Aprova a Convenção Consular entre a República Portuguesa e a República Tunisina, assinada em Lisboa a 10 de Maio de 2000
Na presente Convenção, as expressões abaixo mencionadas devem entender-se como a seguir se indica:
1) Por «Estado que envia», a Alta Parte Contratante que nomeia os funcionários consulares, tais como a seguir definidos;
2) Por «Estado receptor», a Alta Parte Contratante em cujo território os funcionários consulares exercem as suas funções;
3) Por «nacionais», os nacionais de um dos dois Estados e, quando tal for o caso, as pessoas colectivas que tenham a sua sede social no território de um dos Estados e constituídas de acordo com a legislação deste Estado;
4) Por «posto consular», todo o consulado-geral, consulado ou agência consular;
5) Por «área de jurisdição consular», o território do Estado receptor no qual o funcionário consular exerce as suas funções;
6) Por «chefe de posto consular», a pessoa encarregada de dirigir um posto consular;
7) Por «funcionário consular», toda a pessoa, incluindo o chefe do posto consular, devidamente nomeada pelo Estado que envia para exercer funções consulares no Estado receptor, na qualidade de cônsul-geral, cônsul, vice-cônsul ou de agente consular.
O funcionário consular pode ser:
8) Por «empregado consular», toda a pessoa empregada nos serviços administrativos ou técnicos de um posto consular;
9) Por «membro do pessoal de serviço», toda a pessoa empregada no serviço doméstico de um posto consular;
10) Por «membro do posto consular», os funcionários consulares, os empregados consulares e os membros do pessoal de serviço;
11) Por «membro do pessoal privativo», toda a pessoa empregada exclusivamente no serviço privado de um membro do posto consular;
12) Por «instalações consulares», os edifícios ou partes de edifícios e terrenos anexos que, qualquer que seja o seu proprietário, sejam utilizados exclusivamente para os fins do posto consular;
13) Por «arquivos consulares», todos os papéis, documentos, correspondência, livros, filmes, fitas magnéticas e registos do posto consular, bem como o material de cifra, os ficheiros e os móveis destinados a protegê-los e a conservá-los;
14) Por «navio do Estado que envia», toda a embarcação registada de acordo com a legislação do Estado que envia, incluindo aquelas que são propriedade do Estado que envia, com excepção dos navios de guerra;
15) Por «aeronave do Estado que envia», toda a aeronave registada de acordo com a legislação do Estado que envia, incluindo aquelas que são propriedade do Estado que envia, com excepção das aeronaves militares.
Logo que o chefe de posto consular for admitido, ainda que a título provisório, ao exercício das suas funções, o Estado receptor deverá notificar as autoridades competentes da área de jurisdição consular; deverá igualmente providenciar para que sejam tomadas as medidas necessárias a fim de que o chefe de posto consular possa cumprir os deveres do seu cargo e beneficiar do tratamento previsto pelas disposições da presente Convenção.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Estado receptor ou a autoridade por ele designada deverá ser notificada:
As instalações consulares e a residência do chefe do posto consular de carreira são invioláveis. As autoridades do Estado receptor não poderão aí penetrar, excepto com o consentimento do chefe do posto consular, da pessoa designada por ele ou do chefe da missão diplomática do Estado que envia. Todavia, o consentimento é presumido em caso de incêndio ou outro sinistro que exija medidas de protecção imediatas.
Sem prejuízo das leis e regulamentos do Estado receptor relativamente às zonas cujo acesso é interdito ou regulamentado por razões de segurança nacional, qualquer membro do posto consular está autorizado a circular livremente no território do Estado receptor para o exercício das suas funções.
Em caso de falecimento de um membro do posto consular ou de um membro da sua família que com ele viva, o Estado receptor é obrigado a:
1) Permitir a exportação dos bens móveis do falecido, excepto dos que tenham sido adquiridos no Estado receptor e que sejam objecto de uma proibição de exportação na altura do falecimento;
2) Não cobrar impostos nacionais, regionais ou municipais de sucessão ou transmissão sobre os bens móveis que se encontrem no Estado receptor unicamente devido à presença neste Estado do falecido como membro do posto consular ou membro da família de um membro de posto consular.
