Aprova o Regulamento de Segurança Relativo ao Projecto, Construção, Exploração e Manutenção de Oleodutos de Transporte de Hidrocarbonetos Líquidos e Liquefeitos
Objecto
O presente Regulamento de Segurança estabelece as condições aplicáveis ao projecto, construção, exploração e manutenção dos sistemas de tubagem destinados ao transporte de hidrocarbonetos líquidos e liquefeitos, adiante abreviadamente designados por oleodutos, tendo em vista garantir a segurança de pessoas e bens.
Âmbito
Definições
Para efeitos do presente Regulamento, entende-se por:
Acessórios - componentes do oleoduto tais como curvas, uniões, reduções e tês feitos em fábrica, juntas mecânicas, juntas de dilatação e juntas isolantes;
Atravessamento/cruzamento - intersecção, em projecção horizontal, do traçado do oleoduto, nomeadamente com outras tubagens, cabos ou linhas eléctricas e telefónicas, vias férreas, rodovias e cursos de água;
Componente do oleoduto - todo e qualquer tubo, acessório ou corpo elementar integrado no oleoduto;
Condições de pressão e temperatura de operação - gama de valores de pressão e temperatura que podem ocorrer durante o funcionamento, em regime estacionário ou transiente de funcionamento, durante a exploração regular da instalação ou nas condições previsíveis. As condições normais incluem os regimes estacionário e transiente de funcionamento do oleoduto;
Densidade de edifícios - número de imóveis susceptíveis de ser ocupados por pessoas situados no interior de uma faixa com 0,4 km de largura para cada lado do eixo de implantação do oleoduto e com 1 km de comprimento;
Distância de segurança - distância mínima, medida em projecção horizontal, a que o eixo oleoduto deve estar em relação a, nomeadamente, edifícios, construções e obras de arte, a fim de garantir a segurança do sistema, pessoas e bens;
Entidade responsável pelo oleoduto - entidade que promove a construção ou que assegura, em conformidade com o disposto na legislação aplicável, a exploração e a manutenção do oleoduto;
Pressão de cálculo - pressão utilizada no dimensionamento e a análise do comportamento mecânico de um componente do oleoduto;
Pressão de serviço máxima - pressão máxima à qual o oleoduto e os seus elementos constituintes podem vir a ser submetidos;
Procedimentos de segurança - conjunto de medidas de segurança, abrangendo, nomeadamente, os aspectos da construção, exploração, inspecção, controlo e manutenção dos oleodutos, visando o enquadramento e actuação do pessoal, inclusive em situações de emergência, com o objectivo de garantir a segurança do próprio oleoduto, de pessoas e de bens de terceiros;
Troço de oleoduto - conjunto de tubos, com ou sem acessórios, interligados entre si;
Tubos ou tubagem - componentes cilíndricos ocos, interligáveis entre si e com outros componentes, usados para a condução de um fluido sob pressão, fabricados em conformidade com normas ou códigos adequados.
Normas técnicas aplicáveis
Classificação das áreas
Para efeitos de segurança, as áreas de implantação dos oleodutos são classificadas em quatro categorias, definidas tendo em atenção:
Densidade de edifícios
Áreas das categorias 1 e 2
Áreas da categoria 3
As áreas da categoria 3 correspondem a zonas residenciais ou comerciais com uma densidade de 30 ou mais edifícios por quilómetro, excepto nos casos em que prevaleçam os requisitos de áreas da categoria 4.
Áreas da categoria 4
As áreas da categoria 4 integram as zonas nas quais se verifiquem as seguintes condições:
Representação cartográfica dos oleodutos
Os oleodutos devem ser representados cartograficamente em projecção horizontal, em escala adequada, com indicação de:
Pressões
Temperaturas
Pressão de cálculo e outras tensões
Adequação dos materiais
Todos os componentes do oleoduto devem ser fabricados com materiais que garantam condições de funcionamento adequadas à sua utilização e obedeçam aos requisitos das normas técnicas aplicáveis.
Certificados de fabrico
O fabricante dos tubos, acessórios e válvulas deve fazer acompanhar cada lote de um certificado de fabrico segundo a norma EN NP 10 204, tipo 2-3, ou outra norma tecnicamente equivalente.
