transporte destes bens, bem como para deslocar grupos de bens culturais.
No caso de, acidentalmente, serem provocados danos, durante o manuseamento dum bem cultural, o museu estabeleceu um procedimento que visa contactar-se o Núcleo de Conservação e Restauro, que irá proceder ao levantamento da ocorrência, que comporta o registo fotográfico, análise do motivo do acidente e a recolha do bem acidentado. Em seguida, promove as condições necessárias para uma intervenção de conservação e restauro do objeto.
Sempre que se procede à circulação interna de bens, é assegurado o reconhecimento do percurso a ser feito, garantindo a inexistência de obstáculos que possam dificultar a passagem dos objetos. Para além disto, é assegurado que as obras passam pelas portas e/ou curvas mais apertadas, realizando-se, previamente, medições das obras e dos espaços mais apertados do percurso. Para se garantir a abertura das portas anti-fogo, que se encontram ao longo do percurso, são usadas cunhas de madeira. Estas são retiradas após o término do transporte de obras para que as portas permaneçam fechadas, por questões de segurança.
Quando é possível, as obras poderão ser desmontadas para agilizar a sua circulação. Mais ainda, ao se transportarem peças de mobiliário, tem-se em atenção a fixação das gavetas para não se correr o risco de que estas se abram ou caiam, durante o percurso. O museu conta com vários carros de transporte de diversos formatos, para a circulação de peças. No caso de objetos de maiores dimensões e pesos mais elevados, é usado um porta-paletes.
A movimentação dos bens é registada com recurso a um relatório de verificação (condition report). No local donde é retirada a obra, é colocada uma ficha duplicada com a identificação da mesma.
A circulação externa de bens culturais ocorre no âmbito de empréstimos de obras a instituições e museus ou na adjudicação de serviços de conservação e restauro a entidades externas.
Esta circulação é realizada, maioritariamente, com recurso a veículos da frota da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Dependendo das características dos bens a serem transportados, a circulação pode ser efetuada em veículos com diferentes dimensões de caixa: 100x100x140 cm ou 185x139x326.
Em casos específicos, e sempre que se verifique a necessidade, o museu recorre a transporte externo especializado ou ao aluguer de veículos com dimensões superiores para a circulação de objetos que assim o exijam.
A circulação dos bens culturais é, sempre, executada com a presença do técnico de conservação e restauro, no papel de courier. Nesta função, o técnico faz-se acompanhar da documentação necessária correspondente à obra, nomeadamente, os seguros adequados e os relatórios de verificação (condition report) - onde estão detalhados os pormenores do estado de conservação do bem e o período de empréstimo - e verifica as condições mencionadas no formulário para exposições temporárias (facility report) da entidade recetora.
Relativamente ao acondicionamento para transporte, o Núcleo de Conservação e Restauro avalia cada caso de forma individual. Desta forma, as embalagens são criadas em função das características e necessidades de cada objeto que é transportado.
O museu assegura que as instituições responsáveis pelo pedido de empréstimo forneçam um documento com os registos ambientais e de iluminação dos espaços (o formulário para exposições temporárias - faciliy report). Também faculta este documento quando faz pedidos de empréstimo a outras instituições.
O museu deverá promover ações de formação de conservação preventiva para os funcionários, ou permitir-lhes acesso a formações desta natureza.
As ações de formação deveriam ser sobre as seguintes temáticas:
Conservação preventiva;
Principais fatores de degradação e metodologias para o seu controlo;
Segurança;
O espaço expositivo e as reservas;
Limpeza, manuseamento e acondicionamento;
Exposições temporárias;
A circulação de bens;
Plano de conservação preventiva.
O público do museu é composto por pessoas de todas as idades. O usufruto do mesmo não comporta custos, visto que a entrada ao museu é gratuita.
Os visitantes são informados pelas vigilantes-rececionistas sobre as normas que, durante a visita, devem cumprir, designadamente:
Não fotografar com flash e tripé;
Depositar na receção as malas de grande dimensão, sendo que as de pequena dimensão e os casacos podem ser depositados facultativamente;
Deixar os chapéus-de-chuva na entrada do Museu;
Não comer ou beber;
Não tocar nos objetos expostos;
Não mascar pastilha elástica;
Não utilizar canetas ou esferográficas para tomar notas ou desenhar;
Manter uma distância obrigatória entre os objetos e o visitante;
Não entrar com animais, exceto cães-guia.
ANEXO I
Documento de verificação do sistema de bombagem
Verificação das Bombas
Mês: ___
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ANEXO II
Facility Report e Relatório de Verificação
Formulário para exposições temporárias (Facility Report)
20___
Apresentação das instalações e equipamentos
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*A luz solar incide apenas nas salas do Piso 0
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Relatório de Verificação
(Condition Report)
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Imagem a cor com as anotações/The color image with annotations
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(1) Plural e Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - Plano Diretor Municipal de Vila Franca de Xira. [Em linha]. Câmara Municipal de Vila Franca de Xira: Vila Franca de Xira. 2004 (revisto em março 2006 e maio de 2009). [Consult. 19/11/2019]. Disponível em: cm-vfxira.pt
(2) IPMA - Normais Climatológicas. [Em linha]. IPMA: Lisboa. [Consult. 19/11/2019]. Disponível em: ipma.pt
(3) Plural e Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - Plano Diretor Municipal de Vila Franca de Xira. [Em linha]. Câmara Municipal de Vila Franca de Xira: Vila Franca de Xira. 2004 (revisto em março 2006 e maio de 2009). [Consult. 19/11/2019]. Disponível em: cm-vfxira.pt
(4) afassociados - Projeto de execução: estruturas. afassociados: Vila Nova de Gaia. 2002, p. 5.
(5) afassociados - Projeto de execução: estruturas. afassociados: Vila Nova de Gaia. 2002, p. 5.
(6) afassociados - Projeto de execução: estruturas. afassociados: Vila Nova de Gaia. 2002, p. 5.
(7) Decreto-Lei n.º 235/83 de 31 de maio. D.R. 1.ª Série, n.º 125, 1991-2024.
(8) Informações compiladas pelo Centro de Documentação e Espólios Literários e pelas Artes Plásticas e Espólios Artísticos.
ANEXO 5
Ficha de Utilizador
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313571764