Sem prejuízo dos seus privilégios e imunidades, todas as pessoas que beneficiarem desses privilégios e imunidades terão o dever de respeitar as leis e os regulamentos do Estado receptor, nomeadamente os regulamentos relativos à circulação. Terão igualmente o dever de não se imiscuir nos assuntos internos do referido Estado.
Os membros do posto consular deverão cumprir todas as obrigações impostas pelas leis e regulamentos do Estado receptor relativas ao seguro de responsabilidade civil pela utilização de qualquer veículo, navio ou aeronave.
Em caso de falecimento de um membro do posto consular, os membros da sua família que com ele vivam continuarão a gozar os privilégios e imunidades de que beneficiem até à primeira das seguintes datas: aquela em que abandonarem o território do Estado receptor ou aquela em que expire um prazo razoável que lhes tenha sido concedido para esse fim.
O Estado que envia os membros do posto consular e os membros da sua família deverão sujeitar-se às formalidades prescritas pelas autoridades administrativas do Estado receptor quanto à aplicação das disposições do título III.
Os funcionários consulares têm como atribuições:
1) Proteger no Estado receptor os direitos e interesses do Estado que envia e dos seus nacionais e favorecer o desenvolvimento, nos domínios comercial, económico, social, marítimo, aéreo, turístico, científico, cultural e técnico, das relações entre as Partes Contratantes;
2) Prestar assistência aos nacionais do Estado que envia nas suas diligências junto das autoridades do Estado receptor;
3) Adoptar, de acordo com as práticas e procedimentos que vigoram no Estado receptor, as medidas adequadas para assegurar a representação apropriada dos nacionais do Estado que envia perante os tribunais e outras autoridades do Estado receptor e para conseguir a adopção de medidas provisórias com vista à salvaguarda dos direitos e interesses destes nacionais quando, em virtude de estarem ausentes ou por qualquer outra causa, não possam os mesmos defender, em tempo útil, os seus direitos e interesses;
4) Informar-se, por todos os meios lícitos, das condições e da evolução da vida comercial, económica, social, turística, cultural, técnica e científica do Estado receptor, informar a esse respeito o Estado que envia e facultar informações às pessoas interessadas.
Os funcionários consulares, na sua área de jurisdição consular, têm o direito a:
1) Proceder à inscrição, em conformidade com a legislação do Estado receptor, ao recenseamento dos seus nacionais. Para esse efeito, poderão solicitar a colaboração das autoridades competentes desse Estado;
2) Publicar, através da imprensa, avisos dirigidos aos seus nacionais ou de lhes transmitir instruções e documentos diversos provenientes das autoridades do Estado que envia, desde que esses avisos, ordens ou documentos digam respeito a um serviço nacional;
3) Emitir, renovar ou modificar:
4) Transmitir os actos judiciais e extrajudiciais e dar cumprimento a cartas rogatórias em conformidade com os acordos internacionais em vigor ou, na sua falta, de qualquer outra maneira compatível com as leis e regulamentos do Estado receptor;
5):
6) Receber na forma notarial, desde que as leis e regulamentos do Estado receptor a tal não se oponham:
7) Receber em depósito, desde que tal não contrarie a legislação do Estado receptor, somas de dinheiro, documentos e objectos de natureza vária que lhe sejam remetidos pelos nacionais do Estado que envia ou em seu nome. Estes depósitos não beneficiam da imunidade prevista no artigo 14.º da presente Convenção e devem ser conservados separadamente dos arquivos, documentos e registos aos quais se aplicam as disposições do referido artigo. Estes depósitos apenas podem ser exportados do Estado receptor em conformidade com as leis e regulamentos deste Estado;
8) Agir na qualidade de notário e de conservador do registo civil e exercer funções similares, assim como certas funções de carácter administrativo, desde que tal não contrarie as leis e os regulamentos do Estado receptor;
9) Salvaguardar, dentro dos limites fixados pelas leis e regulamentos do Estado receptor, os interesses dos menores e dos incapazes nacionais do Estado que envia, particularmente quando para eles for requerida a instituição da tutela ou curatela.