Transporte e manuseamento dos materiais
Instalação das tubagens no subsolo
Profundidade das tubagens
QUADRO I
(ver quadro no documento original)
Outras instalações subterrâneas
Instalação de tubagem aérea ou à superfície
Situações especiais
Seccionamento do oleoduto
Distâncias de segurança
Envolvimento da tubagem por uma manga de protecção;
Interposição de um muro cego de betão;
Galeria com segmentos de betão armado, em forma de «U» invertido, de acordo com a figura 1 (a);
Cobertura de chapa sobre camada de betão, de acordo com a figura 1 (b);
Cobertura com caleira invertida de chapa reforçada, de acordo com a figura 1 (c);
Caleira invertida de betão armado, de acordo com a figura 1 (d);
Cofragem lateral de chapa de aço, de acordo com a figura 1 (e);
Cobertura de placas de betão armado, de acordo com a figura 1 (f).
QUADRO II
(ver quadro no documento original)
Figura 1
(ver figura no documento original)
Vizinhança de uma linha eléctrica aérea
Soldaduras
Curvas
Derivações
Na instalação de uma derivação devem ser tomadas as medidas adequadas para assegurar que a resistência do conjunto não seja inferior à dos elementos originais.
Instalações eléctricas
Sinalização dos oleodutos
Protecção das tubagens enterradas contra as acções corrosivas
Protecção das tubagens aéreas ou à superfície
Os troços de oleodutos aéreos ou instalados à superfície devem ser externamente protegidos contra os agentes atmosféricos e eventuais acções mecânicas.
Protecção catódica
Prevenção contra a corrosão interna
Devem ser tomadas as medidas necessárias para controlar a acção corrosiva dos produtos transportados e limitar os seus efeitos.
Equipamento de limpeza e inspecção
Disposições gerais
Ensaios de pressão
O ensaio de pressão deve ser efectuado de acordo com o código ANSI/ASME B31.4, com os requisitos da norma API RP 1110 ou outra, tecnicamente equivalente, aceite pela entidade licenciadora.
Relatório dos ensaios
Colocação da tubagem em carga
Controlo da exploração
Inspecção
Manutenção
Estudo de segurança
Deve ser elaborado um estudo de segurança em relação ao sistema do oleoduto, que inclua, no mínimo:
Gestão da segurança
Sistemas de segurança do oleoduto
Os oleodutos devem estar equipados com sistemas de segurança, nomeadamente no que respeita a detecção de fugas e de sistemas de comunicações e telecomunicações.
Trabalhos na vizinhança do oleoduto
Arquivo documental
As telas finais, os certificados de fabrico, as especificações de materiais e os relatórios de ensaios devem ser mantidos em arquivo pela entidade exploradora.
Requisitos extraordinários
Colocação temporária do oleoduto fora de serviço
A colocação do oleoduto temporariamente fora de serviço deve ser comunicada à entidade licenciadora, com indicação das providências que serão tomadas, nomeadamente no que diz respeito a fluidos remanescentes e protecção catódica.
Abandono dos oleodutos
Lista (não exaustiva) anexa
ANSI/ASME B31.4 - liquid transportation systems for hydrocarbons, liquid petroleum gases, anhydrous ammonia and alcohols.
API 2200 - repairing crude oil, liquefied petroleum gases and product pipeline.
API 521 - guide for pressure-relieving and depressurizing systems.
API RP 1102 - recommended practice for liquid petroleum pipeline crossing railroads and highways.
API RP 1107 - recommended practice maintenance welding practices.
API RP 1110 - recommended practice for pressure testing of liquid petroleum pipeline.
API RP 5L1 - recommended practice for railroad transportation of line pipe.
API Spec 5L - specification for line pipe.
API Spec 6D - specification for pipeline valves.
API Std 1104 - standard for welding pipeline and related facilities.
ASME VIII.
EN NP 10204 - metallic products. Types of inspection documents.
ISO 14313 - pipeline valves (ball, check, gate and plug) used in petroleum and natural gas industries.
ISO 3183 - line pipe standard.
ISO 404 - steel and steel products - general technical delivery condition.
ISO 6251 - gases de petróleo liquefeitos - corrosão do cobre - ensaio em lâmina de cobre.
NF T 54-080 - dispositifs avertisseurs pour ouvrages enterrés - spécifications.
NF EN 10021 - tubes en acier - conditions techniques générales de livraison.
NP 1525 - produtos petrolíferos. Hidrocarbonetos líquidos. Colheita automática de amostras em oleoduto.