Qualquer comunicação dirigida ao posto consular pela pessoa presa, detida ou de qualquer outra forma privada da sua liberdade, deverá ser transmitida sem tardar pelas autoridades do Estado receptor. Estas deverão informar o interessado dos seus direitos previstos no presente parágrafo.
Quando um navio do Estado que envia se encontre num porto do Estado receptor, o capitão e os membros da tripulação do navio poderão comunicar com o chefe do posto consular da área de jurisdição na qual o porto está situado e aquele poderá exercer com toda a liberdade as funções visadas no artigo 39.º, sem ingerência por parte das autoridades do Estado receptor. Para o exercício das suas funções, o chefe do posto consular, acompanhado, se assim o desejar, de um ou vários membros do pessoal consular, poderá deslocar-se a bordo do navio, depois de este ter livre prática.
O capitão e qualquer membro da tripulação poderão igualmente, para os mesmos fins, dirigir-se ao posto consular em cuja área de jurisdição se encontra o navio, e serão, se for o caso, munidos para esse fim de um salvo conduto emitido pelas autoridades do Estado receptor. Se estas autoridades a tal se opuserem, deverão informar imediatamente o posto consular competente.
O chefe do posto consular poderá solicitar a assistência das autoridades do Estado receptor em todos os assuntos respeitantes ao exercício das funções previstas no presente artigo. Estas autoridades deverão prestar tal assistência, a menos que tenham razões válidas para, num caso particular, a recusarem.
Os funcionários consulares poderão:
1) Receber quaisquer declarações e emitir quaisquer documentos prescritos pela legislação do Estado que envia respeitantes:
2) Interrogar o capitão ou os membros da tripulação, examinar os papéis do navio, receber as declarações relativas ao seu itinerário e ao seu destino e, de uma maneira geral, facilitar a sua chegada e partida;
3) Acompanhar o capitão ou os membros da tripulação perante as autoridades do Estado receptor e prestar-lhes assistência, incluindo, se for o caso, proporcionar assistência judiciária;
4) Sob reserva das autoridades judiciais do Estado receptor se declararem competentes, por aplicação das disposições previstas no artigo 35.º da presente Convenção, regular os litígios de qualquer natureza entre o capitão, os oficiais e os membros da tripulação, incluídos os que se referem a salários e ao cumprimento do contrato de trabalho. Sob a mesma reserva, poderão exercer os poderes que lhes forem atribuídos pelo Estado que envia no que respeita à contratação, embarque, licenciamento e desembarque dos marinheiros e tomar as medidas para a manutenção da boa ordem e da disciplina a bordo;
5) Tomar medidas para fazer respeitar a legislação do Estado que envia em matéria de navegação relativamente aos navios deste Estado;
6) Proceder, se for necessário, à repatriação ou à hospitalização do capitão ou dos membros da tripulação do navio;
7) Efectuar os actos de inventário e outras operações necessárias à conservação de bens e objectos de qualquer natureza deixados pelos nacionais, marinheiros e passageiros que tenham falecido a bordo de um navio do Estado que envia antes da sua chegada ao porto.
Estas autoridades tomarão todas as medidas necessárias para o salvamento do navio, das pessoas, da carga e outros bens a bordo, bem como para prevenir ou reprimir qualquer pilhagem e qualquer desordem no navio.
Se o navio naufragar ou encalhar ou for abandonado num porto ou constituir um perigo para a navegação nas águas territoriais do Estado receptor, as autoridades competentes poderão igualmente fazer adoptar todas as medidas necessárias para evitar os prejuízos que possam ser causados pelo navio.
O chefe de posto consular estará autorizado a tomar, na qualidade de representante do armador, as disposições que este último pudesse tomar se estivesse presente, no que respeita ao destino do navio, em conformidade com as disposições da legislação territorial. Salvo se o capitão estiver munido de poderes especiais do armador que o habilitem para este efeito ou se os interessados, proprietários do navio e da carga, armadores, seguradoras, assegurando a representação de todos os interesses sem excepção, pagarem as despesas já efectuadas e derem caução para as que falte regularizar.
Nenhum direito ou taxa aplicável à importação de mercadorias no território será cobrado pelas autoridades do Estado receptor relativamente aos objectos transportados pelo navio naufragado ou encalhado ou abandonado ou que deste façam parte, a menos que estes objectos sejam desembarcados para uso ou consumo no território.
Nenhum direito ou taxa para além das que são referidas na alínea precedente será cobrado pelas autoridades do Estado receptor no que respeita ao navio naufragado ou encalhado ou à sua carga, fora dos direitos e taxas de natureza e de montantes similares que seriam cobrados em circunstâncias análogas relativamente a navios do Estado receptor.
As disposições dos artigos 38.º, 39.º, 40.º e 41.º não são aplicáveis aos navios de guerra e às aeronaves militares.
Os funcionários consulares apenas poderão exercer as suas funções na respectiva área de jurisdição consular. Todavia, mediante o consentimento das autoridades do Estado receptor, poderão exercê-las fora da sua área de jurisdição consular.
Para além das funções enumeradas na presente Convenção, os funcionários consulares estão autorizados a exercer quaisquer outras funções consulares reconhecidas pelo Estado receptor como compatíveis com a sua qualidade.
Após notificação apropriada ao Estado receptor e a não ser que este a tal se oponha, um posto consular do Estado que envia poderá exercer funções consulares no Estado receptor por conta de um terceiro Estado.
No exercício das suas funções oficiais, os funcionários consulares poderão dirigir-se a todas as autoridades competentes da sua área de jurisdição consular, incluindo os representantes das autoridades centrais. Não poderão ter acesso directo ao Ministério dos Negócios Estrangeiros a não ser na ausência de todo e qualquer agente diplomático do Estado que envia.
O Estado que envia poderá, após notificação ao Estado receptor e a não ser que este a tal se oponha, encarregar um posto consular estabelecido neste Estado do exercício de funções consulares num outro Estado.
A presente Convenção poderá ser alterada por consentimento mútuo, a pedido de uma das Altas Partes Contratantes. Qualquer alteração a esta Convenção apenas entrará em vigor quando tiver sido confirmada por troca de notas pela via diplomática.
A presente Convenção entrará em vigor na data da última notificação do cumprimento dos procedimentos constitucionais exigidos em cada uma das Altas Partes Contratantes.
A presente Convenção permanecerá em vigor por período ilimitado.
Cada uma das Altas Partes Contratantes poderá em qualquer momento denunciar a Convenção e esta denúncia terá efeito seis meses após a data da recepção da sua notificação pelo outro Estado.
Feito em Lisboa, a 10 de Maio de 2000, em dois exemplares, em língua portuguesa, árabe e francesa. Em caso de divergência prevalecerá o texto em língua francesa.
Pela República Portuguesa:
Jaime José Matos da Gama, Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Pela República Tunisina:
Ben Yahia, Ministro dos Negócios Estrangeiros.
CONVENTION CONSULAIRE ENTRE LA REPUBLIQUE PORTUGAISE ET LA REPUBLIQUE TUNISIENNE
La République Portugaise et la République Tunisienne:
Désireuses de développer les rapports d'amitié et de coopération entre les peuples portugais et Tunisien;
Conscientes de l'intérêt pour les deux parties de promouvoir la coopération dans le domaine consulaire en vue de faciliter la protection et la défense des intérêts de leurs ressortissants respectifs et ce, dans l'esprit de la Convention de Vienne de 1963 sur les Relations Consulaires;
Persuadées que cette forme de coopération s'inscrit dans le cadre des excellents rapports d'amitié entre les deux pays;
ont convenu des dispositions qui suivent:
TITRE I
Definitions
Article 1
Dans la présente Convention il faut entendre:
1) Par «Etat d'envoi», la Haute Partie Contractante qui nomme les fonctionnaires consulaires tels que définis ci-après;
2) Par «Etat de résidence», la Haute Partie Contractante sur le territoire de laquelle les fonctionnaires consulaires exercent leurs fonctions;
3) Par «ressortissants», les nationaux de l'un des deux Etats et, lorsque le contexte l'admet, les personnes morales ayant leur siège social sur le territoire de l'un des deux Etats, et constituées conformément à la législation de cet Etat;
4) Par «poste consulaire», tout consulat général, consulat ou agence consulaire;
5) Par «circonscription consulaire», le territoire dans l'Etat de résidence dans la limite duquel un fonctionnaire consulaire exerce ses fonctions;
6) Par «chef de poste consulaire», la personne chargée de diriger un poste consulaire;
7) Par «fonctionnaire consulaire», toute personne y compris le chef de poste consulaire, dûment nommée par l'Etat d'envoi pour exercer des fonctions consulaires dans l'Etat de résidence en qualité de consul général, de Consul, de vice-consul ou d'agent consulaire.
Un fonctionnaire consulaire peut être:
8) Par «employé consulaire», toute personne employée dans les services administratifs ou techniques d'un poste consulaire;
9) Par «membre du personnel de service», toute personne affectée au service domestique d'un poste consulaire;
10) Par «membre du poste consulaire», les fonctionnaires consulaires, les employés consulaires et les membres du personnel de service;
11) Par «membre du personnel privé», une personne employée exclusivement au service privé d'un membre du poste consulaire;
12) Par «locaux consulaires», les bâtiments ou parties des bâtiments et terrains attenants qui, quelqu'en soit le propriétaire, sont utilisés exclusivement aux fins du poste consulaire;
13) Par «archives consulaires», tous les papiers, documents, correspondances, livres, films, rubans magnétiques et registres du poste consulaire, ainsi que le matériel du chiffre, les fichiers et les meubles destinés à les protéger et à les conserver;
14) Par «navire de l'Etat d'envoi», tout bâtiment de navigation maritime immatriculé ou enregistré conformément à la législation de l'Etat d'envoi, y compris ceux dont l'Etat d'envoi est propriétaire, à l'exception des bâtiments de guerre;
15) Par «aéronef de l'Etat d'envoi», tout aéronef immatriculé ou enregistré conformément à la législation de l'Etat d'envoi, y compris ceux dont l'Etat d'envoi est propriétaire, à l'exception des aéronefs militaires.
TITRE II
De l'Etablissement et de la conduite des relations consulaires
Article 2
Article 3
Article 4
Dès que le chef de poste consulaire est admis, même à titre provisoire, à l'exercice de ses fonctions, l'Etat de résidence est tenu d'en informer les autorités compétentes de la circonscription consulaire; il est également tenu de veiller à ce que les mesures nécessaires soient prises afin que le chef de poste consulaire puisse s'acquitter des devoirs de sa charge et bénéficier du traitement prévu par les dispositions de la présente Convention.
Article 5
Article 6
Article 7
Article 8
Le ministère des Affaires étrangères de l'Etat de résidence ou l'autorité désignée par ce dernier doit être avisé:
TITRE III
Facilités, privilèges et immunités
Article 9
Article 10
Article 11
Article 12
Article 13
Les locaux consulaires et la résidence du chef de poste consulaire de carrière sont inviolables. Il n'est pas permis aux agents de l'Etat de résidence d'y pénétrer, sauf avec le consentement du chef de poste consulaire, de la personne désignée par lui ou du chef de la mission diplomatique de l'Etat d'envoi. En tout état de cause, le consentement est présumé acquis en cas d'incendie ou autre sinistre exigeant des mesures de protection immédiates.
Article 14
Article 15
Article 16
Article 17
Article 18
Article 19
Sous réserve des lois et règlements de l'Etat de résidence relatifs aux zones dont l'accès est interdit ou réglementé pour des raisons de sécurité nationale, tout membre du poste consulaire est autorisé à circuler librement dans l'Etat de résidence pour l'exercice de ses fonctions.
Article 20
Article 21
Article 22
Article 23
Article 24
En cas de décès d'un membre du poste consulaire ou d'un membre de sa famille qui vivait à son foyer, l'Etat de résidence est tenu:
1) De permettre l'exportation des biens meubles du défunt, à l'exception de ceux qui ont été acquis dans l'Etat de résidence et qui font l'objet d'une prohibition d'exportation au moment du décès;
2) De ne pas prélever de droits nationaux, régionaux, ou communaux de succession, ni de mutation sur des biens meubles dont la présence dans l'Etat de résidence était due uniquement à la présence dans cet Etat du défunt en tant que membre du poste consulaire ou membre de la famille d'un membre du poste consulaire.
Article 25
Article 26
Article 27
Article 28
Article 29
Sans préjudice de leurs privilèges et immunités, toutes les personnes qui bénéficient de ces privilèges et immunités ont le devoir de respecter les lois et règlements de l'Etat de résidence, notamment les règlements relatifs à la circulation. Elles ont également le devoir de ne pas s'immiscer dans les affaires intérieures de cet Etat.
Article 30
Les membres du poste consulaire doivent se conformer à toutes les obligations imposées par les lois et règlements de l'Etat de résidence en matière d'assurance de responsabilité civile pour l'utilisation de tout véhicule, bateau ou aéronef.
Article 31
Article 32
En cas de décès d'un membre du poste consulaire, les membres de sa famille vivant à son foyer continuent de jouir des privilèges et immunités dont ils bénéficient, jusqu'à la première des dates suivantes: celle où ils quittent l'Etat de résidence, ou à l'expiration d'un délai raisonnable qui leur aura été accordé à cette fin.
Article 33
L'Etat d'envoi, les membres du poste consulaire et les membres de leur famille doivent se conformer aux formalités prescrites par les autorités administratives de l'Etat de résidence quant à l'application des dispositions du titre III.
TITRE IV
Des fonctions consulaires
Article 34
Les fonctionnaires consulaires sont habilités à:
1) Protéger dans l'Etat de résidence les droits et intérêts de l'Etat d'envoi et de ses ressortissants et favoriser le développement des relations dans les domaines commercial, économique, social, maritime, aérien, touristique, scientifique, culturel et technique entre les Hautes Parties Contractantes;
2) Assister les ressortissants de l'Etat d'envoi dans leurs démarches devant les autorités de l'Etat de résidence;
3) Prendre, sous réserve des pratiques et procédures en vigueur dans l'Etat de résidence, des dispositions afin d'assurer la représentation appropriée des ressortissants de l'Etat d'envoi devant les tribunaux ou les autres autorités de l'Etat de résidence et l'adoption de mesures provisoires en vue de la sauvegarde des droits et intérêts de ces ressortissants lorsque, en raison de leur absence ou pour toute autre cause, ils ne peuvent défendre, en temps utile, leurs droits et intérêts;
4) S'informer par tous les moyens licites des conditions et de l'évolution de la vie commerciale, économique, sociale, touristique, scientifique, culturelle et technique de l'Etat de résidence, faire rapport à ce sujet à l'Etat d'envoi et donner des renseignements aux personnes intéressées.
Article 35
Les fonctionnaires consulaires ont le droit dans leur circonscription consulaire:
1) De procéder à l'immatriculation et, dans la mesure compatible avec la législation de l'Etat de résidence au recensement de leurs ressortissants. Ils peuvent demander à cet effet le concours des autorités compétentes de cet Etat;
2) De publier, par voie de presse, des avis à l'attention de leurs ressortissants ou de leur transmettre des ordres et documents divers émanant des autorités de l'Etat d'envoi, lorsque ces avis, ordres ou documents concernent un service national;
3) De délivrer, de renouveler ou modifier:
4) De transmettre des actes judiciaires et extrajudiciaires ou d'exécuter des commissions rogatoires conformément aux accords internationaux en vigueur ou, à défaut de tels accords, de toute manière compatible avec les lois et règlements de l'Etat de résidence;
5):
6) De recevoir en la forme notariée, pour autant que les lois et règlements de l'Etat de résidence ne s'y opposent pas:
7) De recevoir en dépôt, dans la mesure où la législation de l'Etat de résidence ne s'y oppose pas, des sommes d'argent, documents et objets de toute nature qui leur sont remis par les ressortissants de l'Etat d'envoi ou pour leur compte. Ces dépôts ne bénéficient pas de l'immunité prévue à l'article 14 de la présente Convention et doivent être tenus séparés des archives, documents et registres auxquels les dispositions dudit article s'appliquent. Ces dépôts ne peuvent être exportés de l'Etat de résidence que conformément aux lois et règlements de cet Etat;
8) Agir en qualité de notaire et d'officier d'état civil et exercer des fonctions similaires, ainsi que certaines fonctions d'ordre administratif, pour autant que les lois et règlements de l'Etat de résidence ne s'y opposent pas;
9) Sauvegarder, dans les limites fixées par les lois et règlements de l'Etat de résidence, les intérêts des mineurs et des incapables, ressortissants de l'Etat d'envoi, particulièrement lorsque l'institution d'une tutelle ou d'une curatelle à leur égard est requise.
Article 36
Toute communication adressée au poste consulaire par la personne arrêtée, détenue ou privée de sa liberté sous quelque forme que ce soit, doit être transmise sans retard par les autorités de l'Etat de résidence. Celles-ci doivent informer l'intéressé de ses droits aux termes du présent paragraphe.
Article 37
Toute mesure conservatoire ou disposition relative à ces effets ou sommes d'argent est soumise aux lois et règlements de l'Etat de résidence.
Article 38
Lorsqu'un navire de l'Etat d'envoi se trouve dans un port de l'Etat de résidence, le capitaine et les membres de l'équipage du navire sont autorisés à communiquer avec le chef de poste consulaire dans la circonscription duquel le port et situé et celui-ci est habilité à exercer en toute liberté les fonctions visées à l'article 39 sans immixtion de la part des autorités de l'Etat de résidence. Pour l'exercice de ces fonctions, le chef de poste consulaire, accompagné, s'il désire, d'un ou de plusieurs membres du personnel consulaire, peut se rendre à bord du navire après que celui-ci ait été admis à la libre pratique.
Le capitaine et tout membre de l'équipage peuvent également, à ces mêmes fins, se rendre au poste consulaire dans la circonscription duquel se trouve le navire, et sont, s'il y a lieu, dotés dans ce but par les autorités de l'Etat de résidence d'un sauf conduit. Si ces autorités s'y opposent, elles en informent immédiatement le poste consulaire compétent.
Le chef de poste consulaire peut demander l'assistance des autorités de l'Etat de résidence dans toute affaire concernant l'exercice des fonctions prévues au présent article. Ces autorités prêtent cette assistance à moins qu'elles n'aient des raisons valables de la refuser dans un cas particulier.
Article 39
Les fonctionnaires consulaires peuvent:
1) Recevoir toute déclaration et établir tout document prescrit par la législation de l'Etat d'envoi et concernant:
2) Interroger le capitaine et les membres de l'équipage, examiner les papiers du navire, recevoir les déclarations relatives à son itinéraire et à sa destination et, d'une manière générale, faciliter son arrivée et son départ;
3) Accompagner le capitaine ou les membres de l'équipage devant les autorités de l'Etat de résidence et leur prêter assistance y compris, s'il y a lieu, les faire assister en justice;
4) Sous réserve que les autorités judiciaires de l'Etat de résidence ne se déclarent pas compétentes, par application des dispositions de l'article 35 de la présente Convention, régler les contestations de toute nature entre le capitaine, les officiers et les membres de l'équipage, y compris celles qui concernent le solde et l'exécution du contrat d'engagement. Sous la même réserve, ils peuvent exercer les pouvoirs qui leurs sont attribués par l'Etat d'envoi en ce qui concerne l'engagement, l'embarquement, le licenciement et le débarquement des marins et prendre les mesures pour le maintien du bon ordre et de la discipline à bord;
5) Prendre des mesures pour faire respecter la législation de l'Etat d'envoi en matière de navigation concernant les navires de cet Etat;
6) Procéder, si besoin est, au rapatriement ou à l'hospitalisation du capitaine ou des membres de l'équipage du navire;
7) Effectuer les actes d'inventaire et autres opérations nécessaires pour la conservation des biens et objets de toute nature, laissés par les ressortissants, gens de mer et passagers, qui décéderaient à bord d'un navire de l'Etat d'envoi avant son arrivée dans le port.
Article 40
Article 41
Celles-ci prennent toutes mesures nécessaires pour le sauvetage du navire, des personnes, de la cargaison et autres biens à bord ainsi que pour prévenir ou réprimer tout pillage et tout désordre sur le navire.
Si le navire fait naufrage ou échoue ou est abandonné dans un port ou constitue un péril pour la navigation dans les eaux territoriales de l'Etat de résidence, les autorités compétentes peuvent également faire prendre toutes mesures nécessaires pour éviter les dommages qui pourraient être causés par le navire.
Le chef de poste consulaire est autorisé à prendre, en qualité de représentant de l'armateur, les dispositions que ce dernier aurait pu prendre s'il avait été présent, en ce qui concerne le sort du navire, conformément aux dispositions de la législation territoriale. Il n'en est autrement que, si le capitaine est muni de pouvoirs spéciaux de l'armateur l'habilitant à cet effet, ou si les intéressés, propriétaires du navire et de la cargaison, armateurs, assureurs, assurant la représentation de tous les intérêts sans exception, acquittent les frais déjà encourus et donnent caution pour ceux qui restent à régler.
Aucun droit et taxe frappant l'importation des marchandises dans le territoire ne sont perçus par les autorités de l'Etat de résidence sur les objets transportés par le navire naufragé ou échoué ou abandonné ou faisant partie de celui-ci, à moins que ces objets ne soient débarqués par l'usage ou la consommation dans le territoire.
Aucun droit et taxe autres que ceux envisagés à l'alinéa précédent ne sont perçus par les autorités de l'Etat de résidence en ce qui concerne le navire naufragé ou échoué ou sa cargaison en dehors des droits et taxes de nature et de montant similaires qui seraient perçus dans des circonstances analogues sur des navires de l'Etat de résidence.
Article 42
Les dispositions des articles 38, 39, 40 et 41 ne s'appliquent pas aux navires de guerre et aux aéronefs militaires.
Article 43
TITRE V
Dispositions generales
Article 44
Les fonctionnaires consulaires n'ont le droit d'exercer leurs attributions que dans leur circonscription consulaire. Néanmoins, moyennant le consentement des autorités de l'Etat de résidence, ils peuvent les exercer hors de leur circonscription.
Article 45
Outre les fonctions énumérées dans la présente Convention, les fonctionnaires consulaires sont autorisés à exercer toute autre fonction consulaire reconnue par l'Etat de résidence comme étant compatible avec leur qualité.
Article 46
Après notification appropriée à l'Etat de résidence et à moins que celui-ci ne s'y oppose, un poste consulaire de l'Etat d'envoi peut exercer des fonctions consulaires dans l'Etat de résidence pour le compte d'un Etat tiers.
Article 47
Dans l'exercice de leurs fonctions officielles, les fonctionnaires consulaires ont le droit de s'adresser à toute autorité compétente de leur circonscription, y compris les représentants des autorités centrales. Ils ne peuvent avoir recours directement au ministère des Affaires étrangères qu'en l'absence de tout agent diplomatique de l'Etat d'envoi.
Article 48
L'Etat d'envoi peut, après notification de l'Etat de résidence, et à moins que celui-ci ne s'y oppose, charger un poste consulaire établi dans cet Etat d'assurer l'exercice de fonctions consulaires dans un autre Etat.
Article 49
Article 50
La présente Convention peut être amendée par consentement mutuel, à la demande de l'une ou l'autre des Hautes Parties Contractantes. Tout amendement à cette Convention n'entrera en vigueur que lorsqu'il aura été confirmé par échange de notes par la voie diplomatique.
Article 51
La présente Convention entrera en vigueur à la date de la dernière notification de l'accomplissement des procédures constitutionnelles exigées dans chacune des Hautes Parties Contractantes.
Elle demeurera en vigueur pour une période illimitée.
Chacune des Hautes Parties Contractantes pourra à tout moment la dénoncer et cette dénonciation prendra effet six mois après la date de la réception de sa notification par l'autre Etat.
Fait à Lisbonne, le 10 mai le 2000, en deux exemplaires, en langues portugaise, arabe et française. En cas de divergence, le texte en langue française prévaudra.
Pour la République Portugaise:
Jaime José Matos da Gama, Ministre des Affaires Etrangères.
Pour la République Tunisienne:
Ben Yahia, Ministre des Affaires Etrangères.
(ver texto em língua árabe no documento original)